{"id":81006,"date":"2018-03-03T18:15:25","date_gmt":"2018-03-03T21:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81006"},"modified":"2018-03-03T18:15:25","modified_gmt":"2018-03-03T21:15:25","slug":"fake-news-e-ativismo-comprometem-informacao-sobre-nutricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fake-news-e-ativismo-comprometem-informacao-sobre-nutricao\/","title":{"rendered":"Fake news e ativismo comprometem informa\u00e7\u00e3o sobre nutri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alimentacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81007\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alimentacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alimentacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alimentacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por <em>M\u00e1rcia Terra*<\/em><\/p>\n<p>Trabalhar com\u00a0<strong>informa\u00e7\u00e3o sobre nutri\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0nunca foi t\u00e3o desafiador. Foi-se o tempo em que as fontes eram profissionais refer\u00eancias em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o e os canais de comunica\u00e7\u00e3o, os jornais, as revistas e as emissoras de TV e r\u00e1dio. Hoje as m\u00eddias s\u00e3o as mais diversas e as fontes do saber n\u00e3o se restringem a especialistas e estudiosos.<\/p>\n<p>Sim, vivemos tempos conturbados na comunica\u00e7\u00e3o e a nutri\u00e7\u00e3o foi atingida em cheio pela onda das fake news. Trata-se da mais devastadora\u00a0<strong>praga<\/strong>\u00a0da nova era da informa\u00e7\u00e3o. E, como toda praga, ela se espalha com uma facilidade e rapidez que fica quase imposs\u00edvel combat\u00ea-la.<\/p>\n<p>Quando falamos em not\u00edcia falsa, quanto mais controverso e complexo for o assunto, mais aten\u00e7\u00e3o ele tende a atrair. Isso acontece porque ela tem a capacidade de simplificar temas complicados, dif\u00edceis de entender, tanto do ponto de vista cient\u00edfico, como social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico, uma vez que manipula o conhecimento t\u00e9cnico e o sistema de valores vigente. A \u00e1rea de alimentos \u00e9 a v\u00edtima perfeita para as\u00a0<em>fake news<\/em>, pois est\u00e1 sujeita a um fluxo constante de informa\u00e7\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es. Essa l\u00f3gica se aplica, por exemplo, \u00e0s\u00a0culturas geneticamente modificadas, aos defensivos agr\u00edcolas e aos alimentos industrializados.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da m\u00eddia tradicional, cujos profissionais checam a veracidade das informa\u00e7\u00f5es e entrevistam fontes gabaritadas para produzir conte\u00fado, n\u00e3o conseguimos verificar a proced\u00eancia do que \u00e9 veiculado nas \u201cnot\u00edcias\u201d da internet e das redes sociais. Al\u00e9m disso, a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem data definida. Uma vez na rede, ela se torna atemporal, indo e voltando de tempos em tempos\u00a0\u2014 muitas vezes, fora de contexto.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, a fim de diminuir os danos causados pelas\u00a0<em>fake news<\/em>, t\u00eam surgido sites que prestam um servi\u00e7o muito interessante: checar a veracidade da informa\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea tem d\u00favida quanto \u00e0 autenticidade de uma determinada hist\u00f3ria que circula por a\u00ed, pode procurar um site desses e checar, antes de repass\u00e1-la adiante.<\/p>\n<p>Mas o problema nem sempre \u00e9 o conte\u00fado falso, mas, sim, o conte\u00fado mal explicado. Quer fazer um teste? Aposto como voc\u00ea j\u00e1 leu sucessivas vezes que o uso de defensivo agr\u00edcola no Brasil \u00e9 muito alto, certo? Em n\u00fameros absolutos isso at\u00e9 pode ser verdade, mas, quando vemos esse dado, precisamos refletir melhor sobre o contexto do qual ele faz parte.<\/p>\n<p>Segundo a\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal (Andef), o Brasil \u00e9 hoje o maior mercado mundial de defensivos agr\u00edcolas. Mas isso n\u00e3o significa que estamos sendo envenenados. A lideran\u00e7a brasileira nesse ranking \u00e9 justificada pelas caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas do pa\u00eds, que por um lado permite o cultivo de duas a tr\u00eas safras anuais, por\u00e9m exige tratamento constante contra pragas e insetos invasores. Com tr\u00eas ciclos de produ\u00e7\u00e3o anuais, \u00e9 esperado que o consumo de defensivos seja maior.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos e na Europa, que colhem praticamente uma grande safra ao ano, parte do controle das pragas \u00e9 feito naturalmente no inverno, quando a neve cobre o solo e impede a prolifera\u00e7\u00e3o dos insetos. Ainda assim, no ver\u00e3o os defensivos s\u00e3o amplamente utilizados pelos produtores locais desses pa\u00edses com uma efici\u00eancia, diga-se, muito menor quando comparados aos agricultores brasileiros.<\/p>\n<div id=\"abril_newsletter_shortcode\"><\/div>\n<p>De acordo com um estudo realizado pela consultoria alem\u00e3\u00a0Kleffmann, o Brasil colhe, em m\u00e9dia,\u00a0<strong>142 quilos de alimentos<\/strong>\u00a0a cada d\u00f3lar investido em defensivos. Nos Estados Unidos, a m\u00e9dia \u00e9 de 94 quilos por d\u00f3lar, enquanto na Europa, ber\u00e7o dos ambientalistas, a produtividade \u00e9 de apenas 51 quilos por d\u00f3lar. O Jap\u00e3o tem o pior desempenho: 8 quilos para cada d\u00f3lar investido. Portanto, se h\u00e1 um t\u00edtulo do qual o Brasil pode se orgulhar \u00e9 o de campe\u00e3o mundial de produtividade e efici\u00eancia no agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Com esse exemplo refor\u00e7o o pedido para voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o ao tipo de mensagem sobre alimenta\u00e7\u00e3o que vem sendo veiculada no Brasil. H\u00e1 muitas pessoas e grupos ativistas tentando nos convencer sobre o que n\u00e3o devemos comer. E, pior, usando pol\u00edtica p\u00fablica para nos fazer viver segundo suas opini\u00f5es. Embora muitos sejam \u00f3timos no marketing pessoal e no de institui\u00e7\u00f5es, poucos conhecem as demandas de nosso estilo de vida, nutri\u00e7\u00e3o, agricultura e economia alimentar.<\/p>\n<p>O\u00a0Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, lan\u00e7ado em 2014, \u00e9 francamente contr\u00e1rio aos alimentos industrializados. Todo seu texto \u00e9 permeado de cr\u00edticas, que geram uma imagem distorcida e dist\u00f3pica da agricultura moderna, renegando sua hist\u00f3ria de sucesso e sua repercuss\u00e3o social.<\/p>\n<p>O conselho mais seguro que posso lhe dar \u00e9: coma de forma variada e com modera\u00e7\u00e3o. E resista \u00e0 intromiss\u00e3o dos ativistas alimentares dentro e fora do governo. N\u00e3o existe nenhum alimento bom ou ruim. O que existe s\u00e3o h\u00e1bitos alimentares equilibrados ou desequilibrados.<\/p>\n<p>Dizer \u00e0s pessoas que algo \u00e9 bom ou ruim torna a popula\u00e7\u00e3o mais dependente de uma entidade ou governo agindo de forma paternalista. E isso s\u00f3 alimenta a falta de pensamento cr\u00edtico. A solu\u00e7\u00e3o para uma comunica\u00e7\u00e3o exagerada ou at\u00e9 mesmo falsa n\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um selo ou frase de advert\u00eancia estampados pelo governo nos produtos, desestimulando a compra pelo temor. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o: ensinar as pessoas a lerem e interpretarem r\u00f3tulos a fim de fazer escolhas conscientes e condizentes com a gest\u00e3o da pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, depois de tantos desafios envolvendo a informa\u00e7\u00e3o em nutri\u00e7\u00e3o, reproduzo abaixo o conte\u00fado de uma campanha publicit\u00e1ria veiculada h\u00e1 alguns anos que comparava a informa\u00e7\u00e3o com dois ingredientes indispens\u00e1veis \u00e0 sobreviv\u00eancia humana: comida e \u00e1gua. Voc\u00ea pode recorrer \u00e0 mesma analogia para verificar se uma informa\u00e7\u00e3o sobre alimenta\u00e7\u00e3o que chega at\u00e9 o seu computador ou celular \u00e9 realmente boa.<\/p>\n<p><em>\u201cSe n\u00e3o for fresca n\u00e3o serve,<\/em><\/p>\n<p><em>sem conte\u00fado n\u00e3o sustenta,<\/em><\/p>\n<p><em>muito rebuscada complica,<\/em><\/p>\n<p><em>se n\u00e3o cheirar bem \u00e9 melhor investigar,<\/em><\/p>\n<p><em>se n\u00e3o acrescenta voc\u00ea deixa de lado,<\/em><\/p>\n<p><em>sem bom senso n\u00e3o \u00e9 levada a s\u00e9rio e<\/em><\/p>\n<p><em>quando \u00e9 feita por quem entende voc\u00ea v\u00ea logo a diferen\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Boa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 que nem comida, alimenta.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSe for s\u00f3 uma gotinha n\u00e3o sacia,<\/em><\/p>\n<p><em>se for demais afoga,<\/em><\/p>\n<p><em>se est\u00e1 contaminada n\u00e3o serve,<\/em><\/p>\n<p><em>se n\u00e3o analisar \u00e9 um perigo,<\/em><\/p>\n<p><em>se n\u00e3o usar evapora,<\/em><\/p>\n<p><em>sem conhecer a fonte n\u00e3o d\u00e1 pra confiar e<\/em><\/p>\n<p><em>se n\u00e3o chegar at\u00e9 voc\u00ea \u00e9 in\u00fatil.<\/em><\/p>\n<p><em>Boa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 que nem \u00e1gua.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* M\u00e1rcia Terra \u00e9 nutricionista e membro da diretoria da\u00a0Sociedade Brasileira de Nutri\u00e7\u00e3o e Alimenta\u00e7\u00e3o (SBAN)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por M\u00e1rcia Terra* Trabalhar com\u00a0informa\u00e7\u00e3o sobre nutri\u00e7\u00e3o\u00a0nunca foi t\u00e3o desafiador. 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