{"id":8097,"date":"2014-10-07T17:00:01","date_gmt":"2014-10-07T17:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=8097"},"modified":"2014-10-07T00:15:32","modified_gmt":"2014-10-07T00:15:32","slug":"projeto-tamar-protege-2-milhoes-de-tartaruguinhas-em-oito-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-tamar-protege-2-milhoes-de-tartaruguinhas-em-oito-estados\/","title":{"rendered":"Projeto Tamar protege 2 milh\u00f5es de tartaruguinhas em oito estados"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tartaruga_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-8098\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tartaruga_.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Cuidados ocorrem nas \u00e9pocas e \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o, desova, crescimento e descanso no litoral.<\/p>\n<p>As tartarugas marinhas j\u00e1 come\u00e7am a chegar \u00e0s praias brasileiras, onde nasceram, para colocar seus ovos. O processo se repete todo ano, de setembro a dezembro e, desta vez, mais de 2 milh\u00f5es de filhotes ser\u00e3o liberados ao mar, sob a prote\u00e7\u00e3o do Programa Brasileiro de Conserva\u00e7\u00e3o das Tartarugas Marinhas, o Projeto Tamar. Cerca de 20 milh\u00f5es de filhotes de tartarugas marinhas ser\u00e3o protegidos e levados ao mar, no Brasil, at\u00e9 o final de 2015, pelos pesquisadores que monitoram cerca de 1.100 quil\u00f4metros de praias em 25 localidades do litoral brasileiro.<\/p>\n<p>Os cuidados com esses animais ocorrem nas \u00e9pocas e \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o, desova, crescimento e descanso no litoral e nas ilhas oce\u00e2nicas da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1, Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Santa Catarina. Criado h\u00e1 35 anos, a institui\u00e7\u00e3o trabalha com pesquisa, prote\u00e7\u00e3o e manejo das cinco esp\u00e9cies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral do Brasil, todas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, um s\u00e9rio problema provocado pelo ser humano, pois as tartarugas existem no planeta h\u00e1 pelo menos 110 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O Projeto Tamar \u00e9 fruto da coopera\u00e7\u00e3o entre o Centro Tamar, ligado ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), e a Funda\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-Tamar. Tem o patroc\u00ednio oficial da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, e o apoio do T\u00edtulo de Capitaliza\u00e7\u00e3o Bradesco P\u00e9 Quente.<\/p>\n<p>REPRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>As estrelas acompanhadas pelos pesquisadores do Projeto Tamar s\u00e3o a tartaruga-cabe\u00e7uda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), animais migrat\u00f3rios por excel\u00eancia, que fazem viagens atrav\u00e9s dos oceanos, mas sempre retornam \u00e0 praia onde nasceram para desovar, repetindo o ciclo.\u00a0 A carn\u00edvora tartaruga Oliva \u00e9 a mais precoce do grupo, alcan\u00e7ando a maturidade sexual entre os 11 e os 16 anos de idade. As demais esp\u00e9cies s\u00f3 se tornam adultas e sexualmente maduras entre os 20 e os 30 anos de vida.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do Projeto, os n\u00fameros confirmam o enorme progresso do Tamar. \u201cNa primeira temporada de reprodu\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas monitoradas, em 1982, um esfor\u00e7o conjunto entre pescadores e a equipe de pesquisadores colocou no mar, com muita alegria, 2 mil filhotes das cinco esp\u00e9cies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil\u201d, conta o ocean\u00f3grafo coordenador do Centro Tamar-ICMBio, Jo\u00e3o Carlos Thom\u00e9. Tr\u00eas d\u00e9cadas e meia depois, na temporada atual (2014-2015), a quantidade de filhotes protegidos poder\u00e1 chegar a mais de 2 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>\u00c1GUAS PERIGOSAS<\/p>\n<p>Mas os perigos continuam amea\u00e7ando a exist\u00eancia desses animais. De acordo com o coordenador nacional do Centro Tamar, al\u00e9m dos predadores naturais, as a\u00e7\u00f5es do homem est\u00e3o entre as principais amea\u00e7as \u00e0 sobreviv\u00eancia das tartarugas marinhas. Destacam-se a pesca incidental, ao longo de toda a costa, com redes de espera, e, em alto-mar, com anz\u00f3is e redes de deriva (ou emalhe, s\u00e3o artes de pesca mantidas na superf\u00edcie, ou a certa dist\u00e2ncia abaixo dela, por meio de boias); a destrui\u00e7\u00e3o do habitat usado para desova em fun\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o desordenada do litoral; o tr\u00e2nsito de ve\u00edculos nas praias e a polui\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n<p>Alem disso, h\u00e1 o impacto negativo da fotopolui\u00e7\u00e3o, que consiste na incid\u00eancia de luz artificial nas praias, resultado da expans\u00e3o urbana no litoral, fato que prejudica f\u00eameas e filhotes. As f\u00eameas deixam de desovar, evitando o litoral, se a praia est\u00e1 iluminada inadequadamente. Os filhotes, por sua vez, ficam desorientados, pois, em vez de seguir para o mar, guiados pela luz do horizonte, caminham para o continente, atra\u00eddos pela ilumina\u00e7\u00e3o artificial e, fatalmente, s\u00e3o atropelados, devorados por predadores, como c\u00e3es e raposas, ou morrem de desidrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>INVESTIMENTO<\/p>\n<p>O Projeto Tamar investe R$ 10 milh\u00f5es por ano, entre os recursos aplicados diretamente pelo governo e pela sociedade civil, nas atividades de pesquisa, conserva\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o social, envolvendo mais de mil pessoas em oito estados. \u201c\u00c9 essencial recuperar as popula\u00e7\u00f5es de tartarugas marinhas a n\u00edveis saud\u00e1veis para que elas possam cumprir sua fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica nos oceanos, com envolvimento e mudan\u00e7a de mentalidade da sociedade\u201d, afirma Jo\u00e3o Carlos Thom\u00e9.<\/p>\n<p>O sucesso do empreendimento, na opini\u00e3o de Thom\u00e9, deve-se ao fato de o projeto ser um exemplo de parceria entre governo e sociedade de mais de 30 anos, garantindo-se que os resultados perseguidos pelos dois lados sejam alcan\u00e7ados, independentemente das mudan\u00e7as de governo e da realidade social. Ele acredita que o governo precisa continuar a estabelecer pol\u00edticas p\u00fablicas, criar \u00e1reas protegidas e oferecer aporte de recursos para manejo e prote\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, sendo que a Funda\u00e7\u00e3o Tamar complementa os recursos com pesquisa, conserva\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o ambiental e inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>O trabalho do Tamar, hoje, j\u00e1 tem alcance internacional e parcerias firmadas com os governos do Uruguai e Argentina, no Atl\u00e2ntico Sul, al\u00e9m de acordos com pa\u00edses africanos. O Brasil, esclarece Thom\u00e9, \u00e9 signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o Interamericana para Conserva\u00e7\u00e3o das Tartarugas Marinhas, j\u00e1 ratificada tamb\u00e9m por outros 17 pa\u00edses. \u201cComo essas esp\u00e9cies s\u00e3o transnacionais, existe a necessidade de mantermos esse trabalho conjunto\u201d, completa.<\/p>\n<p>PROTE\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Com apoio de v\u00e1rios parceiros ao longo da costa, pesquisadores e pescadores estudam e cuidam das principais \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o e de alimenta\u00e7\u00e3o das tartarugas na faixa litor\u00e2nea que vai do Cear\u00e1 a Florian\u00f3polis. O trabalho conjunto, segundo dados do Projeto Tamar, j\u00e1 garantiu a prote\u00e7\u00e3o anual de 9.934 ninhos de tartaruga-cabe\u00e7uda; 8.779 ninhos de tartaruga-oliva; 4.956 ninhos de tartaruga-verde; 2.842 ninhos de tartaruga-de-pente; e 159 locais de desova de tartaruga-de-couro.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o dos resultados de conserva\u00e7\u00e3o, a partir do n\u00famero de ninhos nas praias monitoradas na Bahia e em Sergipe, comprova o in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o de tr\u00eas esp\u00e9cies de tartarugas marinhas. Dados indicam que, entre 2004 e 2011, o crescimento anual no n\u00famero de ninhos de tartaruga-oliva foi de 12,3%, de tartaruga-de-pente chegou a 5,7% e de tartaruga-cabe\u00e7uda alcan\u00e7ou 4,6%.<\/p>\n<p>AVAN\u00c7OS<\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, o Tamar vem priorizando pesquisas que resolvam aspectos pr\u00e1ticos para a prote\u00e7\u00e3o desses animais, e realiza estudos de longo prazo, contando com mais de 25 anos de coleta de dados padronizados e armazenados em um sistema de informa\u00e7\u00e3o integrado. Thom\u00e9 conta que o ac\u00famulo de conhecimento permite realizar an\u00e1lises para ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o mais adequadas \u00e0s diferentes regi\u00f5es e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Programas de marca\u00e7\u00e3o e recaptura de tartarugas em locais de alimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o desenvolvidos nas \u00e1reas mais visitadas por tartarugas das esp\u00e9cies verde, como em Fernando de Noronha, Praia do Forte (Bahia), Ubatuba, Cear\u00e1 e Vit\u00f3ria, e de-pente (Fernando de Noronha). O trabalho permite recolher dados importantes sobre tempo de perman\u00eancia desses animais em cada local, verificar as taxas de crescimento e de sobreviv\u00eancia, e a dieta, dentre outros aspectos das suas vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidados ocorrem nas \u00e9pocas e \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o, desova, crescimento e descanso no litoral. 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