{"id":80969,"date":"2018-03-03T12:06:47","date_gmt":"2018-03-03T15:06:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=80969"},"modified":"2018-03-03T12:06:47","modified_gmt":"2018-03-03T15:06:47","slug":"nova-esperanca-contra-dermatite-atopica-doenca-que-rouba-a-qualidade-de-vida-dos-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-esperanca-contra-dermatite-atopica-doenca-que-rouba-a-qualidade-de-vida-dos-pacientes\/","title":{"rendered":"Nova esperan\u00e7a contra dermatite at\u00f3pica, doen\u00e7a que rouba a qualidade de vida dos pacientes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dermatite.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-80970\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dermatite-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dermatite-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/dermatite.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Coceiras incontrol\u00e1veis, les\u00f5es na pele, vermelhid\u00e3o, incha\u00e7o, descama\u00e7\u00f5es, rachaduras que abrem caminho para infec\u00e7\u00f5es. E mais: dificuldade para dormir, depress\u00e3o, isolamento social. Luana Mercante, de 22 anos, convive com esses sintomas desde a inf\u00e2ncia. E tamb\u00e9m com o preconceito. A dermatite at\u00f3pica n\u00e3o \u00e9 contagiosa, mas altamente debilitante, quando se manifesta de forma grave. Para esses casos, um novo tratamento, recentemente aprovado nos Estados Unidos e no Brasil, tornou a doen\u00e7a um dos principais assuntos debatidos no Congresso da Academia Americana de Dermatologia, na semana passada em San Diego, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Dos banhos de maisena na inf\u00e2ncia \u00e0s altas doses de corticoide que precisou tomar h\u00e1 dois anos, Luana j\u00e1 passou por in\u00fameros tratamentos. Cresceu indo a consult\u00f3rios de dermatologistas, mas o diagn\u00f3stico s\u00f3 veio h\u00e1 quatro anos. Na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, sofria com os olhares preconceituosos e as perguntas dos colegas que queriam saber porque a menina se co\u00e7ava sem parar e tinha feridas no corpo.<\/p>\n<div class=\"teads-inread xs-screen\"><\/div>\n<p>&#8211; Nos momentos de crise, \u00e9 inevit\u00e1vel co\u00e7ar. Co\u00e7a tanto que causa feridas, mas voc\u00ea n\u00e3o consegue parar. As pessoas ficam olhando. \u00c9 constrangedor. Acordo \u00e0 noite para co\u00e7ar e, \u00e0s vezes, sequer consigo dormir. E nunca sei quando a crise vir\u00e1, quando estarei bem. H\u00e1 dois anos, tive uma crise no corpo quase todo e precisamos intensificar o tratamento com ciclosporina, um imunossupressor, e altas doses de corticoide. Ganhei 20 quilos. Entrei em depress\u00e3o e larguei a faculdade &#8211; contou Luana, que hoje est\u00e1 com a doen\u00e7a mais controlada e cursando outra faculdade.<\/p>\n<p>A dermatite at\u00f3pica \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, causada pelo desequil\u00edbrio no sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma doen\u00e7a gen\u00e9tica, que tem implica\u00e7\u00f5es com processos inflamat\u00f3rios. Na parte sist\u00eamica, cada vez menos se usa corticoides e mais os medicamentos biol\u00f3gicos e outros imunomoduladores. Na pele, como \u00e9 uma doen\u00e7a al\u00e9rgica e inflamat\u00f3ria, necessita muito de hidrata\u00e7\u00e3o. O at\u00f3pico tem uma falta de hidrata\u00e7\u00e3o natural na pele, o que a deixa desprotegida e sujeita a infec\u00e7\u00f5es de repeti\u00e7\u00e3o &#8211; explicou a dermatologista Ana M\u00f3sca, do Hospital Municipal Jesus e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).<\/p>\n<p>Segundo o Censo da SBD, a dermatite at\u00f3pica \u00e9 a 11\u00aa doen\u00e7a dermatol\u00f3gica mais comum na popula\u00e7\u00e3o brasileira, atingido 2,4% das pessoas, considerando-se todas as faixas et\u00e1rias. No entanto, entre as crian\u00e7as at\u00e9 14 anos, a preval\u00eancia \u00e9 de 13,7%. Outros levantamentos apontam que a doen\u00e7a pode afetar at\u00e9 20% dos pequenos.<\/p>\n<p>&#8211; O brasileiro toma muito banho, e a pele fica porosa, sem defesa. Quando o beb\u00ea \u00e9 novinho, as m\u00e3es costumam dar banhos em banheiras. S\u00e3o banhos de sab\u00e3o, porque n\u00e3o se troca a \u00e1gua. \u00c9 ali que come\u00e7a a irritar a pele &#8211; alertou a dermatologista.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, a dermatite at\u00f3pica se manifesta de forma leve e \u00e9 controlada com o uso de hidratantes e pomadas \u00e0 base de corticoides. A maioria melhora com a chegada da adolesc\u00eancia. Mas quando se manifesta de forma moderada a grave, costuma seguir por toda a vida.<\/p>\n<p>&#8211; Se o fator gen\u00e9tico \u00e9 muito forte, temos adultos gravemente doentes, com associa\u00e7\u00e3o de asma, rinite e pneumonia de repeti\u00e7\u00e3o &#8211; explicou Ana.<\/p>\n<p><strong>Medicamento biol\u00f3gico a caminho<\/strong><\/p>\n<p>A esperan\u00e7a para esses pacientes \u00e9 que h\u00e1 v\u00e1rios rem\u00e9dios em fase de teste e um aprovado recentemente. Em mar\u00e7o do ano do ano passado, a FDA, ag\u00eancia reguladora de rem\u00e9dios dos Estados Unidos, aprovou o primeiro medicamento biol\u00f3gico contra a doen\u00e7a, dupilumabe. Em setembro, foi a vez da Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos. No Brasil, o medicamento j\u00e1 foi aprovado pela Anvisa e a previs\u00e3o \u00e9 chegar ao mercado at\u00e9 junho.<\/p>\n<p>O dupilumabe, do laborat\u00f3rio Sanofi, ataca duas prote\u00ednas, as interleucinas 4 e 13, envolvidas no processo inflamat\u00f3rio. Ele inibe a resposta imunol\u00f3gica exacerbada, controlando a inflama\u00e7\u00e3o e, consequentemente, os sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; O rem\u00e9dio bloqueia a a\u00e7\u00e3o das citoquinas, prote\u00ednas fabricadas pelas c\u00e9lulas de defesa e que est\u00e3o em excesso no paciente at\u00f3pico. As citoquinas reduzem a produ\u00e7\u00e3o de lip\u00eddios, que s\u00e3o o &#8216;cimento&#8217; da pele. Por isso, na dermatite at\u00f3pica, a barreira da pele \u00e9 imperfeita. O dupilumabe oferece um controle por meio do reequil\u00edbrio, levando a pele a um n\u00edvel normal &#8211; explicou a dermatologista e pesquisadora Ana Rossi, diretora m\u00e9dica global de dermatologia da Sanofi.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos de pacientes nos Estados Unidos que est\u00e3o tomando o rem\u00e9dio, cujo nome comercial \u00e9 Dupixent, h\u00e1 tr\u00eas anos sem efeitos adversos importantes. H\u00e1 relatos de rea\u00e7\u00e3o no local da aplica\u00e7\u00e3o e conjuntivite.<\/p>\n<p>Tr\u00eas estudos cl\u00ednicos, com 2.119 pacientes, apresentados no Congresso da Academia Americana de Dermatologia demonstraram significativa redu\u00e7\u00e3o das les\u00f5es e da coceira ainda no primeiro m\u00eas de tratamento. Pacientes tratados com dupilumabe relataram melhora nos sintomas com apenas uma semana de tratamento. Ap\u00f3s quatro semanas, dois a cada tr\u00eas pacientes atingiram melhora de 75% das les\u00f5es na pele. Esse \u00edndice \u00e9 mantido tamb\u00e9m no per\u00edodo de um ano.<\/p>\n<p>Em uma sala lotada da confer\u00eancia, o professor de dermatologia da Oregon Health &amp; Science University Eric Simpson apresentou dados dos estudos cl\u00ednicos com dupilumabe e se mostrou otimista com o desenvolvimento de outras drogas com mecanismos similares.<\/p>\n<p>&#8211; O desenvolvimento desses novos medicamentos biol\u00f3gicos e sist\u00eamicos vem para preencher uma lacuna que existe no tratamento da dermatite at\u00f3pica, principalmente para pacientes sem controle adequado da doen\u00e7a &#8211; disse ele.<\/p>\n<p>Como em todos os tratamentos com medicamentos biol\u00f3gicos, o maior problema \u00e9 o custo. Nos EUA, o tratamento com dupilumabe custa cerca de US$ 37 mil (R$ 120 mil) por ano. No Brasil, o pre\u00e7o ainda est\u00e1 sendo definido. Mas esse valor pode diminuir se pesquisas provarem que o medicamento pode ser usado em outras aplica\u00e7\u00f5es. H\u00e1 outras doen\u00e7as relacionadas com a dermatite at\u00f3pica (asma al\u00e9rgica, rinite) nas quais est\u00e3o sendo feitos testes.<\/p>\n<p><strong>Fatores gen\u00e9ticos, ambientais e emocionais envolvidos<\/strong><\/p>\n<p>A doen\u00e7a tem um importante componente gen\u00e9tico, mas tamb\u00e9m influem fatores ambientais e emocionais. E por isso est\u00e1 aumentando. Estudo feito na Dinamarca apontou que, na d\u00e9cada de 60, a dermatite at\u00f3pica afetava entre 2% e 3% das crian\u00e7as. Na d\u00e9cada de 70, eram entre 6% e 7%, e nos anos 90, alcan\u00e7ou uma incid\u00eancia entre 15% e 20%. A raz\u00e3o poderia ser a denominada hip\u00f3tese da higiene: as crian\u00e7as crescem em ambientes t\u00e3o higienizados que seu sistema imunol\u00f3gico acaba desequilibrado.<\/p>\n<p>Sinais de ansiedade e depress\u00e3o est\u00e3o presentes em 51% dos pacientes com a doen\u00e7a. Al\u00e9m disso, 55% das pessoas acometidas com dermatite at\u00f3pica relatam ter dificuldade para dormir cinco ou mais noites por semana e 77% afirmam que a doen\u00e7a interfere na sua produtividade.<\/p>\n<p>&#8211; Dermatite at\u00f3pica n\u00e3o causa apenas les\u00f5es na pele. A qualidade de vida \u00e9 absurdamente afetada &#8211; afirma Ana Rossi.<\/p>\n<p>*A rep\u00f3rter viajou para San Diego a convite do laborat\u00f3rio Sanofi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coceiras incontrol\u00e1veis, les\u00f5es na pele, vermelhid\u00e3o, incha\u00e7o, descama\u00e7\u00f5es, rachaduras que abrem caminho para infec\u00e7\u00f5es. 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