{"id":80908,"date":"2018-03-01T13:00:30","date_gmt":"2018-03-01T16:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=80908"},"modified":"2018-02-28T21:50:30","modified_gmt":"2018-03-01T00:50:30","slug":"solucoes-sertanejas-ajudam-a-vencer-a-seca-no-semiarido-nordestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/solucoes-sertanejas-ajudam-a-vencer-a-seca-no-semiarido-nordestino\/","title":{"rendered":"Solu\u00e7\u00f5es sertanejas ajudam a vencer a seca no semi\u00e1rido nordestino"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/nordestino.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-80909\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/nordestino-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/nordestino-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/nordestino.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Bomba. A novidade parecia vir de cima. Como uma brincadeira de ataque. N\u00e3o s\u00f3 do desenho fustigado feito das nuvens, como se fossem moldados a m\u00e3o. No tempo invernoso de in\u00edcio do ano, a novidade surge em temporais t\u00e3o r\u00e1pidos que, em poucos instantes, transformam a areia em barro.<\/p>\n<p>Depois de seis anos sem chuvaradas permanentes no sert\u00e3o, a boa-nova seria um minuto, uma hora a mais de \u00e1gua no corpo, no campo, no rio. O sertanejo chama de inverno o que \u00e9 raro. O tempo das \u00e1guas \u00e9 como um estrondo. A fam\u00edlia de\u00a0<em>Vidas Secas<\/em>, de Graciliano Ramos, se assustou com a chuva que poderia deixar a vida sem ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Oitenta anos depois da fic\u00e7\u00e3o, o sert\u00e3o tamb\u00e9m tem novos caminhos reais. Em pleno semi\u00e1rido nordestino, o tempo das \u00e1guas ajuda a encontrar solu\u00e7\u00f5es para quando n\u00e3o houver nuvem no c\u00e9u. Por ser vital conviver com a natureza t\u00e3o seca, novidades v\u00eam de cima, do lado, de baixo. Uma delas \u00e9 uma bomba de semente.<\/p>\n<p>Alunos da rede p\u00fablica de Juazeiro do Norte e do Crato, no estado do Cear\u00e1, transformaram a brincadeira de lan\u00e7ar bombinhas criando um estilingue maior. A bomba &#8211; feita de 20% de barro, 80% de esterco e com a semente de alguma \u00e1rvore escondida no centro &#8211; \u00e9 lan\u00e7ada em algum lugar desmatado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rVCo0CPo_90\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca mais molhada, as sementes fixam melhor no ch\u00e3o, conforme explica a coordenadora do projeto, a permaculturista Ana Cristina Diogo, que fundou uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (Juriti), que promove bem mais do que uma brincadeira de jogar bombinhas na floresta. Ela explica que recuperar a mata nativa em regi\u00f5es sertanejas, como a do Cariri (CE), \u00e9 fundamental para preservar o solo e, por consequ\u00eancia, recursos h\u00eddricos na Chapada do Araripe.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o simples a partir da semente. Buscamos caminhos para sermos guardi\u00f5es. Fazemos lan\u00e7amentos em \u00e1reas degradadas. Uma experi\u00eancia que pode mudar o mundo. Crian\u00e7as e adolescentes ressignificam, assim, sua rela\u00e7\u00e3o com a natureza\u201d, disse Ana Cristina Diogo.<\/p>\n<p><strong>&gt;&gt;&gt;&gt; Veja\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/solucoes-para-a-seca\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0o especial completo<\/strong><\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que as crian\u00e7as passem a conversar em casa e entre elas. Aprendam que o pai da ideia foi um japon\u00eas Masanobu Fukuoka (morto em 2008), que fez hist\u00f3ria com o cultivo por meio de \u201cbombas\u201d na Tail\u00e2ndia e em alguns pa\u00edses africanos. No s\u00e9culo 21, os filhos de \u201cfabianos\u201d e \u201cvit\u00f3rias\u201d, agora com nome e ideal, querem espalhar a novidade na mesma velocidade que semeiam as plantas.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios jovens junto com estudantes universit\u00e1rios da regi\u00e3o criaram um programa na internet para promover conscientiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, o Vem me Ver. Com vinheta de abertura e entrevistas, as not\u00edcias s\u00e3o como bombas de cidadania e sonhos.<\/p>\n<p><strong>Fruto e cobertura morta<\/strong><\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 do agricultor pernambucano Pedro Gon\u00e7alves da Silva, hoje com 65 anos, que chegou ao Cear\u00e1 como vaqueiro, mas resolveu aproveitar cursos gratuitos para trabalhar no campo. Criou 13 filhos ao apostar em hortas org\u00e2nicas. A fam\u00edlia inteira mora no mesmo terreno, em casas de taipa que eles ergueram com os pr\u00f3prios bra\u00e7os.<\/p>\n<p>J\u00e1 pensou at\u00e9 em ir embora, tais foram os prolongados per\u00edodos de estiagem. No entanto, aprendeu a conviver com a falta de chuva a partir da reutiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e com coberturas de plantas mortas nos corredores que ajudam a manter a umidade nas hortas de arroz e milho. Com um detalhe: nada de veneno nas plantas.<\/p>\n<p>A filha de Pedro, a professora e pedagoga Joana Ferreira Gon\u00e7alves, de 35 anos, em um turno, espalha a ideia de preserva\u00e7\u00e3o, na outra parte do dia, cuida da planta\u00e7\u00e3o. \u201cA gente tem que diminuir o consumo e reutilizar a \u00e1gua, como a do banho. N\u00f3s passamos a plantar em pneus, usamos cobertura morta. Essa ideia de n\u00e3o usar agrot\u00f3xico protege todo o meio. Isso tudo come\u00e7ou com a minha m\u00e3e\u201d, conta.<\/p>\n<figure class=\"teaser\"><img loading=\"lazy\" class=\"Image img__fid__119146 img__view_mode__teaser attr__format__teaser\" title=\"\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/_agenciabrasil2013\/files\/styles\/interna_grande\/public\/pedrin_juazeiro.jpg\" alt=\"O agricultor Pedro da Silva fez cursos gratuitos para saber lidar com a estiagem\" width=\"640\" height=\"428\" \/><figcaption>O agricultor Pedro da Silva fez cursos gratuitos para saber trabalhar no campo e apostou nas hortas org\u00e2nicas no sert\u00e3o<span class=\"author\">Gustavo Gomes\/EBC<\/span><\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dona Bia, que morreu h\u00e1 dois anos, foi a incentivadora de n\u00e3o usar agrot\u00f3xico e de preservar mais a \u00e1gua, uma vis\u00e3o mais completa do habitat. \u201cEnvolvemos a comunidade inteira e n\u00e3o s\u00f3 a fam\u00edlia. Banimos veneno de vez. Fizemos o ecossistema acontecer. Atra\u00edmos a joaninha, por exemplo, que se alimenta do pulg\u00e3o, praga da planta\u00e7\u00e3o. A gente conscientiza os vizinhos, as escolas. As crian\u00e7as tocam muito os pais\u201d, relata a professora.<\/p>\n<p>\u201cTudo o que voc\u00ea plantar aqui d\u00e1, mesmo com pouca \u00e1gua\u201d, complementa. Joana, inclusive, criou os pr\u00f3prios defensivos por meio de experimenta\u00e7\u00f5es (usa de urina de vaca at\u00e9 pimenta) e inspira\u00e7\u00f5es em cursos oferecidos pela prefeitura e pelo Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gia est\u00e1 tamb\u00e9m na horta do agricultor Francisco Salustiano da Silva, de 32 anos. Ele j\u00e1 colocou o p\u00e9 na estrada atr\u00e1s da chance de plantar uva. Saiu de Juazeiro, na Bahia, para a xar\u00e1 cearense Juazeiro do Norte onde implementou o que aprendeu. \u201cPara a uva, n\u00e3o precisa de muita \u00e1gua. \u00c9 uma fruta adaptada para o semi\u00e1rido. N\u00f3s usamos a cobertura morta e molhamos duas vezes na semana, \u00e9 o suficiente\u201d. O resultado da planta\u00e7\u00e3o ele vende na cidade. Os agricultores da regi\u00e3o trabalham com gotejamento e microaspers\u00e3o de \u00e1gua para gastar menos, a exemplo do que ocorre em outras regi\u00f5es e pa\u00edses de prolongadas estiagens.<\/p>\n<p>Partindo para o sert\u00e3o central do Cear\u00e1, estado com maior por\u00e7\u00e3o de semi\u00e1rido do Brasil, o cen\u00e1rio cinza e de cact\u00e1ceas faz com que moradores e produtores criem solu\u00e7\u00f5es diferentes. Cataventos para bombear a \u00e1gua com a for\u00e7a do vento, e n\u00e3o de um motor, fazem parte do cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c0 beira da estrada, uma pequena hortinha suspensa no rumo de Quixeramobim. Francisco Silva, de 45 anos, e o filho, Ant\u00f4nio, de 20, plantam hortali\u00e7as em estrutura improvisada acima do ch\u00e3o com irriga\u00e7\u00e3o a partir de um po\u00e7o de aluvi\u00e3o. Com menos terra, a ideia \u00e9 utilizar menos \u00e1gua. \u201cEstamos h\u00e1 muito tempo sem uma chuva mais forte\u201d, diz o pai. O cultivo \u00e9 para a pr\u00f3pria fam\u00edlia. Os ganhos, por sua vez, v\u00eam do trabalho em uma fazenda para criar gado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bomba. A novidade parecia vir de cima. Como uma brincadeira de ataque. 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