{"id":80870,"date":"2018-03-01T07:00:07","date_gmt":"2018-03-01T10:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=80870"},"modified":"2018-02-28T14:56:32","modified_gmt":"2018-02-28T17:56:32","slug":"cientista-alema-procura-nos-macacos-as-chaves-da-evolucao-social-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientista-alema-procura-nos-macacos-as-chaves-da-evolucao-social-humana\/","title":{"rendered":"Cientista alem\u00e3 procura nos macacos as chaves da evolu\u00e7\u00e3o social humana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-80871\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nas savanas do Parque Nacional de Niokolo-Koba, no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/senegal\/a\">Senegal<\/a>, a alem\u00e3 Julia Fischer e sua equipe acompanham desde 2007 um grupo de 180 babu\u00ednos-da-Guin\u00e9 em liberdade. S\u00e3o macacos de 15 quilos, pelo vermelho, rosto violeta e focinho de cachorro. E seu comportamento social \u00e9 peculiar: as f\u00eameas escolhem um macho de sua prefer\u00eancia e j\u00e1 n\u00e3o copulam com nenhum outro. Enquanto isso, os machos esperam ser escolhidos por uma ou v\u00e1rias f\u00eameas e copulam com todas elas. S\u00e3o, segundo Fischer, uma das maiores especialistas mundiais no estudo das capacidades mentais de macacos, \u201cum modelo intrigante \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/evolucion_humana\/a\">evolu\u00e7\u00e3o social humana<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Em seu livro\u00a0<em>Monkeytal<\/em>k (Universidade de Chicago, 2017), a alem\u00e3, diretora do Laborat\u00f3rio de Etologia Cognitiva do Centro Alem\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/primates\/a\">Primatas<\/a>, defende que o estudo dos primatas serve para compreender quais comportamentos s\u00e3o exclusivamente humanos. Mas, frisa, n\u00e3o se dedica \u00e0 primatologia somente por isso. A seu ver, a vida social dos macacos \u00e9 \u201cuma \u00f3pera magn\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0Algumas f\u00eameas de babu\u00edno-da-Guin\u00e9 escolhem um macho e ficam com ele durante anos, enquanto outras escolhem um e o descartam duas semanas depois. Por que isso acontece?<\/p>\n<p><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0Aparentemente, porque outro macho \u00e9 melhor. Ainda n\u00e3o sabemos a resposta, mas temos muitas perguntas. Talvez seja preciso olhar tamb\u00e9m como a f\u00eamea se d\u00e1 com as outras f\u00eameas do macho, se ele as tem. Se s\u00e3o antip\u00e1ticas com a nova, essa pode ir em busca de outro macho. O que tamb\u00e9m vimos s\u00e3o f\u00eameas que escolhem um novo macho e isso provoca a sa\u00edda de outra f\u00eamea que estava com ele. \u00c9 como uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0As f\u00eameas t\u00eam muito poder no momento de escolher o macho, no caso dos babu\u00ednos-da-Guin\u00e9.<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, \u00e9 incomum.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Para as f\u00eameas faz sentido estar com o macho alfa, porque elas garantem a defesa de suas crias&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0\u00c9 incomum nos primatas n\u00e3o humanos?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, o macho alfa costuma escolher, como no caso dos babu\u00ednos de Chacma do sul da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/africa\/a\">\u00c1frica<\/a>. Para as f\u00eameas tamb\u00e9m faz sentido estar com o macho alfa, porque se certificam que ele defender\u00e1 seus filhotes. Se voc\u00ea se junta com um macho solit\u00e1rio e fraco, puf! S\u00e3o raros os casos em que as f\u00eameas t\u00eam tanta vantagem como as do babu\u00edno-da-Guin\u00e9. Os machos n\u00e3o lutam por elas e n\u00e3o tentam fazer com que fiquem. At\u00e9 quando a f\u00eamea est\u00e1 receptiva e pode copular, os machos ficam tranquilos.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0No caso das pessoas, acha que as mulheres tamb\u00e9m t\u00eam poder ao escolher homens?<\/p>\n<p>R. Sim, as mulheres t\u00eam muito poder, mas nem sempre e n\u00e3o em todas as sociedades, \u00e9 claro. Mas tamb\u00e9m por isso pensamos que os babu\u00ednos-da-Guin\u00e9 s\u00e3o interessantes: porque talvez tenham um sistema an\u00e1logo ao nosso, em muitos aspectos. Por exemplo, a forma como organizam suas sociedades. T\u00eam amizades entre machos com os quais n\u00e3o t\u00eam parentesco. Nos humanos \u00e9 semelhante: h\u00e1 coopera\u00e7\u00e3o entre machos sem parentesco para defender o grupo e defender as f\u00eameas. Quando os le\u00f5es aparecem, todos os babu\u00ednos se unem,<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Quando uma f\u00eamea de babu\u00edno-da-Guin\u00e9 escolhe um macho, faz 99% das c\u00f3pulas com esse macho. Isso \u00e9 fidelidade.<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, \u00e9 fidelidade. Faz sentido da perspectiva da f\u00eamea. Ela escolhe o melhor macho. Para que ser\u00e1 infiel? \u00c9 sua decis\u00e3o. E, portanto, como o macho sabe, n\u00e3o precisa correr atr\u00e1s dela e control\u00e1-la. Ele sabe que enquanto ela estiver com ele, s\u00f3 ir\u00e1 copular com ele. \u00c9 como uma monogamia em s\u00e9rie. Mas se o macho tenta controlar a f\u00eamea, a f\u00eamea pode tentar obter melhores genes copulando \u00e0s escondidas com outros machos. Mas n\u00e3o costuma ser assim. \u00c9 um sistema f\u00e1cil e evita muita\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/violencia\/a\">viol\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Se o macho tenta controlar a f\u00eamea, a f\u00eamea pode tentar obter melhores genes copulando escondida com outros machos&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0E o que acontece com a fidelidade dos machos?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Depende. Os machos t\u00eam n\u00fameros diferentes de f\u00eameas. Um macho jovem pode ter uma ou duas f\u00eameas. Mas os melhores machos t\u00eam cinco ou seis f\u00eameas. E, claro, precisam dividir seu tempo e copular com todas, mas n\u00e3o tentam roubar as f\u00eameas dos outros e copular com outras.<\/p>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Agora existem grandes discuss\u00f5es sobre em que medida as rela\u00e7\u00f5es entre mulheres e homens s\u00e3o mais culturais ou mais biol\u00f3gicas. Ap\u00f3s estudar os macacos durante tanto tempo, o que aprendeu sobre as rela\u00e7\u00f5es entre mulheres e homens?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o se pode separar os componentes culturais dos biol\u00f3gicos. Acho que a natureza humana \u00e9 muito adapt\u00e1vel. Nascemos em uma sociedade e o que aprendemos determinar\u00e1 o que seremos. Est\u00e1 em nossa natureza aprender como nos comportar. Nesse sentido, h\u00e1 muita plasticidade. Podemos dizer que somos como os gorilas, como os orangotangos ou como os babu\u00ednos, mas n\u00e3o somos. Somos humanos. E o que tentamos entender \u00e9 por que em alguns casos os primatas s\u00e3o mais tolerantes e em outros s\u00e3o mais violentos. Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que favorecem as sociedades violentas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tolerantes? Podemos pensar sobre isso e olhar nossas pr\u00f3prias sociedades: a import\u00e2ncia dos recursos, a import\u00e2ncia das tradi\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea olhar para o papel das mulheres na sociedade h\u00e1 40 anos, mudou completamente e podemos lidar com isso.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Os homens t\u00eam maior disposi\u00e7\u00e3o para ser violentos que as mulheres&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>P.<\/strong>\u00a0Acha que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/machismo\/a\">machismo<\/a>\u00a0tem alguma base biol\u00f3gica?<\/p>\n<p><strong>R.<\/strong>\u00a0Talvez at\u00e9 certo ponto. Evidentemente, existem bases biol\u00f3gicas. E, certamente, h\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o nos homens para ser, talvez, um pouco mais felizes no momento de assumir riscos. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma maior disposi\u00e7\u00e3o para ser violentos do que as mulheres. Mas como isso se transforma em nosso comportamento real? A\u00ed entra nossa cultura. Pode ser que a maior parte dos homens seja muito tranquila. Ou pode ser que cultivem esses tra\u00e7os e exagerem, dando lugar a sociedades muito machistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas savanas do Parque Nacional de Niokolo-Koba, no\u00a0Senegal, a alem\u00e3 Julia Fischer e sua equipe<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80871,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/julia_fischer.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas savanas do Parque Nacional de Niokolo-Koba, no\u00a0Senegal, a alem\u00e3 Julia Fischer e sua equipe","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80870"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}