{"id":80533,"date":"2018-02-22T09:00:17","date_gmt":"2018-02-22T12:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=80533"},"modified":"2018-02-22T08:08:51","modified_gmt":"2018-02-22T11:08:51","slug":"uma-vez-degradado-cerrado-nao-se-regenera-naturalmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-vez-degradado-cerrado-nao-se-regenera-naturalmente\/","title":{"rendered":"Uma vez degradado, Cerrado n\u00e3o se regenera naturalmente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-80534\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Alguns dos mais importantes rios do Brasil \u2013 Xingu, Tocantins, Araguaia, S\u00e3o Francisco, Parna\u00edba, Gurupi, Jequitinhonha, Paran\u00e1 e Paraguai, entre outros \u2013 nascem no Cerrado. Trata-se da \u00fanica savana do planeta dotada de rios perenes. A r\u00e1pida convers\u00e3o do Cerrado em pastagens e lavouras e o manejo inadequado das \u00e1reas preservadas colocam em risco esse formid\u00e1vel recurso natural.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado constitui uma perda inestim\u00e1vel em termos de biodiversidade, pois, na microescala, esse bioma, que pode apresentar 35 esp\u00e9cies diferentes de plantas por metro quadrado, \u00e9 mais rico em flora e fauna do que a floresta tropical.<\/p>\n<h3>Resili\u00eancia do bioma<\/h3>\n<p>Sabe-se que o Cerrado tem um potencial de regenera\u00e7\u00e3o natural muito alto. Mas at\u00e9 que ponto vai sua resili\u00eancia? O que \u00e9 necess\u00e1rio para que, uma vez convertido em pastagens, o Cerrado recupere sua configura\u00e7\u00e3o natural? Quanto tempo seria necess\u00e1rio para isso?<\/p>\n<p>Um novo estudo, feito na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com resultados publicados no Journal of Applied Ecology, procurou responder a essas perguntas.<\/p>\n<p>\u201cNosso esfor\u00e7o inicial foi localizar, no Estado de S\u00e3o Paulo, as \u00e1reas de antigas pastagens que agora se encontram em regenera\u00e7\u00e3o natural na condi\u00e7\u00e3o de \u2018reserva legal\u2019\u201d, disse a coordenadora do estudo Giselda Durigan, professora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Florestal da Unesp e pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo. O trabalho foi realizado no \u00e2mbito do doutorado de M\u00e1rio Guilherme de Biagi Cava, com Bolsa da Fapesp e orienta\u00e7\u00e3o de Durigan.<\/p>\n<p>\u201cPara resumir nossos resultados, de maneira bastante simplificada, descobrimos que o estrato arb\u00f3reo se recupera, at\u00e9 mesmo com muita facilidade. Mas, uma vez eliminada, a vegeta\u00e7\u00e3o rasteira ou de pequeno porte, que comp\u00f5e o estrato herb\u00e1ceo-arbustivo e que cont\u00e9m a maior parte das esp\u00e9cies end\u00eamicas, n\u00e3o se regenera. Ent\u00e3o, quando a pastagem \u00e9 simplesmente abandonada, ela se transforma, depois de algum tempo, em um cerrad\u00e3o, que \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o caracterizada por vegeta\u00e7\u00e3o muito adensada, com grande predom\u00ednio de \u00e1rvores e pobre em biodiversidade\u201d, afirmou Durigan.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores se recuperam por possu\u00edrem ra\u00edzes muito profundas e terem evolu\u00eddo, ao longo de milh\u00f5es de anos, desenvolvendo a capacidade de rebrotar in\u00fameras vezes.<\/p>\n<h3>O custo de acabar com o Cerrado<\/h3>\n<p>\u201cQuem tenta implantar pastagens no Cerrado sabe que o custo maior de manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 a ro\u00e7ada. Sem que seja ro\u00e7ada pelo menos de dois em dois anos, a vegeta\u00e7\u00e3o arb\u00f3rea volta a se impor. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel elimin\u00e1-la nem aplicando herbicida\u201d, disse Durigan.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o estrato herb\u00e1ceo-arbustivo, que \u00e9 removido para a implanta\u00e7\u00e3o das pastagens, n\u00e3o se recomp\u00f5e. Isso ocorre devido \u00e0 invas\u00e3o dos terrenos por gram\u00edneas ex\u00f3ticas muito resistentes e agressivas: as braqui\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cEssas s\u00f3 desaparecem com o sombreamento, causado pelo adensamento das \u00e1rvores. Mas, quando desaparecem as gram\u00edneas ex\u00f3ticas, as plantas originais de pequeno porte, que foram completamente erradicadas pelos herbicidas, pelas ro\u00e7adas e pela competi\u00e7\u00e3o com as braqui\u00e1rias e que n\u00e3o toleram a sombra, tamb\u00e9m n\u00e3o voltam mais\u201d, continuou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para fazer com que a \u00e1rea voltasse a abrigar um cerrado t\u00edpico, seria necess\u00e1rio eliminar as gram\u00edneas ex\u00f3ticas e reintroduzir as esp\u00e9cies nativas. Mas isso constitui uma opera\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e cara, que, com os recursos atuais, n\u00e3o pode ser realizada em larga escala.<\/p>\n<p>O artigo \u201cAbandoned pastures cannot spontaneously recover the attributes of old-growth savanas\u201d est\u00e1 publicado\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/1365-2664.13046\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.\u00a0A mat\u00e9ria completa da Ag\u00eancia Fapesp pode ser lida\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/uma_vez_degradado_o_cerrado_nao_se_regenera_naturalmente\/27156\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns dos mais importantes rios do Brasil \u2013 Xingu, Tocantins, Araguaia, S\u00e3o Francisco, Parna\u00edba, Gurupi,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":80534,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/cerrado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Alguns dos mais importantes rios do Brasil \u2013 Xingu, Tocantins, Araguaia, S\u00e3o Francisco, Parna\u00edba, Gurupi,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80533"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80533\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}