{"id":80357,"date":"2018-02-18T21:01:36","date_gmt":"2018-02-19T00:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=80357"},"modified":"2018-02-18T21:01:36","modified_gmt":"2018-02-19T00:01:36","slug":"peixe-da-amazonia-se-reproduz-sem-sexo-e-desafia-teoria-de-extincao-da-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/peixe-da-amazonia-se-reproduz-sem-sexo-e-desafia-teoria-de-extincao-da-especie\/","title":{"rendered":"Peixe da Amaz\u00f4nia se reproduz sem sexo e desafia teoria de extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apesar de milhares de anos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, o genoma das molin\u00e9sias do local \u00e9 notavelmente est\u00e1vel e o g\u00eanero sobreviveu<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/2018\/02\/201802181901_b01dfeb0a3.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>O pequeno peixe da Amaz\u00f4nia se reproduz de forma assexuada e desafia teoria de extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: REUTERS<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>A teoria da evolu\u00e7\u00e3o sugere que as esp\u00e9cies que se reproduzem de forma assexuada tendem a desaparecer rapidamente, uma vez que seu genoma acumula muta\u00e7\u00f5es mortais ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Mas um estudo sobre um peixe amaz\u00f4nico lan\u00e7ou d\u00favidas sobre a velocidade desse decl\u00ednio.<\/p>\n<p>Apesar de milhares de anos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, o genoma das molin\u00e9sias da Amaz\u00f4nia \u00e9 notavelmente est\u00e1vel e a esp\u00e9cie sobreviveu.<\/p>\n<p>Os detalhes do trabalho foram publicados na revista &#8220;Nature Ecology and Evolution&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois caminhos fundamentais pelos quais esp\u00e9cies se reproduzem &#8211; a forma sexuada e a assexuada.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o sexuada depende de c\u00e9lulas especiais reprodutivas masculinas e femininas, como os \u00f3vulos e os espermatoz\u00f3ides, juntando-se durante o processo de fertiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada c\u00e9lula sexual cont\u00e9m metade do n\u00famero de cromossomos das c\u00e9lulas parentais normais. Depois da fertiliza\u00e7\u00e3o, quando o \u00f3vulo e o espermatoz\u00f3ide se fundem, o n\u00famero normal do cromossomo celular \u00e9 reintegrado.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o assexuada \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Uma vida nasce do celibato<\/p>\n<p>Em vez de criar uma nova gera\u00e7\u00e3o misturando medidas iguais de DNA das m\u00e3es e dos pais, a reprodu\u00e7\u00e3o assexuada dispensa o macho e, em vez disso, cria novos descendentes contendo uma c\u00f3pia exata do genoma da m\u00e3e &#8211; uma clonagem materna natural.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma maneira incrivelmente eficiente de criar uma vida. Ao n\u00e3o desperdi\u00e7ar material gen\u00e9tico na cria\u00e7\u00e3o de machos, todos os descendentes nascidos a partir da reprodu\u00e7\u00e3o assexuada podem continuar se reproduzindo.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um ponto negativo. Como os descendentes s\u00e3o fac-s\u00edmiles gen\u00e9ticos da m\u00e3e, eles apresentam uma variabilidade limitada.<\/p>\n<p>E a variabilidade gen\u00e9tica pode proporcionar uma grande vantagem. \u00c9 justamente o que permite que as popula\u00e7\u00f5es respondam e superem as mudan\u00e7as no meio ambiente e outras press\u00f5es seletivas, ao permitir a sobreviv\u00eancia dos mais adaptados.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o sexuada proporciona um grande espa\u00e7o para gerar essa variabilidade gen\u00e9tica, quando os peda\u00e7os de cromossomos individuais se recombinam assim que os \u00f3vulos e os espermatoz\u00f3ides se fundem e formam combina\u00e7\u00f5es \u00fanicas de cromossomos.<\/p>\n<p>Outra vantagem da reprodu\u00e7\u00e3o sexuada \u00e9 que as muta\u00e7\u00f5es nocivas, que se acumulam naturalmente ao longo do tempo, s\u00e3o dilu\u00eddas e seus efeitos anulados durante essa mistura gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>J\u00e1 os organismos que dependem da reprodu\u00e7\u00e3o assexuada s\u00e3o propensos a perder essas vantagens.<\/p>\n<p>O professor Manfred Schartl, da Universidade de W\u00fcrzburg, \u00e9 um dos principais autores do estudo e diz: &#8220;As previs\u00f5es te\u00f3ricas eram que uma esp\u00e9cie assexuada passaria por decomposi\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica e acumularia muitas muta\u00e7\u00f5es ruins e, sendo clonada, n\u00e3o seria poss\u00edvel depender da diversidade gen\u00e9tica para reagir a novos parasitas ou outras mudan\u00e7as no meio ambiente. Havia previs\u00f5es te\u00f3ricas de que um organismo assexual desapareceria depois de cerca de 20 mil gera\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/2018\/02\/201802181902_76b3f9f95b.jpg\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>Molin\u00e9sia da Amaz\u00f4nia pode ser um h\u00edbrido surgido ap\u00f3s a reprodu\u00e7\u00e3o entre duas esp\u00e9cies<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: SCIENCE PHOTO LIBRARY<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Nos c\u00edrculos da biologia evolutiva, essa acumula\u00e7\u00e3o gradual e fatal de muta\u00e7\u00f5es mortais \u00e9 conhecida como catraca de Muller, em homenagem ao cientista vencedor do pr\u00eamio Nobel Hermann Muller, que desenvolveu a teoria.<\/p>\n<p>Mas o \u00faltimo estudo sobre a estabilidade a longo prazo do genoma das molin\u00e9sias da Amaz\u00f4nia lan\u00e7ou algumas novas descobertas surpreendentes sobre o potencial custo da reprodu\u00e7\u00e3o assexuada.<\/p>\n<p>Derrubando as probabilidades<\/p>\n<p>Acredita-se que o peixe molin\u00e9sia da Amaz\u00f4nia seja um h\u00edbrido surgido ap\u00f3s a reprodu\u00e7\u00e3o entre duas esp\u00e9cies de peixes aparentados &#8211; o molin\u00e9sia do Atl\u00e2ntico e o molin\u00e9sia de Sailfin.<\/p>\n<p>\u00c9 um dos poucos animais vertebrados que se reproduzem de maneira assexuada.<\/p>\n<p>O molin\u00e9sia f\u00eamea da Amaz\u00f4nia pode se reproduzir apenas ao ser exposto ao esperma de uma esp\u00e9cie relacionada de molin\u00e9sia, mas o DNA do espermatozoide geralmente n\u00e3o se aproxima dos descendentes.<\/p>\n<p>Para definir o impacto desse estilo de vida celibat\u00e1rio, a equipe de pesquisadores comparou as sequ\u00eancias do genoma de peixes molin\u00e9sia da Amaz\u00f4nia aos coletados de v\u00e1rios locais, como o M\u00e9xico e o Estado do Texas, nos EUA.<\/p>\n<p>Usando as sequ\u00eancias do genoma, a equipe de pesquisadores conseguiu construir uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore mostrou que todos os peixes compartilharam o mesmo antepassado e que o peixe progenitor nadou em \u00e1guas americanas h\u00e1 cerca de 100 mil anos.<\/p>\n<p>Sobrevivente persistente<\/p>\n<p>A molin\u00e9sia da Amaz\u00f4nia sobrevive h\u00e1 cerca de meio milh\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es &#8211; muito al\u00e9m do que a teoria sugeria.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi s\u00f3 isso. Quando os cientistas procuraram ind\u00edcios de decad\u00eancia gen\u00f4mica a longo prazo, havia muito poucos, como o professor Schartl explicou: &#8220;O que encontramos \u00e9 que esse peixe preservou seu genoma h\u00edbrido e o que sabemos da cria\u00e7\u00e3o de plantas ou animais \u00e9 que, quando tentamos fazer algo melhor, criamos um h\u00edbrido&#8221;.<\/p>\n<p>E ele acha que \u00e9 esse &#8220;vigor h\u00edbrido&#8221; que sustenta a sobreviv\u00eancia persistente da molin\u00e9sia amaz\u00f4nica. &#8220;O que a natureza tem feito \u00e9 criar desde o in\u00edcio um bom h\u00edbrido, que prosperou. \u00c9 claro que h\u00e1 muta\u00e7\u00f5es, mas o que sentimos e que n\u00e3o foi levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 que a evolu\u00e7\u00e3o eliminar\u00e1 as muta\u00e7\u00f5es delet\u00e9rias e somente aqueles que se tornam melhores, com boas muta\u00e7\u00f5es, prosperar\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ao comentar o trabalho, Laurence Loewe, professor-assistente no Instituto para a Descoberta de Wisconsin, da Universidade de Wisconsin-Madison, disse \u00e0 BBC: &#8220;Normalmente, as esp\u00e9cies sem recombina\u00e7\u00e3o regular n\u00e3o s\u00e3o muito duradouras na forma evolutiva. No entanto, a molin\u00e9sia amaz\u00f4nica parece ter encontrado uma maneira de sobreviver por um tempo surpreendentemente longo sem acumular sinais de decomposi\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica. Para descobrir como isso ocorre, provavelmente teremos que combinar muitos dos grandes avan\u00e7os na gen\u00e9tica evolutiva dos \u00faltimos 100 anos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de milhares de anos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, o genoma das molin\u00e9sias do local \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apesar de milhares de anos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, o genoma das molin\u00e9sias do local \u00e9","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80357"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80357\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}