{"id":8033,"date":"2014-10-06T17:00:47","date_gmt":"2014-10-06T17:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=8033"},"modified":"2014-10-06T14:58:14","modified_gmt":"2014-10-06T14:58:14","slug":"estado-e-mercado-podem-reinventar-o-papel-das-cooperativas-no-programa-de-biodiesel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estado-e-mercado-podem-reinventar-o-papel-das-cooperativas-no-programa-de-biodiesel\/","title":{"rendered":"Estado e mercado podem reinventar o papel das cooperativas no Programa de Biodiesel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-8034\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Associa\u00e7\u00f5es de agricultores que participam do Programa do Biodiesel avaliam que aprimoramento do relacionamento com governo e empresas pode gerar cen\u00e1rio mais positivo.<\/p>\n<p>Nem tanto ao Estado, nem tanto ao mercado. Um mergulho na realidade atual das cooperativas que participam do Programa Nacional de Produ\u00e7\u00e3o e Uso do Biodiesel (PNPB) demonstra que a situa\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es ainda pode melhorar \u2013 e muito. Para isso, tanto o Estado quanto o mercado podem aprimorar v\u00e1rios aspectos de sua atua\u00e7\u00e3o no programa e de seu relacionamento com as cooperativas, gerando um cen\u00e1rio mais positivo para todos.<\/p>\n<p>A Rep\u00f3rter Brasil viajou por tr\u00eas regi\u00f5es do pa\u00eds, visitando cooperativas nos estados de Goi\u00e1s, Rio Grande do Sul, Piau\u00ed e Mato Grosso, a fim de conhecer melhor a realidade das cooperativas ligadas ao PNPB. A escolha das cooperativas partiu da lista das 105 associa\u00e7\u00f5es apresentadas como habilitadas no programa em dezembro de 2013. Os estados foram escolhidos a partir do n\u00famero de cooperativas habilitadas (casos do Rio Grande do Sul, com um total de 48 cooperativas habilitadas no momento inicial da pesquisa, e de Goi\u00e1s, com surpreendentes 11 cooperativas), pela lideran\u00e7a na agricultura nacional (caso do Mato Grosso) e pelo papel emblem\u00e1tico desempenhado no PNPB \u2013 caso da Cooperativa Santa Clara, no Piau\u00ed.<\/p>\n<p>Ao longo da pesquisa, a reportagem esteve na sede da Coomafa, Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares de Amaralina (GO). O presidente da associa\u00e7\u00e3o, Anasor Ferreira, explica que a cooperativa atua com base em dois assentamentos, organizados a partir da atua\u00e7\u00e3o da Contag e da Fetaeg. O Projeto de Assentamento \u00c1gua Fria conta com 157 fam\u00edlias e o Zebul\u00e2ndia com 40. A Coomafa tem no leite seu principal produto.<\/p>\n<p>As terras que deram origem aos dois assentamentos eram da fam\u00edlia Braguetto: a posse da fazenda Zebul\u00e2ndia foi conquistada em 1996, sendo que o assentamento manteve o nome original. J\u00e1 as fazendas de Araras e Marupiara tiveram sua posse conquistada pelos movimentos em 2001, dando origem ao \u00c1gua Fria.<\/p>\n<p>A cooperativa produz cerca de 4 mil litros de leite por dia, al\u00e9m de cultivar em torno de mil hectares de gergelim, que vai para S\u00e3o Paulo, de onde \u00e9 exportado para a China e outros pa\u00edses. Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m o gado de corte, vendido na pr\u00f3pria regi\u00e3o. A fazenda Cristo Rei, uma das principais da regi\u00e3o, fica ao lado da sede da Coomafa, e est\u00e1 arrendada para uma empresa norte-americana, que plantou nesta safra 1.800 hectares de soja.<\/p>\n<p>A Coomafa foi registrada em 2008, contando com somente 21 s\u00f3cios no in\u00edcio. Anasor Ferreira afirma que a cooperativa ainda enfrenta muitas dificuldades, carecendo de maior incentivo por parte do governo. \u201cAinda temos muita dificuldade com o atravessador. Tudo isso foi motivo para criarmos a cooperativa.\u201d<\/p>\n<p>Joaquim Roberto Lino Teixeira \u00e9 inspecionista rural da Emater de Itabera\u00ed (GO) desde 1993. Al\u00e9m disso, foi um dos fundadores da Cooperativa Agropecu\u00e1ria dos Produtores Rurais de Itabera\u00ed (Coapri), da qual foi seu primeiro presidente. Sob suas gest\u00f5es, a Coapri chegou a se dedicar por alguns anos ao PNPB, mas atualmente trabalha, sobretudo, com a merenda escolar, por meio do PNAE, o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que hoje a cooperativa se dedica a um projeto novo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que se baseia na compra antecipada da produ\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o para institui\u00e7\u00f5es locais. \u201cO dinheiro vem direto para a conta da cooperativa, ao passo que o PNAE passa pela prefeitura\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Desafios do Nordeste ao Sul<\/strong><\/p>\n<p>Das cooperativas visitadas e contatadas, a da Fazenda Santa Clara, no Piau\u00ed, certamente \u00e9 a que enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o mais delicada no que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o das empresas e governos com os agricultores familiares. Mas certamente as demais tamb\u00e9m apontam para aspectos a serem aprimorados ou corrigidos no PNPB.<\/p>\n<p>A Cooperativa Agr\u00edcola Mista Ourense Ltda. (Camol) atua nos arredores de S\u00e3o Jos\u00e9 do Ouro (RS), regi\u00e3o do Alto Uruguai, desde 1970. Sua cria\u00e7\u00e3o coincide com um per\u00edodo de intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o das monoculturas de trigo e soja na regi\u00e3o noroeste do Rio Grande do Sul. As duas culturas \u2013 uma \u201cde inverno\u201d e outra de \u201cver\u00e3o\u201d \u2013 revezam nos campos das pequenas e m\u00e9dias propriedades que caracterizam a regi\u00e3o. O milho costuma ocupar a terra nas entressafras.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente esse o perfil dos 4.100 associados da Camol. De acordo com Adilo Gelain, presidente da cooperativa desde 1999, 80% dos associados s\u00e3o pequenos propriet\u00e1rios, espalhados pelos munic\u00edpios de S\u00e3o Jos\u00e9 do Ouro, Barrac\u00e3o, Cacique Doble, Machadinho, Tupanci do Sul e Santo Expedito do Sul. A cooperativa comercializa trigo, milho e soja, al\u00e9m do leite. Mant\u00e9m uma f\u00e1brica de ra\u00e7\u00f5es e uma unidade de resfriamento de leite. Por\u00e9m, os sete armaz\u00e9ns antes dedicados ao recolhimento da soja est\u00e3o hoje arrendados para uma empresa que atua em 41 munic\u00edpios da regi\u00e3o, a Olfar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s tivemos dificuldades aqui e arrendamos os armaz\u00e9ns para receber de aluguel uma porcentagem da produ\u00e7\u00e3o recebida pela Olfar\u201d, conta Adilo. Segundo ele, as dificuldades financeiras surgiram de um calote dado por uma antiga compradora da soja produzida pelos associados, a Agrenco \u2013 que nos \u00faltimos anos enfrenta um delicado e controverso processo de fal\u00eancia. O presidente da Camol acrescenta que, diante \u201cdessa tend\u00eancia de soja, fomos buscar recurso de banco e isso tamb\u00e9m nos gerou custo financeiro alto\u201d. Com isso, prossegue, \u201cenfrentamos dificuldades, e agora estamos tentando pagar os associados com o aluguel para a Olfar\u201d.<\/p>\n<p>A Olfar assumiu tamb\u00e9m a gest\u00e3o dos produtores inscritos no PNPB. Adilo garante que, para os produtores, nada mudou. \u201cDe fato, n\u00e3o mudou nada. S\u00f3 de direito. S\u00f3 mudou o nome da empresa\u201d, diz. A Olfar conta com o Selo Combust\u00edvel Social. Para ele, o PNPB \u00e9 \u201cinteressante\u201d para os produtores. \u201cAl\u00e9m da bonifica\u00e7\u00e3o, \u00e9 bem importante a assist\u00eancia t\u00e9cnica\u201d, diz. \u201cTem uns tr\u00eas, quatro laudos por ano, e isso tudo a\u00ed converge para uma assist\u00eancia t\u00e9cnica efetiva para o associado da cooperativa\u201d. At\u00e9 mar\u00e7o de 2013, a Camol encontrava-se em situa\u00e7\u00e3o \u201csuspensa\u201d na lista das cooperativas habilitadas do PNPB.<\/p>\n<p>A Cooperativa da Agricultura Familiar de Floriano Peixoto (Coperflor) tamb\u00e9m passa por dificuldades financeiras e deixou de atuar este ano. Em mar\u00e7o de 2014, sua renova\u00e7\u00e3o encontrava-se em an\u00e1lise na lista do PNPB. O atual presidente, S\u00e9rgio Babicz, diz que a cooperativa est\u00e1 em busca de solu\u00e7\u00f5es, mas que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de retomada das atividades. Em rela\u00e7\u00e3o ao biodiesel, ele informa que n\u00e3o foi realizado nenhum pr\u00e9-contrato este ano. \u201cA gente comercializava com a Oleoplan, mas n\u00e3o temos nada previsto para este ano\u201d, informou. A Oleoplan tamb\u00e9m conta com o Selo Combust\u00edvel Social.<\/p>\n<p><strong>Grandes e pequenos juntos em Goi\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em Santa Isabel, Goi\u00e1s, as fam\u00edlias assentadas ligadas \u00e0 Coopafana (Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares do Assentamento Nova Aurora) est\u00e3o na quinta safra de soja, segundo o presidente Jos\u00e9 Pereira Vinhal. Em entrevista realizada em seu lote, ele conta que no come\u00e7o da inser\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias no PNPB \u201cdeu alguns problemas, porque o solo ainda n\u00e3o estava adaptado para a soja\u201d.<\/p>\n<p>A soja plantada ali vai para a Granol de An\u00e1polis, desde o primeiro ano. Vinhal estima que sejam quinze fam\u00edlias que participam do programa no assentamento, al\u00e9m de algumas de fora do assentamento, mas ligadas \u00e0 cooperativa. \u201cS\u00f3 plantamos soja para o programa. Este ano foram 500 hectares, mas somente uma pessoa plantou a parcela toda dela\u201d, explica. \u201cEu plantei 17 hectares, de um total de 25. O resto \u00e9 onde eu mexo com o leite e as outras coisas.\u201d<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, cada hectare plantado rende na faixa de 50 sacas de soja. \u201cNo primeiro ano deu pouca, mas tamb\u00e9m j\u00e1 teve ano que deu mais.\u201d De acordo com Vinhal, na safra 2013\/2014 a Granol est\u00e1 fornecendo tudo: sementes, assist\u00eancia t\u00e9cnica, hora-m\u00e1quina etc.<\/p>\n<p>Ao longo do assentamento, que \u00e9 cortado pela Ferrovia Norte-Sul, s\u00e3o vistas algumas placas que indicam utiliza\u00e7\u00e3o de sementes da Pioneer em determinadas \u00e1reas. Pergunto se os resultados foram bons, e se seguem utilizando a semente. \u201cAno passado foi a da Pioneer. Foi um ano ruim, mas foi um ano dif\u00edcil, que deu problema para todo mundo, n\u00e3o s\u00f3 aqui\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Vinhal conta que os parceiros da Granol tiveram alguns problemas com a semente da Pioneer, pois \u201ca gente comprou e depois n\u00e3o tinha para entregar\u201d. Ele segue: \u201cAcabamos plantando atrasado, e os lotes de semente que usamos estavam em condi\u00e7\u00f5es variadas [e n\u00e3o um lote homog\u00eaneo]\u201d. Para ele, ficou a li\u00e7\u00e3o: \u201cEscolhemos uma semente mais de ponta, arriscamos, e deu errado\u201d. Em 2014, a cooperativa optou por usar sementes da Embrapa.<\/p>\n<p>No geral, o presidente da cooperativa avalia que a rela\u00e7\u00e3o com a Granol \u201cd\u00e1 certo, mas nem sempre funciona 100%\u201d. Por exemplo, houve situa\u00e7\u00f5es em que a empresa \u201cqueria que a cooperativa estivesse com toda a documenta\u00e7\u00e3o em dia, e se a gente n\u00e3o estava, atrasava\u201d. Por outro lado, \u201cem outras vezes, estava tudo certo, mas o dinheiro n\u00e3o entrava\u201d.<\/p>\n<p>Das dificuldades para a organiza\u00e7\u00e3o da cooperativa, ou para a empresa cumprir com o que se esperava ali dela, a quest\u00e3o ia parar na lavoura \u2013 e no bolso do agricultor. \u201cAtrasava pagamento que a gente tinha que fazer, o combate \u00e0s pragas atrasava, o servi\u00e7o de trator\u2026 E a\u00ed tudo isso \u00e9 preju\u00edzo.\u201d<\/p>\n<p>Em Bon\u00f3polis, o presidente da Coomafa, Anasor Ferreira, lamenta que a cooperativa \u201catualmente est\u00e1 quase parada\u201d. Em dezembro de 2013, a cooperativa encontrava-se ativa na lista de entidades habilitadas pelo MDA no PNPB. No entanto, em mar\u00e7o deste ano, a renova\u00e7\u00e3o da Coomafa foi colocada como em an\u00e1lise. Segundo ele, a associa\u00e7\u00e3o enfrentou algumas dificuldades nos \u00faltimos anos, sendo que \u201ca \u00faltima tentativa foi com o biodiesel\u201d. \u201cChegamos a plantar 220 hectares em 2012 e 2013\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>A soja ali plantada era vendida para o grupo JBS. \u201cO biodiesel deles mesmo era sebo de boi. Nossa produ\u00e7\u00e3o era para eles cumprirem o percentual de agricultura familiar\u201d, analisa o presidente da cooperativa. Ele conta que a produ\u00e7\u00e3o nesses anos \u201cdeu umas 32 sacas por hectare, mas precisava de 38 para compensar\u201d. Para o dirigente, a produtividade n\u00e3o chegou ao necess\u00e1rio em fun\u00e7\u00e3o do clima, sobretudo em decorr\u00eancia das chuvas acima da m\u00e9dia que atingiram a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ferreira explica que, agora, o total disponibilizado para a soja n\u00e3o deve ultrapassar uma \u00e1rea de 100 hectares. \u201cTem produtor que quer. Mas as pessoas preferem o imediato, o leite, o gergelim. A soja voc\u00ea vai levar uns tr\u00eas anos para ter retorno, as pessoas n\u00e3o t\u00eam essa vis\u00e3o\u201d. De acordo com Ferreira, quem sugeriu que a Coomafa ingressasse no PNPB foi a Cecaf (Central de Cooperativas da Agricultura Familiar). \u201c\u00c9 a nossa central. Ela faz a exposi\u00e7\u00e3o do biodiesel nos assentamentos. Eles que nos sugeriram fazer o programa e negociaram com a JBS.\u201d<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com a JBS, Ferreira registra que \u201cos assentados entraram principalmente s\u00f3 com a terra. O que a gente fez foi quase s\u00f3 olhar\u201d. Assim, a empresa definia todo o restante, investia o que mais fosse necess\u00e1rio e determinava o que e como seria feito. Ao ouvir o dirigente explicando a rela\u00e7\u00e3o, percebe-se que, em certas situa\u00e7\u00f5es, acaba ficando dif\u00edcil para o produtor dizer algo, fazer algo, colaborar de alguma forma com o seu saber. Mas, ao final, o risco fica para o agricultor, que cede sua terra: sua principal fonte de renda. E foi o que os associados da Coomafa vivenciaram, ao n\u00e3o atingir a produtividade necess\u00e1ria para obter o retorno que desejavam.<\/p>\n<p><strong>Mercado, Estado e agricultores familiares<\/strong><\/p>\n<p>Joaquim Teixeira, da Coapri, conta que a cooperativa de Itabera\u00ed produziu soja para o PNPB em duas safras (2012\/2013 e 2011\/2012), vendendo a produ\u00e7\u00e3o para a Granol de An\u00e1polis (GO). A cooperativa foi criada em dezembro de 2010. Ele acredita que a Coapri possa agora experimentar um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o e fortalecimento, especialmente por conta de um programa com a UFG (Universidade Federal de Goi\u00e1s) e a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).<\/p>\n<p>Teixeira, que tamb\u00e9m trabalha na Emater do munic\u00edpio, avalia que \u201cvaleu a pena a inser\u00e7\u00e3o da cooperativa no programa, mas tem alguns gargalos\u201d. Ele se recorda que, no primeiro ano, houve produtor que deixou de entregar para a Granol para vender para terceiros, pois o pre\u00e7o de mercado estava mais alto que o acertado via PNPB. \u201cNo outro ano, tivemos de entregar a mais para reparar a diferen\u00e7a.\u201d Em dezembro de 2013, a renova\u00e7\u00e3o da Coapri na rela\u00e7\u00e3o de cooperativas habilitadas no PNPB encontrava-se sob an\u00e1lise. J\u00e1 na \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o, de mar\u00e7o deste ano, a cooperativa figurava como \u201csuspensa\u201d. Segundo ele, a Coapri n\u00e3o chegou a assinar o contrato de insumo com a Granol. \u201cCuidamos do plantio, dos insumos, da colheita. Eles iam direto ao campo, mas os agricultores que compraram mesmo a semente, que acabava assim variando de produtor para produtor\u201d.<\/p>\n<p>A Emater do munic\u00edpio atende de 200 a 300 agricultores locais. \u201cA rela\u00e7\u00e3o \u00e9 mais com os pequenos, da agricultura familiar mesmo\u201d. Ele conta que hoje existem muitas empresas de planejamento de mercado que trabalham com uma parte dos produtores. Ou as lojas de produtos agr\u00edcolas. \u201cMas na verdade querem vender, e isso vai encarecendo a produ\u00e7\u00e3o\u201d. Por outro lado, ele se recorda que o ingresso da Coapri no PNPB se deu a partir da sugest\u00e3o de uma empresa de assist\u00eancia t\u00e9cnica. \u201cEra uma terceirizada da Granol.\u201d<\/p>\n<p>Teixeira aponta para a import\u00e2ncia de tanto os cooperados quanto as companhias parceiras alterarem alguns aspectos de sua atua\u00e7\u00e3o no PNPB. Para ele, \u201co compromisso do produtor com a empresa tinha que ser mais s\u00e9rio, para n\u00e3o ter problema na hora da entrega, por exemplo\u201d. A partir de sua experi\u00eancia na Emater de Itabera\u00ed, ele avalia que o programa \u201cprecisava trabalhar melhor a quest\u00e3o da assist\u00eancia t\u00e9cnica\u201d. Uma padroniza\u00e7\u00e3o nesse sentido seria fundamental: \u201cCada empresa trabalhando de um jeito n\u00e3o fica muito bom n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2013, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que cria a Anater \u2013 Ag\u00eancia Nacional de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural. A ag\u00eancia contar\u00e1 com mais de R$ 1 bilh\u00e3o para desenvolver as atividades de sua al\u00e7ada no campo brasileiro, em parceria com empresas e demais institui\u00e7\u00f5es do setor. Caso logre sucesso em sua atua\u00e7\u00e3o, a Anater poder\u00e1 se tornar o diferencial necess\u00e1rio para que as cooperativas visitadas alcancem o patamar desejado \u2013 tanto pelos criadores do PNPB quanto pelos associados das cooperativas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o com mercado e Estado e a diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, as perspectivas das cooperativas no PNPB e na agricultura em geral certamente passa por outros aspectos fundamentais. Por exemplo: o investimento em novas tecnologias e atitudes, bem como nas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Frei S\u00e9rgio, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MPA, explica que existem duas cooperativas ligadas ao movimento no Rio Grande do Sul que trabalham com aproximadamente quatro mil fam\u00edlias. As empresas que compram a produ\u00e7\u00e3o das cooperativas ligadas ao MPA s\u00e3o a PBio (Petrobras Biocombust\u00edvel), Delta (do MS) e Granol. Al\u00e9m disso, houve vendas para a Oleoplan e para a Brasil Ecodiesel.<\/p>\n<p>Em Santa Cruz do Sul, fica a sede da Cooperativa Mista dos Fumicultores do Brasil (Cooperfumos ), tamb\u00e9m ligada ao MPA. Miqueli Schiavon, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do movimento, participa desde o in\u00edcio do projeto no munic\u00edpio, em 2007. \u201cQuando o PNPB come\u00e7ou, destinava-se a gerar oportunidades para o agricultor familiar e ampliar a independ\u00eancia do produtor\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Ele conta que, entre os associados da Cooperfumos, a cana-de-a\u00e7\u00facar se faz presente, \u201cmas em outra l\u00f3gica\u201d. A mamona e o tungue tamb\u00e9m s\u00e3o cultivados. Houve muitos avan\u00e7os desde 2007, mas falta avan\u00e7ar muito para realmente embalar. Miqueli entende que o projeto com a Brasil Ecodiesel realmente \u201cdestruiu a possibilidade da mamona a curto prazo na regi\u00e3o. Algum agricultor ainda pode querer testar, mas agora certamente em uma \u00e1rea menor\u201d. Segundo ele, alternativas como a batata-doce e a mandioca tamb\u00e9m s\u00e3o estudadas hoje.<\/p>\n<p>Miqueli busca explicar como as coisas podem se encadear para consolidar um projeto positivo para todos os envolvidos: \u201cO MPA j\u00e1 possui um sistema todo estruturado; j\u00e1 h\u00e1 agricultores produzindo mamona, agora precisamos buscar chegar a 200 hectares; a unidade de extra\u00e7\u00e3o est\u00e1 encaminhada e comprada, falta chegar todo o equipamento; a Unisc apoia o projeto, na parte da especificidade do \u00f3leo; e a Embrapa contribui tamb\u00e9m em diversas frentes do projeto. Ao final, a Mercur poder\u00e1 comprar o insumo necess\u00e1rio para as borrachas.\u201d<\/p>\n<p>A expectativa da Cooperfumos \u00e9 que at\u00e9 setembro de 2014 a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo esteja a pleno vapor. Miqueli destaca que a Embrapa e a universidade s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para a valida\u00e7\u00e3o das tecnologias. Para ele, \u201cessa iniciativa de desenvolver as tecnologias com as empresas n\u00e3o seria papel nosso. \u00c9 papel do Estado\u201d. A cooperativa precisou, contudo, enfrentar esse desafio no cen\u00e1rio poss\u00edvel, gastando at\u00e9 o que n\u00e3o tinha.<\/p>\n<p><strong>O futuro das cooperativas<\/strong><\/p>\n<p>Em diversas entrevistas realizadas durante a pesquisa, um aspecto positivo salta \u00e0 vista. O futuro dos projetos hoje n\u00e3o conta somente com as novas propostas das cooperativas e das demais institui\u00e7\u00f5es. Tampouco se resume ao apoio dessas ou \u00e0 perseveran\u00e7a daquelas. No novo cen\u00e1rio de fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nas cidades m\u00e9dias e pequenas, e de descentraliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, a presen\u00e7a das novas gera\u00e7\u00f5es nos projetos, embora n\u00e3o se configure ainda a maioria nas iniciativas, \u00e9 certamente um tra\u00e7o marcante em cada uma delas. E o que vai passando de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, de pais e m\u00e3es para filhos e filhas, parece apontar para possibilidades futuras positivas no campo brasileiro.<\/p>\n<p>Em Santa Isabel, a Coopafana teve o apoio da Petrobras para desenvolver o projeto Nascentes do Cerrado. Os resultados s\u00e3o vis\u00edveis no Nova Aurora: as nascentes foram cercadas e protegidas e o c\u00f3rrego que cruza o assentamento est\u00e1 com matas ciliares sendo recuperadas e preservadas.<\/p>\n<p>A filha de Jos\u00e9 Vinhal, presidente da cooperativa, estagiou no projeto P\u00e9 do Cerrado, em Ceres (GO), tamb\u00e9m apoiado pela Petrobras. \u201cA minha filha est\u00e1 formando para t\u00e9cnica em agropecu\u00e1ria e o meu filho est\u00e1 fazendo zootecnia. Os dois estudam no Instituto Federal Goiano, no Campus Ceres\u201d. A sobrinha dele, por sua vez, se formou em agronomia. Ela \u00e9 filha do presidente anterior da Coopafana, Antonio Borges, o \u201cToninho\u201d. Em tempo, cabe o registro de que agora \u201cToninho\u201d \u00e9 o secret\u00e1rio municipal de Agricultura de Santa Isabel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00f5es de agricultores que participam do Programa do Biodiesel avaliam que aprimoramento do relacionamento com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8034,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/cooperativas_biodiesel.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Associa\u00e7\u00f5es de agricultores que participam do Programa do Biodiesel avaliam que aprimoramento do relacionamento com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8033\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}