{"id":7997,"date":"2014-10-05T14:44:12","date_gmt":"2014-10-05T14:44:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7997"},"modified":"2014-10-05T14:47:51","modified_gmt":"2014-10-05T14:47:51","slug":"pesquisa-aponta-danos-da-exploracao-madeireira-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-aponta-danos-da-exploracao-madeireira-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta danos da explora\u00e7\u00e3o madeireira na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/ciencia-e-tecnologia\/2014\/10\/pesquisa-aponta-danos-da-exploracao-madeireira-na-amazonia\/embrapa_desmatamento.jpg\/@@images\/7e731d41-b928-4e2c-8f2f-eed20d96404e.jpeg\" alt=\"Degrada\u00e7\u00e3o ambiental compromete a estrutura e as fun\u00e7\u00f5es da floresta amaz\u00f4nica\" width=\"230\" height=\"152\" \/>As perdas de carbono na floresta amaz\u00f4nica pela degrada\u00e7\u00e3o florestal representam at\u00e9 40% das perdas pelo desmatamento. \u00c9 o que revela artigo publicado por cientistas brasileiros e brit\u00e2nicos na revista <em>Global Change Biology<\/em>. O estudo, que coletou amostras de plantas e solos em 225 pontos da regi\u00e3o e \u00e9 o maior j\u00e1 realizado para as florestas tropicais degradadas, aponta a perda de carbono em florestas que passam por perturba\u00e7\u00f5es, como extra\u00e7\u00e3o madeireira e fogo acidental.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia tem um papel de destaque na conten\u00e7\u00e3o do processo de aquecimento global. Ela estoca cerca de 90 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, o que corresponde a 35% do carbono presente nas florestas tropicais no mundo.<\/p>\n<p>No entanto, os pesquisadores mostram que, al\u00e9m da perda de carbono atrav\u00e9s do desmatamento, a floresta tamb\u00e9m perde muito carbono quando \u00e9 degradada.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o madeireira e os inc\u00eandios acidentais na regi\u00e3o causam a perda de cerca de 54 milh\u00f5es de toneladas de carbono, que representam 40% da perda anual pelo desmatamento da floresta, o que n\u00e3o vem sendo contabilizado nos n\u00fameros oficiais. Para se ter uma ideia melhor dessa quantidade, a perda equivale a mais de 40 milh\u00f5es de carros circulando durante um ano.<\/p>\n<p><b>Estudo<\/b><\/p>\n<p>A pesquisa iniciou em 2009 com pesquisadores da Embrapa, Museu Paraense Emilio Goeldi e Universidade de Lancaster (Reino Unido), no \u00e2mbito da Rede Amaz\u00f4nia Sutent\u00e1vel . Ao longo desses anos foram levantados dados de campo em duas regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia Oriental: nos municipios paraenses de Belterra e Santar\u00e9m, oeste, e Paragominas, nordeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Nesses locais foram estudadas 87 mil amostras de plantas e 5 mil de solo. A refer\u00eancia para a coleta de amostras tem como base as diretrizes para invent\u00e1rios nacionais de gases de efeito estufa, estabelecidas no Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), que recomenda que as avalia\u00e7\u00f5es em \u00e1reas florestais devem quantificar cinco reservat\u00f3rios de carbono.<\/p>\n<p>Deles, quatro reservat\u00f3rios foram avaliados pelos pesquisadores: carbono acima do solo (\u00e1rvores vivas, palmeiras e cip\u00f3s), madeira morta (res\u00edduos lenhosos e \u00e1rvores mortas em p\u00e9), serrapilheira (folhas ca\u00eddas no ch\u00e3o da mata), e solo.<\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise de dados<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, explica que a an\u00e1lise dos dados de campo foi combinada com a an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite desde a d\u00e9cada de 80, quando o Brasil come\u00e7ou a monitorar anualmente o desmatamento da Amaz\u00f4nia por meio do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpa).<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um dos grandes diferenciais do trabalho, pois realizou-se uma pesquisa detalhada em \u00e1reas de florestas degradadas, que normalmente s\u00e3o dif\u00edceis de visualizar nas imagens de sat\u00e9lite. At\u00e9 ent\u00e3o as pesquisas com emiss\u00f5es de carbono referiam-se ao desmatamento da floresta, ou ent\u00e3o a estudos focados em dist\u00farbios isolados. Este \u00e9 o primeiro estudo que contempla \u00e1reas degradadas e diferentes tipos de dist\u00farbio com um todo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A quantidade estocada de carbono foi avaliada em diferentes tipos de florestas: intacta ou prim\u00e1ria; com explora\u00e7\u00e3o seletiva de madeira; \u00a0e explorada e queimada. Para chegar a essa quantidade, a conta \u00e9 simples: 50% de uma \u00e1rvore &#8211; a parte a\u00e9rea (folhas) e madeira &#8211; \u00e9 carbono, medida que vale para plantas em geral.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo nos diferentes tipos de floresta mostram que as perdas de carbono v\u00e3o de 18% a 57% quando se compara as \u00e1reas degradadas \u00e0s \u00e1reas intactas.<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dos danos causados pela extra\u00e7\u00e3o de madeira e inc\u00eandios acidentais pode ent\u00e3o transformar as florestas em um mato denso, cheio de \u00e1rvores e cip\u00f3s de pequeno porte, resultando em armazenamento 40% menor nos estoques de carbono nas matas degradadas. E o corte seletivo de madeira est\u00e1 desempenhando um papel fundamental nesse processo.<\/p>\n<p>O artigo mostra, portanto, que a conten\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o est\u00e1 somente no desmatamento. &#8220;A degrada\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 um elemento importante a se considerar no papel que o Brasil desempenha frente \u00e0s emiss\u00f5es de carbono&#8221;, explica Joice Ferreira. H\u00e1 a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a redu\u00e7\u00e3o do uso do fogo na agricultura e para o controle da extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As pesquisas na Amaz\u00f4nia j\u00e1 apontam solu\u00e7\u00f5es para essa quest\u00e3o: tecnologias de substitui\u00e7\u00e3o do uso do fogo pela tritura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o no preparo de \u00e1rea para o plantio, e o manejo florestal de impacto reduzido com o auxilio de softwares, s\u00e3o exemplos do que se vem apresentando como alternativa ao desenvolvimento da regi\u00e3o. Mas, \u00e9 necess\u00e1rio boa vontade pol\u00edtica para a incorpora\u00e7\u00e3o ampla destas pr\u00e1ticas na realidade quotidiana da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster e do Museu Goeldi, o estudo abre novas perspectivas para entender o uso da terra na Amaz\u00f4nia, os processos de degrada\u00e7\u00e3o e os impactos da a\u00e7\u00e3o do homem sobre a floresta.<\/p>\n<p>&#8220;O pr\u00f3ximo passo \u00e9 entender melhor como essas florestas degradadas respondem a outras formas de dist\u00farbios causados pelo homem, especialmente aqueles oriundos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como per\u00edodos de seca mais severos e esta\u00e7\u00f5es de chuva com maiores n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o&#8221;, finaliza Barlow.<\/p>\n<p><b>Sobre a Rede<\/b><\/p>\n<p>A <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/%20www.redeamazoniasustentavel.org\" target=\"_self\">Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel<\/a> (RAS) \u00e9 um cons\u00f3rcio de trinta institui\u00e7\u00f5es brasileiras e estrangeiras, da qual participam mais de 100 pesquisadores que desenvolvem estudos para avaliar a sustentabilidade dos usos da terra no leste da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Junto com comunidades locais e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, a rede gera conhecimento para o desenvolvimento sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia. A rede tem atualmente diversos estudos em andamento na regi\u00e3o, incluindo as respostas da biodiversidade e a condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica das comunidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Criada em 2009, a rede \u00e9 coordenada pela Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi, Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Instituto Ambiental de Estocolmo (Su\u00e9cia). A RAS \u00e9 tamb\u00e9m parte do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;As pesquisas v\u00eam produzindo conhecimento para melhorar nosso entendimento do balan\u00e7o entre conserva\u00e7\u00e3o ambiental e desenvolvimento socioecon\u00f4mico no maior remanescente de floresta tropical do mundo&#8221;, afirma o pesquisador brit\u00e2nico, Toby Gardner, um dos coordenadores da RAS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As perdas de carbono na floresta amaz\u00f4nica pela degrada\u00e7\u00e3o florestal representam at\u00e9 40% das perdas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As perdas de carbono na floresta amaz\u00f4nica pela degrada\u00e7\u00e3o florestal representam at\u00e9 40% das perdas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7997\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}