{"id":7965,"date":"2014-10-05T14:07:48","date_gmt":"2014-10-05T14:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7965"},"modified":"2014-10-05T14:08:37","modified_gmt":"2014-10-05T14:08:37","slug":"entrevista-com-silvia-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-com-silvia-ribeiro\/","title":{"rendered":"Entrevista com Silvia Ribeiro"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Biologia sint\u00e9tica: \u201cEssa tecnologia \u00e9 necess\u00e1ria?\u201d<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cN\u00e3o existem legisla\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 biologia sint\u00e9tica e h\u00e1 total ignor\u00e2ncia acerca dos efeitos dos produtos derivados da biologia sint\u00e9tica sobre a sa\u00fade\u201d, adverte a pesquisadora do Grupo ETC.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"http:\/\/sp.es-static.us\/upl\/2009\/10\/dna_300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto:sp.es-static.us<\/span><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSupostamente mais amig\u00e1vel com o meio ambiente\u201d, tendo a biomassa como mat\u00e9ria-prima para produzir combust\u00edveis e pl\u00e1stico, a biologia sint\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 uma proposta para sair da depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, diz <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/46289-tecnologia-terminator-e-o-dilema-brasileiro-entrevista-especial-com-silvia-ribeiro\" target=\"_blank\">Silvia Ribeiro<\/a> <\/strong>\u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, ela adverte que as transnacionais petroleiras, empresas qu\u00edmicas e farmac\u00eauticas que financiam as pesquisas de <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> visam \u00e0 \u201cconstru\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio de sequ\u00eancias gen\u00e9ticas sint\u00e9ticas para construir, por exemplo, rotas metab\u00f3licas que alterem fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em microrganismos ou para criar micr\u00f3bios sint\u00e9ticos inteiros com novas fun\u00e7\u00f5es, capazes de produzir subst\u00e2ncias industriais\u201d. Segundo ela, a manipula\u00e7\u00e3o ou cria\u00e7\u00e3o de micr\u00f3bios atrav\u00e9s da biologia sint\u00e9tica possibilitar\u00e1 \u201cprocessar qualquer fonte de carboidratos como base para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edmeros que podem ser processados, como combust\u00edveis, farmac\u00eauticos, pl\u00e1sticos ou outras subst\u00e2ncias industriais. Atualmente, isto \u00e9 em grande parte te\u00f3rico ou est\u00e1 apenas na fase experimental, mas em alguns setores j\u00e1 funciona no \u00e2mbito da produ\u00e7\u00e3o industrial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia<\/strong> adverte ainda que, com o desenvolvimento da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>, a tend\u00eancia \u00e9 de que haja um \u201caumento exponencial da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/508354-energias-alternativas-ja-sao-uma-realidade-no-brasil\" target=\"_blank\"><strong>explora\u00e7\u00e3o da biomassa<\/strong><\/a> planet\u00e1ria\u201d, j\u00e1 que \u201ctudo o que esteja vivo ou tenha estado, seja natural ou cultivado, seja res\u00edduos de colheitas ou planta\u00e7\u00f5es florestais, alimentos, algas, fibras vegetais, passa a ser categorizado como \u2018biomassa\u2019, uma mat\u00e9ria-prima universal que pode ser processada com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>\u201d. Nessa perspectiva, enfatiza, os territ\u00f3rios e produ\u00e7\u00f5es camponesas e ind\u00edgenas \u201cse ver\u00e3o despojados por esta nova ind\u00fastria baseada na <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de as principais pesquisas sobre <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> estarem sendo desenvolvidas nos <strong>Estados Unidos<\/strong> e na <strong>Europa<\/strong>, <strong>Silvia<\/strong> informa que \u201ca ind\u00fastria est\u00e1 deslocando a produ\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o a pesquisa \u2013 para pa\u00edses como o<strong> Brasil<\/strong>, com biomassa abundante e barata e, no caso da produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, at\u00e9 com trabalho semiescravo\u201d. E acrescenta: \u201cPor isso, no <strong>Brasil<\/strong>, h\u00e1 empreendimentos como o da <strong>Amyris<\/strong>, que al\u00e9m do farneseno est\u00e3o produzindo esqualeno (naturalmente derivado da oliva) e patchouli para a ind\u00fastria cosm\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia<\/strong> lembra tamb\u00e9m que, al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es relacionadas ao meio ambiente e \u00e0 vida de comunidades ind\u00edgenas e camponesas, a <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> permite a possibilidade de \u201cfabricar vida totalmente artificial a partir do zero e micr\u00f3bios com capacidades que n\u00e3o existiam. Por essa raz\u00e3o, sua libera\u00e7\u00e3o intencional ou acidental \u2013 o que \u00e9 muito f\u00e1cil de acontecer, pois os tanques n\u00e3o s\u00e3o instala\u00e7\u00f5es de alta seguran\u00e7a, apenas outro processo industrial a mais \u2013 poderia ter consequ\u00eancias imprevis\u00edveis e potencialmente devastadoras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/17715-as-flores-que-rompem-os-muros-artigo-de-silvia-ribeiro-\" target=\"_blank\"><strong>Silvia Ribeiro<\/strong><\/a> \u00e9 pesquisadora e coordenadora de programas do <strong>Grupo ETC<\/strong>, grupo de pesquisa sobre novas tecnologias e comunidades rurais, com sede no <strong>M\u00e9xico<\/strong>. Ela tem ampla bagagem como jornalista e ativista ambiental no <strong>Uruguai<\/strong>, <strong>Brasil<\/strong> e <strong>Su\u00e9cia<\/strong>. <strong>Silvia<\/strong> tamb\u00e9m produziu uma s\u00e9rie de artigos sobre transg\u00eanicos, novas tecnologias, concentra\u00e7\u00e3o empresarial, propriedade intelectual, ind\u00edgenas e direitos dos agricultores, que t\u00eam sido publicados em pa\u00edses latino-americanos, europeus e norte-americanos, em revistas e jornais, bem como v\u00e1rios cap\u00edtulos de livros. Ela \u00e9 membro da comiss\u00e3o editorial da <strong>Revista Latino-Americana Biodiversidad<\/strong>,<strong> sustento y culturas<\/strong>, e do jornal espanhol <strong>Ecolog\u00eda Pol\u00edtica<\/strong>, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"http:\/\/www.etcgroup.org\/sites\/www.etcgroup.org\/files\/styles\/medium\/public\/staffphotos\/picture-10-1338581366.jpg?itok=IYu0a6an\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: www.etcgroup.org<\/span><\/em><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Como e a partir de quais interesses a biologia sint\u00e9tica se desenvolveu nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> No final do mil\u00eanio e facilitada pela manifesta\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas crises globais, come\u00e7ou a tomar forma a vis\u00e3o de uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509483-economia-verde-e-novo-discurso-hegemonico-diz-pesquisadora\" target=\"_blank\"><strong>economia<\/strong> <strong>\u201cp\u00f3s-petroleira\u201d<\/strong><\/a>, supostamente mais amig\u00e1vel com o ambiente, baseada no uso industrial da biomassa como mat\u00e9ria-prima. Sem uma an\u00e1lise cuidadosa, isso poderia representar uma op\u00e7\u00e3o sensata para sair da depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis como o petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s. Mas, o que \u00e9 realmente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como as outras propostas englobadas na chamada <strong>\u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/46430-a-bioeconomia-uma-proposta-com-futuro\" target=\"_blank\">bioeconomia<\/a>\u201d<\/strong> ou <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/507218-economia-verde-inclusiva-a-proposta-do-brasil-para-a-rio20-entrevista-especial-com-fernando-lyrio\" target=\"_blank\"><strong>\u201ceconomia verde\u201d<\/strong><\/a>, a economia industrial da biomassa n\u00e3o faz nenhum questionamento aos padr\u00f5es dominantes de consumo e produ\u00e7\u00e3o, nem \u00e0s injusti\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas globais que estes provocaram. Prop\u00f5e apenas outras rotas para poder continuar com o mesmo modelo, neste caso mudando a fonte das mat\u00e9rias-primas e as tecnologias usadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um elemento central para esta nova <strong>\u201ceconomia da biomassa\u201d<\/strong> \u00e9 o uso da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>: a constru\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio de sequ\u00eancias gen\u00e9ticas sint\u00e9ticas para construir, por exemplo, rotas metab\u00f3licas que alterem fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em microrganismos ou para criar micr\u00f3bios sint\u00e9ticos inteiros com novas fun\u00e7\u00f5es, capazes de produzir subst\u00e2ncias industriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com micr\u00f3bios manipulados (ou criados) com <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/524653-biologia-sintetica-o-redesenho-da-vida-existente-e-a-criacao-de-novas-formas-de-vida\" target=\"_blank\"><strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong><\/a>, seria poss\u00edvel processar qualquer fonte de carboidratos como base para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edmeros que podem ser processados como combust\u00edveis, farmac\u00eauticos, pl\u00e1sticos ou outras subst\u00e2ncias industriais. Atualmente, isto \u00e9 em grande parte te\u00f3rico ou est\u00e1 apenas na fase experimental, mas em alguns setores j\u00e1 funciona no \u00e2mbito da produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<table style=\"width: 246px; height: 54px; margin: 15px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi62.tinypic.com\/10573gn.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cA primeira pergunta a ser feita \u00e9 se esta perigosa tecnologia \u00e9 necess\u00e1ria. A resposta \u00e9 \u2018n\u00e3o\u2019\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Neste horizonte, toda a natureza, os ecossistemas, tudo o que esteja vivo ou tenha estado, seja natural ou cultivado, seja res\u00edduos de colheitas ou planta\u00e7\u00f5es florestais, alimentos, algas, fibras vegetais, passa a ser categorizado como \u201cbiomassa\u201d, uma mat\u00e9ria-prima universal que pode ser processada com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>. Por isso, esta perspectiva implica um aumento exponencial da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/505705-rio20-os-equivocos-da-economia-verde-e-das-tecnologias-entrevista-especial-com-kathy-jo-wetter\" target=\"_blank\"><strong>explora\u00e7\u00e3o da biomassa planet\u00e1ria<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem contar que esta \u201cbiomassa\u201d, em muitos casos, n\u00e3o \u00e9 tal, mas s\u00e3o territ\u00f3rios e produ\u00e7\u00f5es camponesas e ind\u00edgenas que se ver\u00e3o despojados por esta nova ind\u00fastria baseada na <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>. H\u00e1, pois, um problema global: a apropria\u00e7\u00e3o industrial de biomassa planet\u00e1ria, segundo os institutos que calculam a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-arquivadas\/37432-pegada-ecologica-x-economia-verde\" target=\"_blank\"><strong>pegada ecol\u00f3gica<\/strong><\/a>, como o <strong>Global Ecological Footprint Network<\/strong>, j\u00e1 rebaixou em muito os limites da sua capacidade de renova\u00e7\u00e3o. Isto quer dizer que j\u00e1 antes mesmo desta nova expans\u00e3o industrial, consome-se a biomassa mais rapidamente que sua capacidade de regenera\u00e7\u00e3o, pelo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um recurso renov\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investidores em biologia sint\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os grandes investidores em <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> encontram-se seis das dez maiores empresas petroleiras e de energia, seis das dez maiores empresas qu\u00edmicas, seis das dez maiores empresas de agroneg\u00f3cios e as sete maiores farmac\u00eauticas em n\u00edvel global. Agora se somaram tamb\u00e9m muitas das ind\u00fastrias de cosm\u00e9ticos e aditivos alimentares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, encontramos empresas como a <strong>Shell<\/strong>, <strong>Exxon<\/strong>, <strong>BP<\/strong>, <strong>Chevron<\/strong>, <strong>Total,<\/strong> <strong>Basf<\/strong>, <strong>Dow<\/strong>, <strong>DuPont<\/strong>, <strong>Monsanto<\/strong>, <strong>Cargill<\/strong>, <strong>ADM<\/strong>, <strong>Bunge<\/strong>, <strong>Vale<\/strong>, <strong>Pfizer<\/strong>, <strong>Sanofi-Aventis<\/strong>,<strong> GlaxoSmithKline<\/strong>, <strong>Novartis<\/strong>, <strong>Roche<\/strong>, <strong>Merck<\/strong>, e agora tamb\u00e9m a <strong>Givaudan<\/strong>, <strong>International Flavours &amp; Fragances Inc<\/strong>. V\u00e1rias dessas empresas t\u00eam investimentos em <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> no <strong>Brasil<\/strong>, assim como tamb\u00e9m a <strong>Petrobras<\/strong>. Em geral, com acordos com companhias novas menores, dedicadas especificamente \u00e0 <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>, como <strong>Amyris<\/strong>, <strong>Solazyme<\/strong>, <strong>Codexis<\/strong>, <strong>LS9<\/strong> e outras similares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os objetivos da biologia sint\u00e9tica no longo prazo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> O objetivo fundamental, porque \u00e9 o mais lucrativo, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, e em segundo lugar de pl\u00e1sticos, o que explica que todas as grandes petroleiras e a ind\u00fastria petroqu\u00edmica estejam investindo nesta ind\u00fastria. No entanto, encontraram dificuldades para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, motivo pelo qual parte da ind\u00fastria se voltou, com as mesmas tecnologias, para outros ramos, sem abandonar o setor energ\u00e9tico. O setor industrial de <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> que mais rapidamente cresce \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> de f\u00e1rmacos, saborizantes e fragr\u00e2ncias de origem bot\u00e2nica, que, ao contr\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, se concentra em produtos de pouco volume e alto valor agregado. Este setor da ind\u00fastria amea\u00e7a diretamente milh\u00f5es de camponeses e camponesas do <strong>Terceiro Mundo<\/strong> que vivem deste tipo de produ\u00e7\u00e3o como sua fonte de sustento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso mais avan\u00e7ado em combust\u00edveis derivados com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> \u00e9 o produzido pela <strong>Amyris<\/strong>, companhia l\u00edder do setor, que inclusive instalou uma subsidi\u00e1ria no <strong>Brasil<\/strong>. A partir de contratos com grandes companhias de gr\u00e3os e cana-de-a\u00e7\u00facar no <strong>Brasil<\/strong> (<strong>Cosan<\/strong>, <strong>A\u00e7\u00facar Guarani<\/strong> e a transnacional <strong>Bunge<\/strong> no<strong> Brasil<\/strong>), come\u00e7ou a produzir o farneseno a partir de uma levedura modificada com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>, que \u00e9 usado como combust\u00edvel em \u00f4nibus em <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>. A <strong>Amyris<\/strong>, por sua vez, fez outros acordos para a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis com petroleiras (<strong>Total<\/strong>, <strong>Chevron<\/strong>, <strong>Shell<\/strong>) e outras do setor automotivo, como a <strong>Mercedes Benz<\/strong> e a <strong>Michelin Tire<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os produtos desenvolvidos pela biologia sint\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> Como j\u00e1 mencionei, al\u00e9m do farneseno da <strong>Amyris no Brasil<\/strong>, h\u00e1 \u201cbiorrefinarias\u201d da <strong>DuPont<\/strong> produzindo algo parecido ao pl\u00e1stico, para o que usam milho, mas o resultado n\u00e3o \u00e9 biodegrad\u00e1vel. Procuram enganar o p\u00fablico dizendo que \u00e9 \u201cbiobaseado\u201d, mas na realidade tomam mais de 150 mil toneladas de milho para produzir aproximadamente 45 mil toneladas desse produto, ou seja, n\u00e3o tem nada de sustent\u00e1vel e, al\u00e9m disso, exacerba a competi\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o alimentar e provoca o aumento do pre\u00e7o dos alimentos, situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 graves porque os <strong>Estados Unidos<\/strong> destinam 40% do milho a agrocombust\u00edveis. A chamada segunda e seguintes <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/23484-agrocombustiveis-o-planeta-suporta-entrevista-especial-com-jean-marc-von-der-weid\" target=\"_blank\"><strong>gera\u00e7\u00f5es de agrocombust\u00edveis<\/strong><\/a> baseiam-se, em sua grande maioria, em <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> e absolutamente n\u00e3o v\u00e3o resolver o conflito com os alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afora que todos os produtos de <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> que est\u00e3o desenvolvendo s\u00e3o substitui\u00e7\u00f5es de produtos que j\u00e1 existiam no mercado, derivados bot\u00e2nicos que s\u00e3o usados para farmac\u00eauticos, saborizantes, fragr\u00e2ncias e produtos de higiene, como o \u00f3leo de vetiver, baunilha, a\u00e7afr\u00e3o, esqualeno (umectante), patchouli, \u00f3leo de \u00e1cido l\u00e1urico e mir\u00edstico (que s\u00e3o comumente derivados da palma e baba\u00e7u). No ramo farmac\u00eautico, a empresa Sanofi est\u00e1 produzindo artemisinina, para a mal\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos os casos, s\u00e3o produtos que j\u00e1 existiam, s\u00e3o mercados que n\u00e3o necessitavam de uma produ\u00e7\u00e3o maior e que v\u00eam da produ\u00e7\u00e3o natural camponesa. Portanto, a <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> n\u00e3o agrega nenhum benef\u00edcio. S\u00e3o grandes transnacionais que tentam substituir os produtos camponeses de alto valor agregado por produ\u00e7\u00e3o industrial em tanques, com o \u00fanico objetivo real de aumentar seus lucros.<\/p>\n<table style=\"width: 545px; height: 182px;\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi62.tinypic.com\/10573gn.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cAssim como as outras propostas englobadas na chamada &#8216;bioeconomia&#8217; ou &#8216;economia verde&#8217;, a economia industrial da biomassa n\u00e3o faz nenhum questionamento aos padr\u00f5es dominantes de consumo e produ\u00e7\u00e3o, nem \u00e0s injusti\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas globais que estes provocaram\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Em quais pa\u00edses a pesquisa sobre biologia sint\u00e9tica est\u00e1 sendo desenvolvida?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> A pesquisa est\u00e1 sendo desenvolvida, sobretudo, na<strong> Europa<\/strong> e nos<strong> Estados Unidos<\/strong>, embora haja tamb\u00e9m alguma pesquisa em alguns poucos pa\u00edses do <strong>Sul<\/strong>. Por exemplo, a <strong>Embrapa<\/strong> tem um laborat\u00f3rio de nanotecnologia e <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 claro \u00e9 que a ind\u00fastria est\u00e1 deslocando a produ\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o a pesquisa \u2013 para pa\u00edses como o <strong>Brasil<\/strong>, com biomassa abundante e barata e, no caso da produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, at\u00e9 com trabalho semiescravo. Por isso, no <strong>Brasil<\/strong>, h\u00e1 empreendimentos como o da <strong>Amyris<\/strong>, que al\u00e9m do farneseno est\u00e3o produzindo esqualeno (naturalmente derivado da oliva) e <strong>patchouli<\/strong> para a ind\u00fastria cosm\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a <strong>Solazyme<\/strong> associou-se \u00e0 <strong>Bunge<\/strong>, e receberam um financiamento do <strong>BNDES<\/strong>, em 2013, da ordem de 246 milh\u00f5es de reais para produzir \u00f3leo de \u00e1cido l\u00e1urico e mir\u00edstico, que substitui o \u00f3leo de palma, coco, cacau e baba\u00e7u. Esta produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com algas manipuladas com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>, mas feita em tanques, ou seja, s\u00e3o heterotr\u00f3ficas, n\u00e3o usam a luz para se reproduzirem, mas t\u00eam que ser alimentadas com a\u00e7\u00facares, o que aumenta tamb\u00e9m essa demanda. Portanto, n\u00e3o trazem nada de novo; somente deslocam a produ\u00e7\u00e3o de camponeses e ind\u00edgenas, como as quebradeiras de coco baba\u00e7u e outras produ\u00e7\u00f5es similares. A transnacional <strong>Unilever<\/strong> comprometeu-se a comprar da <strong>Solazyme<\/strong> a sua produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 usada em sabonetes e outros produtos de higiene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line \u2013 Em que medida a biologia sint\u00e9tica impacta as comunidades ind\u00edgenas e camponesas? Pode dar alguns exemplos de como isso acontece?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> O que acabo de relatar \u00e9 um exemplo claro, que se repete em todos os produtos derivados bot\u00e2nicos citados. Por exemplo, o \u00f3leo de vetiver \u00e9 uma renda econ\u00f4mica fundamental para 60 mil fam\u00edlias camponesas em pa\u00edses como o <strong>Haiti<\/strong>; o mesmo acontece com o a\u00e7afr\u00e3o no <strong>Ir\u00e3<\/strong>. A baunilha natural \u00e9 fonte de ingressos para mais de 200 mil camponesas e camponeses no <strong>M\u00e9xico<\/strong>, <strong>Indon\u00e9sia<\/strong>,<strong> Madagascar<\/strong> e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o caso mais brutal seja o da artemisinina. A produ\u00e7\u00e3o com <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> foi desenvolvida, com recursos p\u00fablicos dos <strong>Estados Unidos<\/strong>, por <strong>Jay Keasling<\/strong>, que depois fundou sua empresa, a <strong>Amyris<\/strong>. A <strong>Amyris<\/strong> licenciou a tecnologia para a transnacional <strong>Sanofi<\/strong> para produzir o princ\u00edpio ativo para os tratamentos contra a mal\u00e1ria e afirmou que seria mais barato que a j\u00e1 existente. Ambas as empresas e cientistas, que n\u00e3o conhecem bem o caso, percorrem o mundo tomando isso como exemplo das contribui\u00e7\u00f5es da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> para a sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a realidade \u00e9 que a artemisinina, que \u00e9 derivada da planta <strong>Artem\u00edsia<\/strong> <strong>annua<\/strong> <strong>(absinto doce)<\/strong>, j\u00e1 era produzida, em quantidades suficientes para suprir todo o mercado mundial, por mais de 200 mil camponeses, sobretudo na <strong>\u00c1frica<\/strong>, mas tamb\u00e9m na <strong>Am\u00e9rica Latina <\/strong>e na<strong> \u00c1sia<\/strong>. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em propriedades rurais de em m\u00e9dia 0,2 hectare, al\u00e9m de produzir alimentos. Portanto, a artemisinina, al\u00e9m de ser um composto natural, era tamb\u00e9m a fonte de renda efetiva de 200 mil fam\u00edlias camponesas, que, dessa maneira, podiam permanecer no campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o an\u00fancio da <strong>Sanofi<\/strong> de que venderia a <a href=\"http:\/\/ihu.unisinos.br\/noticias\/534340-biologia-sintetica-um-projeto-de-desapropriacao\" target=\"_blank\"><strong>artemisinina sint\u00e9tica<\/strong><\/a> mais barata, o pre\u00e7o pago aos camponeses caiu aproximadamente pela metade, tornando invi\u00e1vel para eles a produ\u00e7\u00e3o. Com o desaparecimento da artemisinina natural, a Sanofi voltou a aumentar o pre\u00e7o, que passou a ser vendida novamente pelo mesmo pre\u00e7o de antes ao consumidor, mas os lucros agora s\u00e3o das transnacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A artemisinina de <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> da <strong>Amyris-Sanofi<\/strong>, al\u00e9m disso, produz resist\u00eancia mais rapidamente, raz\u00e3o pela qual est\u00e3o destruindo, al\u00e9m dos meios de vida de camponeses pobres da \u00c1frica, o \u00fanico rem\u00e9dio atualmente eficaz contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os dilemas \u00e9ticos implicados no desenvolvimento e rendimento da biologia sint\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> Al\u00e9m dos j\u00e1 citados, estamos falando da possibilidade de fabricar vida totalmente artificial a partir do zero e micr\u00f3bios com capacidades que n\u00e3o existiam. Por essa raz\u00e3o, sua libera\u00e7\u00e3o intencional ou acidental \u2013 o que \u00e9 muito f\u00e1cil de acontecer, pois os tanques n\u00e3o s\u00e3o instala\u00e7\u00f5es de alta seguran\u00e7a, apenas outro processo industrial a mais \u2013 poderia ter consequ\u00eancias imprevis\u00edveis e potencialmente devastadoras. Imagine a fuga de micr\u00f3bios que comem celulose, que est\u00e1 presente em toda a mat\u00e9ria vegetal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Que problemas e rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais numa discuss\u00e3o sobre o desenvolvimento da biologia sint\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> Assim <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532297-cientistas-pedem-a-suspensao-dos-transgenicos-em-todo-o-mundo\" target=\"_blank\"><strong>como com os transg\u00eanicos<\/strong><\/a>, a primeira pergunta a ser feita \u00e9 se esta perigosa tecnologia \u00e9 necess\u00e1ria. A resposta \u00e9<strong> \u201cn\u00e3o\u201d<\/strong>. Os transg\u00eanicos produzem menos e usam muito mais agrot\u00f3xicos que as sementes h\u00edbridas, que j\u00e1 trazem embutidos muitos problemas e n\u00e3o resolveram a quest\u00e3o da fome. A <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> vai no mesmo sentido: substituir o que existe, mas mudando quem obt\u00e9m os benef\u00edcios, neste caso, que os lucros fiquem com as transnacionais. O impacto socioecon\u00f4mico e cultural da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> pode ser devastador e n\u00e3o foi debatido nem em p\u00fablico nem muito menos com as popula\u00e7\u00f5es atingidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a biosseguran\u00e7a relacionada \u00e0 <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> \u00e9 um tema novo, j\u00e1 que as legisla\u00e7\u00f5es existentes n\u00e3o a cobrem. O <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3977&amp;secao=368\" target=\"_blank\"><strong>deficiente funcionamento da CNTBio no<\/strong> <strong>Brasil<\/strong> <\/a>mostra-se novamente autorizando produtos de <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> como se fossem simples transg\u00eanicos, quando se trata de inserir at\u00e9 200 genes, mudar rotas metab\u00f3licas, usar tecnologias que nunca antes foram liberadas, etc. N\u00e3o existem legisla\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> e h\u00e1 total ignor\u00e2ncia acerca dos efeitos dos produtos derivados da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> sobre a sa\u00fade.<\/p>\n<table style=\"width: 272px; height: 107px; margin: 15px;\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi62.tinypic.com\/10573gn.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cO impacto socioecon\u00f4mico e cultural da biologia sint\u00e9tica pode ser devastador e n\u00e3o foi debatido nem em p\u00fablico nem muito menos com as popula\u00e7\u00f5es atingidas\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Brasil<\/strong>, como pa\u00eds cultural e biologicamente megadiverso, corre riscos muito maiores e, por isso, este tema merece uma ampla discuss\u00e3o p\u00fablica. Mas, para que n\u00e3o soframos os impactos antes de poder decidir, faz-se necess\u00e1rio uma morat\u00f3ria da libera\u00e7\u00e3o comercial e ao ambiente da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong>. Isto \u00e9 urgente, at\u00e9 porque todos os produtos da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> j\u00e1 existem, e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma urg\u00eancia. A \u00fanica coisa que justifica a n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o de uma morat\u00f3ria para abrir um amplo debate p\u00fablico informado \u00e9 proteger os lucros das transnacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quer acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Silvia Ribeiro &#8211;<\/strong> Em outubro, re\u00fane-se a<strong> 12\u00aa Confer\u00eancia das Partes do Conv\u00eanio da Diversidade Biol\u00f3gica na Coreia<\/strong>. O tema da <strong>biologia sint\u00e9tica<\/strong> est\u00e1 na agenda e h\u00e1 a proposta de uma morat\u00f3ria da libera\u00e7\u00e3o comercial e ao ambiente. Mesmo que n\u00e3o se proponha uma morat\u00f3ria da pesquisa, o <strong>Brasil<\/strong> \u00e9 dos poucos pa\u00edses que se op\u00f5e a essa morat\u00f3ria. Isso vai contra os interesses nacionais e do povo brasileiro, j\u00e1 que os \u00fanicos beneficiados da comercializa\u00e7\u00e3o desta tecnologia s\u00e3o empresas transnacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0 IHU On-Line<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biologia sint\u00e9tica: \u201cEssa tecnologia \u00e9 necess\u00e1ria?\u201d \u201cN\u00e3o existem legisla\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 biologia sint\u00e9tica e h\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Biologia sint\u00e9tica: \u201cEssa tecnologia \u00e9 necess\u00e1ria?\u201d \u201cN\u00e3o existem legisla\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 biologia sint\u00e9tica e h\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7965"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}