{"id":79627,"date":"2018-02-03T18:20:49","date_gmt":"2018-02-03T21:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=79627"},"modified":"2018-02-03T18:20:49","modified_gmt":"2018-02-03T21:20:49","slug":"vespa-conhecida-popularmente-como-marimbondo-cavalo-compartilha-alimento-com-a-vizinhanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vespa-conhecida-popularmente-como-marimbondo-cavalo-compartilha-alimento-com-a-vizinhanca\/","title":{"rendered":"Vespa conhecida popularmente como marimbondo-cavalo compartilha alimento com a vizinhan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/vespa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-79628\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/vespa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/vespa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/vespa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As vespas da esp\u00e9cie\u00a0<i>Polistes satan<\/i>, conhecida popularmente como marimbondo-cavalo, apresentam um comportamento que tem intrigado os bi\u00f3logos que estudam insetos sociais. Em ambientes modificados, como uma fazenda, essas vespas\u00a0 t\u00eam constru\u00eddo col\u00f4nias pr\u00f3ximas umas das outras, em vez de formarem ninhos independentes e distantes uns dos outros, como fazem em paisagens naturais.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da University of Bristol, na Inglaterra, descobriu que h\u00e1 um fluxo de vespas entre essas col\u00f4nias e que elas compartilham recursos como alimentos, colaborando e funcionando como uma supercol\u00f4nia.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado com\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/89233\/\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a><\/b>, no \u00e2mbito de um acordo com o Natural Environment Research Council (NERC) \u2013 um dos Conselhos de Pesquisa do Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que essa esp\u00e9cie de vespa utiliza todo o espa\u00e7o dispon\u00edvel em ambientes naturais modificados para formar uma \u00fanica col\u00f4nia e, dessa forma, poder explorar completamente a \u00e1rea\u201d, disse F\u00e1bio Santos do Nascimento, professor da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP) da USP e coordenador do estudo, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Para mapear o fluxo das vespas \u2013 encontradas no Sudeste e em parte do Centro-Oeste do pais \u2013 entre as col\u00f4nias, os pesquisadores implantaram microchips de identifica\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia no dorso do t\u00f3rax de 515 insetos que circulavam por 15 col\u00f4nias pr\u00f3ximas umas das outras, formando uma supercol\u00f4nia, em uma fazenda em Pedregulho, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nas col\u00f4nias tamb\u00e9m foram instaladas antenas de r\u00e1dio a fim de detectar automaticamente a entrada ou a sa\u00edda de uma vespa marcada com um microchip de identifica\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia. As col\u00f4nias foram monitoradas 11 horas por dia, durante seis dias.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos dados coletados apontou que, durante 66 horas de detec\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia, 20,9% das vespas f\u00eameas visitaram mais de uma col\u00f4nia. \u201cConstatamos que existe um grande tr\u00e2nsito e visita\u00e7\u00e3o de vespas entre as col\u00f4nias\u201d, disse Nascimento.<\/p>\n<p>A fim de avaliar o que possibilitava esse alto n\u00edvel de visita\u00e7\u00e3o das vespas entre as col\u00f4nias \u2013 se era uma incapacidade delas de distinguir seus ninhos ou insetos invasores \u2013, os pesquisadores testaram se elas eram capazes de identificar parentes e se as vespas \u201cestrangeiras\u201d em uma col\u00f4nia eram facilmente aceitas ou sofriam rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, tiraram e reintroduziram insetos em seu pr\u00f3prio ninho, colocaram vespas de uma col\u00f4nia em outra da mesma fam\u00edlia ou de fam\u00edlias diferentes, com diferentes n\u00edveis de dist\u00e2ncia uma das outras, a fim de observar suas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es dos dois minutos iniciais de intera\u00e7\u00e3o entre os insetos revelaram que as vespas tiradas e reintroduzidas em sua col\u00f4nia (residentes) sofreram menos agress\u00e3o do que as n\u00e3o residentes, o que revela a capacidade do inseto de identificar seus parentes.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, as vespas vizinhas pr\u00f3ximas da col\u00f4nia onde foram introduzidas sofreram um n\u00edvel de agress\u00e3o significativamente maior do que as parentes distantes (vespas de outra col\u00f4nia, mas da mesma fam\u00edlia). \u201c\u00c9 como se se essas vespas pr\u00f3ximas da col\u00f4nia onde foram introduzidas, mas que n\u00e3o pertencem \u00e0 fam\u00edlia, fossem vizinhos desagrad\u00e1veis\u201d, disse Nascimento.<\/p>\n<p>A fim de avaliar se vespas estrangeiras, que chegavam a uma col\u00f4nia de outra fam\u00edlia trazendo recursos, como alimento, eram menos rejeitadas pelas residentes, os pesquisadores realizaram um experimento em que introduziram insetos com mel em uma col\u00f4nia diferente da sua. As observa\u00e7\u00f5es confirmaram que elas sofriam menores n\u00edveis de agress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cElas s\u00e3o aceitas pelos residentes das col\u00f4nias vizinhas justamente porque est\u00e3o levando recursos, porque n\u00e3o faria sentido rejeitar quem est\u00e1 trazendo algo bom para a col\u00f4nia\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>As constata\u00e7\u00f5es foram corroboradas com observa\u00e7\u00f5es em campo. Ao observar mais detidamente o que as vespas que transitavam mais entre os ninhos da supercol\u00f4nia carregavam, os pesquisadores verificaram que elas transportavam lagartas lepd\u00f3pteras \u2013 a principal fonte de alimento desses insetos. \u201cConstatamos que h\u00e1 uma partilha generalizada de alimento entre as col\u00f4nias desses insetos\u201d, disse.<\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7a de comportamento<\/b><\/p>\n<p>De acordo com o professor da USP, essa mudan\u00e7a de comportamento e na estrutura social das vespas\u00a0<i>Polistes satan<\/i>\u00a0\u2013 em que um grande n\u00famero de col\u00f4nias passa a colaborar entre si, em uma vasta rede de coopera\u00e7\u00e3o \u2013 representa uma forma de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de paisagens naturais em \u00e1reas urbanizadas.<\/p>\n<p>Em um ambiente natural, as col\u00f4nias desses insetos, que s\u00e3o compostas por entre 50 e 70 vespas, n\u00e3o formam agregados t\u00e3o grandes como os que os pesquisadores observaram na \u00e1rea estudada em Pedregulho \u2013 identificada recentemente como um remanescente de fragmentos do Cerrado.<\/p>\n<p>\u201cTemos observado que, em ambientes tropicais, esp\u00e9cies de insetos sociais, como a vespa\u00a0<i>Polistes satan<\/i>, por serem fenotipicamente mais pl\u00e1sticas, conseguem de certa forma modificar sua biologia e se adaptar aos impactos ambientais antropog\u00eanicos [causados pela a\u00e7\u00e3o humana]\u201d, disse Nascimento.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, entre os insetos sociais, s\u00f3 tinham sido encontradas supercol\u00f4nias de formigas, como a de formigas argentinas (<i>Linepithema humile<\/i>) ou as cortadeiras.<\/p>\n<p>\u201cAs formigas argentinas, que foram introduzidas na Europa no s\u00e9culo passado, se tornaram uma praga ao formar col\u00f4nias monumentais, com um conjunto de genes \u00fanico\u201d, disse.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso das vespas\u00a0<i>Polistes satan<\/i>, a forma\u00e7\u00e3o de supercol\u00f4nias pode ter aplica\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, como em controle biol\u00f3gico \u2013 a regula\u00e7\u00e3o de pragas em uma lavoura por inimigos naturais \u2013, uma vez que as lagartas que servem de alimento para esses insetos s\u00e3o pragas que atacam culturas como o milho, o caf\u00e9 e a cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>\u201cCada col\u00f4nia de vespa\u00a0<i>Polistes satan<\/i>\u00a0necessita de centenas de lagartas para alimentar sua cria\u201d, afirmou. \u201cNossa ideia \u00e9 construir vesp\u00e1rios em lugares pr\u00f3ximos a lavouras para que os insetos fa\u00e7am o biocontrole de pragas\u201d, explicou Nascimento.<\/p>\n<p>Os pesquisadores pretendem usar essas vespas para controlar a lagarta da broca da cana (<i>Diatraea saccharalis<\/i>), a principal praga da cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>\u201cNossa ideia \u00e9 fazer alguns experimentos este ano para avaliar se essas vespas conseguem deter a lagarta da broca da cana em sua fase inicial\u201d, disse Nascimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vespas da esp\u00e9cie\u00a0Polistes satan, conhecida popularmente como marimbondo-cavalo, apresentam um comportamento que tem 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