{"id":79584,"date":"2018-02-02T14:30:30","date_gmt":"2018-02-02T17:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=79584"},"modified":"2018-02-02T08:43:47","modified_gmt":"2018-02-02T11:43:47","slug":"o-que-a-ciencia-pode-fazer-para-proteger-os-macacos-contra-a-febre-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-a-ciencia-pode-fazer-para-proteger-os-macacos-contra-a-febre-amarela\/","title":{"rendered":"O que a ci\u00eancia pode fazer para proteger os macacos contra a febre amarela"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-79585\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Popula\u00e7\u00f5es de macacos de v\u00e1rias esp\u00e9cies v\u00eam sendo impactadas pelo atual surto de febre amarela silvestre, iniciado em dezembro de 2016, seja pela doen\u00e7a em si, seja pela ignor\u00e2ncia e desinforma\u00e7\u00e3o que faz com que pessoas agridam ou matem esses animais. Esse cen\u00e1rio levanta a quest\u00e3o: o que a ci\u00eancia pode fazer para proteger os macacos?<\/p>\n<p>A febre amarela silvestre \u00e9 causada por um v\u00edrus transmitido por mosquitos dos g\u00eaneros\u00a0<em>Haemagogus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Sabethes<\/em>\u00a0a primatas n\u00e3o humanos e ocasionalmente ao ser humano, quando este adentra ou vive nos arredores de regi\u00f5es de mata. Diferentemente da febre amarela urbana \u2012 transmitida somente entre humanos via o mosquito\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>\u00a0e erradicada na d\u00e9cada de 1940 por meio de vacina\u00e7\u00e3o, obras de saneamento urbano e do controle do vetor \u2012, a silvestre tem perfil sazonal, com o maior n\u00famero de casos em humanos entre os meses de dezembro e maio, quando o maior volume de chuvas e as altas temperaturas aumentam o n\u00famero de mosquitos.<\/p>\n<p>Os primatas n\u00e3o humanos s\u00e3o altamente sens\u00edveis ao v\u00edrus, especialmente os bugios (g\u00eanero\u00a0<em>Alouatta<\/em>). Neles, a doen\u00e7a causa sintomas muito semelhante aos vistos em humanos: febre alta, prostra\u00e7\u00e3o, icter\u00edcia, anorexia, danos no f\u00edgado e nos rins \u2012 al\u00e9m de hemorragia bucal e intestinal, podendo evoluir para agita\u00e7\u00e3o, coma e mudan\u00e7as metab\u00f3licas irrevers\u00edveis. A morte costuma ocorrer entre tr\u00eas e sete dias depois do primeiro epis\u00f3dio de febre.<\/p>\n<p>De acordo com Carlos Ruiz-Miranda, presidente da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.micoleao.org.br\/\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Mico Le\u00e3o Dourado (AMLD)<\/a>\u00a0e professor da Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF), todas as doen\u00e7as humanas em \u00e1reas com primatas carregam o risco de virar\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rio.rj.gov.br\/web\/vigilanciasanitaria\/o-que-sao-zoonoses\" rel=\"noopener\">zoonoses<\/a>. &#8220;A ci\u00eancia pode ajudar montando estudos de longo prazo sobre as poss\u00edveis causas desses surtos de febre amarela, e deve ir al\u00e9m daquele trabalho intenso, por\u00e9m pontual que ocorre durante surtos epid\u00eamicos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o atual dos primatas<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cOs primatas n\u00e3o humanos s\u00e3o altamente sens\u00edveis ao v\u00edrus, especialmente os bugios (g\u00eanero Alouatta)\u201d.<\/div>\n<p>At\u00e9 quinta-feira (25),<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/noventa-macacos-foram-assassinados-este-ano-no-estado-do-rio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0131 macacos morreram desde o in\u00edcio de 2018<\/a>\u00a0no estado do Rio de Janeiro, segundo o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rio.rj.gov.br\/web\/vigilanciasanitaria\/ijv\" rel=\"noopener\">Instituto de Diagn\u00f3stico, Vigil\u00e2ncia, Fiscaliza\u00e7\u00e3o Sanit\u00e1ria e Medicina Veterin\u00e1ria Jorge Vaitsman (IJV<\/a>), sendo que 90 deles n\u00e3o foram mortos pela doen\u00e7a, e sim envenenados ou mortos a pauladas por humanos. Entre os assassinados, incluem-se tr\u00eas indiv\u00edduos de mico-le\u00e3o-de-cara-dourada (<em>Leontopithecus chrysomelas<\/em>), esp\u00e9cie\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7209-mamiferos-leontopithecus-chrysomelas-mico-leao-da-cara-dourada\" rel=\"noopener\">Em Perigo (EN) de extin\u00e7\u00e3o<\/a>, e f\u00eameas gr\u00e1vidas ou com filhotes. Segundo Ruiz-Miranda, o impacto do atual surto nas popula\u00e7\u00f5es de macacos tem sido variado, mas algumas t\u00eam sofrido muito. &#8220;Na regi\u00e3o onde atuo, nas bacias dos rios S\u00e3o Jo\u00e3o e Maca\u00e9 (RJ), morreram alguns bugios por febre amarela, por\u00e9m n\u00e3o houve extin\u00e7\u00f5es. Entretanto, os colegas do Esp\u00edrito Santo presenciaram um surto maior nessa regi\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com S\u00e9rgio Lucena Mendes, professor da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e coordenador do projeto &#8216;Aspectos ecol\u00f3gicos do surto de febre amarela silvestre no leste do Brasil&#8217;, a morte de macacos em reservas naturais e fragmentos florestais, tanto em Minas Gerais quanto no Esp\u00edrito Santo, vem ocorrendo em grande escala. &#8220;Apesar das mortes atingirem principalmente os barbados ou bugios (<em>Alouatta<\/em>), temos confirma\u00e7\u00e3o de morte de outras esp\u00e9cies, como os sau\u00e1s (<em>Callicebus<\/em>), saguis (<em>Callithrix<\/em>), e evid\u00eancias de que o macacos-pregos (<em>Sapajus<\/em>) e o muriqui-do-norte (<em>Brachyteles hypoxanthus<\/em>), esp\u00e9cie\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/estado-de-conservacao\/7181-mamiferos-brachyteles-hypoxanthus-muriqui-do-norte\" rel=\"noopener\">Criticamente em Perigo (CR) de extin\u00e7\u00e3o<\/a>, tamb\u00e9m podem estar sendo afetados. As amostras de macacos nos dois estados analisadas t\u00eam dado positivo para febre amarela, o que confirma os dados epidemiol\u00f3gicos&#8221;.<\/p>\n<p>Daniel Ferraz, um dos coordenadores do projeto Muriquis do Capara\u00f3, desenvolvido no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/parnacaparao\/\" rel=\"noopener\">Parque Nacional do Capara\u00f3<\/a>, na divisa de Minas e Esp\u00edrito Santo, informou que essa popula\u00e7\u00e3o de muriquis-do norte n\u00e3o foi afetada pelo surto: &#8220;Fizemos um monitoramento mais intenso no in\u00edcio de 2017 onde encontramos algumas carca\u00e7as de bugios (<em>Alouatta guariba clamitans<\/em>). Na ocasi\u00e3o, n\u00e3o tivemos nenhum registro ou ind\u00edcios de morte de muriquis no Parque&#8221;. Fabiano Rodrigues de Melo da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) afirmou que a mortalidade entre os muriquis \u00e9 de 10-30% ou menos, dependendo da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Embora n\u00e3o tenham havido extin\u00e7\u00f5es locais de popula\u00e7\u00f5es, a febre amarela pode causar um bom estrago&#8221;, informou.<\/p>\n<div id=\"attachment_58122\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58122\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Bugio.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Bugio.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Bugio-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Bugio-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Bugio morto a tiros em Manhua\u00e7u, Minas Gerais. Confundidos como causadores da febre amarela, muitos primatas s\u00e3o assassinados durante surto de febre amarela. Foto: Portal Capara\u00f3\/Facebook.<\/p>\n<\/div>\n<p>Para Ruiz-Miranda, h\u00e1 como recompor as popula\u00e7\u00f5es afetadas pela febre amarela: &#8220;a \u00fanica maneira de restabelecer seria com refor\u00e7o populacional, a curto prazo, e a longo prazo, com conectividade do habitat para promover recoloniza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico do impacto da febre amarela<\/strong><\/p>\n<p>A febre amarela silvestre nunca deixou de circular em regi\u00f5es rurais ou de mata. J\u00falio C\u00e9sar Bicca-Marques, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e coordenador da campanha &#8220;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Campanha-Proteja-seu-Anjo-da-Guarda-243621236063810\/\" rel=\"noopener\">Proteja seu Anjo da Guarda<\/a>&#8220;, desenvolvida durante o \u00faltimo surto da doen\u00e7a no estado, entre 2008 e 2009, explica que h\u00e1 poucos dados sobre a influ\u00eancia da febre amarela nas popula\u00e7\u00f5es dos primatas das Am\u00e9ricas em per\u00edodos mais distantes, mas h\u00e1 relatos de grande mortalidade de bugios na Am\u00e9rica Central em decorr\u00eancia de surtos da doen\u00e7a desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado. &#8220;Por\u00e9m, quando a popula\u00e7\u00e3o humana era menor e as florestas mais cont\u00ednuas, a reprodu\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que sobreviviam ajudava a recuperar as popula\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que a popula\u00e7\u00e3o humana aumentou, invadimos mais e mais \u00e1reas silvestres com nossas cidades, pastagens, campos agr\u00edcolas etc., fragmentando as \u00e1reas de floresta. Consequentemente, as popula\u00e7\u00f5es dos primatas foram sendo reduzidas e isoladas em \u00e1reas cada vez menores, imersas em uma matriz dominada por atividades humanas&#8221;, explicou. &#8220;Al\u00e9m dos problemas inerentes a pequenas popula\u00e7\u00f5es isoladas, essa invas\u00e3o humana dos ambientes naturais tamb\u00e9m promoveu um aumento na proximidade dos primatas com os seres humanos e seus animais dom\u00e9sticos, facilitando a troca bidirecional de agentes patog\u00eanicos. A polui\u00e7\u00e3o por defensivos agr\u00edcolas e outros venenos, assim como outras altera\u00e7\u00f5es causadas pelo homem no ambiente, tamb\u00e9m desestruturam as\u00a0<a href=\"http:\/\/www-gestao.blogs.sapo.pt\/13485.html\" rel=\"noopener\">comunidades bi\u00f3ticas<\/a>, aumentando as chances do surgimento de pragas, por exemplo&#8221;, acrescentou ele.<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201c(&#8230;) quando a popula\u00e7\u00e3o humana era menor e as florestas mais cont\u00ednuas, a reprodu\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que sobreviviam ajudava a recuperar as popula\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que a popula\u00e7\u00e3o humana aumentou, invadimos mais e mais \u00e1reas silvestres com nossas cidades, pastagens, campos agr\u00edcolas etc., fragmentando as \u00e1reas de floresta.\u201d.<\/div>\n<p>Um\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/ajp.21010\/full\" rel=\"noopener\">trabalho<\/a>\u00a0publicado pelos profissionais do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cevs.rs.gov.br\/inicial\" rel=\"noopener\">Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade\/RS<\/a>\u00a0na\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/journal\/10.1002\/(ISSN)1098-2345\" rel=\"noopener\">American Journal of Primatology<\/a>relata mais de 2.100 bugios ruivos e bugios pretos coletados pelas equipes das secretarias municipais de sa\u00fade durante o surto no Rio Grande do Sul. &#8220;Por\u00e9m, esse n\u00famero \u00e9 certamente uma subestimativa do total de macacos que morreram durante o surto, porque: 1) h\u00e1 um vi\u00e9s de coleta de material nas fazendas pr\u00f3ximas a estradas; 2) nem todos os fazendeiros relataram a morte dos animais \u00e0s secretarias municipais; 3) os animais que foram mortos pelas pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o foram, por raz\u00f5es \u00f3bvias, relatados; e 4) os animais que morreram nas matas ciliares e nos morros longe das sedes das fazendas nunca foram detectados. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar o n\u00famero de animais mortos com qualquer grau de precis\u00e3o&#8221;, enfatizou Bicca-Marques. &#8220;Em termos de desaparecimento de pequenas popula\u00e7\u00f5es isoladas em fragmentos florestais durante o surto, temos estimativas de que cerca de 80% das popula\u00e7\u00f5es de bugios pretos dos fragmentos florestais de Bossoroca e cerca de 80% das popula\u00e7\u00f5es de bugios ruivos dos fragmentos florestais do Campo de Instru\u00e7\u00e3o de Santa Maria e entorno sucumbiram com a doen\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de extirpa\u00e7\u00f5es regionais de uma esp\u00e9cie, mas o surto de 2008-2009, assim como o atual do Sudeste, certamente est\u00e1 contribuindo no sentido de agravar o estado de conserva\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies de macacos da Mata Atl\u00e2ntica j\u00e1 amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Infelizmente n\u00e3o tenho dados sobre a situa\u00e7\u00e3o dos sobreviventes na maioria dos casos&#8221;, informou ele.<\/p>\n<p><strong>Como minimizar a mortandade de primatas?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Bicca-Marques, os cientistas podem agir estudando as causas, as consequ\u00eancias e as solu\u00e7\u00f5es para esses problemas e, tamb\u00e9m, divulgando o conhecimento cient\u00edfico atual de forma clara, objetiva e did\u00e1tica para a popula\u00e7\u00e3o em geral. &#8220;A campanha &#8216;Proteja seu Anjo da Guarda&#8217; em 2008-2009 foi basicamente via mensagens de e-mail, entrevistas, palestras e cartazes (leia<a href=\"https:\/\/tropicalconservationscience.mongabay.com\/content\/v3\/10-03-29_78-89_bicca-marques_and_santos_de_freitas.pdf\" rel=\"noopener\">\u00a0aqui<\/a>\u00a0um artigo sobre a campanha). Ela foi eficiente em mudar o discurso da m\u00eddia. Por\u00e9m, ela n\u00e3o foi eficiente em informar e sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o humana. Certamente atingimos uma parcela insignificante da popula\u00e7\u00e3o. Essa minha auto avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica tem sido comprovada por den\u00fancias de maus-tratos aos macacos que aparecem na m\u00eddia e\/ou s\u00e3o recebidas por colegas dos \u00f3rg\u00e3os governamentais de meio ambiente. H\u00e1 muitas pessoas que vivem em \u00e1reas pr\u00f3ximas a matas com macacos que t\u00eam declarado estar com medo dos macacos por causa da doen\u00e7a&#8221;, avaliou ele. &#8220;Achei necess\u00e1rio relan\u00e7ar a campanha, agora usando o Facebook, com o in\u00edcio do surto em Minas Gerais. Tive o\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0de usar &#8216;anjo da guarda&#8217; para a campanha anterior porque queria um termo que qualquer pessoa leiga pudesse entender. Tenho obtido apoio ao termo de importantes pesquisadores estrangeiros de renome. Se conseguirmos isso, acho que a popula\u00e7\u00e3o estar\u00e1 mais consciente e, espero, sensibilizada para a necessidade de proteger os macacos&#8221;, concluiu.<\/p>\n<div id=\"attachment_58123\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58123\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/muriqui.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/muriqui.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/muriqui-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/muriqui-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, epidemia de febre amarela tamb\u00e9m atinge o Muriqui-do-norte. Foto: Peter Schoen\/Flickr.<\/p>\n<\/div>\n<p>Segundo Bicca-Marques, explicar para a popula\u00e7\u00e3o que os primatas n\u00e3o transmitem a doen\u00e7a seria uma tarefa simples se n\u00e3o houvesse muita desinforma\u00e7\u00e3o propagada pela m\u00eddia em diversos canais, inclusive os de grande circula\u00e7\u00e3o. &#8220;A popula\u00e7\u00e3o precisaria saber e entender tr\u00eas quest\u00f5es b\u00e1sicas: 1) a febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a africana que foi trazida para as Am\u00e9ricas pelo homem; 2) os nossos primatas s\u00e3o muito sens\u00edveis (muito mais que o homem) porque tem uma hist\u00f3ria curta de contato com o v\u00edrus (as popula\u00e7\u00f5es de primatas extra-amaz\u00f4nicas, ent\u00e3o, t\u00eam contatos espor\u00e1dicos de tempos em tempos durante esses surtos); 3) nossos primatas s\u00e3o arbor\u00edcolas, raramente descem ao solo e cada grupo social vive em \u00e1reas de mata muito restritas, sem transitar por outras matas, portanto, o v\u00edrus chega at\u00e9 eles provavelmente por dispers\u00e3o do pr\u00f3prio mosquito vetor infectado&#8221;, informou. &#8220;Assim, a descri\u00e7\u00e3o do ciclo silvestre que aparece em muitas reportagens, na qual o mosquito pica o macaco infectado e depois pode picar o homem, est\u00e1 apenas parcialmente correta porque o in\u00edcio de cada ciclo em cada fragmento florestal isolado na paisagem n\u00e3o inicia com um macaco infectado. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descartar o papel do homem nesse deslocamento do v\u00edrus entre fragmentos, mas \u00e9 improv\u00e1vel que tenhamos um papel significativo nesse sentido&#8221; acrescentou. &#8220;Em suma, os macacos s\u00e3o apenas hospedeiros do v\u00edrus e v\u00edtimas da doen\u00e7a como n\u00f3s. E, assim como n\u00f3s, o per\u00edodo de viremia na qual um indiv\u00edduo infectado pode transferir o v\u00edrus para um mosquito \u00e9 de apenas poucos dias. Se o macaco n\u00e3o morrer nesse curto per\u00edodo, ele se torna imune e nunca mais passar\u00e1 o v\u00edrus para um mosquito. \u00c9 o mesmo que ocorre com uma pessoa vacinada. O fato do per\u00edodo de perman\u00eancia do v\u00edrus em cada indiv\u00edduo (seja ele humano ou macaco) ser muito pequeno tamb\u00e9m justifica porque n\u00e3o somos reservat\u00f3rios do v\u00edrus. Na Am\u00e9rica Latina, os mosquitos silvestres que participam do ciclo da febre amarela s\u00e3o considerados vetores-reservat\u00f3rios, pois eles podem manter o v\u00edrus por um per\u00edodo mais longo e o mosquito f\u00eamea, que \u00e9 quem pica, ainda pode transferir o v\u00edrus para suas filhas no ovo; ou seja, a f\u00eamea de mosquito pode nascer infectada com o v\u00edrus da febre amarela sem nunca ter picado um ser humano ou macaco infectado&#8221;, explicou.<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cUma forma de diminuir o risco de novos surtos de febre amarela silvestre e de erradicar o risco de reurbaniza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 ter uma popula\u00e7\u00e3o totalmente vacinada. Isso \u00e9 imposs\u00edvel porque algumas pessoas n\u00e3o podem receber a vacina (&#8230;)\u201d.<\/div>\n<p>Para Bicca-Marques, precisamos barrar o avan\u00e7o do v\u00edrus e impedir que as pessoas os matem por ignor\u00e2ncia. &#8220;Uma forma de diminuir o risco de novos surtos de febre amarela silvestre e de erradicar o risco de reurbaniza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 ter uma popula\u00e7\u00e3o totalmente vacinada. Isso \u00e9 imposs\u00edvel porque algumas pessoas n\u00e3o podem receber a vacina. Por\u00e9m, se apenas essas pessoas com restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiverem vacinadas, conseguiremos extinguir a amea\u00e7a de reurbaniza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Isso tamb\u00e9m reduziria a probabilidade de novos surtos silvestres nas \u00e1reas extra-amaz\u00f4nicas, pois h\u00e1\u00a0<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/02\/13\/virus-que-causa-febre-amarela-em-sao-paulo-veio-provavelmente-da-amazonia\/\" rel=\"noopener\">evid\u00eancias<\/a>\u00a0de que uma cepa diferente do v\u00edrus tem sido trazida da Amaz\u00f4nia a cada novo surto&#8221;, esclareceu.<\/p>\n<p><strong>A vacina\u00e7\u00e3o dos primatas \u00e9 uma sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Carlos Ruiz, al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o de pessoas no entorno das florestas com primatas, a vacina\u00e7\u00e3o dos primatas em si poderia ser uma sa\u00edda, mas possui diversas ressalvas. &#8220;Acredito que ainda sabemos pouco sobre a fisiologia da doen\u00e7a para decidir sobre isso. Al\u00e9m disso, campanhas de vacina\u00e7\u00e3o em primatas teriam um custo alto, em dinheiro, e poderiam causar mortalidade de v\u00e1rias esp\u00e9cies ou muitos animais. Estes animais s\u00e3o capturados atrav\u00e9s de imobiliza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com dardos, e isso j\u00e1 traz v\u00e1rios riscos a eles&#8221;, ressaltou. Ele explicou tamb\u00e9m que, apesar da dificuldade de intera\u00e7\u00e3o entre os \u00f3rg\u00e3os governamentais, a vacina\u00e7\u00e3o teria que ser um trabalho conjunto de \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade e de meio ambiente.<\/p>\n<p>Fabiano Melo esclareceu que ainda n\u00e3o se sabe se a vacina\u00e7\u00e3o em primatas \u00e9 poss\u00edvel, e que os testes devem ser feitos em breve sob a coordena\u00e7\u00e3o da Fiocruz, \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o das vacinas. &#8220;Mas a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 algo muito complicado, pois seria uma a\u00e7\u00e3o emergencial para esp\u00e9cies muito amea\u00e7adas e em condi\u00e7\u00f5es bem espec\u00edficas, com popula\u00e7\u00f5es pequenas e f\u00e1ceis de manejar&#8221;, frisou ele. De acordo com a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bio.fiocruz.br\/\" rel=\"noopener\">Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos\/Fiocruz)<\/a>, atualmente n\u00e3o h\u00e1 nenhum projeto que envolva vacina\u00e7\u00e3o de primatas n\u00e3o humanos na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_58124\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58124\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eu-n-transmito.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eu-n-transmito.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eu-n-transmito-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eu-n-transmito-300x299.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"398\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Campanha da Associa\u00e7\u00e3o Mico Le\u00e3o Dourado contra a matan\u00e7a de macacos. Imagem: Facebook\/AMLD.<\/p>\n<\/div>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o de meio ambiente respons\u00e1vel seria o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/cpb\/\" rel=\"noopener\">Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio)<\/a>. De acordo com Leandro Jerusalinsky,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/cpb\/\" rel=\"noopener\">Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Primatas Brasileiros (CPB)<\/a>\u00a0do ICMBio, o principal motivo pelo qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel vacinar os macacos atualmente \u00e9 porque ainda n\u00e3o h\u00e1 vacina desenvolvida e testada para imuniz\u00e1-los contra a febre amarela, apesar de j\u00e1 haver investiga\u00e7\u00f5es sendo realizadas neste sentido. Ele esclarece ainda que, mesmo que houvesse uma vacina desenvolvida e testada para cada esp\u00e9cie (ou ao menos para cada g\u00eanero) de macaco \u2012 e, no Brasil, temos 150 t\u00e1xons (esp\u00e9cies e subesp\u00e9cies) de 21 g\u00eaneros distintos \u2012, seria necess\u00e1rio desenvolver m\u00e9todos para administr\u00e1-la em larga escala. &#8220;Caso fosse por meio de inje\u00e7\u00e3o, seria necess\u00e1rio capturar milhares de macacos. As capturas s\u00e3o geralmente realizadas com armadilhas ou com dardos anest\u00e9sicos, requerendo uma log\u00edstica extremamente complexa, sendo que estas dificuldades e limita\u00e7\u00f5es est\u00e3o entre as principais restri\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de diversas pesquisas cient\u00edficas primatol\u00f3gicas, j\u00e1 que muitos animais aprendem a n\u00e3o cair nas armadilhas ao verem outros sendo capturados, e a captura com dardos tamb\u00e9m tende a afugentar os demais membros do grupo social&#8221;, acrescentou ele. &#8220;Complementarmente, para alguns g\u00eaneros, como\u00a0<em>Callicebus<\/em>\u00a0(guig\u00f3s, sau\u00e1s, zogues), n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todos de captura segura (<em>i.e.\u00a0<\/em>sem ou com baix\u00edssimo risco de morte) desenvolvidos, mesmo em pequena escala&#8221;, frisou. &#8220;Caso a administra\u00e7\u00e3o da vacina pudesse ser realizada por via oral, por exemplo, por meio da ingest\u00e3o de iscas, seria necess\u00e1rio um trabalho preparat\u00f3rio para conhecer as rotas de deslocamento dos grupos, o que geralmente leva meses ou anos em pesquisas de campo, j\u00e1 que os macacos n\u00e3o se comportam, por exemplo, como os carn\u00edvoros que s\u00e3o atra\u00eddos por iscas com relativa facilidade&#8221;, acrescentou. &#8220;Entendo que esta seja uma frente de pesquisa e desenvolvimento muito interessante e necess\u00e1ria, e que pode contribuir tanto para a conserva\u00e7\u00e3o dos macacos, quanto para a sa\u00fade p\u00fablica. Entretanto, ainda \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de todos esses m\u00e9todos e procedimentos para que possa ser aplicado em larga escala, tal qual a vacina\u00e7\u00e3o em humanos&#8221; concluiu ele.<\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cEm suma, esse tipo de discuss\u00e3o presta um desservi\u00e7o \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e serve apenas para desviar a aten\u00e7\u00e3o do problema real: fomos e continuamos sendo incapazes de vacinar todas as pessoas que deveriam ser vacinadas\u201d.<\/div>\n<p>J\u00e1 Bicca-Marques \u00e9 totalmente contra a vacina\u00e7\u00e3o dos primatas. &#8220;Para ser simples e direto: porque \u00e9 invi\u00e1vel. Essa proposta desconsidera que a captura \u00e9 um processo demorado, arriscado e estressante para os macacos, que o uso de iscas para imunizar grandes n\u00fameros de macacos \u00e9 infact\u00edvel, que macacos mais sens\u00edveis podem morrer em contato com o v\u00edrus atenuado, que os nossos macacos vivem muito menos que as pessoas, dentre outros fatores. H\u00e1 incont\u00e1veis raz\u00f5es por que essa ilus\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o faz sentido, especialmente em um momento de crise como o atual. Em suma, esse tipo de discuss\u00e3o presta um desservi\u00e7o \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e serve apenas para desviar a aten\u00e7\u00e3o do problema real: fomos e continuamos sendo incapazes de vacinar todas as pessoas que deveriam ser vacinadas&#8221;, esclareceu ele. E acrescentou: &#8220;a pessoa vacinada pode esquecer que a febre amarela existe&#8221;.<\/p>\n<p>Fabiano Melo informou que a febre amarela ser\u00e1 um dos principais temas do novo ciclo do Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN) Primatas da Mata Atl\u00e2ntica do ICMBio, que ir\u00e1 substituir o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/616-plano-de-acao-nacional-para-conservacao-dos-muriquis\" rel=\"noopener\">PAN para Conserva\u00e7\u00e3o dos Muriquis<\/a>\u00a0e envolver\u00e1 a\u00e7\u00f5es para conserva\u00e7\u00e3o dos muriquis e de outras esp\u00e9cies amea\u00e7adas. &#8220;Por enquanto, vacinar os humanos \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia para proteger os primatas da febre amarela&#8221;, concluiu ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Popula\u00e7\u00f5es de macacos de v\u00e1rias esp\u00e9cies v\u00eam sendo impactadas pelo atual surto de febre amarela<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79585,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/macacos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Popula\u00e7\u00f5es de macacos de v\u00e1rias esp\u00e9cies v\u00eam sendo impactadas pelo atual surto de febre amarela","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79584"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79584\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79585"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}