{"id":79529,"date":"2018-02-01T12:00:20","date_gmt":"2018-02-01T15:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=79529"},"modified":"2018-02-01T08:22:21","modified_gmt":"2018-02-01T11:22:21","slug":"desmatamento-pode-intensificar-o-processo-de-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desmatamento-pode-intensificar-o-processo-de-aquecimento-global\/","title":{"rendered":"Desmatamento pode intensificar o processo de aquecimento global"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-79530\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O processo de aquecimento global pode ocorrer de forma ainda mais intensa do que o previsto originalmente caso n\u00e3o se consiga frear o desmatamento \u2013 particularmente nas regi\u00f5es tropicais do planeta.<\/p>\n<p>O alerta foi publicado na\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-017-02412-4\" target=\"_blank\"><i>Nature Communications<\/i><\/a><\/b>\u00a0por um grupo internacional de cientistas. Entre os autores do texto est\u00e3o os brasileiros\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/438\" target=\"_blank\">Paulo Artaxo<\/a><\/b>, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP), e\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/40030\" target=\"_blank\">Luciana Varanda Rizzo<\/a><\/b>, professora do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Unifesp.<\/p>\n<p>\u201cSe continuarmos destruindo as florestas no ritmo atual \u2013 cerca de 7 mil km2 por ano no caso da Amaz\u00f4nia \u2013, daqui a tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas teremos uma grande perda acumulada. E isso vai intensificar o processo de aquecimento do planeta independentemente do esfor\u00e7o feito para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa\u201d, disse Artaxo \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo se baseiam em trabalhos de modelagem computacional e medidas coletadas em florestas sob a coordena\u00e7\u00e3o de Catherine Scott, pesquisadora na Universidade de Leeds, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos coletando informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento das florestas tropicais e temperadas, os gases emitidos pela vegeta\u00e7\u00e3o e seus impactos na regula\u00e7\u00e3o do clima, o grupo foi capaz de reproduzir matematicamente as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas atuais do planeta, incluindo concentra\u00e7\u00f5es de aeross\u00f3is, compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOCs, na sigla em ingl\u00eas) antropog\u00eanicos e biog\u00eanicos, oz\u00f4nio, di\u00f3xido de carbono, metano e tamb\u00e9m os demais fatores que influenciam na temperatura global \u2013 entre eles o chamado albedo de superf\u00edcie (a fra\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar refletida de volta para o espa\u00e7o em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 fra\u00e7\u00e3o absorvida, que muda de acordo com o tipo de cobertura da superf\u00edcie).<\/p>\n<p>Foi usado no estudo um\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.metoffice.gov.uk\/research\/modelling-systems\/unified-model\" target=\"_blank\">modelo num\u00e9rico<\/a><\/b>\u00a0da atmosfera desenvolvido no Met Office, ag\u00eancia nacional de meteorologia do Reino Unido.<\/p>\n<p>\u201cDepois que conseguimos regular o modelo para reproduzir as condi\u00e7\u00f5es atuais da atmosfera terrestre e o aumento da temperatura do planeta ocorrido desde 1850, fizemos uma simula\u00e7\u00e3o em que o mesmo cen\u00e1rio era mantido, mas todas as florestas eram eliminadas. O resultado foi uma eleva\u00e7\u00e3o significativa de 0,8 \u00baC na temperatura m\u00e9dia. Ou seja, hoje o planeta estaria em m\u00e9dia quase 1 \u00baC mais quente se n\u00e3o houvesse mais florestas\u201d, comentou Artaxo.<\/p>\n<p>Os estudos revelaram ainda que a diferen\u00e7a observada nas simula\u00e7\u00f5es se deve principalmente \u00e0s emiss\u00f5es de BVOCs (compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis biog\u00eanicos) pelas florestas tropicais.<\/p>\n<p>\u201cAo serem oxidados, os BVOCs d\u00e3o origem a part\u00edculas de aerossol que esfriam o clima refletindo parte da radia\u00e7\u00e3o solar de volta ao espa\u00e7o. Uma vez que a floresta \u00e9 derrubada, ela deixa de emitir BVOCs e este resfriamento deixa de existir, levando a um aquecimento futuro. Este efeito n\u00e3o estava sendo levado em conta em modelagens anteriores\u201d, comentou Artaxo.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, as florestas temperadas produzem VOCs diferentes e com menor capacidade de dar origem a essas part\u00edculas esfriadoras.<\/p>\n<p><b>Coleta de dados<\/b><\/p>\n<p>Como destacado no artigo, atualmente a vegeta\u00e7\u00e3o cobre um ter\u00e7o da \u00e1rea continental do planeta \u2013 fra\u00e7\u00e3o bem menor do que a existente antes da interven\u00e7\u00e3o humana. Grandes \u00e1reas florestais na Europa, \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica j\u00e1 foram derrubadas.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento das florestas tropicais come\u00e7aram a ser coletadas em 2009 na Amaz\u00f4nia, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Artaxo, no \u00e2mbito de dois Projetos Tem\u00e1ticos apoiados pela FAPESP:\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/83063\" target=\"_blank\">\u201cGoAmazon: intera\u00e7\u00e3o da pluma urbana de Manaus com emiss\u00f5es biog\u00eanicas da Floresta Amaz\u00f4nica\u201d<\/a><\/b>\u00a0e\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/6501\" target=\"_blank\">\u201cAeroclima: efeitos diretos e indiretos de aeross\u00f3is no clima da Amaz\u00f4nia e Pantanal\u201d<\/a><\/b>.<\/p>\n<p>Os dados sobre as florestas temperadas foram obtidos na Su\u00e9cia, na Finl\u00e2ndia e na R\u00fassia, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Erik Swietlicki, da Universidade de Lund (Su\u00e9cia).<\/p>\n<p>\u201cVale ressaltar que n\u00e3o tratamos neste artigo do impacto direto e imediato das queimadas, como a emiss\u00e3o do carbono negro [considerada um fator importante no aquecimento global devido \u00e0 alta capacidade dessa part\u00edcula de absorver a radia\u00e7\u00e3o solar]. Ele existe, mas dura somente algumas semanas. Estamos olhando para efeitos de longo prazo na varia\u00e7\u00e3o da temperatura\u201d, afirmou Artaxo.<\/p>\n<p>Segundo o professor do IFUSP, o desmatamento altera em definitivo a quantidade de aeross\u00f3is e de oz\u00f4nio na atmosfera do planeta, o que muda todo o balan\u00e7o radiativo da atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cA partir deste estudo aumentou a import\u00e2ncia relativa de se manter a floresta em p\u00e9. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 urgente parar a destrui\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m pensar em pol\u00edticas de reflorestamento em larga escala, principalmente em regi\u00f5es tropicais. Caso contr\u00e1rio, pouco vai adiantar o esfor\u00e7o para reduzir as emiss\u00f5es de gases estufa provenientes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, disse Artaxo.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Impact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation<\/i>\u00a0(doi:10.1038\/s41467-017-02412-4), de C. E. Scott, S. A. Monks, D. V. Spracklen, S. R. Arnold, P. M. Forster, A. Rap, M. \u00c4ij\u00e4l\u00e4, P. Artaxo, K. S. Carslaw, M. P. Chipperfield, M. Ehn, S. Gilardoni, L. Heikkinen, M. Kulmala, T. Pet\u00e4j\u00e4, C. L. S. Reddington, L. V. Rizzo, E. Swietlicki, E. Vignati e C. Wilson, pode ser lido em:\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-017-02412-4\" target=\"_blank\">www.nature.com\/articles\/s41467-017-02412-4<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O processo de aquecimento global pode ocorrer de forma ainda mais intensa do que o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":79530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/queimada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O processo de aquecimento global pode ocorrer de forma ainda mais intensa do que o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}