{"id":7905,"date":"2014-10-04T15:11:53","date_gmt":"2014-10-04T15:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7905"},"modified":"2014-10-04T15:11:53","modified_gmt":"2014-10-04T15:11:53","slug":"encontro-anual-de-pastores-celebra-a-marcacao-de-renas-na-laponia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/encontro-anual-de-pastores-celebra-a-marcacao-de-renas-na-laponia\/","title":{"rendered":"Encontro anual de pastores celebra a marca\u00e7\u00e3o de renas na Lap\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7906\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A Lap\u00f4nia, uma terra de montanhas e florestas, o Globo Rep\u00f3rter mostra uma cena que acontece s\u00f3 uma vez por ano. \u00c9 um momento grandioso conduzido apenas pela natureza.<\/p>\n<p>Todo ano, no ver\u00e3o, os sami se re\u00fanem para um trabalho que \u00e9 quase uma celebra\u00e7\u00e3o. A marca\u00e7\u00e3o das renas. S\u00e3o centenas de pastores que chegam com suas fam\u00edlias. O encontro dura uma semana. Eles ficam acampados em barracas para reunir seus animais que vivem soltos nas montanhas.<\/p>\n<p>Mais ou menos 200 pessoas de 80 fam\u00edlias, que v\u00e3o trabalhar as renas por uma semana. Os n\u00fameros d\u00e3o ideia do tamanho do acampamento montado no Parque Nacional Padjelanta, na Lap\u00f4nia. \u00c9 uma gente que ainda consegue manter a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o. No mundo inteiro, existem atualmente mais ou menos 80 mil pessoas da etnia sami. Na Su\u00e9cia, s\u00e3o quase 20 mil, que vivem basicamente da cria\u00e7\u00e3o de renas. No passado, eram n\u00f4mades. Hoje, vivem em casas modernas e s\u00f3 usam estes acampamentos no ver\u00e3o para trabalhar com as renas.<\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho muito duro, porque geralmente faz muito frio na regi\u00e3o, mas a equipe do Globo Rep\u00f3rter teve sorte e pegou um per\u00edodo de sol e calor. Mas a montanhas estavam brancas de neve.<\/p>\n<p><strong>Rotina no acampamento<\/strong><\/p>\n<p>Um guia \u201csami\u201d ajudou a montar a barraca da equipe do Globo Rep\u00f3rter. Ele contou que todas elas contam com um c\u00edrculo do fogo dentro das cabanas. Faz parte de uma tradi\u00e7\u00e3o milenar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a montagem da barraca, o Globo Rep\u00f3rter come\u00e7ou a observar a rotina dos vizinhos de acampamento. E iniciou uma conversa com um pastor de renas. O senhor Per Anders apresentou os dois filhos e a mulher, Elizabeth, que, bem \u00e0 vontade, tamb\u00e9m conversou com a equipe. Eles est\u00e3o de f\u00e9rias e aproveitam para ajudar os pais.<\/p>\n<p>Per Anders disse que trabalha com as renas h\u00e1 mais ou menos 40 anos. E ao ser perguntado se ele era realmente o chefe da fam\u00edlia, ele disse que n\u00e3o, que a chefe \u00e9 a mulher dele, Elizabeth. Todos s\u00e3o gentis e bem-humorados.<\/p>\n<p>Uma das coisas incr\u00edveis no acampamento \u00e9 a geladeira. A neve, que permaneceu do inverno, \u00e9 que ajuda a gelar. Os filhos da pastora de renas Elisabeth Nejne Vannar adoram comer uma carne de rena defumada. Normalmente, quando n\u00e3o tem neve, a fam\u00edlia tamb\u00e9m conserva a comida na pedra, que \u00e9 bem fria. Quem prepara o jantar \u00e9 o pastor de renas Per Anders. Ele faz carne de rena com batata e milho assado.<\/p>\n<p><strong>Calor absurdo durante o dia e frio de congelar durante a noite<\/strong><\/p>\n<p>A vida no acampamento \u00e9 animada. Faz muito calor e as crian\u00e7as aproveitam para brincar na \u00e1gua. Detalhe: \u00e1gua gelada.<\/p>\n<p>O povo sami diz que a temporada foi a mais quente dos \u00faltimos dez anos. Eles n\u00e3o est\u00e3o mais acostumados com uma temperatura assim. A temperatura tem ficado em torno de 26 graus. Dormir no local foi muito complicado. Porque durante o dia era um calor absurdo e um vento que n\u00e3o parava de balan\u00e7ar a barraca, com um barulho ensurdecedor. \u00c0 noite, era um frio de congelar.<\/p>\n<p>Malva, tem sete anos e, como toda crian\u00e7a, \u00e9 muito curiosa. Mesmo sendo t\u00e3o pequena, Malva est\u00e1 no acampamento para ajudar os pais na marca\u00e7\u00e3o das renas. Mas enquanto o trabalho n\u00e3o come\u00e7a, a menina brinca.<\/p>\n<p>Ela tem que aproveitar a parte da manh\u00e3, porque \u00e0 tarde os mosquitos invadem o acampamento e atacam. A Nadja \u00e9 guia e nasceu no local. Ela est\u00e1 acostumada com os mosquitos. E diz que este ano est\u00e1 bem melhor do que no ver\u00e3o passado. O dia est\u00e1 terminando e os pastores come\u00e7am o trabalho com as renas.<\/p>\n<p><strong>Modernidade e tradi\u00e7\u00e3o ajudam a localizar renas<\/strong><\/p>\n<p>Para localizar as renas, os pastores usam helic\u00f3pteros. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o que mistura recursos modernos e tradi\u00e7\u00e3o. O helic\u00f3ptero \u00e9 fundamental para orientar o caminho das renas.<\/p>\n<p>Do ar, no helic\u00f3ptero, \u00e9 poss\u00edvel ver perfeitamente como as renas correm para se espalhar e n\u00e3o serem levadas para o curral. E o helic\u00f3ptero fazendo com que elas se re\u00fanam. \u00c9 preciso muito conhecimento e muita experi\u00eancia para fazer o trabalho. \u00c9 uma organiza\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil e que fica um pouco melhor com a ajuda de um sami, no helic\u00f3ptero, que mostra qual \u00e9 o caminho que as renas devem tomar. E o helic\u00f3ptero vai ajudando a conduzi-las. Ao mesmo tempo, um outro trabalhador, outro sami, fica em terra para tocar as renas. Nesta \u00e9poca do ano, na Lap\u00f4nia, e em toda a Escandin\u00e1via, o sol nunca se p\u00f5e.<\/p>\n<p><strong>Identifica\u00e7\u00e3o dos animais \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o familiar<\/strong><\/p>\n<p>Os sami precisam identificar seus animais. \u00c9 desta maneira que as fam\u00edlias ficam sabendo a quantidade de renas que possuem. O povo &#8220;sami&#8221; diz que trabalhar com rena n\u00e3o chega a ser um trabalho, \u00e9 um estilo de vida. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o que passa de pai para filho, de m\u00e3e para filha. Todos ficam atentos, ativos, porque \u00e9 preciso identificar os animais.<\/p>\n<p>O seu Per Anders e a fam\u00edlia mostraram outra etapa do trabalho, o momento da marca\u00e7\u00e3o das renas. Nessa etapa, as renas s\u00e3o la\u00e7adas pelas patas. Tem que ter muita habilidade para n\u00e3o errar. S\u00f3 s\u00e3o marcadas as que nasceram nos \u00faltimos meses, nas montanhas. Eles marcam as renas fazendo um cortezinho na orelha delas.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado, no primeiro momento tudo \u00e9 muito estranho. Mas depois de horas acompanhando o trabalho, \u00e9 f\u00e1cil entender:<br \/>\npara marcar as renas o povo &#8220;sami&#8221; faz um pequeno corte na cartilagem da orelha com a marca da fam\u00edlia. E colocam um anel de pl\u00e1stico. As renas n\u00e3o parecem sentir dor.<\/p>\n<p><strong>Renas s\u00e3o soltas e voltam para as montanhas<\/strong><\/p>\n<p>Uma menininha de quatro anos ajuda na marca\u00e7\u00e3o das renas e a irm\u00e3zinha dela, com dois anos de idade, fica junto com o pai e com a m\u00e3e, aprendendo como \u00e9 que se marca uma rena. As crian\u00e7as participam de tudo como se fosse uma grande brincadeira.<\/p>\n<p>Cada propriet\u00e1rio s\u00f3 consegue reconhecer seu filhote porque ele fica sempre pr\u00f3ximo \u00e0 m\u00e3e que j\u00e1 foi marcada. Depois as renas s\u00e3o soltas e voltam para as montanhas.<\/p>\n<p>Com essa experi\u00eancia, aprendemos que \u00e9 poss\u00edvel, sim, utilizar tudo que existe de moderno para manter cada vez mais viva uma hist\u00f3ria, uma cultura. E que a natureza pode ser sempre uma aliada em qualquer esta\u00e7\u00e3o do ano.<\/p>\n<p><strong>Sami acreditam que a energia deles vem da luz do sol<\/strong><\/p>\n<p>O outono, por exemplo, \u00e9 a \u00e9poca do acasalamento das renas. No inverno rigoroso, elas v\u00e3o de um lugar para outro em busca de comida. Quando chega a primavera, os filhotes come\u00e7am a nascer. No ver\u00e3o, as renas j\u00e1 podem andar livres nas montanhas. Os sami precisam da luz do sol, do brilho. Eles trabalham uma noite inteira como se estivessem em pleno dia e n\u00e3o cansam. Eles acham que assim recuperam uma parte do seu passado. E acreditam mesmo que a for\u00e7a, a resist\u00eancia, a energia deles vem diretamente da luz do sol. Como n\u00e3o acreditar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lap\u00f4nia, uma terra de montanhas e florestas, o Globo Rep\u00f3rter mostra uma cena que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7906,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/laponia_renas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Lap\u00f4nia, uma terra de montanhas e florestas, o Globo Rep\u00f3rter mostra uma cena que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7905"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7905\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}