{"id":7875,"date":"2014-10-04T15:00:34","date_gmt":"2014-10-04T15:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7875"},"modified":"2014-10-04T14:17:46","modified_gmt":"2014-10-04T14:17:46","slug":"solo-brasileiro-agora-tem-mapeamento-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/solo-brasileiro-agora-tem-mapeamento-digital\/","title":{"rendered":"Solo brasileiro agora tem mapeamento digital de carbono org\u00e2nico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7878\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O mapa digital de carbono org\u00e2nico dos solos brasileiros rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Embrapa une modelagem matem\u00e1tica e conhecimentos levantados em campo para ajudar em diversos programas de conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais. Um dos benefici\u00e1rios imediatos ser\u00e1 o Programa Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono (ABC) do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento que poder\u00e1 utiliz\u00e1-lo para direcionar pr\u00e1ticas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de Efeito Estufa.<\/p>\n<p>Executado pelas t\u00e9cnicas tradicionais, um levantamento similar custaria milh\u00f5es de reais e anos de trabalho. O novo sistema tem a vantagem de utilizar informa\u00e7\u00f5es ambientais dispon\u00edveis como dados a respeito de solo, relevo, material de origem, clima, associando-os a m\u00e9todos matem\u00e1ticos estat\u00edsticos para inferir informa\u00e7\u00f5es em locais n\u00e3o medidos.<\/p>\n<p>\u201cNo Mapeamento Digital de Solos (MDS) usamos modelos matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos para, com base nas informa\u00e7\u00f5es de solos existentes, predizer outras que n\u00e3o foram medidas, mas que est\u00e3o correlacionadas atrav\u00e9s das vari\u00e1veis ambientais que determinam a forma\u00e7\u00e3o dos solos\u201d, diz a pesquisadora Maria de Lourdes Mendon\u00e7a Santos, da Embrapa Solos, pioneira nos trabalhos sobre mapeamento de solos no Brasil. \u201cO mapeamento digital surge como ferramenta base para a tomada de decis\u00e3o sobre este recurso natural\u201d, explica. \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o MDS oferece um vasto campo para a pesquisa e uma oportunidade para a pedologia brasileira que tem, pela frente, um enorme territ\u00f3rio a ser mapeado\u201d, avalia o professor Alexandre Ten Caten, da Universidade Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p><strong>O mapeamento digital\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Desde os anos 60 do s\u00e9culo passado a pedologia (estudo do solo no campo) tem a pedometria, palavra derivada das gregas \u201cpedos\u201d (solo) e \u201cmetron\u201d (medida) como importante aliada. Desde aquela \u00e9poca, a uni\u00e3o entre a observa\u00e7\u00e3o do solo na natureza e a aplica\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos evoluiu muito ao unir unindo o conhecimento pr\u00e1tico do pedol\u00f3go com os dados estat\u00edsticos e num\u00e9ricos da pedologia quantitativa desenvolvidos nos laborat\u00f3rios. Atualmente, a pedologia \u00e9 uma ci\u00eancia que depende das abordagens quantitativas e qualitativas o que exige a participa\u00e7\u00e3o de profissionais de diferentes \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 80, com o advento da geoestat\u00edstica, as informa\u00e7\u00f5es sobre o solo foram se tornando mais precisas, passando a ajudar de maneira mais incisiva na tomada de decis\u00e3o. Naquela \u00e9poca, surgiu o mapeamento digital de solos (MDS) unindo geologia, geomorfologia e os fatores que influenciam na forma\u00e7\u00e3o do solo: clima, organismos, relevo, material de origem e tempo. Gra\u00e7as a ele existe a possibilidade de integrar o conhecimento t\u00e1cito dos ped\u00f3logos sobre as rela\u00e7\u00f5es solo-paisagem, e a automatiza\u00e7\u00e3o de processos via mapeamento digital de propriedades e classes de solos.<\/p>\n<p>O MDS tem grande import\u00e2ncia para responder \u00e0 demanda de informa\u00e7\u00f5es no desenvolvimento das atividades humanas. Entre elas, o manejo de solos na agricultura, a execu\u00e7\u00e3o de zoneamentos ambientais, manejo da \u00e1gua na paisagem e o planejamento de uso da terra.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses com menor extens\u00e3o territorial, como a Dinamarca, o solo j\u00e1 est\u00e1 totalmente mapeado em \u00f3tima escala de detalhamento (1:5.000 ou maior). Mas n\u00e3o s\u00f3 os pa\u00edses de menor extens\u00e3o investem no tema. Os Estados Unidos, por exemplo, com extens\u00e3o territorial semelhante a do Brasil, possuem um detalhamento de seus solos da ordem de 1:10.000. \u201c\u00c9 urgente que nosso Pa\u00eds invista no conhecimento maior de seus solos sob pena de ficar para tr\u00e1s em alguns desafios globais, como a seguran\u00e7a alimentar, a produ\u00e7\u00e3o de bionergia, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a pr\u00f3pria sustentabilidade da agricultura brasileira. N\u00e3o se pode planejar o uso da terra, realizar zoneamentos e definir pol\u00edticas p\u00fablicas para a agricultura, sem o conhecimento atualizado do recurso solo, que juntamente com a \u00e1gua, devem fazer parte da agenda brasileira de prioridades para o setor produtivo e ambiental\u201d, completa.<\/p>\n<p>Essa afirmativa \u00e9 confirmada pelo professor Alexandre Ten Caten. \u201cA informa\u00e7\u00e3o espacial sobre classes e propriedades de solos n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para a maioria das localidades do Brasil. O mapeamento digital, por meio das tecnologias ligadas \u00e0 geoinforma\u00e7\u00e3o, pode potencializar nossa capacidade em conhecer a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos solos por possibilitar que um volume maior de informa\u00e7\u00f5es sobre os fatores de forma\u00e7\u00e3o do solo seja processado de forma r\u00e1pida e automatizada\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>\u00c9der Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, aponta que para o futuro do MDS no Brasil, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio desenvolver pesquisas com abrang\u00eancia nacional. \u00c9 fundamental o estudo de ferramentas metodol\u00f3gicas e a cont\u00ednua forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos capazes de aplicar o MDS nas quest\u00f5es nacionais. Um dos desafios, por exemplo, \u00e9 o desenvolvimento de manejos do solo que permitam a captura de gases de Efeito Estufa, e para isso \u00e9 imprescind\u00edvel o conhecimento do comportamento do carbono em solos, o que o MDS pode responder\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mapeamento global<\/strong><\/p>\n<p>No Pa\u00eds, o principal f\u00f3rum de debates sobre o assunto est\u00e1 na Rede Brasileira de Pesquisa em Mapeamento Digital de Solos (Rede MDS), coordenada pela Embrapa, no \u00e2mbito do CNPq. O objetivo dessa Rede \u00e9 juntar os interessados no tema, a fim de avan\u00e7ar a pesquisa no assunto e elaborar projetos em parceria, com ampla abrang\u00eancia para o mapeamento dos solos. Atualmente, a Rede MDS conta com 70 membros de 20 institui\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e extens\u00e3o rural nas cinco regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>No exterior, o cons\u00f3rcio GlobalSoilMap.net \u00e9 o ponto de encontro dos estudiosos do assunto. Formada em 2009, a rede tem Lourdes Mendon\u00e7a no grupo coordenando as a\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Participam tamb\u00e9m do cons\u00f3rcio institui\u00e7\u00f5es como a Universidade de Columbia (EUA), o Instituto Nacional de Pesquisa Agron\u00f4mica (INRA-Fran\u00e7a) e a Universidade de Sydney (Austr\u00e1lia).<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio alavancou as iniciativas no tema de forma global, propondo avan\u00e7os metodol\u00f3gicos, especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a harmoniza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos, buscando produzir um novo mapa mundial de propriedades de solos, usando novas tecnologias e a uma boa resolu\u00e7\u00e3o. Esses mapas ser\u00e3o completados com op\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o e funcionalidade para ajudar na tomada de decis\u00f5es em v\u00e1rios assuntos, tais como produ\u00e7\u00e3o de alimentos e erradica\u00e7\u00e3o da fome, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, Dinamarca e Estados Unidos s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es\u201d, diz Lourdes Mendon\u00e7a. \u201cDe forma geral, h\u00e1 uma escassez de dados de solos no mundo e, quando existem, s\u00e3o limitados, dispersos, desatualizados e dif\u00edceis de comparar. Essa necessidade e a crescente demanda por informa\u00e7\u00e3o sobre os solos t\u00eam alavancado o desenvolvimento do MDS\u201d. Agora, para os estudiosos, o desafio maior vai ser o de sistematizar e entender os dados existentes e a eles adicionar os produzidos por novos sensores.<\/p>\n<p><strong>Ano Internacional do Solo<\/strong><\/p>\n<p>Para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o recurso solo e sua import\u00e2ncia na agenda de desenvolvimento global, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) lan\u00e7ou em 2011, a Alian\u00e7a Global para o Solo (GSP). Essa Alian\u00e7a possibilitou colocar o solo no centro dos di\u00e1logos globais, observando as necessidades nacionais e regionais, envolvendo institui\u00e7\u00f5es e comunidades locais para melhor se apropriarem do tema e catalisar a coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e investimentos em solos.<\/p>\n<p>Para dar mais visibilidade ao assunto, as Na\u00e7\u00f5es Unidas declararam 2015, o Ano Internacional do Solo. FAO e GSP se encarregar\u00e3o das atividades ao redor do mundo em colabora\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses membros. O objetivo \u00e9 aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do solo para a seguran\u00e7a alimentar e sobre suas fun\u00e7\u00f5es essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.<\/p>\n<p><em>* <strong>Carlos Dias<\/strong> \u00e9 jornalista da Embrapa Solos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mapa digital de carbono org\u00e2nico dos solos brasileiros rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Embrapa une modelagem matem\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mapa_digital.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O mapa digital de carbono org\u00e2nico dos solos brasileiros rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Embrapa une modelagem matem\u00e1tica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7875"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7875\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}