{"id":78310,"date":"2018-01-08T07:00:46","date_gmt":"2018-01-08T10:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=78310"},"modified":"2018-01-07T21:22:01","modified_gmt":"2018-01-08T00:22:01","slug":"maior-projeto-de-reflorestamento-da-historia-recupera-menos-de-5-do-desmatamento-anual-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maior-projeto-de-reflorestamento-da-historia-recupera-menos-de-5-do-desmatamento-anual-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Maior projeto de reflorestamento da hist\u00f3ria&#8217; recupera menos de 5% do desmatamento anual na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-78311\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma \u00e1rea de pelo menos 4 milh\u00f5es de hectares, equivalente ao tamanho da Su\u00ed\u00e7a ou a 4 milh\u00f5es de campos de futebol, foi destru\u00edda na Amaz\u00f4nia nas \u00faltimas d\u00e9cadas e essa degrada\u00e7\u00e3o, segundo especialistas, criou um abismo dif\u00edcil de ser reduzido at\u00e9 mesmo parcialmente &#8211; como pretende fazer um projeto alardeado como &#8220;incrivelmente audacioso&#8221; e &#8220;o maior da hist\u00f3ria&#8221; nesse campo.<\/p>\n<p>A iniciativa, anunciada na abertura do festival de m\u00fasica Rock in Rio, em setembro, quer recuperar 30 mil hectares e devolver 73 milh\u00f5es de \u00e1rvores \u00e0 floresta brasileira at\u00e9 2023. A previs\u00e3o \u00e9 de que as a\u00e7\u00f5es sejam intensificadas em 2018.<\/p>\n<p>A perspectiva significa, na pr\u00e1tica, recompor 4,52% do que foi desmatado somente entre agosto de 2016 e julho de 2017 (6.624 quil\u00f4metros quadrados, mais de 600 mil hectares) e resolver 0,75% do desmatamento total acumulado que atinge uma \u00e1rea de pelo menos 4 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de ser sempre louv\u00e1vel que algo seja feito, ao inv\u00e9s da ina\u00e7\u00e3o, o projeto \u00e9 completamente insuficiente para compensar, minimamente, o que \u00e9 destru\u00eddo&#8221;, diz o pesquisador senior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Donato Nobre.<\/p>\n<p>&#8220;Muvuca&#8221;<\/p>\n<p>O projeto prev\u00ea a utiliza\u00e7\u00e3o de uma t\u00e9cnica de semeadura chamada &#8220;muvuca&#8221;, uma mistura de sementes espalhada na terra para tentar chegar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel ao comportamento da floresta.<\/p>\n<p>O custo m\u00e9dio por hectare chega a ser 3 a 4 vezes menor do que os m\u00e9todos mais tradicionais, como o plantio de mudas, diz Rodrigo Medeiros, da CI-Brasil. &#8220;Al\u00e9m da escala, o que torna o custo menor \u00e9 o mix de t\u00e9cnicas que ser\u00e3o utilizadas, que vai desde a semeadura direta de sementes at\u00e9 a condu\u00e7\u00e3o de regenera\u00e7\u00e3o natural&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/bf\/2018\/01\/05\/lancamento-de-mistura-de-sementes-em-projeto-que-preve-a-recuperacao-de-30-mil-hectares-da-floresta-e-o-plantio-de-73-milhoes-de-arvores-1515158515559_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p>Na maioria das \u00e1reas a mistura \u00e9 semeada com a ajuda de m\u00e1quinas. Nas menos extensas, \u00e9 feita manualmente. &#8220;Por meio dessa t\u00e9cnica, cada uma das esp\u00e9cies vai cumprindo uma fun\u00e7\u00e3o dentro do ecossistema, que vai desde ajudar a enriquecer o solo, at\u00e9 trazer mais diversidade, propiciar condi\u00e7\u00f5es para que os dispersores de sementes (p\u00e1ssaros, insetos, r\u00e9pteis e mam\u00edferos), possam entrar nessa \u00e1rea e o princ\u00edpio b\u00e1sico \u00e9: tentar imitar a din\u00e2mica da floresta. Imitar como ela faria por conta pr\u00f3pria&#8221;, descreve Junqueira, do Instituto Socioambiental.<\/p>\n<p>Segundo ele, ser\u00e1 poss\u00edvel ver que as sementes viraram floresta &#8211; ou caminham para isso &#8211; depois de tr\u00eas anos, quando as \u00e1rvores estar\u00e3o com um porte mais avantajado. Em 10 anos, estima, ser\u00e1 poss\u00edvel identificar as esp\u00e9cies que predominam.<\/p>\n<p>&#8220;Parte da solu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Lan\u00e7adas oficialmente \u00e0 terra em novembro de 2016, as primeiras sementes da iniciativa come\u00e7am a brotar na bacia do rio Xingu, onde 122,6 mil hectares de florestas foram desmatadas entre agosto de 2016 e julho de 2017.<\/p>\n<p>Agora, 2 milh\u00f5es de \u00e1rvores est\u00e3o sendo restauradas em uma \u00e1rea de 800 hectares. &#8220;Hoje sabemos que no m\u00ednimo 4 milh\u00f5es de hectares de florestas foram destru\u00eddos na Amaz\u00f4nia de maneira ilegal e desnecess\u00e1ria nas \u00faltimas d\u00e9cadas e precisam ser restaurados&#8221;, diz Rodrigo Medeiros, vice-presidente da Conservation International para o Brasil (CI-Brasil), uma das entidades que conduzem o projeto. &#8220;Queremos ser parte dessa solu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O reflorestamento \u00e9 feito em parceria com o bra\u00e7o ambiental do Rock in Rio, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o Instituto Socioambiental e o Banco Mundial.<\/p>\n<p>Articula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das experi\u00eancias anteriores de restaura\u00e7\u00e3o registradas na Amaz\u00f4nia n\u00e3o alcan\u00e7am 30 mil hectares, sem contar com o fato de que eram iniciativas singulares, sem a articula\u00e7\u00e3o que estamos promovendo agora&#8221;, diz Medeiros.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/b2\/2018\/01\/05\/semente-de-especie-nativa-da-amazonia-diversidade-e-uma-das-caracteristicas-em-reflorestamento-que-esta-em-curso-na-area-1515158514422_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p>Quando oficialmente anunciada, em setembro de 2017, o CEO da Conservation, M. Sanjayan, descreveu a iniciativa como &#8220;incrivelmente audaciosa&#8221;. A declara\u00e7\u00e3o foi propagada por diversos ve\u00edculos nacionais e internacionais, e acrescentava: &#8220;Juntamente com uma alian\u00e7a de parceiros, estamos realizando o maior projeto de restaura\u00e7\u00e3o de florestas tropicais no mundo, reduzindo o custo de restaura\u00e7\u00e3o no processo&#8221;.<\/p>\n<p>E a ideia, segundo o vice-presidente da Conservation no Brasil, \u00e9 agregar mais parceiros e recursos para ampliar as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Temos um horizonte de 6 anos com recursos garantidos, mas n\u00e3o podemos esquecer que a meta assumida pelo Brasil no Acordo de Paris, com restaura\u00e7\u00e3o, vai at\u00e9 2030. Ent\u00e3o, temos muito trabalho pela frente&#8221;.<\/p>\n<p>Acordo<\/p>\n<p>O acordo de Paris, que ele cita, \u00e9 um compromisso mundial para reduzir a emiss\u00e3o de gases que causam mudan\u00e7as no clima. Por meio desse acordo, o Brasil quer restaurar 12 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 2030 &#8211; n\u00famero que corresponde a 60% dos 20 milh\u00f5es de hectares estimados como passivo, ou tamanho do problema gerado pelo desmatamento em todo o territ\u00f3rio nacional. E isso vai al\u00e9m da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Medeiros considera que o objetivo do projeto que conduz \u00e9 &#8220;grande&#8221; se comparado \u00e0 escala do que foi feito anteriormente, mas admite que &#8220;pode parecer pequeno&#8221; se considerada &#8220;a escala do compromisso assumido pelo Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o zere o passivo que existe, a expectativa \u00e9 que os 30 mil hectares da iniciativa se somem a outros para que os 12 milh\u00f5es pretendidos como parte do Acordo sejam atingidos. A meta brasileira \u00e9 chegar ao ano 2025 com emiss\u00f5es de gases 37% menores que em 2005 e alcan\u00e7ar 43% de queda em 2030.<\/p>\n<p>Para isso, al\u00e9m de estimular o replantio e a restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, o governo se comprometeu a aumentar a participa\u00e7\u00e3o de bioenergia sustent\u00e1vel na matriz energ\u00e9tica para aproximadamente 18% e a alcan\u00e7ar uma participa\u00e7\u00e3o estimada de 45% de energias renov\u00e1veis na composi\u00e7\u00e3o da matriz.<\/p>\n<p>Hoje, energia e\u00f3lica, energia solar e biomassa, que integram a lista das fontes renov\u00e1veis, representam uma fatia somada de 16,75% da pot\u00eancia instalada, de acordo com dados da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel).<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/3a\/2018\/01\/05\/area-em-restauracao-no-mato-grosso-especialistas-reconhecem-importancia-de-projetos-mas-apontam-que-forca-do-desmatamento-e-maior-1515158513352_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p>Pa\u00eds teria que plantar 2 mil \u00e1rvores por minuto Mesmo que do ponto de vista do reflorestamento n\u00e3o seja o \u00fanico caminho vislumbrado para o cumprimento desse acordo, o projeto da Conservation International \u00e9 usado como base por especialistas para mostrar o longo caminho que o pa\u00eds tem a percorrer.<\/p>\n<p>De acordo com Antonio Donato Nobre, do INPE, as 73 milh\u00f5es de \u00e1rvores previstas no projeto &#8220;representam apenas 25 dias de destrui\u00e7\u00e3o pelo ritmo m\u00e9dio do desmatamento nos \u00faltimos 40 anos&#8221; e, se plantadas em um ano, corresponderiam a algo em torno de 13% do requerido para repor o que foi destru\u00eddo no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo considera a perda provocada por corte raso, que \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, normalmente para dar lugar a pastos ou planta\u00e7\u00f5es. &#8220;Para plantar um n\u00famero de \u00e1rvores equivalente ao que foi destru\u00eddo seria necess\u00e1rio, em um ano, plantar por volta de um bilh\u00e3o de \u00e1rvores ou 2 mil por minuto&#8221;, estima. Pelo projeto, entretanto, seriam cerca de 14,16 milh\u00f5es de \u00e1rvores por ano, at\u00e9 2023.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, &#8220;para que a recupera\u00e7\u00e3o de florestas na Amaz\u00f4nia tenha qualquer chance de fazer frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas locais e regionais &#8211; decorrentes do pr\u00f3prio desmatamento &#8211; \u00e9 preciso que o passivo de desmatamento seja eliminado.<\/p>\n<p>&#8220;A n\u00e3o recupera\u00e7\u00e3o desse passivo continuar\u00e1 a permitir a degrada\u00e7\u00e3o de florestas devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em curso (mortalidade por secas sucessivas e degrada\u00e7\u00e3o por fogo), e esta degrada\u00e7\u00e3o comprometer\u00e1 &#8211; e j\u00e1 est\u00e1 comprometendo &#8211; o compromisso m\u00ednimo do Brasil no acordo de Paris&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c1rea maior que a Para\u00edba estaria em risco<\/p>\n<p>Em um cen\u00e1rio em que a marcha pr\u00f3-recupera\u00e7\u00e3o da floresta mede for\u00e7as &#8211; em posi\u00e7\u00e3o de desvantagem &#8211; com uma escala enorme de desmatamento, a realidade descrita por pesquisadores \u00e9 avaliada como &#8220;alarmante&#8221;. E a tend\u00eancia preocupa.<\/p>\n<p>&#8220;Se houver um comportamento futuro igual ao do passado, significa que, entre 2023 e 2030 (anos considerados marcos para o projeto da Conservation International e para o Acordo de Paris), teremos um desmatamento de 65 mil a 75 mil quil\u00f4metros quadrados, uma \u00e1rea bastante superior a todo territ\u00f3rio da Para\u00edba e mais de 3 vezes o territ\u00f3rio de Sergipe&#8221;, diz o doutor em economia, professor visitante do Middlebury College (EUA) e pesquisador da Universidade Federal do Paran\u00e1, com trabalhos sobre a Amaz\u00f4nia, Rodolfo Coelho Prates.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo toma por base uma m\u00e9dia de desmatamento de 11 mil quil\u00f4metros quadrados por ano, ou de 1 milh\u00e3o e 100 mil hectares, que ele diz ter sido alcan\u00e7ada nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/81\/2018\/01\/05\/coleta-de-frutos-em-area-na-amazonia-sementes-para-projeto-de-reflorestamento-sao-colhidas-e-beneficiadas-por-indios-e-agricultores-familiares-1515158512374_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p>S\u00f3 no per\u00edodo de agosto de 2016 a julho de 2017, dados do INPE mostram que a taxa atingiu 6.624 quil\u00f4metros quadrados de corte raso. O resultado indica uma diminui\u00e7\u00e3o de 16% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, quando ficou em 7.893 quil\u00f4metros quadrados, e de 76% ante a taxa registrada em 2004, quando o Governo Federal lan\u00e7ou o Plano para Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento na Amaz\u00f4nia (PPCDAm).<\/p>\n<p>Nobre, do INPE, afirma que n\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, o que comemorar. &#8220;H\u00e1 que se confrontar o passivo&#8221;, diz, avaliando a degrada\u00e7\u00e3o de florestas como &#8220;catastr\u00f3fica&#8221;. Cabeceira dos rios Par\u00e1, Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Acre est\u00e3o entre os Estados onde o problema \u00e9 mais cr\u00edtico. Est\u00e3o tamb\u00e9m entre os alvos priorit\u00e1rios no projeto que a Conservation International desenvolve na floresta, com parceiros.<\/p>\n<p>O projeto abrange \u00e1reas nas cabeceiras e ao longo dos rios considerados essenciais para manter a regularidade h\u00eddrica na regi\u00e3o. O ponto de partida das a\u00e7\u00f5es foi a bacia do rio Xingu, onde o plantio come\u00e7ou em novembro de 2016 e se estendeu at\u00e9 2017, na por\u00e7\u00e3o da bacia situada no Mato Grosso.<\/p>\n<p>O plantio chegou a 1,5 milh\u00e3o de \u00e1rvores, com sementes colhidas e beneficiadas por \u00edndios e agricultores familiares, diz Rodrigo Junqueira, coordenador do programa Xingu &#8211; do Instituto Socioambiental (ISA) &#8211; e conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Rede de Sementes do Xingu, que forneceu as sementes usadas nessa etapa do projeto.<br \/>\nNa \u00e1rea, foi utilizada a t\u00e9cnica muvuca de plantio, mais adequada \u00e0s caracter\u00edsticas locais. Na lista das que foram plantadas est\u00e3o, por exemplo, Ab\u00f3bora, Angelim da Mata, Angico Cuiabano, Jatob\u00e1, Ip\u00ea Amarelo, Ip\u00ea Roxo, Baru, Carvoeiro, Caroba da Mata, Mirindiba, Murici, Guadu, Banana Brava, Oi da Mata, Feij\u00e3o de Porco e Urucum.<\/p>\n<p>Reflorestamento demandar\u00e1 US$ 10 milh\u00f5es Para chegar \u00e0 \u00e1rea pretendida de 30 mil hectares, o projeto demandar\u00e1 um investimento total de US$ 10 milh\u00f5es, equivalente a R$ 33 milh\u00f5es. O custo m\u00e9dio por hectare gira em torno de US$ 3 mil (R$ 9,93 mil).<\/p>\n<p>O custo do primeiro milh\u00e3o de \u00e1rvores foi bancado pelo Rock in Rio, com recursos pr\u00f3prios e angariados junto ao p\u00fablico. O segundo milh\u00e3o ser\u00e1 pago pela CI e os demais pelo projeto Paisagens Sustent\u00e1veis da Amaz\u00f4nia, iniciativa financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), coordenado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e implementado no Brasil pelo Banco Mundial tendo a CI e o Funbio como executores.<\/p>\n<p>Em 2018, diz Medeiros, ser\u00e3o selecionadas as \u00e1reas e organiza\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o trabalhar na restaura\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos 28 mil hectares. A escolha ser\u00e1 feita nos Estados do Par\u00e1, Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia. A expectativa \u00e9 que os trabalhos em campo comecem no segundo semestre.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 de fato o in\u00edcio do processo de destravamento dessa agenda no Brasil e esperamos que, dentro dos pr\u00f3ximos anos, a \u00e1rea em restaura\u00e7\u00e3o cres\u00e7a exponencialmente com v\u00e1rias iniciativas como essa&#8221;, ressalta o executivo.<\/p>\n<p>&#8220;Divisor de \u00e1guas&#8221;<\/p>\n<p>Para o governo federal, pol\u00edticas lan\u00e7adas em 2017 s\u00e3o &#8220;um divisor de \u00e1guas&#8221; do ponto de vista da restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es como o projeto da Conservation International n\u00e3o s\u00e3o inexpressivas. Mas h\u00e1 desafios. Segundo o diretor do Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Jair Schimitt, a lista inclui fortalecer a cultura de recupera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, viabilizar fontes de financiamento e criar &#8211; al\u00e9m de dar musculatura &#8211; a uma cadeia produtiva, com produ\u00e7\u00e3o de mudas, coleta de sementes e aperfei\u00e7oamento das t\u00e9cnicas usadas, por meio de pesquisa e desenvolvimento.<\/p>\n<p>Iniciativas nesse sentido s\u00e3o previstas no Plano Nacional de Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (Planaveg), lan\u00e7ado em novembro de 2017 como principal instrumento de implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional para Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (Proveg), institu\u00edda em janeiro.<\/p>\n<p>Tais pol\u00edticas, diz Schimitt, d\u00e3o diretrizes e est\u00edmulos para que mais a\u00e7\u00f5es aconte\u00e7am. &#8220;Agora que temos instrumentos pol\u00edticos robustos queremos induzir a disponibilidade financeira (para projetos na \u00e1rea)&#8221;, exemplifica o diretor.<\/p>\n<p>Com base em estimativas da academia, ele afirma que seriam necess\u00e1rios R$ 50 bilh\u00f5es ou mais para recuperar os 12 milh\u00f5es de hectares previstos no Acordo de Paris. &#8220;Mas n\u00e3o quer dizer que o governo tenha que aportar esse recurso. Grande parte desse desmatamento \u00e9 ilegal e \u00e9 dever de quem fez isso recuperar o que foi destru\u00eddo.&#8221;<\/p>\n<p>Schimitt estima que os projetos de recupera\u00e7\u00e3o no Brasil somem, atualmente, 70 mil hectares. Mas afirma que a lista dever\u00e1 crescer. Por meio do &#8220;Paisagens Sustent\u00e1veis&#8221;, por exemplo, a pretens\u00e3o \u00e9 recuperar 28 mil hectares nos pr\u00f3ximos seis anos, o que dever\u00e1 demandar um aporte de US$ 60 milh\u00f5es (R$ 198 milh\u00f5es) junto ao GEF, principal fundo de financiamento ambiental no mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi lan\u00e7ada uma chamada p\u00fablica da ordem de R$ 200 milh\u00f5es para recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. &#8220;Espera-se (com isso) de 15 mil a 20 mil hectares ou mais sendo financiados&#8221;, diz, ressaltando que, &#8220;na hist\u00f3ria do pa\u00eds, recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o nunca esteve em uma agenda priorit\u00e1ria&#8221;, mas que &#8220;o assunto come\u00e7ou a se tornar importante&#8221; ao ser posto como compromisso dentro do Acordo de Paris e ao ser objeto de novas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>&#8220;Essa iniciativa da Conservation International, se olharmos outras que est\u00e3o em execu\u00e7\u00e3o, \u00e9 bastante robusta, porque promover a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa n\u00e3o \u00e9 algo simples e f\u00e1cil, que vai acontecer da noite para o dia&#8221;, diz Schimitt.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, a exemplo dessa iniciativa, o que a gente quer \u00e9 fomentar outras dessa natureza ou ainda maiores para que, gradativamente, possamos atingir os resultados almejados&#8221;.<\/p>\n<p>Por que preservar e reflorestar importa?<\/p>\n<p>P\u00f3s-doutor em Ecologia e Gest\u00e3o da Biodiversidade, Rodrigo Medeiros, da Conservation International, explica que manter a floresta em p\u00e9 traz benef\u00edcios como a regula\u00e7\u00e3o do clima do planeta e do ciclo hidrol\u00f3gico &#8211; o movimento cont\u00ednuo da \u00e1gua dos oceanos, continentes (superf\u00edcie, solo e rocha) e na atmosfera.<\/p>\n<p>&#8220;Cada hectare de floresta restaurada funciona como uma esp\u00e9cie de bomba dupla que ao mesmo tempo absorve carbono da atmosfera, reduzindo os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, enquanto bombeia para a atmosfera milhares de litros de \u00e1gua, sob a forma de vapor, essencial para a manuten\u00e7\u00e3o do regime hidrol\u00f3gico do continente&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A retirada de \u00e1rvores contribui para tornar o clima &#8220;in\u00f3spito&#8221;, segundo os especialistas, e pode transformar grandes extens\u00f5es territoriais do Brasil em desertos.<\/p>\n<p>&#8220;Devemos lembrar que aproximadamente 60% das chuvas que caem sobre o Sudeste, Sul e Centro Oeste s\u00e3o provenientes da Amaz\u00f4nia. E sem floresta a chuva n\u00e3o alcan\u00e7a tais regi\u00f5es&#8221;, diz o pesquisador Rodolfo Coelho Prates.<\/p>\n<p>Zerar<\/p>\n<p>Mas mais importante do que recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 zerar o desmatamento, refor\u00e7a o pesquisador. Mas ele opina que o ambiente atual n\u00e3o conspira a favor disso.<\/p>\n<p>&#8220;Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel observar que, no ambiente institucional, o setor ruralista enfrenta um momento favor\u00e1vel, que reflete em seguran\u00e7a jur\u00eddica e pol\u00edticas voltadas ao setor. Isso propicia o aumento do desmatamento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele faz refer\u00eancia, por exemplo, ao &#8220;Novo C\u00f3digo Florestal, que anistiou desmatamentos anteriores e flexibilizou restri\u00e7\u00f5es, principalmente a \u00e1rea de reserva legal; o perd\u00e3o de d\u00edvidas previdenci\u00e1rias (Funrural) &#8211; o que eleva a capacidade financeira dos produtores potencializando a expans\u00e3o das atividades e, consequentemente, elevando o desmatamento &#8211; e mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista&#8221;.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do especialista, pol\u00edticas p\u00fablicas ligadas \u00e0 quest\u00e3o envolvem a\u00e7\u00f5es para coibir o desmatamento ao mesmo tempo em que, de outro lado, o levam a avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Como exemplo do que gera a expans\u00e3o das \u00e1reas desmatadas, ele cita o cr\u00e9dito rural e gastos para amplia\u00e7\u00e3o do sistema rodovi\u00e1rio que possibilitam, segundo o pesquisador, o avan\u00e7o e a penetra\u00e7\u00e3o de atividades econ\u00f4micas em \u00e1reas que n\u00e3o alcan\u00e7avam.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o maior problema na Amaz\u00f4nia \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos direitos de propriedade. Pelo fato dos direitos n\u00e3o estarem bem definidos, h\u00e1 um imenso conflito pelas terras e suas riquezas minerais e florestais, envolvendo ind\u00edgenas, ribeirinhos, madeireiros e grandes produtores rurais&#8221;, diz, acrescentando que &#8220;os dois \u00faltimos grupos det\u00eam capital e consequentemente poder econ\u00f4mico e poder pol\u00edtico e t\u00eam grande interesse no desmatamento&#8221;.<\/p>\n<p>Prates tamb\u00e9m analisa que o Planaveg, na sua concep\u00e7\u00e3o geral, n\u00e3o tem novidades em rela\u00e7\u00e3o ao Plano Nacional de Florestas, de 2000, por exemplo. E aponta: &#8220;Apenas nesses 17 anos o desmatamento totalizou 452.302 quil\u00f4metros quadrados, o que representa uma \u00e1rea superior a todo o territ\u00f3rio da Su\u00e9cia&#8221;.\u00a0&#8220;Portanto, \u00e9 mais um que se soma a tantos outros planos ineficazes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma \u00e1rea de pelo menos 4 milh\u00f5es de hectares, equivalente ao tamanho da Su\u00ed\u00e7a ou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":78311,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/reflorestamento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma \u00e1rea de pelo menos 4 milh\u00f5es de hectares, equivalente ao tamanho da Su\u00ed\u00e7a ou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78310"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78310\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}