{"id":78235,"date":"2018-01-06T17:11:24","date_gmt":"2018-01-06T20:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=78235"},"modified":"2018-01-06T17:11:24","modified_gmt":"2018-01-06T20:11:24","slug":"o-amor-mora-no-jardim-da-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-amor-mora-no-jardim-da-infancia\/","title":{"rendered":"O amor mora no Jardim da Inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/empatia-1.jpg\" width=\"639\" height=\"282\" \/>Por Maria Helena Masquetti*\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do ego\u00edsmo, uma garota se desprende, literalmente, da conversa animada com seu grupo e caminha at\u00e9 a esquina, ombro a ombro com um idoso, a fim de lhe mostrar melhor o endere\u00e7o que ele estava procurando. No metr\u00f4, uma mulher faz quest\u00e3o de dar lugar \u00e0 uma jovem que tenta, mesmo em p\u00e9, resolver algumas quest\u00f5es escolares numa apostila. Na sala de espera de uma cl\u00ednica, um grupo de pessoas concorda em passar \u00e0 frente dos demais uma senhora que apenas comentava com outras sobre seu temor de ter ou n\u00e3o esquecido o forno ligado em casa.<\/p>\n<p>Claro que existem dramas piores pedindo aten\u00e7\u00e3o ao nosso redor, mas em tempos de tanta intoler\u00e2ncia, cenas simples assim at\u00e9 emocionam, talvez por nos lembrar que o amor tamb\u00e9m \u00e9 simples e, ao mesmo tempo, indestrut\u00edvel por ser, enfim, a mat\u00e9ria prima da paz.<\/p>\n<p>No cl\u00e1ssico O Jardim Secreto, de Frances Burnett, duas crian\u00e7as descobrem o esconderijo da chave para um velho jardim abandonado. Ao cortarem, ent\u00e3o, o galho de uma das \u00e1rvores aparentemente mortas, descobrem que a seiva delas permanece intacta. A partir dali, as crian\u00e7as \u201ccuram\u201d o jardim com sua presen\u00e7a, com sua alegria e com seus cuidados at\u00e9 que ele, enfim, novamente floresce numa exuber\u00e2ncia de cores.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse essa interfer\u00eancia doce e s\u00fabita do amor nos cen\u00e1rios mais ingratos, h\u00e1 muito, nossa ra\u00e7a teria perdido a raz\u00e3o de se chamar humana. A poesia, a literatura, as hist\u00f3rias, a m\u00fasica, as artes, a ci\u00eancia, o brincar, o riso solto das crian\u00e7as e a pr\u00f3pria esperan\u00e7a nos d\u00e3o pistas dessa imortalidade do amor e dos lugares onde ele se aninha, ao mesmo tempo que nos ajuda a compreender tamb\u00e9m sobre os lugares onde ele se esconde \u00e0 espera de uma oportunidade de florescer novamente.<\/p>\n<p>No fundo dos cora\u00e7\u00f5es mais ressequidos, ele provavelmente se encontra sufocado, seja por abandonos, m\u00e1goas, aus\u00eancias, viol\u00eancias, abusos e neglig\u00eancias, em sua maioria ocorridos na tenra inf\u00e2ncia. Diante do mais hostil ser humano, lembrar do beb\u00ea indefeso e da crian\u00e7a fr\u00e1gil que ele foi um dia, com as mesmas necessidades e anseios de outras tantas crian\u00e7as, pode, pelo menos por um instante, tocar nossa emo\u00e7\u00e3o e abrandar nosso julgamento sobre ele.<\/p>\n<p>Nenhuma crian\u00e7a nasce para ser m\u00e1. A primeira expectativa de todas \u00e9 a de serem bem recebidas, de um colo amoroso, de um leite quentinho e, depois, de voltas de cavalinho em ombros nos quais possam confiar, espa\u00e7os para brincar, boa educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia familiar e social adequadas. Para que o amor cres\u00e7a e d\u00ea frutos dentro delas, todo jardim da inf\u00e2ncia deve ser equipado assim. Quase imposs\u00edvel imaginar que algu\u00e9m criado dessa maneira possa se tornar cruel algum dia.<\/p>\n<p>Governo, justi\u00e7a, comunidade e fam\u00edlia, somos todos respons\u00e1veis pela sobreviv\u00eancia e bem-estar de cada crian\u00e7a, seja por nossa humanidade ou pela simples constata\u00e7\u00e3o inteligente de que honrar a inf\u00e2ncia e fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o de nossa esp\u00e9cie e para o futuro do planeta. Cuidar e proteger todas as crian\u00e7as deve ser a mais imprescind\u00edvel das metas de desenvolvimento de cada pa\u00eds, de cada cidade e de cada sociedade que sonha verdadeiramente com um mundo de paz e de fraternidade.<\/p>\n<p>Quem puder mais, fa\u00e7a mais pela inf\u00e2ncia, criando leis, pol\u00edticas p\u00fablicas, direcionando verbas priorit\u00e1rias \u00e0 inf\u00e2ncia, combatendo as desigualdades, denunciando abusos e defendendo o direito delas a uma educa\u00e7\u00e3o com qualidade e liberdade e de brincar em seguran\u00e7a. Quem puder menos, d\u00ea o que o dinheiro n\u00e3o compra: uma palavra, um elogio, um carinho, um abra\u00e7o, uma den\u00fancia sobre viol\u00eancia ou neglig\u00eancia. E que de todos emane a compreens\u00e3o de que a chamada \u201ccrian\u00e7a dif\u00edcil\u201d n\u00e3o existe, o que existe s\u00e3o as dificuldades que ela enfrentou ou enfrenta. Um p\u00e1ssaro ferido n\u00e3o voa, e reage arisco mesmo quando se quer ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Como lembra o educador e escritor, Severino Antonio, \u201cPara a crian\u00e7a, tudo tem vida, tudo tem alma\u201d, e isto certamente equivaleria dizer que, para um adulto que viveu plenamente sua inf\u00e2ncia, a vida do outro d\u00e1 sentido a sua pr\u00f3pria vida e deve, portanto, ser valorizada e aceita. Cada crian\u00e7a conta para a humanidade, n\u00e3o por quem ela possa vir a ser, mas pelo que ela j\u00e1 \u00e9 hoje: a fase onde a vida se apresenta em sua forma mais humana e onde o amor flui, brinca e sorri de corpo inteiro.<\/p>\n<p><em>(*) Maria Helena Masquetti \u00e9 graduada em Psicologia e Comunica\u00e7\u00e3o Social, possui especializa\u00e7\u00e3o em Psicoterapia Breve e realiza atendimento cl\u00ednico em consult\u00f3rio desde 1993. Exerceu a fun\u00e7\u00e3o de redatora publicit\u00e1ria durante 12 anos e hoje \u00e9 psic\u00f3loga do Alana.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Helena Masquetti*\u00a0 Na contram\u00e3o do ego\u00edsmo, uma garota se desprende, literalmente, da conversa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Maria Helena Masquetti*\u00a0 Na contram\u00e3o do ego\u00edsmo, uma garota se desprende, literalmente, da conversa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78235"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78235\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}