{"id":7805,"date":"2014-10-02T16:29:50","date_gmt":"2014-10-02T16:29:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7805"},"modified":"2014-10-02T16:31:26","modified_gmt":"2014-10-02T16:31:26","slug":"moradores-revivem-passado-com-baixa-do-lago-de-furnas-em-mg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/moradores-revivem-passado-com-baixa-do-lago-de-furnas-em-mg\/","title":{"rendered":"Moradores revivem passado com baixa do Lago de Furnas em MG"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7806\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A estiagem prolongada que atinge o Sul de Minas desde 2012 trouxe preju\u00edzos, poeira, ar seco, longas \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o onde havia \u00e1gua. Mas do fundo do lago, trouxe tamb\u00e9m parte da hist\u00f3ria de uma regi\u00e3o que viu sua paisagem mudar em 1963. Para trazer o progresso, a constru\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio de Furnas &#8216;enterrou&#8217; terras, fazendas, casas e at\u00e9 uma cidade. Enterrou hist\u00f3rias. Com a estiagem, essas hist\u00f3rias v\u00eam \u00e0 tona com a antiga torre da igreja de Guap\u00e9 (MG) que surgiu do fundo da \u00e1gua. Pontes e antigas terras \u2018voltam \u00e0 vida\u2019 (e at\u00e9 ao uso) em <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/mg\/sul-de-minas\/cidade\/tres-pontas.html\">Tr\u00eas Pontas<\/a>. Andar pelo cen\u00e1rio da seca, que \u2018assombra\u2019 os moradores da regi\u00e3o h\u00e1 cerca de dois anos, \u00e9 visitar o passado do Sul de Minas.<\/p>\n<p>Ao adentrarmos na pequena cidade de <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/mg\/sul-de-minas\/cidade\/guape.html\">Guap\u00e9<\/a>, no Sul de Minas, alguma coisa soa estranha no ar. As largas ruas s\u00e3o incompat\u00edveis com as estreitas vias de cidades sul mineiras com cerca de 100 anos, como Guap\u00e9. A Igreja Matriz, no Centro da cidade, foi elevada de um projeto moderno, e em volta da pra\u00e7a principal n\u00e3o h\u00e1 nem sombra de casar\u00f5es antigos t\u00edpicos da configura\u00e7\u00e3o da maioria das pequenas e antigas cidades da regi\u00e3o. Estamos na nova Guap\u00e9, aquela constru\u00edda ap\u00f3s o reservat\u00f3rio de Furnas tomar dois ter\u00e7os da antiga. As ruas, lotes, a nova pra\u00e7a e igreja foram planejadas pela equipe de Furnas que evacuou a cidade que seria alagada.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Revista Manchete de 1963 mostra Guap\u00e9 sendo alagada para constru\u00e7\u00e3o de Furnas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/vi2b44NjkU9Mi0p1tTd86NSEabM=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/guape_3.jpg\" alt=\"Revista Manchete de 1963 mostra Guap\u00e9 sendo alagada para constru\u00e7\u00e3o de Furnas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Revista Manchete de 1963 mostra Guap\u00e9 sendo<br \/>\nalagada para constru\u00e7\u00e3o de Furnas<br \/>\n(Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p>Em uma das 10 casas projetadas para os funcion\u00e1rios de Furnas \u00e0 \u00e9poca da inunda\u00e7\u00e3o (hoje reformada e diferente da original), dona Maria Esmeralda \u00c1vila Peres folheia as reportagens antigas que retratavam Guap\u00e9 dias antes de sua inunda\u00e7\u00e3o. Com 75 anos, nascida e criada na cidade, a professora aposentada guarda documentos antigos da Guap\u00e9 que passou a vida, tanto a antiga quanto a nova.<\/p>\n<p>No arquivo de dona Esmeralda, \u00e9 poss\u00edvel ler a edi\u00e7\u00e3o de 1963 da extinta revista Manchete, que anunciava: \u201c1.200.000 KW contra o subdesenvolvimento \u2013 Furnas: a enchente do progresso\u201d. No decorrer da mat\u00e9ria, uma foto mostra uma m\u00e3e e seus dois filhos observando a \u00e1gua tomar conta das paredes de uma resid\u00eancia. A cita\u00e7\u00e3o acima da foto explica: \u201cA tristeza de alguns \u00e9 apenas moment\u00e2nea, pois sua regi\u00e3o receber\u00e1 os benef\u00edcios do progresso\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVieram muitos jornalistas aqui pra cidade ver a situa\u00e7\u00e3o, porque era uma situa\u00e7\u00e3o inusitada \u2018n\u00e9\u2019, uma cidade sumir embaixo d\u2019\u00e1gua\u201d, conta dona Esmeralda ao folhear outra mat\u00e9ria, da revista O Cruzeiro, mostrando outra parte da hist\u00f3ria um pouco mais triste: o desespero dos moradores que perderam quase tudo em alguns dias. A reportagem de Jos\u00e9 Franco (que chegou a ganhar o Pr\u00eamio Esso de Reportagem em 1963) cita o choro, a resist\u00eancia dos moradores, a incredulidade e at\u00e9 o suic\u00eddio de um.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\"Dona Esmeralda folheia publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca da inunda\u00e7\u00e3o de Guap\u00e9 por reservat\u00f3rio de Furnas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/8m-dNdhqKNKZNDcxUtZRGh1vXT0=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/guape_1.jpg\" alt=\"Dona Esmeralda folheia publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca da inunda\u00e7\u00e3o de Guap\u00e9 por reservat\u00f3rio de Furnas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>Dona Esmeralda folheia publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca da inunda\u00e7\u00e3o de Guap\u00e9 por reservat\u00f3rio de Furnas (Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p>Ela cita ainda a ironia da situa\u00e7\u00e3o: a bandeira do munic\u00edpio carrega a inscri\u00e7\u00e3o em latim \u201cFluctuat ne mergitur\u201d (Flutua, n\u00e3o se submerge). Pois em 1963, Guap\u00e9 submergiu nas \u00e1guas de Furnas. \u201cAs comportas de Furnas foram fechadas \u00e0s 0h do dia 9 de janeiro. As \u00e1guas levaram cerca de oito dias para chegar em Guap\u00e9\u201d, continua dona Esmeralda. Ela conta que os moradores foram avisados que a cidade seria alagada, mas que o dia n\u00e3o foi informado.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto mostra Guap\u00e9 sendo tomada pelas \u00e1guas do reservat\u00f3rio de Furnas (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/lgkFId25q-NhASuJneG-93y6Nng=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/guape_sendo_alagada.jpg\" alt=\"Foto mostra Guap\u00e9 sendo tomada pelas \u00e1guas do reservat\u00f3rio de Furnas (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Foto mostra Guap\u00e9 sendo tomada pelas \u00e1guas do<br \/>\nreservat\u00f3rio de Furnas<br \/>\n(Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)<\/strong><\/div>\n<p>Muita gente desacreditou dessa possibilidade. No dia que as comportas foram fechadas para formar o reservat\u00f3rio, o monsenhor da cidade que sempre anunciava as not\u00edcias da regi\u00e3o nos alto-falantes da igreja n\u00e3o avisou a popula\u00e7\u00e3o do que iria acontecer. Estava em viagem, presente de Furnas pra ele, segundo dona Esmeralda.<\/p>\n<p>Helic\u00f3pteros e caminh\u00f5es do Ex\u00e9rcito jogavam planfletos e mandavam os moradores sa\u00edrem correndo porque a \u00e1gua ia tomar a cidade em dias. A divers\u00e3o das crian\u00e7as nos dias da inunda\u00e7\u00e3o era colocar varetas na terra, e \u00e0 medida que a \u00e1gua se aproximava, eles mediam quanto ela havia subido de um dia para o outro. A divers\u00e3o acabou quando as \u00e1guas come\u00e7aram a tomar a cidade.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Fotografia mostra casas quase completamente cobertas pelo Lago de Furnas em Guap\u00e9 (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IxGHyog72j-e06dpWWo31vBIk5I=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/casas_inundadas.jpg\" alt=\"Fotografia mostra casas quase completamente cobertas pelo Lago de Furnas em Guap\u00e9 (Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Fotografia mostra casas quase completamente<br \/>\ncobertas pelo Lago de Furnas em Guap\u00e9<br \/>\n(Foto: Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9)<\/strong><\/div>\n<p>Segundo dona Esmeralda, algumas casas foram constru\u00eddas na nova Guap\u00e9 para abrigar a popula\u00e7\u00e3o, mas na \u00e9poca da evacua\u00e7\u00e3o, os im\u00f3veis n\u00e3o estavam prontos. \u201cQuando a \u00e1gua chegou, esse bendito bairro n\u00e3o estava pronto, n\u00e3o estava terminado. As casas estavam sem portas, n\u00e3o tinha janelas, a \u00e1gua n\u00e3o estava chegando nas resid\u00eancias. No meio do quarteir\u00e3o fizeram uma latrina e ali todos que moravam em volta usavam o local. Ent\u00e3o foi uma coisa muito deprimente, muito triste. Pais de fam\u00edlias grandes, at\u00e9 importantes, que viviam com um certo conforto, foram obrigados a usar aquilo, porque as casas n\u00e3o sa\u00edram a tempo pro povo habitar com um certo conforto.\u201d<\/p>\n<p>Dona Esmeralda, que era casada com um funcion\u00e1rio de Furnas, se mudou para uma das 10 casas j\u00e1 prontas feitas para a equipe, muito diferente do casar\u00e3o de 17 c\u00f4modos que morava com sua fam\u00edlia. \u201cTinha dois quartos, sala, banheiro e cozinha. Um quadradinho. Quantos m\u00f3veis, lou\u00e7as, colchas que t\u00ednhamos, tudo foi dado ou foi perdido no lago. At\u00e9 os livros jogaram na represa porque n\u00e3o tinha onde guardar. Muita gente perdeu tudo. Perdeu cria\u00e7\u00e3o, porco, galinha\u201d, lembra.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\"Antiga Igreja Matriz da cidade (\u00e0 esquerda) e igreja constru\u00edda na nova Guap\u00e9 (\u00e0 direita) (Foto: Montagem Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9 \/ Samantha Silva - G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/S8wgo-8UuZ05Yea3lXoh8kiwSKM=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/guape_4.jpg\" alt=\"Antiga Igreja Matriz da cidade (\u00e0 esquerda) e igreja constru\u00edda na nova Guap\u00e9 (\u00e0 direita) (Foto: Montagem Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9 \/ Samantha Silva - G1)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>Antiga Igreja Matriz da cidade (\u00e0 esquerda) e igreja constru\u00edda na nova Guap\u00e9 (\u00e0 direita)<br \/>\n(Foto: Montagem Arquivo Prefeitura Municipal de Guap\u00e9 \/ Samantha Silva &#8211; G1)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cFurnas foi isso a\u00ed. Guap\u00e9 ficou uma cidade morta por muito tempo, de 8 a 10 anos. Muita gente foi embora, pra outras cidades, estados. Alagaram as terras v\u00e1rzeas e a pastagem, s\u00f3 sobrou serra, com muita pedra e cascalho. Bancos na cidade fecharam, faltou dinheiro e o povo passou necessidade. A cidade come\u00e7ou a animar depois que come\u00e7aram a plantar caf\u00e9 no cerrado, e a\u00ed a cidade desenvolveu\u201d, conta dona Esmeralda. Hoje, al\u00e9m da agricultura, Guap\u00e9 aproveita a beleza do lago para o turismo.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Antigo bangal\u00f4 se tornou s\u00edmbolo da resist\u00eancia da antiga Guap\u00e9 (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/DyZDJGgA9IriXsBW-mQgm1G3Dak=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/dsc_0180.jpg\" alt=\"Antigo bangal\u00f4 se tornou s\u00edmbolo da resist\u00eancia da antiga Guap\u00e9 (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Antigo bangal\u00f4 se tornou s\u00edmbolo da resist\u00eancia da<br \/>\nantiga Guap\u00e9 (Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p>Na margem da nova Guap\u00e9, um antigo bangal\u00f4 marca o lugar onde as \u00e1guas n\u00e3o alcan\u00e7aram na cidade. A casa, uma das \u00fanicas n\u00e3o alagadas, se tornou um s\u00edmbolo de resist\u00eancia do antigo munic\u00edpio e se mant\u00e9m em p\u00e9 com sua fachada para a nova cidade e a lateral para o Lago de Furnas. Do bangal\u00f4 \u00e9 poss\u00edvel avistar as ru\u00ednas da antiga igreja descobertas pela seca desde 2012.<\/p>\n<p>Uma imagem de S\u00e3o Francisco de Assis, padroeiro da cidade, marca onde a Igreja Matriz de 1963 ficava. A seus p\u00e9s, repousam as ru\u00ednas da antiga torre. O santo, com seus olhos virados para a nova Guap\u00e9, parece nos dizer que, enfim, Guap\u00e9 flutuou, e n\u00e3o se afundou.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\"S\u00e3o Francisco marca local onde antiga Igreja Matriz de Guap\u00e9 ficava (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/ogVMrGbFueQsQK2SCwu8qu3xw4o=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/dsc_0191_guape.jpg\" alt=\"S\u00e3o Francisco marca local onde antiga Igreja Matriz de Guap\u00e9 ficava (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>S\u00e3o Francisco marca local onde antiga Igreja Matriz de Guap\u00e9 ficava (Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p><strong>Antigas travessias<\/strong><br \/>\nNo Pontalete, distrito de Tr\u00eas Pontas (MG), tamb\u00e9m n\u00e3o se acreditava que as \u00e1guas tomariam as terras v\u00e1rzeas da regi\u00e3o. O morador Jos\u00e9 Francisco Martins, ou apenas seu Deca, tem 77 anos e se define como o \u201cv\u00e9io mais v\u00e9io\u201d do pequeno distrito. Por seus olhos passaram o desenvolvimento da pequena vila de pescadores em uma das muitas \u00e1reas de investimento no entorno do lago. Restaurantes vendem pratos com os peixes de \u00e1gua doce t\u00edpicos da regi\u00e3o. No bar dele, a placa anuncia: O Rei do Lambari.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Ponte surge no Lago de Furnas no Pontalete, em Tr\u00eas Pontas, MG (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/EhCSlNxITNItRm1iOuUM97Xkb0o=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/pontalete_1.jpg\" alt=\"Ponte surge no Lago de Furnas no Pontalete, em Tr\u00eas Pontas, MG (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Ponte surge no Lago de Furnas no Pontalete, em<br \/>\nTr\u00eas Pontas, MG (Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cQuando Furnas disse que ia alagar, ningu\u00e9m acreditou. S\u00f3 acreditaram quando um grande fazendeiro, \u2018um rico demais da conta\u2019, vendeu a fazenda que tinha em Ilic\u00ednea (MG) [uma das cidades que teve terras alagadas por Furnas]. Quando o fazendeiro vendeu as do Pontalete tamb\u00e9m, o povo acreditou. Isso foi em 1958. Muitas casas foram alagadas, s\u00f3 deu pra tirar o telhado e as madeiras [pra reaproveitar]\u201d, conta seu Deca.<\/p>\n<p>A estiagem fez surgir desde 2012 no Pontalete uma das antigas pontes que ligavam as margens de terra sobre o rio. O distrito fica na conflu\u00eancia dos rios Verde e Sapuca\u00ed, hoje reunidos no local pelo reservat\u00f3rio de Furnas. Seu Deca lembra tanto da constru\u00e7\u00e3o como do fim da ponte, e brinca com a coincid\u00eancia dos opostos.\u00a0 \u201cEla foi constru\u00edda em 1953 quando Juscelino Kubitscheck ainda era governador de Minas e foi alagada em 1963 pelo presidente JK.\u00a0 Ele construiu e depois enterrou (risos).\u201d<\/p>\n<p>Com o anivers\u00e1rio de morte do vener\u00e1vel Padre Victor sendo celebrado em Tr\u00eas Pontas, no final de setembro, foi poss\u00edvel ver que a antiga travessia retomou seu uso. Um grupo de romeiros puxava os cavalos para caminharem no lago baixo at\u00e9 a ponte, que serve de travessia para todos chegarem at\u00e9 a outra margem do lago. Em tempos do n\u00edvel do reservat\u00f3rio normal, o trajeto s\u00f3 seria poss\u00edvel de balsa, que jaz enterrada logo \u00e0 frente na terra seca do distrito.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Cavalos atravessam lago, trajeto s\u00f3 poss\u00edvel com balsa no Pontalete, em Tr\u00eas Pontas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/L8RaNXUmFz0-raUVR3HTJbdTDWU=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2014\/10\/01\/dsc_0051.jpg\" alt=\"Cavalos atravessam lago, trajeto s\u00f3 poss\u00edvel com balsa no Pontalete, em Tr\u00eas Pontas (Foto: Samantha Silva \/ G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><strong>Cavalos atravessam lago, trajeto s\u00f3 poss\u00edvel com<br \/>\nbalsa no Pontalete, em Tr\u00eas Pontas<br \/>\n(Foto: Samantha Silva \/ G1)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cEm 2002, a \u00e1gua baixou e foi at\u00e9 o rio\u201d, conta seu Deca, lembrando da estiagem acontecida h\u00e1 cerca de 10 anos, mas pra ele, seca pior que a deste ano n\u00e3o teve. \u201cEm 2011 ficou do mesmo jeitinho [a paisagem], mas n\u00e3o deu essa seca braba que n\u00f3s estamos passando agora n\u00e3o, em 2014. Porque passou o ano inteiro e n\u00e3o choveu \u2018n\u00e9\u2019. A chuva forte que d\u00e1 \u00e9 janeiro, fevereiro e mar\u00e7o, que tem a enchente da goiaba e a enchente do anga, agora esse ano n\u00e3o teve enchente nenhuma porque n\u00e3o choveu. De vez em quando d\u00e1 uma chuvinha, mas a seca continua.\u201d<\/p>\n<p>Desde que a estiagem atinge a regi\u00e3o, seu Deca viu o movimento do seu bar cair cerca de 70%. Na calmaria do pequeno distrito, ele passa os dias esperando que a \u00e1gua do c\u00e9u eleve novamente o \u2018Mar de Minas\u2019 que hoje n\u00e3o vive sem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estiagem prolongada que atinge o Sul de Minas desde 2012 trouxe preju\u00edzos, poeira, ar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/ruinas_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A estiagem prolongada que atinge o Sul de Minas desde 2012 trouxe preju\u00edzos, poeira, ar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7805"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7805\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}