{"id":77872,"date":"2017-12-31T13:00:09","date_gmt":"2017-12-31T16:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=77872"},"modified":"2017-12-31T12:06:23","modified_gmt":"2017-12-31T15:06:23","slug":"o-elo-entre-as-explosoes-de-estrelas-as-nuvens-e-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-elo-entre-as-explosoes-de-estrelas-as-nuvens-e-o-clima\/","title":{"rendered":"O elo entre as explos\u00f5es de estrelas, as nuvens e o clima"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-77873\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo publicado dia 20 de dezembro na revista\u00a0<em>Nature Communications<\/em>\u00a0mostra como os \u00edons atmosf\u00e9ricos, que s\u00e3o gerados durante o percurso dos raios c\u00f3smicos descendo pela atmosfera terrestre, ajudam no crescimento e na forma\u00e7\u00e3o de n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens &#8211; as sementes necess\u00e1rias para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens na atmosfera.<\/p>\n<p>Quando ocorrem mudan\u00e7as na ioniza\u00e7\u00e3o da atmosfera, o n\u00famero de n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens se altera, o que por sua vez afeta as propriedades das nuvens. Mais n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens significam mais nuvens e um clima mais frio, e vice e versa. E uma vez que as nuvens s\u00e3o essenciais para a quantidade de energia solar que atinge a superf\u00edcie da Terra, as implica\u00e7\u00f5es podem ser significativas para nosso entendimento sobre por que o clima variou no passado, e tamb\u00e9m para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas futuras.<\/p>\n<p>N\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens podem ser formados pelo crescimento de pequenas aglomera\u00e7\u00f5es moleculares chamadas aeross\u00f3is. At\u00e9 agora, assumia-se que pequenos aeross\u00f3is adicionais n\u00e3o cresceriam e se tornariam n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens, j\u00e1 que n\u00e3o se conhecia nenhum mecanismo capaz de causar este efeito. Os novos resultados revelam, tanto de forma te\u00f3rica quanto experimental, como as intera\u00e7\u00f5es entre \u00edons e aeross\u00f3is podem acelerar o crescimento acrescentando material aos pequenos aeross\u00f3is e, assim, ajudando-os a sobreviver para se tornarem n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens. Isso d\u00e1 fundamento f\u00edsico \u00e0 grande quantidade de evid\u00eancias emp\u00edricas mostrando que a atividade solar tem um papel nas varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da Terra. Tanto o \u00d3timo Clim\u00e1tico Medieval, por volta do ano 1000 d.C,. quanto o per\u00edodo frio na Pequena Era Glacial entre 1300 e 1900, por exemplo, se encaixam com mudan\u00e7as na atividade solar.<\/p>\n<p>\u201cFinalmente temos a \u00faltima pe\u00e7a do quebra-cabe\u00e7a que explica como as part\u00edculas do espa\u00e7o afetam o clima na Terra. Isso d\u00e1 um entendimento sobre como as mudan\u00e7as causadas pela atividade solar ou de supernovas podem alterar o clima\u201d, diz Henrik Svensmark, do DTU Space da Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca, principal autor do estudo. Os co-autores s\u00e3o o pesquisador s\u00eanior Martins B\u00f8dker Enghoff (STU Space), o professor Nir Shaviv (Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m) e Jacob Svensmark (Universidade de Copenhage).<\/p>\n<p><strong>O novo estudo<\/strong><\/p>\n<p>A nova ideia fundamental no estudo \u00e9 atribuir uma contribui\u00e7\u00e3o para o crescimento de aeross\u00f3is \u00e0 massa dos \u00edons. Embora os \u00edons n\u00e3o sejam os constituintes mais numerosos na atmosfera, as intera\u00e7\u00f5es eletromagn\u00e9ticas entre eles e os aeross\u00f3is compensam a escassez, e tornam a fus\u00e3o entre os dois algo muito mais prov\u00e1vel. Mesmo em n\u00edveis baixos de ioniza\u00e7\u00e3o, cerca de 5% da taxa de crescimento de aeross\u00f3is se deve aos \u00edons. No caso de uma supernova pr\u00f3xima, o efeito pode ser mais de 50% da taxa de crescimento, o que ter\u00e1 um impacto nas nuvens e na temperatura da Terra.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar os resultados, foi formulada uma descri\u00e7\u00e3o te\u00f3rica das intera\u00e7\u00f5es entre \u00edons e aeross\u00f3is, juntamente com uma express\u00e3o para a taxa de crescimento dos aeross\u00f3is. As id\u00e9ias foram, ent\u00e3o, testadas experimentalmente em uma grande c\u00e2mara de nuvens. Devido a limita\u00e7\u00f5es experimentais causadas pela presen\u00e7a de paredes da c\u00e2mara, a altera\u00e7\u00e3o na taxa de crescimento que precisava ser medida foi da ordem de 1%, o que implicava uma alta demanda de estabilidade durante os experimentos &#8211; e eles foram repetidos at\u00e9 100 vezes para obter um bom sinal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es indesejadas. Os dados foram coletados durante um per\u00edodo de 2 anos, com total de 3.100 horas de amostragem. Os resultados dos experimentos coincidiram com as previs\u00f5es te\u00f3ricas.<\/p>\n<p><strong>A hip\u00f3tese, em resumo<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Raios c\u00f3smicos, part\u00edculas de alta energia vindas de estrelas que explodiram, atingem as mol\u00e9culas de ar. Isto produz \u00edons &#8211; isto \u00e9, mol\u00e9culas positivas e negativas &#8211; na atmosfera;<br \/>\n&#8211; Os \u00edons ajudam aeross\u00f3is &#8211; aglomera\u00e7\u00f5es principalmente de mol\u00e9culas \u00e1cido sulf\u00farico e \u00e1gua &#8211; a se formarem e permanecerem est\u00e1veis contra a evapora\u00e7\u00e3o. Este processo \u00e9 chamado nuclea\u00e7\u00e3o. Os pequenos aeross\u00f3is precisam crescer cerca de milh\u00f5es de vezes em massa para terem efeito sobre as nuvens;<br \/>\n&#8211; O segundo papel dos \u00edons \u00e9 acelerar o crescimento de pequenos aeross\u00f3is para que se tornem n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens &#8211; sementes nas quais gotas de \u00e1gua l\u00edquida se formam para fazerem nuvens. Quanto mais \u00edons, mais aeross\u00f3is se tornam n\u00facleos de condensa\u00e7\u00e3o de nuvens. Esta \u00e9 a segunda propriedade dos \u00edons e tamb\u00e9m o resultado publicado na\u00a0<em>Nature Communications<\/em>;<br \/>\n&#8211; Nuvens baixas feitas de gotas de \u00e1gua l\u00edquida resfriam a superf\u00edcie terrestre;<br \/>\n&#8211; Varia\u00e7\u00f5es na atividade magn\u00e9tica do Sol alteram o influxo de raios c\u00f3smicos para a Terra;<br \/>\n&#8211; Quando o Sol tem pouca atividade, magneticamente falando, h\u00e1 mais raios c\u00f3smicos e mais nuvens baixas, e o planeta fica mais frio;<br \/>\n&#8211; Quando o Sol est\u00e1 mais ativo, menos raios c\u00f3smicos atingem a Terra e, com menos nuvens baixas, o mundo se aquece.<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es do estudo sugerem que o mecanismo pode ter afetado:<\/p>\n<p>&#8211; As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas observadas durante o s\u00e9culo 20;<br \/>\n&#8211; Os resfriamentos e aquecimentos por volta de 2\u00b0C os quais ocorreram repetidamente nos \u00faltimos 10 mil anos, \u00e0 medida que a atividade solar e o influxo de raios c\u00f3smicos variavam;<br \/>\n&#8211; As varia\u00e7\u00f5es muito maiores, de at\u00e9 10\u00b0C, acontecendo enquanto o Sol e a Terra viajam pela gal\u00e1xia, visitando regi\u00f5es com n\u00fameros vari\u00e1veis de estrelas em explos\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo publicado dia 20 de dezembro na revista\u00a0Nature Communications\u00a0mostra como os \u00edons atmosf\u00e9ricos, que s\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/elo.jpg",400,255,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo publicado dia 20 de dezembro na revista\u00a0Nature Communications\u00a0mostra como os \u00edons atmosf\u00e9ricos, que s\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}