{"id":77869,"date":"2017-12-31T12:01:32","date_gmt":"2017-12-31T15:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=77869"},"modified":"2017-12-31T12:01:32","modified_gmt":"2017-12-31T15:01:32","slug":"vendedor-paranaense-cria-barreira-flutuante-para-retirar-lixo-de-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vendedor-paranaense-cria-barreira-flutuante-para-retirar-lixo-de-rio\/","title":{"rendered":"Vendedor paranaense cria barreira flutuante para retirar lixo de rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-77870\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha-418x266.jpg 418w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg 615w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cansado de ver garrafas pl\u00e1sticas, latas e at\u00e9 sof\u00e1s e fog\u00f5es correndo pelas \u00e1guas polu\u00eddas do rio que passa nos fundos de sua casa, em Colombo (regi\u00e3o metropolitana de Curitiba), o vendedor Diego Saldanha, 31, inventou o que chama de ecobarreira, um dique flutuante formado por gal\u00f5es pl\u00e1sticos unidos por uma rede que, esticado de uma a outra margem, funciona como uma barreira que ret\u00e9m o lixo que \u00e9 arrastado pela correnteza.<\/p>\n<p><img class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/eb\/2017\/12\/29\/a-mae-de-diego-marizete-reforma-as-bonecas-retiradas-do-rio-e-vende-em-um-brecho-1514553923484_300x200.jpg\" \/>Instalada em 20 de janeiro de 2017, a ecobarreira j\u00e1 permitiu que Saldanha retirasse uma tonelada e meia de res\u00edduos do rio Atuba, na estimativa dele. Com cerca de cinco metros de largura e pouco mais de um metro de profundidade, naquele trecho, o Atuba \u00e9 afluente do rio Igua\u00e7u, que nasce em Curitiba e termina nas cataratas, no extremo oeste do Paran\u00e1. \u00c9, tamb\u00e9m, parte da bacia do rio Ira\u00ed, uma das principais fontes de abastecimento de \u00e1gua da regi\u00e3o da capital.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de tempo encoberto em que a reportagem visitou a ecobarreira, ela retinha um volume consider\u00e1vel de lixo &#8211;principalmente garrafas de pl\u00e1stico PET de refrigerantes, mas tamb\u00e9m latas de cerveja, duas bolas de futebol, embalagens de produtos de limpeza e qu\u00edmicos. Tudo seria recolhido, dali a pouco, por Saldanha, com o aux\u00edlio de um pu\u00e7\u00e1 (esp\u00e9cie de rede para captura de peixes).<\/p>\n<p>Ao lado da barreira, o vendedor organizou uma esp\u00e9cie de museu com os objetos mais curiosos que j\u00e1 retirou do Atuba gra\u00e7as a seu invento. Ali est\u00e3o um fog\u00e3o, o tanque e o motor de uma m\u00e1quina de lavar roupas, uma cadeira infantil para autom\u00f3veis, tubos de imagem de televisores antigos, um aquecedor el\u00e9trico e algumas bonecas &#8211;essas a m\u00e3e dele, Marizete Saldanha, pacientemente restaura e coloca \u00e0 venda no brech\u00f3 que possui, no bairro.<\/p>\n<p><img class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/22\/2017\/12\/29\/diego-saldanha-criou-um-museu-com-alguns-objetos-retirados-do-rio-atuba-1514553814073_300x300.jpg\" \/>&#8220;J\u00e1 tiramos um sof\u00e1, tamb\u00e9m. Mas esse j\u00e1 foi embora, era muito grande para ficar aqui&#8221;, explicou Saldanha. Atr\u00e1s das bolas de futebol, vez ou outra, um pi\u00e1 (termo curitibano para moleque) toca a campainha da casa do vendedor. &#8220;Mas 90% do que recolho \u00e9 pl\u00e1stico recicl\u00e1vel. Lata tem bem menos, sabe por qu\u00ea?&#8221;, questionou, para responder em seguida. &#8220;O valor. O quilo da lata tem bom pre\u00e7o nas recicladoras, ent\u00e3o o pessoal junta para vender. J\u00e1 o pl\u00e1stico \u00e9 barato e volumoso, n\u00e3o vale a pena.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda assim, as garrafas de pl\u00e1stico recicl\u00e1vel que os dois filhos de Saldanha levam para a escola municipal em que estudam foram fundamentais para arrecadar quase mil reais em 2017, disse Amaura Bessa da Silva, diretora da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Temos um projeto chamado Recicle, que estimula os alunos a trazer recicl\u00e1veis para a escola que s\u00e3o depois vendidos. Em 2017, isso nos rendeu R$ 910&#8221; &#8211;em boa parte, gra\u00e7as \u00e0 ecobarreira, que tamb\u00e9m rendeu ao vendedor um convite para se apresentar num evento para os estudantes.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/08\/2017\/12\/29\/com-a-venda-das-garrafas-pet-retirados-do-rio-diego-conseguiu-arrecadar-quase-mil-reais-em-2017-1514554087011_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Paparicos de pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o de Saldanha \u00e9 engenhosa. Atada em cada uma das margens a estacas de metal, a ecobarreira pode subir ou descer conforme o n\u00edvel do rio. Se, numa enchente, as \u00e1guas passarem do n\u00edvel das estacas, uma das pontas se solta, por seguran\u00e7a. Mas, at\u00e9 chegar ao projeto atual, ele penou um tanto. &#8220;Primeiro, tentei fazer com garrafas PET, mas n\u00e3o funcionou. Da\u00ed \u00e9 que veio a ideia dos gal\u00f5es abra\u00e7ados pela rede&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Ele estimou ter gasto ao menos mil reais no projeto, que tamb\u00e9m lhe custa dinheiro de outras formas. &#8220;\u00c0s vezes, perco dia de trabalho para dar palestras em escolas, explicar o que \u00e9 a ecobarreira. Mas n\u00e3o ligo, \u00e9 uma coisa que gosto de fazer&#8221;, disse Saldanha. O sustento, ele e a fam\u00edlia tiram da venda de frutas em sem\u00e1foros de Curitiba. &#8220;\u00c9 o nosso neg\u00f3cio, e o que fa\u00e7o h\u00e1 20 anos.&#8221;<\/p>\n<p>Numa p\u00e1gina que criou no Facebook, Saldanha posta v\u00eddeos da ecobarreira. O mais famoso deles tem, segundo o vendedor, perto de 5 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e 100 mil compartilhamentos. Que renderam procura de interessados em replicar a ideia em outros pontos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma delas, em Manaus, no Igarap\u00e9 do Gigante. &#8220;Estou estudando e pegando informa\u00e7\u00f5es com um ambientalista do Paran\u00e1 para eu mesmo fazer a ecobarreira&#8221;, dizia, em fevereiro passado, Jadson Maciel, organizador do projeto Remada Ambiental, ao jornal &#8220;A Cr\u00edtica&#8221;, de Manaus.<\/p>\n<p>A reportagem procurou o projeto, para saber se a ecobarreira amaz\u00f4nica tornou-se realidade, mas os respons\u00e1veis pelo projeto n\u00e3o responderam \u00e0s mensagens enviadas \u00e0 p\u00e1gina no Facebook nem atenderam \u00e0s liga\u00e7\u00f5es para o telefone indicado ali.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/17\/2017\/12\/29\/muito-lixo-ja-foi-retirado-do-rio-com-a-invencao-de-diego-1514554007027_615x300.jpg\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o apenas outros ambientalistas que procuram Saldanha. Pol\u00edticos tamb\u00e9m paparicam o vendedor &#8211; caso, por exemplo, do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN). &#8220;Diego \u00e9 meu amigo desde que era pi\u00e1 curitibano&#8221;, exagerou Greca, em seu particular estilo parnasiano, num v\u00eddeo publicado no Youtube em outubro passado. &#8221; [Saldanha] Tem uma cabe\u00e7a ecol\u00f3gica, e \u00e9 disso que precisamos em Curitiba&#8221;, disse o pol\u00edtico, no fim da grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reportagem procurou a prefeitura para saber se a fala do prefeito indicava uma inten\u00e7\u00e3o de replicar ecobarreiras em Curitiba. Em recesso por conta das festas de fim de ano, a assessoria informou que n\u00e3o h\u00e1, no momento, &#8220;nada que indique alguma inten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o municipal de encampar a ideia e replica-la&#8221;, e que n\u00e3o seria poss\u00edvel verificar se h\u00e1 projetos para tanto no futuro. No final de dezembro, o vereador Jorge Brandt, o Goura (PDT), apresentou um requerimento sugerindo que a prefeitura encampe a ideia em rios da cidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 Izabete Pavin (PSDB), prefeita de Colombo pela quarta vez, sequer parece saber da ecobarreira, disse Saldanha. A reportagem procurou a prefeitura para ouvi-la a respeito, mas &#8211; possivelmente por conta dos feriados de fim de ano &#8211; ningu\u00e9m atendeu aos telefonemas feitos na ter\u00e7a e na quarta-feiras, 27 e 28 de dezembro.<\/p>\n<p><img class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/a2\/2017\/12\/29\/diego-saldanha-criou-um-museu-com-alguns-objetos-retirados-do-rio-atuba-1514554145425_300x420.jpg\" \/>Se de pol\u00edticos Saldanha parece poder esperar pouco, algumas organiza\u00e7\u00f5es privadas t\u00eam apoiado a ecobarreira.<\/p>\n<p>Diego Saldanha criou um &#8216;museu&#8217; com alguns objetos retirados do rio Atuba torcedor do Coritiba &#8211; ganhou tr\u00eas camisas oficiais, que pretende rifar para custear um mutir\u00e3o de limpeza do rio Atuba. Uma grande empresa de cosm\u00e9ticos tamb\u00e9m lhe deu alguns presentes. Isso, ao lado de um certificado de agradecimento que recebeu do Ibama, serve como est\u00edmulo para o vendedor tocar adiante o projeto.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o que me move mesmo \u00e9 lembrar de como era o rio quando eu era moleque. A \u00e1gua era cristalina, cheia de peixe, dava para nadar sem medo. Sei que \u00e9 dif\u00edcil voltar a ser o que era, mas \u00e9 o que busco. A ecobarreira s\u00f3 remove o lixo, ent\u00e3o a \u00e1gua segue polu\u00edda. Mas j\u00e1 deu para notar que est\u00e1 voltando a dar peixe&#8221;, disse Saldanha.<\/p>\n<p><img src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/0e\/2017\/12\/29\/instalada-em-janeiro-de-2017-a-ecobarreira-ja-retirou-uma-tonelada-de-lixo-segundo-calculos-do-proprio-diego-1514553761400_615x300.jpg\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansado de ver garrafas pl\u00e1sticas, latas e at\u00e9 sof\u00e1s e fog\u00f5es correndo pelas \u00e1guas polu\u00eddas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77870,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",615,393,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/saldanha.jpg",450,288,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cansado de ver garrafas pl\u00e1sticas, latas e at\u00e9 sof\u00e1s e fog\u00f5es correndo pelas \u00e1guas polu\u00eddas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77869\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}