{"id":77814,"date":"2017-12-30T14:00:02","date_gmt":"2017-12-30T17:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=77814"},"modified":"2017-12-30T12:58:32","modified_gmt":"2017-12-30T15:58:32","slug":"cientistas-fazem-o-tempo-correr-ao-contrario-em-laboratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-fazem-o-tempo-correr-ao-contrario-em-laboratorio\/","title":{"rendered":"Cientistas fazem o tempo correr ao contr\u00e1rio em laborat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tempo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-77815\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tempo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tempo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/tempo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A gente n\u00e3o costuma questionar o tempo. Muito menos parar para pensar que o tempo aponta para uma dire\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Mas veja bem: o tempo como o conhecemos caminha em uma dire\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, do passado para o futuro, certo?<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div class=\"teads-ui-components-label\">Ou melhor, somos n\u00f3s que caminhamos sobre a dimens\u00e3o do tempo, sempre em dire\u00e7\u00e3o ao futuro e para longe do passado. Mas isso \u00e9 um papo para outros textos (que j\u00e1 existem aqui\u00a0<a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/questao-de-tempo\/\">no site da SUPER<\/a>). O assunto agora \u00e9 que fizemos o tempo dar r\u00e9. Conseguimos, em laborat\u00f3rio, fazer o tempo correr na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/div>\n<\/div>\n<p>Como? Vamos explicar em detalhes nos pr\u00f3ximos par\u00e1grafos. Primeiro, calma: voc\u00ea precisa ter em mente que que o tempo n\u00e3o \u00e9 um conceito concreto, pr\u00e9-existente. N\u00f3s s\u00f3 deduzimos que o tempo existe porque observamos, no Universo, as coisas mudando a partir de uma condi\u00e7\u00e3o inicial. O ponto zero da sua vida \u00e9 seu nascimento, e o tempo se desloca na dire\u00e7\u00e3o do seu envelhecimento. A mesma coisa acontece com o Universo, para o qual o ponto zero \u00e9 o Big Bang.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o precisava, necessariamente, ser assim. O tempo poderia se mover na dire\u00e7\u00e3o oposta. Ou ent\u00e3o ir e voltar, sem ter que se comprometer a ser uma via de m\u00e3o \u00fanica. H\u00e1 inclusive quem defenda que, quando nosso Universo nasceu,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencealert.com\/scientists-propose-a-mirror-universe-where-time-moves-backwards\">surgiu tamb\u00e9m um Universo g\u00eameo invertido, onde o tempo corre ao contr\u00e1rio.<\/a><\/p>\n<p>O estudo que fez o tempo andar para tr\u00e1s n\u00e3o falava de nada disso. O tema dele era energia. Isso porque uma das formas de definir a dire\u00e7\u00e3o que o tempo corre, segundo a ci\u00eancia, \u00e9 olhar para a forma como a energia se movimenta no nosso Universo.<\/p>\n<p>Esse movimento, voc\u00ea sabe, t\u00eam regras. Pense nas leis da termodin\u00e2mica: uma x\u00edcara de ch\u00e1 quente, no meio de uma sala fria, s\u00f3 pode esfriar, perdendo calor para o ambiente. Voc\u00ea jamais vai ver a x\u00edcara esquentar mais, roubando calor da sala. A tend\u00eancia inexor\u00e1vel de um objeto quente \u00e9 esfriar.<\/p>\n<p>O fluxo de energia, nesse sentido, tamb\u00e9m \u00e9 de m\u00e3o \u00fanica, t\u00e3o irrevers\u00edvel quanto a passagem do passado ao futuro. Na pr\u00e1tica, ent\u00e3o, o fluxo de energia\u00a0<i>\u00e9 o tempo<\/i>, ou o que os cientistas chamam de \u201cflecha do tempo\u201d (flecha porque a ponta aponta para um lado s\u00f3, com o perd\u00e3o da piada de Tio do Pav\u00ea).<\/p>\n<p>Ufa. Agora que chegamos at\u00e9 aqui, podemos finalmente falar da descoberta. O estudo foi feito com uma mol\u00e9cula extremamente banal: o clorof\u00f3rmio, aquele mesmo dos filmes de sequestro. Ele \u00e9 composto por um \u00e1tomo de carbono, ligado a um de hidrog\u00eanio e tr\u00eas \u00e1tomos de cloro.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo dos cientistas foi manipular esses \u00e1tomos um por um. Para isso, a mol\u00e9cula foi colocada em acetona e um campo magn\u00e9tico fort\u00edssimo alinhou cada um dos n\u00facleos desses \u00e1tomos. E a\u00ed, lentamente, os pesquisadores aumentaram a temperatura em alguns dos n\u00facleos usando resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nuclear.<\/p>\n<p>Voltando ao nosso exemplo da termodin\u00e2mica, conforme um n\u00facleo esquenta, ele deveria transferir energia para os seus vizinhos mais frios at\u00e9 que todas as part\u00edculas estivessem na mesma temperatura, certo? Assim, estariam seguindo a flecha do tempo, na dire\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Mas estamos falando de part\u00edculas. E entra a\u00ed o maravilhoso mundo da f\u00edsica qu\u00e2ntica. Durante os testes, os pesquisadores manipularam as part\u00edculas para conseguir que elas se correlacionassem. A forma mais famosa (mas n\u00e3o a \u00fanica!) de correla\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica \u00e9 o entrela\u00e7amento (<a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/historia\/mexeu-aqui-mudou-ali\/\">leia mais sobre ele aqui<\/a>) no qual se criam duas part\u00edculas \u201cg\u00eameas\u201d, uma capaz de refletir a perturba\u00e7\u00e3o que a outra recebe, mesmo que cada uma esteja em um canto diferente do Universo.<\/p>\n<p>Quando a correla\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica entrou em jogo, os cientistas viram as regras mudarem. As part\u00edculas nos n\u00facleos de hidrog\u00eanio, quando aquecidas, ficavam progressivamente mais quentes. As do n\u00facleo de carbono, progressivamente mais frias. \u00c9 como se nossa x\u00edcara do nosso exemplo continuasse a aquecer, gra\u00e7as ao calor fornecido pela mesa fria, que fica cada vez mais gelada.<\/p>\n<p>Em uma escala min\u00fascula, portanto, invertemos a flecha do tempo. O calor caminhou ao contr\u00e1rio, fluindo espontaneamente do sistema mais frio para o mais quente, o que n\u00e3o faz sentido algum no mundo macrosc\u00f3pico. E assim, do ponto de vista da energia, o tempo andou para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ainda falta entendermos muita coisa sobre o que acontece no misterioso estado qu\u00e2ntico \u2013 e como ele se relaciona com as regras do nosso mundo macrosc\u00f3pico, como as que governam calor e energia em geral. O estudo (que est\u00e1 dispon\u00edvel pr\u00e9-publica\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1711.03323\"><i>arXiv.org<\/i><\/a>) traz uma contribui\u00e7\u00e3o curiosa exatamente para esse campo, mostrando como o mundo das part\u00edculas \u201creinterpreta\u201d a termodin\u00e2mica como a conhecemos.<\/p>\n<p>Mas, quando colocamos o fator tempo na hist\u00f3ria, a coisa ganha um significado ainda maior \u2013 e certamente mais filos\u00f3fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gente n\u00e3o costuma questionar o tempo. 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