{"id":77598,"date":"2017-12-26T15:00:52","date_gmt":"2017-12-26T18:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=77598"},"modified":"2017-12-26T08:15:26","modified_gmt":"2017-12-26T11:15:26","slug":"alerta-animais-ingerem-de-anzol-a-teclado-de-computador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alerta-animais-ingerem-de-anzol-a-teclado-de-computador\/","title":{"rendered":"Alerta: animais ingerem de anzol a teclado de computador"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-77599\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Um fio de l\u00e1grima descia pelos olhos da psic\u00f3loga Larissa Koeskes Pereira enquanto sua cachorra era levada para a sala de cirurgia. Dois dias antes, Mila, a yorkshire de 1 ano e 6 meses, tinha engolido um \u00edm\u00e3 amarelo de um mural de fotos. Na cl\u00ednica veterin\u00e1ria Animal Place, no Parque Maria Domitila, zona Norte de S\u00e3o Paulo, uma radiografia confirmava a presen\u00e7a do corpo estranho no est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Orientada pela cl\u00ednica, a psic\u00f3loga vigiou em casa o comportamento da cachorra e investigou as fezes dela por 48 horas. Sem sinal do objeto, voltou ao local para uma interven\u00e7\u00e3o. \u201cO \u00edm\u00e3 estava embaixo da mesa, tentei tirar da boca dela, mas j\u00e1 estava na goela\u201d, recorda Larissa, inconformada consigo mesma.<\/p>\n<p>Na sala de cirurgia, a espoleta yorkshire j\u00e1 cedia \u00e0 anestesia geral. Pilotando um endosc\u00f3pio, Claudia Zanatta caminhou pelo es\u00f4fago e insuflou o est\u00f4mago.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para surgir na tela um pequeno disco preto. A veterin\u00e1ria continuou a pesquisa. Um pouco mais para a esquerda apareceu uma capinha amarela, que tamb\u00e9m boiava no suco g\u00e1strico.<\/p>\n<p>Ela inseriu pelo tubo uma pin\u00e7a com um cestinho de silicone, habilmente abarcou os dois objetos e os trouxe de volta goela afora. Colocou ambos num envelope pl\u00e1stico. J\u00e1 podiam chamar a tutora.<\/p>\n<p>\u201cO im\u00e3 talvez sa\u00edsse pelo intestino, mas a capinha amarela n\u00e3o passaria pelo piloro, esf\u00edncter que separa o est\u00f4mago do duodeno\u201d, diz a endoscopista. Isso poderia causar obstru\u00e7\u00e3o do bolo alimentar e provocar v\u00f4mitos.<\/p>\n<p>Larissa beijava uma Mila ainda inerte. \u201c\u00c9 s\u00f3 sair de casa, n\u00e9, filha? N\u00e3o vai mais sair agora\u201d, maternava.<\/p>\n<p>O evento tinha acontecido na casa da av\u00f3 de Larissa, onde um sobrinho dela havia atirado o \u00edm\u00e3 no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Na sala de cirurgia, a yorkshire abriu um olho e fechou. Em breve voltaria ao lar.<\/p>\n<p>A ingest\u00e3o de corpos estranhos \u00e9 fato relativamente corriqueiro nos hospitais veterin\u00e1rios. Filhotes s\u00e3o os mais arteiros. N\u00e3o s\u00f3 pela curiosidade, mas porque querem aliviar algum inc\u00f4modo com o nascimento dos dentes.<\/p>\n<p>Se for um golden retriever, labrador, bull terrier, boxer, dachshund ou beagle, a aten\u00e7\u00e3o deve ser redobrada. S\u00e3o ra\u00e7as que ocupam o topo da lista dos que incluem objetos no card\u00e1pio. Mas pode se tratar tamb\u00e9m de uma compuls\u00e3o, e a\u00ed \u00e9 preciso acompanhar de perto o dia a dia do animal para tentar descobrir o que estaria estimulando o desvio de comportamento.<\/p>\n<p><strong>Risco<\/strong><\/p>\n<p>Claudia j\u00e1 desligava o monitor e fechava as maletas com cinco tubos de tamanhos variados e outro tanto de acess\u00f3rios \u2013o pr\u00f3ximo atendimento estava a 25 quil\u00f4metros dali, no Ipiranga, zona Sul, onde um beagle teria engolido a boca de uma garrafa PET e vomitado 15 vezes desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>No celular dela, a imagem do raio-X enviada pela cl\u00ednica n\u00e3o mostrava claramente a localiza\u00e7\u00e3o do corpo estranho. \u201cUm dos casos mais graves \u00e9 quando o objeto para no es\u00f4fago\u201d, explica Zanatta, enquanto dirigia pela marginal Tiet\u00ea, no\u00a0<em>rush<\/em>, sob a press\u00e3o das chamadas do celular e acompanhada pela rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed talvez precise abrir o t\u00f3rax do animal, uma cirurgia de alto risco\u201d, completou.<\/p>\n<p>\u00c9 o que pode acontecer se um cachorro comer osso de galinha, por exemplo. As pontas agem como travas, prendendo-se \u00e0s paredes do \u00f3rg\u00e3o. O tecido pode necrosar e rasgar se o entrave n\u00e3o for tirado a tempo.<\/p>\n<p>Osso de galinha e de costela s\u00e3o um cl\u00e1ssico no mundo dos corpos estranhos em c\u00e3es. Menos comuns, mas cada vez mais frequentes s\u00e3o objetos que os tutores deixam \u00e0 merc\u00ea da curiosidade, da gula e da ansiedade dos animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Zanatta coleciona casos de moedas, an\u00e9is, tampinhas de garrafa, chupetas, agulhas, colheres. \u201cJ\u00e1 retirei treze moedas e dois an\u00e9is de um golden retriever\u201d, lembra.<\/p>\n<p>No dia anterior, havia pescado do est\u00f4mago de um SRD um absorvente, item bastante ticado pelos endoscopistas, al\u00e9m de meias, lingerie, pedras e caro\u00e7os de frutas.<\/p>\n<p>Da lista de objetos mais ex\u00f3ticos colhidos por Zanatta consta um teclado de borracha, engolido em peda\u00e7os por um c\u00e3o. Por uma hora e meia, ela retirou um abeced\u00e1rio, n\u00fameros, acentos, um Delete, um Return e um Shift.<\/p>\n<p>\u201cUma cirurgia de abd\u00f4men daria conta mais rapidamente, mas a vantagem da endoscopia \u00e9 que o processo \u00e9 minimamente invasivo, sem risco de infec\u00e7\u00e3o, e o animal pode voltar para casa assim que se recuperar da anestesia\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Debutante<\/strong><\/p>\n<p>Rejane D\u00e9cio Belloli descobriu na ra\u00e7a que Gaya estava no rol dos c\u00e3es mais gulosos.<\/p>\n<p>Aos 3 meses, a bull terrier de focinho rosa passou por sua primeira gastrotomia (cirurgia de est\u00f4mago). Dela saiu um bolol\u00f4 indistingu\u00edvel num primeiro momento, mas que depois se revelou um emaranhado de pelo e cabelo envolvendo arame, peda\u00e7o de chinelo, uma colher de pl\u00e1stico e um canudo. Onze dias depois, ainda com os pontos no est\u00f4mago, Gaya se submetia a uma endoscopia, desta vez para extrair tiras de uma Havaianas e mais pelo.<\/p>\n<p>Na Cl\u00ednica Evet, no Alto da Lapa, a cachorra passaria por mais duas endoscopias e outra gastrotomia. Acharam gomos de bola de futebol, nacos de coco, peda\u00e7os de mangueira e a pulseira de um rel\u00f3gio.<\/p>\n<div id=\"attachment_703609\" class=\"wp-caption aligncenter\">Folheando um livro em ingl\u00eas, a veterin\u00e1ria Let\u00edcia Hebling seleciona o verbete \u201cPica\u201d. Trata-se de uma s\u00edndrome cujo principal sintoma \u00e9 a compuls\u00e3o por comer coisas n\u00e3o aliment\u00edcias. \u201c\u00c9 um comportamento muito ligado \u00e0 ansiedade que, em alguns casos, pode estar por tr\u00e1s da ingest\u00e3o cont\u00ednua de corpos estranhos\u201d, explica a m\u00e9dica.<\/div>\n<p>Hebling trabalha na cl\u00ednica PoliVet, em Rio Claro (a 175 km de S\u00e3o Paulo). Ela lembra que os principais sintomas da presen\u00e7a de corpo estranho no animal s\u00e3o prostra\u00e7\u00e3o, v\u00f4mitos, falta de apetite, diarreia e abd\u00f4men endurecido.<\/p>\n<p>A golden retriever Hannah foi uma de suas pacientes. Aos 5 meses, engoliu um pano de ch\u00e3o. Os guardi\u00e3os, cientes dos riscos de obstru\u00e7\u00e3o do intestino, esperaram alguns dias para ver se o pano seria expelido. Tamb\u00e9m estavam atentos ao pre\u00e7o da \u201cbrincadeira\u201d.<\/p>\n<p>Contando com a anestesia, uma cirurgia do g\u00eanero gira em torno de R$ 1.500; a endoscopia vai de R$ 1.000 a R$ 4.000. Mas \u00e9 preciso acrescentar \u00e0 primeira o tempo de interna\u00e7\u00e3o, que pode chegar a R$ 1.000 por dia.<\/p>\n<p>Como o quadro n\u00e3o se alterou, restou operar. Momentos antes, ela vomitou o tecido na sala de cirurgia \u2013quase engolia de novo, n\u00e3o tivessem tirado o pano de perto.<\/p>\n<p>Um dos casos mais graves de Hebling foi o de outra Hanna, uma labradora, que em abril comeu quatro anz\u00f3is.<\/p>\n<p>Paola Ferreira Costa, a tutora, conta que o pai dela estava pescando quando a cachorra os engoliu. A radiografia mostrou os anz\u00f3is no es\u00f4fago.<\/p>\n<p>Diante da aus\u00eancia de um endoscopista na cl\u00ednica \u2013esse profissional costuma ser requisitado avulsamente\u2013, Paola foi para Campinas, onde o endoscopista Rog\u00e9rio Akio Nishimaru extraiu dois ganchos e empurrou os demais para o est\u00f4mago.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria endoscopia, por\u00e9m, acabou por dar conta tamb\u00e9m dos anz\u00f3is restantes, que por sorte n\u00e3o haviam se agarrado \u00e0 parede do \u00f3rg\u00e3o. \u201cN\u00e3o deixamos mais nada com ponta ou coisa parecida perto dela\u201d, diz Paola, que tamb\u00e9m tem um c\u00e3o sem ra\u00e7a definida.<\/p>\n<p>Hebling diz que, \u00e0s vezes, o animal engole um objeto grande e inteiro \u2013o n\u00f3 de um osso de couro, por exemplo\u2013 para ganhar a disputa com outros \u00e0 volta. Tamb\u00e9m pode n\u00e3o querer devolver ao tutor aquilo que entende como seu.<\/p>\n<p>Os gatos seriam mais seletivos, dizem os veterin\u00e1rios. Ainda assim, o h\u00e1bito de perseguir linhas pode culminar com uma agulha na ponta.<\/p>\n<p><strong>Est\u00edmulo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 parte acidentes de percurso, \u00e9 consenso entre os especialistas que os animais dom\u00e9sticos necessitam de est\u00edmulo e condi\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am seu desenvolvimento e sua sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso passear com o animal para que gaste energia, oferecer brinquedos adequados, criar um ambiente pr\u00f3prio a cada ra\u00e7a e idade, perceber se o c\u00e3o est\u00e1 sofrendo de ansiedade por estar sozinho\u201d, explica Zanatta, que enfim chega ao Ipiranga, na cl\u00ednica Animal Care.<\/p>\n<p>O beagle Kripto, de 1 ano e 3 meses, se aconchega no colo da anestesista. Parece abatido. A endoscopista encontra gr\u00e3os de arroz no est\u00f4mago, al\u00e9m de pelo e uma diminuta etiqueta de pl\u00e1stico, com um barbante na ponta. Da boca da garrafa PET, nenhum sinal.<\/p>\n<p>Na sala de espera, m\u00e3e e filho aguardavam o resultado da endoscopia de Kripto.<\/p>\n<p>Durvalina Antonia da Silva explica que o beagle n\u00e3o teria exatamente comido a tampa da PET, e sim mordiscado o pl\u00e1stico. Para Zanatta, a etiqueta encontrada talvez tivesse irritado o sistema digest\u00f3rio, talvez n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO prazer dele \u00e9 destruir e engolir tudo\u201d, admite Leonardo Vicente. \u201cMas eu adoro esse ritmo brincalh\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Krypto (com \u201cy\u201d) \u00e9 o nome do cachorro do Super-Homem. Em uma das vers\u00f5es da hist\u00f3ria, o animal \u00e9 afetado por uma kriptonita dourada. Transforma-se num c\u00e3o comum \u2013e, como tal, perigosamente vulner\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um fio de l\u00e1grima descia pelos olhos da psic\u00f3loga Larissa Koeskes Pereira enquanto sua cachorra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":77599,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/cao-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um fio de l\u00e1grima descia pelos olhos da psic\u00f3loga Larissa Koeskes Pereira enquanto sua cachorra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77598"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77598\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}