{"id":77552,"date":"2017-12-23T17:31:43","date_gmt":"2017-12-23T20:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=77552"},"modified":"2017-12-23T17:32:17","modified_gmt":"2017-12-23T20:32:17","slug":"arvore-de-natal-de-9-metros-feita-de-lixo-encontrado-em-praias-decora-ubatuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/arvore-de-natal-de-9-metros-feita-de-lixo-encontrado-em-praias-decora-ubatuba\/","title":{"rendered":"\u00c1rvore de Natal de 9 metros, feita de lixo encontrado em praias, &#8216;decora&#8217; Ubatuba"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/media.metrolatam.com\/2017\/12\/23\/arvorelixo-0be5b27a900edb8c729a811d752af962-1200x600.jpg\" alt=\"\u00c1rvore de Natal de 9 metros, feita de lixo encontrado em praias, 'decora' Ubatuba\" width=\"639\" height=\"320\" \/><\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Neste ano, a \u00e1rvore de Natal de Ubatuba n\u00e3o tem tronco, mas um poste. Tamb\u00e9m n\u00e3o tem folhas \u2013 s\u00e3o redes de pesca que lhe d\u00e3o a estrutura. Tampouco tem papais no\u00e9is, bonecos de neve, renas, estrelas ou outros enfeites t\u00edpicos. Mas tem chinelos, baldinhos, canudinhos, embalagens de alimentos, copos, garrafas pet, apetrechos de pesca. A exce\u00e7\u00e3o natalina s\u00e3o as bolinhas. Essas n\u00e3o faltam, e s\u00e3o muitas. Tudo oferenda devolvida pelo mar ao longo do ano.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">A obra foi elaborada pelas equipes do Aqu\u00e1rio de Ubatuba, do Instituto Argonauta e do Projeto Tamar como um alerta sobre o problema do lixo, em especial do pl\u00e1stico, no mar. Todo o material usado na decora\u00e7\u00e3o foi coletado nas praias do litoral norte paulista, como parte de um trabalho de monitoramento que busca entender a quantidade e a qualidade desse lixo.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">As bolinhas d\u00e3o o toque que faltava. Elas v\u00eam de um dos 46 cont\u00eaineres de um navio, lan\u00e7ados ao mar durante forte ressaca no Porto de Santos em agosto. Nas semanas seguintes, come\u00e7aram a aparecer nas praias do litoral norte e at\u00e9 hoje d\u00e3o o ar da gra\u00e7a. Na \u00faltima contagem, dia 16, somavam mais de 3,2 mil.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">N\u00e3o se tem ideia de quantas ainda est\u00e3o no mar ou podem ter parado nos est\u00f4magos de animais. \u00c9 um tipo de acidente com o qual os bi\u00f3logos j\u00e1 se habituaram a ver pela regi\u00e3o. \u00c9 o caso do golfinho que apareceu morto, boiando na praia, com um chinelo de borracha preso na boca. Ou o peixe-espada que ficou com a boca enroscada num carretel de linha de pesca, acabou morrendo de fome e hoje est\u00e1 exposto no aqu\u00e1rio como um alerta. &#8220;Um pinguim achado em janeiro estava enrolado em um ramalhete de flor. J\u00e1 encontramos tartarugas com mais de 25 bexigas no est\u00f4mago&#8221;, conta a bi\u00f3loga Carla Beatriz Barbosa, do Instituto Argonaura.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">A \u00e1rvore de Natal chama aten\u00e7\u00e3o para um problema que mereceu destaque em confer\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) este ano. A ONU estima que 8 milh\u00f5es de toneladas de lixo pl\u00e1stico entrem por ano nos oceanos, que de 60% a 80% do lixo nos oceanos seja pl\u00e1stico, e que at\u00e9 2050 possa haver mais pl\u00e1stico do que peixes no mar.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Isso traz preju\u00edzo n\u00e3o s\u00f3 para a biodiversidade, mas para a sa\u00fade das pessoas \u2013 pesticidas e outras toxinas podem aderir aos micropl\u00e1sticos e ser consumidas por organismos marinhos, caindo na cadeia alimentar at\u00e9 chegar ao homem \u2013 e para a pr\u00f3pria economia, diante dos gastos com limpeza das praias.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Na ONU, governos, empresas, sociedade civil fizeram uma s\u00e9rie de compromissos. Se todos forem atendidos, 480 mil quil\u00f4metros (ou cerca de 30%) das costas litor\u00e2neas ser\u00e3o limpas. No documento final, 193 pa\u00edses, incluindo o Brasil, se comprometeram a eliminar os micropl\u00e1sticos dos oceanos e adotar a\u00e7\u00f5es para prevenir e reduzir a polui\u00e7\u00e3o marinha at\u00e9 2025.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Internamente, o Pa\u00eds ainda precisa conhecer o tamanho de seu desafio. Um trabalho publicado na revista Science em 2015 por pesquisadores dos Estados Unidos e da Austr\u00e1lia colocou o Brasil como o 16.\u00ba pa\u00eds com maior quantidade de pl\u00e1stico que entra nos oceanos por lixo gerado em terra \u2013 \u00e0 frente dos EUA (20.\u00ba). A China est\u00e1 em primeiro lugar neste ranking.<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\"><b>Imprecis\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Faltam, por\u00e9m, estudos que apontem com precis\u00e3o quanto lixo e de que tipo chega nos nossos mares e como isso est\u00e1 variando ano a ano. Um dos principais trabalhos foi conduzido pelo bi\u00f3logo Alexander Turra, da USP, com a organiza\u00e7\u00e3o Plastivida, que monitorou por quatro anos praias do Nordeste e do Sudeste para checar a ocorr\u00eancia de macrolixo e o ac\u00famulo dos chamados pellets (pequenos gr\u00e3os de resinas termopl\u00e1sticas, mat\u00e9ria-prima da maior parte dos produtos usados no mercado).<\/p>\n<p class=\"selectionShareable\">Da 1,4 tonelada de material coletado em dois anos, a maior parte no Sudeste, 94% eram itens pl\u00e1sticos. Enquanto no Nordeste h\u00e1 muita embalagem de comida, fragmentos n\u00e3o identificados e tampinhas, no Sudeste h\u00e1 de tudo um pouco, de peda\u00e7os de isopor a bitucas e hastes flex\u00edveis.<\/p>\n<h4><strong>Veja abaixo:<\/strong><\/h4>\n<div class=\"wrap-at-margin-left col-md-7 col-sm-7 col-xs-12\"><img loading=\"lazy\" class=\"img img-responsive image-medium\" src=\"https:\/\/media.metrolatam.com\/2017\/12\/23\/arvore-5594cf402ebcb0955ee98fd106a3c3c8-1200x0.jpg\" alt=\"\u00e1rvore lixo Ubatuba\" width=\"637\" height=\"849\" \/><span class=\"pie-foto\">Divulga\u00e7\u00e3o\/Aqu\u00e1rio de Ubatuba<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, a \u00e1rvore de Natal de Ubatuba n\u00e3o tem tronco, mas um poste. 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