{"id":7641,"date":"2014-09-29T18:00:35","date_gmt":"2014-09-29T18:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7641"},"modified":"2014-09-29T13:46:45","modified_gmt":"2014-09-29T13:46:45","slug":"por-que-tanto-descaso-com-as-unidades-de-conservacao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-tanto-descaso-com-as-unidades-de-conservacao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que tanto descaso com as unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7642\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Entre 2005 e 2008, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) autorizou diversos desmatamentos nas chapadas em torno do Parque Estadual Veredas do Perua\u00e7u para plantios de eucalipto. As autoriza\u00e7\u00f5es foram dadas sem estudos ambientais que identificassem poss\u00edveis impactos \u00e0 unidade de conserva\u00e7\u00e3o. Os propriet\u00e1rios dos plantios s\u00e3o conhecidos na regi\u00e3o como \u201cpaulistas\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Passados menos de 10 anos, as nascentes do Rio Perua\u00e7u, completamente protegidas por densas e extensas florestas de buritis e pinda\u00edbas, habitadas por bandos de araras e papagaios verdadeiros, est\u00e3o secando. Em fun\u00e7\u00e3o de den\u00fancias recebidas pela Amda, equipes t\u00e9cnicas da Semad e do Igam realizaram vistoria no local em abril deste ano. E os laudos apontam para uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o desmatamento, os plantios e a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos que abastecem as nascentes.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">As chapadas s\u00e3o \u00e1reas de recarga, ou seja, nelas as \u00e1guas da chuva se infiltram e alimentam os len\u00e7\u00f3is, que, por sua vez, alimentam as nascentes do Rio Perua\u00e7u. Os laudos recomendam que n\u00e3o sejam \u201cliberadas novas \u00e1reas para usos alternativos do solo quando n\u00e3o precedidos de estudos e monitoramento de rebaixamento do n\u00edvel dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos\u201d. De acordo com a equipe t\u00e9cnica respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o, o consumo de \u00e1gua na parte baixa do rio tamb\u00e9m \u00e9 muito significativo, pois existem centenas de po\u00e7os tubulares que servem a comunidades da regi\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Perua\u00e7u, \u00faltimo afluente mineiro \u00e0 margem esquerda do Rio S\u00e3o Francisco, s\u00f3 n\u00e3o secou porque est\u00e1 sendo alimentado pelo Ribeir\u00e3o Forquilhas. Al\u00e9m de fornecer \u00e1gua a diversas comunidades, ele atravessa o fant\u00e1stico complexo de grutas do Parque Nacional Cavernas do Perua\u00e7u, sendo vital para o equil\u00edbrio do mesmo. Os dois parques abrigam esp\u00e9cies da fauna que praticamente desapareceram do territ\u00f3rio mineiro, como queixadas, on\u00e7as pintadas, cervo-do-pantanal, cachorro-do-mato-vinagre e in\u00fameras outras tamb\u00e9m j\u00e1 bastante raras &#8211; sucuri, araras, \u00e1guias, lobo-guar\u00e1, on\u00e7a-parda, tamandu\u00e1-bandeira, tatu-canastra, anta e centenas de esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">No entanto, h\u00e1 alguns outros aspectos em rela\u00e7\u00e3o ao problema que vale mencionar. Primeiramente, os pontuais. Ou seja, os impactos e riscos que correm toda a riqueza biol\u00f3gica e paisag\u00edstica da bacia do Rio Perua\u00e7u. Os plantios de eucalipto e outras monoculturas n\u00e3o est\u00e3o causando impactos somente nas \u00e1guas, pois amea\u00e7am a integridade das duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podem ser ilhadas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O segundo aspecto \u00e9 a concess\u00e3o das autoriza\u00e7\u00f5es dadas pelo IEF sem qualquer estudo, mesmo sendo ele o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do Parque Estadual Veredas do Perua\u00e7u. O ato revela incoer\u00eancia, irresponsabilidade, incompet\u00eancia e descaso com a prote\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea t\u00e3o importante em termos ambientais, e soma-se a outros milhares de exemplos do que todos n\u00f3s sabemos: Minas nunca teve um governo capaz de cuidar realmente dos poucos ambientes naturais que restaram em seu territ\u00f3rio; de tratar com seriedade a prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">E as perguntas s\u00e3o sempre as mesmas: como justificar a substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa por plantios de qualquer natureza, com tanta terra desmatada? Para que o governo pagou \u00e0 Universidade Federal de Lavras (Ufla) para fazer o Zoneamento Econ\u00f4mico e Ecol\u00f3gico do estado se ele n\u00e3o \u00e9 utilizado para proteger as \u00e1reas fr\u00e1geis e importantes nele indicadas? Por que tanto descaso com as unidades de conserva\u00e7\u00e3o?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A amplia\u00e7\u00e3o do Parque Estadual Veredas do Perua\u00e7u, cercado por latif\u00fandios, \u00e9 uma das muitas promessas n\u00e3o cumpridas que ouvimos dos \u00faltimos governos. Vamos continuar tentando, \u00e9 claro. Mas haja paci\u00eancia, esperan\u00e7a e calma para aguentar tanta politicagem ambiental.\u00a0 <\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Entre 2005 e 2008, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) autorizou diversos desmatamentos nas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/peruacu-tvebrasil.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&nbsp; Entre 2005 e 2008, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) autorizou diversos desmatamentos nas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7641\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}