{"id":7611,"date":"2014-09-28T21:14:51","date_gmt":"2014-09-28T21:14:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7611"},"modified":"2014-09-28T21:15:43","modified_gmt":"2014-09-28T21:15:43","slug":"o-brasil-na-contramao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-brasil-na-contramao\/","title":{"rendered":"O Brasil na contram\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Marcio Santilli, do ISA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/dscn1051_20090819.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-121819\" title=\"O Brasil na contram\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/dscn1051_20090819.jpg\" alt=\"dscn1051 20090819 O Brasil na contram\u00e3o\" width=\"640\" height=\"468\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No momento em que se intensificam as negocia\u00e7\u00f5es internacionais sobre a mudan\u00e7a do clima, o Brasil retoma a velha diplomacia defensiva, se recusa a renovar compromissos com a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e aumenta as suas emiss\u00f5es de gases do efeito estufa em 2013, ap\u00f3s um per\u00edodo de sete anos em que havia conseguido reduzi-las.<\/p>\n<p>O mundo espera que os governos cheguem a um acordo para iniciar um processo de redu\u00e7\u00e3o global nas emiss\u00f5es desses gases, at\u00e9 o final de 2015, quando se realizar\u00e1 uma confer\u00eancia da ONU, em Paris, com a presen\u00e7a de chefes de Estado. At\u00e9 mar\u00e7o, os pa\u00edses dever\u00e3o apresentar perante a ONU os seus documentos oficiais reportando o que pretendem fazer para garantir que essa redu\u00e7\u00e3o global ocorra. O(A) presidente(a) que ser\u00e1 eleito(a) no pr\u00f3ximo m\u00eas e empossado(a) em janeiro, ter\u00e1 pouco tempo para definir a posi\u00e7\u00e3o brasileira a respeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de qualquer assunto, pois a mudan\u00e7a do clima constitui a maior amea\u00e7a produzida pela humanidade contra ela mesma e contra a pr\u00f3pria possibilidade de vida na Terra. A concentra\u00e7\u00e3o crescente dos gases de efeito estufa na atmosfera est\u00e1 provocando o r\u00e1pido aumento da temperatura na superf\u00edcie do planeta, com o derretimento das geleiras nos polos e nas regi\u00f5es de altitude, o aumento dos n\u00edveis dos oceanos, altera\u00e7\u00f5es nos regimes de chuva e tempestades catastr\u00f3ficas em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, anunciando muito sofrimento, preju\u00edzos econ\u00f4micos gigantes e pior qualidade de vida para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel adiar as provid\u00eancias de todos os pa\u00edses para diminuir a polui\u00e7\u00e3o provocada pelas ind\u00fastrias, pela profus\u00e3o de ve\u00edculos automotores e pelo consumo excessivo de energias f\u00f3sseis, como o carv\u00e3o, o petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural, que produzem cerca de 80% das emiss\u00f5es de gases estufa. Mas tamb\u00e9m contribui para agravar o problema o desmatamento e o uso inadequado das terras, que provocam a maior parte das emiss\u00f5es brasileiras e cuja redu\u00e7\u00e3o constitui a maior e mais urgente contribui\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds pode dar para se evitar mudan\u00e7as mais dr\u00e1sticas do clima.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em 2013, o desmatamento aumentou 29% na Amaz\u00f4nia e n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que voltar\u00e1 a cair em 2014. Ao contr\u00e1rio, dados preliminares do INPE indicam at\u00e9 a possibilidade de um novo crescimento, coerente com a alta observada tamb\u00e9m no desmatamento em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica. Ainda que a taxa amaz\u00f4nica em 2014 permane\u00e7a nos n\u00edveis de 2013, estar\u00e1 se caracterizando que as emiss\u00f5es florestais brasileiras subiram para um novo patamar. N\u00e3o se trata de uma retomada dos escandalosos picos de desmatamento ocorridos entre 1995 e 2005, mas tampouco de um \u201caumentozinho\u201d, como disse a presidente Dilma Rousseff em confer\u00eancia da ONU ocorrida nessa semana, ou de um \u201cponto fora da curva\u201d, como acreditava a ministra do meio ambiente.<\/p>\n<p>Pior: apesar de dispor de uma matriz energ\u00e9tica considerada relativamente limpa, se comparada com a depend\u00eancia de carv\u00e3o e de petr\u00f3leo de v\u00e1rias das grandes economias mundiais, ela est\u00e1 se sujando rapidamente atrav\u00e9s do uso intensivo de termoel\u00e9tricas devido aos efeitos da pr\u00f3pria crise clim\u00e1tica sobre os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas, do aumento exponencial da frota automotora movida a petr\u00f3leo, tendo como pano de fundo a fal\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o de etanol e a emerg\u00eancia do Pr\u00e9-Sal como refer\u00eancia estrat\u00e9gica do setor energ\u00e9tico, numa inflex\u00e3o carbon\u00edfera das pol\u00edticas de governo.<\/p>\n<p>Significa dizer que ap\u00f3s a contribui\u00e7\u00e3o not\u00e1vel em reduzir o desmatamento e as suas emiss\u00f5es de gases estufa entre 2006-12, o Brasil voltou a aumenta-las, sem que disponha de alternativas estrat\u00e9gicas de pol\u00edtica energ\u00e9tica para reverter essa situa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. E isto ocorre quando outros grandes emissores desses gases, como a China e os Estados Unidos, al\u00e9m de v\u00e1rios pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, v\u00e3o avan\u00e7ando nas mudan\u00e7as de suas matrizes energ\u00e9ticas e criando condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas objetivas para reduzir as suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Infelizmente, o Brasil vai perdendo a condi\u00e7\u00e3o de protagonista que havia conquistado em tempos recentes no \u00e2mbito dessas negocia\u00e7\u00f5es internacionais. Estamos entrando na sua fase decisiva pela contram\u00e3o, refor\u00e7ando as piores posi\u00e7\u00f5es e funcionando como freio para as mudan\u00e7as que a humanidade exige e que n\u00e3o podem mais esperar. Mas tomara que as elei\u00e7\u00f5es gerais possam gerar outro clima, de seriedade e de engajamento do governo brasileiro nos esfor\u00e7os que mais interessam aos nossos filhos.<\/p>\n<p><em>Fonte: site I<a href=\"http:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/blog\/blog-do-isa\/o-brasil-na-contramao\" target=\"_blank\">nstituto Socioambiental<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcio Santilli, do ISA &nbsp; No momento em que se intensificam as negocia\u00e7\u00f5es internacionais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Marcio Santilli, do ISA &nbsp; No momento em que se intensificam as negocia\u00e7\u00f5es internacionais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7611"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}