{"id":7534,"date":"2014-09-27T20:01:30","date_gmt":"2014-09-27T20:01:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7534"},"modified":"2014-09-27T20:01:30","modified_gmt":"2014-09-27T20:01:30","slug":"instituto-nacional-de-pesquisas-espaciais-revela-novos-dados-sobre-devastacao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/instituto-nacional-de-pesquisas-espaciais-revela-novos-dados-sobre-devastacao-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais revela novos dados sobre devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/devastacao_amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7535\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/devastacao_amazonia.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Aos desmatadores de plant\u00e3o, um alerta: os sat\u00e9lites est\u00e3o de olho. Todos os anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revela dados sobre o estado de devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Em agosto \u00faltimo, foram divulgadas novas informa\u00e7\u00f5es sobre \u00e1reas florestais em processo de degrada\u00e7\u00e3o \u2013 situa\u00e7\u00e3o em que a mata \u00e9 parcialmente destru\u00edda. Embora os n\u00fameros mostrem tend\u00eancia de queda, as estat\u00edsticas ainda sugerem preocupa\u00e7\u00e3o: de 2007 a 2013, a m\u00e9dia foi de 14 mil km<sup>2<\/sup> de \u00e1reas degradadas ao ano.<\/p>\n<p>Um dos principais programas de inspe\u00e7\u00e3o florestal do Inpe \u00e9 o <span class=\"link-external\">Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica Brasileira por Sat\u00e9lite<\/span> (Prodes). Esse programa, no entanto, tem uma limita\u00e7\u00e3o. Em sua metodologia, o processamento das imagens de sat\u00e9lite permite aos pesquisadores reconhecer apenas duas situa\u00e7\u00f5es distintas: ou a floresta est\u00e1 intacta; ou ela est\u00e1 totalmente destru\u00edda \u2013 isto \u00e9, vitimada pelo chamado corte raso. O m\u00e9todo, que n\u00e3o deixa viva uma folha sequer, \u00e9 uma pr\u00e1tica historicamente adotada por fazendeiros de todo o Brasil.<\/p>\n<p>Acontece que existem est\u00e1gios intermedi\u00e1rios de devasta\u00e7\u00e3o florestal \u2013 nos quais a mata n\u00e3o est\u00e1 totalmente intacta e nem totalmente destru\u00edda. \u00c9 a\u00ed que entra em cena o conceito de degrada\u00e7\u00e3o. Como essas nuances n\u00e3o podem ser contabilizadas pelas an\u00e1lises do Prodes, pesquisadores do Inpe desenvolveram, em 2007, um novo sistema de monitoramento: o <span class=\"link-external\">Mapeamento da Degrada\u00e7\u00e3o Florestal na Amaz\u00f4nia Brasileira<\/span> (Degrad).<\/p>\n<p>Esse programa aproveita as mesmas imagens de sat\u00e9lite usadas no Prodes. Por\u00e9m, d\u00e1 a elas um tratamento metodol\u00f3gico diferenciado. Com o Degrad, pesquisadores conseguem identificar facilmente quais s\u00e3o as \u00e1reas onde h\u00e1 cicatrizes de inc\u00eandio ou explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de madeira \u2013 complementando assim as lacunas de monitoramento.<\/p>\n<p>Portanto, a fun\u00e7\u00e3o do Degrad \u00e9 apontar \u00e1reas que, apesar de ainda n\u00e3o totalmente devastadas, podem estar na imin\u00eancia de um processo de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, podemos entender a degrada\u00e7\u00e3o como um processo no qual a floresta \u00e9 devastada de uma maneira um tanto mais, digamos, discreta.<\/p>\n<p>\u201cNa degrada\u00e7\u00e3o florestal, a mata continua l\u00e1, mas sem a mesma exuber\u00e2ncia e com perdas significativas na biomassa original e na biodiversidade\u201d, explica o bi\u00f3logo Dalton Valeriano, do Inpe. \u201cUma floresta degradada tamb\u00e9m tem reduzida sua capacidade de prestar servi\u00e7os ambientais, como, por exemplo, manter a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de qualidade\u201d, complementa o pesquisador.<\/p>\n<p>Valeriano lembra que, tecnicamente, inc\u00eandios florestais e explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de madeira n\u00e3o s\u00e3o processos caracterizados como desmatamento, mas sim como degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Novos dados<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas anos de hiato, o Inpe voltou a divulgar os dados referentes \u00e0s an\u00e1lises do Degrad. De acordo com os n\u00fameros atualizados, foram 24.650 km<sup>2<\/sup> de \u00e1reas degradadas em 2011, 8.634 km<sup>2<\/sup> em 2012 e 5.434 km<sup>2<\/sup> em 2013. Em 2010, a degrada\u00e7\u00e3o havia atingido 7.508 km<sup>2<\/sup> de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie hist\u00f3rica ainda \u00e9 bem limitada: o levantamento s\u00f3 come\u00e7ou a ser feito em 2007. \u201cE sete anos \u00e9 um per\u00edodo muito pequeno para entendermos qualquer din\u00e2mica florestal\u201d, ressalva Valeriano. At\u00e9 o momento, observa-se tend\u00eancia de queda na degrada\u00e7\u00e3o das matas amaz\u00f4nicas, apesar do salto em alguns anos.<\/p>\n<p>\u201cEm m\u00e9dia, observamos algo pr\u00f3ximo de 14 mil km<sup>2<\/sup> de degrada\u00e7\u00e3o ao ano\u201d, diz o bi\u00f3logo do Inpe. \u201cMas, em alguns anos, passamos de 25 mil km<sup>2<\/sup>\u201d. Foi o caso de 2008 e 2011. Prov\u00e1vel motivo: 2007 e 2010 foram anos de seca na Amaz\u00f4nia. Essa condi\u00e7\u00e3o favorece a propaga\u00e7\u00e3o do fogo \u2013 um dos fatores que influencia a degrada\u00e7\u00e3o das florestas.<\/p>\n<p>Segundo o Inpe, o Degrad \u00e9 uma ferramenta importante para os \u00f3rg\u00e3os de preven\u00e7\u00e3o e combate ao desmatamento, pois permite interven\u00e7\u00f5es em \u00e1reas cuja cobertura florestal ainda n\u00e3o foi completamente suprimida e convertida em pastagens ou culturas agr\u00edcolas.<\/p>\n<h3>Contagem regressiva: CBERS-4<\/h3>\n<p>O sensoriamento remoto da Amaz\u00f4nia \u00e9 feito principalmente com imagens dos sat\u00e9lites norte-americanos Landsat, e tamb\u00e9m com contribui\u00e7\u00f5es importantes do projeto CBERS \u2013 que deu o que falar, recentemente, quando do triste epis\u00f3dio de falha no lan\u00e7amento de seu \u00faltimo modelo.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo sat\u00e9lite brasileiro, prestes a ser lan\u00e7ado, \u00e9 o CBERS-4. Ele ser\u00e1 de grande aux\u00edlio na continuidade de programas como o Prodes e o Degrad. \u201cEsse novo sat\u00e9lite ter\u00e1 \u00f3timos sensores, que ser\u00e3o bastante \u00fateis para qualquer atividade de monitoramento\u201d, comenta Valeriano. \u201cO <span class=\"link-external\">lan\u00e7amento do CBERS-4<\/span>, na China, deve acontecer ainda este ano, no in\u00edcio do m\u00eas de dezembro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos desmatadores de plant\u00e3o, um alerta: os sat\u00e9lites est\u00e3o de olho. 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