{"id":7459,"date":"2014-09-27T12:00:59","date_gmt":"2014-09-27T12:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7459"},"modified":"2014-09-26T22:35:47","modified_gmt":"2014-09-26T22:35:47","slug":"a-pior-epidemia-de-ebola-da-historia-e-so-mais-um-exemplo-de-mazelas-que-pareciam-extintas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-pior-epidemia-de-ebola-da-historia-e-so-mais-um-exemplo-de-mazelas-que-pareciam-extintas\/","title":{"rendered":"A pior epidemia de ebola da hist\u00f3ria \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo de mazelas que pareciam extintas"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7465\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>U<\/span>m passageiro de avi\u00e3o morre em pleno sagu\u00e3o do aeroporto de Lagos, cidade mais populosa da \u00c1frica e capital da Nig\u00e9ria. Nos dias seguintes, duas pessoas que tiveram contato com ele tamb\u00e9m sucumbem \u00e0 doen\u00e7a. Os tr\u00eas foram v\u00edtimas da pior epidemia de ebola da hist\u00f3ria. Na China, uma cidade inteira passou dias isolada por causa de um caso de peste bub\u00f4nica. No s\u00e9culo 14, a doen\u00e7a foi respons\u00e1vel por dizimar quase dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o da Europa. E no Afeganist\u00e3o a a\u00e7\u00e3o do grupo terrorista Talib\u00e3 \u00e9 apontada como a respons\u00e1vel pelo recrudescimento da poliomielite, que causa paralisia em crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, o mundo tem assistido \u00e0 volta do ebola e de outras doen\u00e7as que pareciam extintas. Alguns fatores explicam isso. O desmatamento, por exemplo, expulsa animais e insetos vetores de seu habitat natural para coloc\u00e1-los em contato com os humanos. Al\u00e9m disso, a urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada transformou as cidades em ambientes perfeitos para o cont\u00e1gio em massa. Sem falar nas guerras e conflitos, que for\u00e7aram o deslocamento de refugiados e tornaram grupos radicais ainda mais intolerantes \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm tempos de constante movimento das pessoas, se n\u00e3o houver vigil\u00e2ncia e monitoramento que diagnostiquem, tratem e previnam as poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de riscos das doen\u00e7as, estas permanecem end\u00eamicas, especialmente em pa\u00edses de extrema pobreza, sem controle ou recursos\u201d, afirma a infectologista e professora da Universidade Federal de Pernambuco, Sylvia Hinrichsen. Nas p\u00e1ginas a seguir, GALILEU mostra o que explica a volta de doen\u00e7as que pareciam extintas.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">EBOLA &gt;O V\u00cdRUS QUE ASSUSTA O MUNDO<br \/>\nNa pior epidemia da hist\u00f3ria, quase 2 mil pessoas foram infectadas e mais de mil morreram da doen\u00e7a que completa 38 anos<\/div>\n<\/div>\n<p>A morte do americano de origem liberiana Patrick Sawyer foi a primeira registrada por causa do ebola em Lagos, capital da Nig\u00e9ria. Quando mais duas pessoas morreram da enfermidade no pa\u00eds mais populoso da \u00c1frica e o oitavo do mundo, um alarme foi disparado: a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) declarou situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria internacional. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, em meados de agosto, o ebola havia infectado quase 2 mil pessoas em Guin\u00e9, Lib\u00e9ria, Serra Leoa e Nig\u00e9ria, deixando mais de mil mortos. Apesar de ainda estar longe de acabar, esse j\u00e1 \u00e9 tido como o pior surto da hist\u00f3ria do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Transmitida por primatas infectados por morcegos frut\u00edferos, hospedeiros do v\u00edrus, a primeira not\u00edcia que se tem do ebola \u00e9 de 1976. Ele teria aparecido no Sud\u00e3o e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC), numa regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Rio Ebola, que emprestou o nome \u00e0 doen\u00e7a. Naquele ano foram 318 casos da mol\u00e9stia com 280 pessoas mortas na RDC \u2014 taxa de letalidade de 90%. Ao mesmo tempo, na regi\u00e3o que hoje conhecemos como Sud\u00e3o do Sul, 280 pessoas foram infectadas. O saldo final foi de 156 mortos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, surtos espor\u00e1dicos do ebola s\u00e3o comuns na \u00c1frica, mas nada comparado com o que testemunhamos hoje. O que explica a gravidade da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a precariedade do sistema de sa\u00fade dos pa\u00edses afetados, rec\u00e9m-sa\u00eddos de guerras civis e castigados pela viol\u00eancia e pela pobreza. Para se ter ideia, a Lib\u00e9ria gasta US$ 18 per capita em seu sistema p\u00fablico de sa\u00fade, Serra Leoa US$ 13 e Guin\u00e9 meros US$ 7. No Brasil, esse gasto \u00e9 de US$ 466 d\u00f3lares e nos EUA, quase US$ 4 mil.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Feu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/UX47VYitbSvw-iWHcfVnzA6yfxQ=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/08\/278_dossie_ebola_02.jpg\" alt=\" (Foto: Feu)\" width=\"631\" height=\"669\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Feu)<\/label><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Feu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/-8M3CiKOHF-Zfw0S8ENp_ocudyY=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/08\/278_dossie_ebola_03.jpg\" alt=\" (Foto: Feu)\" width=\"636\" height=\"382\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Feu)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">A TECNOLOGIA CONTRA EPIDEMIAS<br \/>\n<em>Andr\u00e9 Jorge<\/em><\/div>\n<\/div>\n<p>A primeira declara\u00e7\u00e3o formal da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sobre a atual epidemia de ebola foi divulgada em 23 de mar\u00e7o. Nove dias antes, o site HealthMap j\u00e1 tinha identificado na regi\u00e3o o surto de uma \u201cmisteriosa febre hemorr\u00e1gica\u201d, e no dia 19 encontrou em sua base de dados men\u00e7\u00f5es ao ebola, lan\u00e7ando um alerta. O site, desenvolvido em 2006 por uma equipe do Boston Children&#8217;s Hospital, \u00e9 composto por algoritmos que vasculham milhares de sites, redes sociais, portais p\u00fablicos e f\u00f3runs de infectologistas. As epidemias s\u00e3o categorizadas em cores diferentes, de acordo com sua intensidade, e \u00e9 poss\u00edvel localizar as que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas a voc\u00ea. Surtos como os de dengue e febre amarela podem ser vistos em nove l\u00ednguas diferentes.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">COBAIAS HUMANAS<\/div>\n<\/div>\n<p>O m\u00e9dico norte-americano Kent Brantly foi infectado em julho na Lib\u00e9ria. J\u00e1 com dificuldades para respirar, ele ligou para sua mulher para se despedir. Ante a morte, Brantly concordou em ser tratado com uma droga experimental chamada ZMapp, que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 havia sido testada em macacos. Brantly estava infectado h\u00e1 nove dias quando tomou a droga. Ap\u00f3s uma hora, j\u00e1 conseguia respirar bem e pouco depois voltou aos Estados Unidos, onde segue em recupera\u00e7\u00e3o. Apesar do resultado positivo no caso de Brantly, usar drogas ainda n\u00e3o aprovadas para uso humano \u00e9 um risco restrito a poucas pessoas. O governo da Nig\u00e9ria tentou, em v\u00e3o, pedir lotes da ZMapp numa tentativa de controlar o surto, mas a ideia gerou uma enorme discuss\u00e3o no meio cient\u00edfico sobre o uso de drogas experimentais em humanos. A boa not\u00edcia \u00e9 que, se o diagn\u00f3stico do ebola for r\u00e1pido e o atendimento imediato, o corpo da v\u00edtima \u00e9 capaz de desenvolver anticorpos para enfrentar o v\u00edrus. Os pacientes recebem fluidos de forma intravenosa para combater a desidrata\u00e7\u00e3o e manter a press\u00e3o est\u00e1vel, analg\u00e9sicos para as dores e antit\u00e9rmicos para a febre, al\u00e9m de transfus\u00f5es de sangue para repor as perdas em hemorragias e tratamento de infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias provocadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">PERTO DA CURA?<br \/>\nO pesquisador Thomas Geisbert cria vacinas e medicamentos contra o ebola que funcionaram em macacos. desafio \u00e9 test\u00e1-los em seres humanos<\/div>\n<\/div>\n<p><em><strong>P: Por que o v\u00edrus ebola \u00e9 t\u00e3o mortal?<\/strong><\/em><br \/>\nAinda n\u00e3o temos certeza absoluta. Sabemos que ele desarma ou reduz o nosso sistema de imunidade atingindo algumas das mais importantes c\u00e9lulas que s\u00e3o a primeira linha de defesa do corpo, como as c\u00e9lulas dendr\u00edticas. Fazendo isso, o v\u00edrus consegue crescer mais r\u00e1pido e atingir outras partes do corpo.<\/p>\n<p><em><strong>P: Como voc\u00ea desenvolveu uma vacina que protege os macacos do v\u00edrus ebola?<\/strong><\/em><br \/>\nColocamos um pequeno fragmento do v\u00edrus no hospedeiro para que o sistema imunol\u00f3gico do corpo pense que est\u00e1 lidando com o verdadeiro ebola. O corpo do animal ent\u00e3o desenvolve a habilidade de se defender contra o v\u00edrus porque foi ensinado a reconhec\u00ea-lo. Ent\u00e3o usamos um v\u00edrus diferente que n\u00e3o atinge humanos como ve\u00edculo de entrega, tiramos a glicoprote\u00edna dele e a substitu\u00edmos pela glicoprote\u00edna do ebola e vacinamos alguns macacos com isso. Depois os colocamos em exposi\u00e7\u00e3o ao ebola e todos sobreviveram.<\/p>\n<p><em><strong>P: Por que ainda n\u00e3o temos uma vacina contra o ebola para humanos?<\/strong><\/em><br \/>\nH\u00e1 v\u00e1rios motivos. Um dos principais \u00e9 que o ebola \u00e9 uma doen\u00e7a rara que s\u00f3 acontece em pa\u00edses de terceiro mundo. Diferentemente de desenvolver uma cura para o c\u00e2ncer, um rem\u00e9dio para doen\u00e7as card\u00edacas ou at\u00e9 uma vacina para gripes, h\u00e1 poucos casos de ebola em uma escala global, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 incentivos financeiros para a ind\u00fastria farmac\u00eautica desenvolver uma vacina.<\/p>\n<p><em><strong>P: Na mesma linha, por que ainda n\u00e3o existe medica\u00e7\u00e3o contra o ebola?<\/strong><\/em><br \/>\nTemos tr\u00eas tratamentos capazes de proteger totalmente os macacos do ebola depois da exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus. Mas a raz\u00e3o por que nenhum desses tratamentos foi licenciado \u00e9 a mesma da vacina.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">PESTE BUB\u00d4NICA &gt; ROEDORES CONTRA-ATACAM<br \/>\nAp\u00f3s matar 60% da popula\u00e7\u00e3o da Europa no s\u00e9culo 14, a peste reaparece no continente<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Feu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/t_szGc3fW0CRBmBpYH_ahwgNTNA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/08\/278_dossie_ebola_04.jpg\" alt=\" (Foto: Feu)\" width=\"633\" height=\"624\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Feu)<\/label><\/div>\n<p>Em julho, 30 mil moradores de uma pequena cidade da China foram isolados depois de um caso de peste bub\u00f4nica. A medida foi tomada depois que um homem de 38 anos morreu ao entrar em contato com uma marmota infectada. A peste bub\u00f4nica (ou peste negra, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida) \u00e9 transmitida pelo bacilo de Yersin, que infecta roedores. Pulgas que se alimentam do sangue desses animais mordem humanos, transmitindo a doen\u00e7a. No caso da China, mais de 159 pessoas ficaram em quarentena, mas n\u00e3o foram registradas outras mortes.<\/p>\n<p>O quadro chin\u00eas \u00e9 bem diferente do registrado nos s\u00e9culos passados. \u201cAlguns desventurados, incapazes de suportar o tormento, se atiravam do alto das casas, disparavam um tiro ou se destru\u00edam de qualquer outro meio; casos como esses vi muitos. Outros, sem poder se conter, lan\u00e7avam gritos incessantes de dor, e seus gemidos, t\u00e3o fortes, t\u00e3o lastim\u00e1veis, atravessavam o cora\u00e7\u00e3o de quem os ouvia pela rua, e ainda era sabido que o mesmo chicote poderia ser a\u00e7oitado contra si a qualquer instante\u201d, escreveu Daniel Defoe na obra Um Di\u00e1rio do Ano da Peste. O relato conta como a peste matou 70 mil pessoas em Londres em 1665.<\/p>\n<p>O p\u00e2nico dos ingleses tinha explica\u00e7\u00e3o: eles sabiam do estrago que a praga havia causado em boa parte da Europa no s\u00e9culo 14. Considerada uma pandemia, a pior epidemia da hist\u00f3ria da Europa reduziu a popula\u00e7\u00e3o em quase um ter\u00e7o. Com uma taxa de mortalidade de 60%, o n\u00famero de europeus caiu para 30 milh\u00f5es entre 1346 e 1353.<\/p>\n<p>A peste chegou \u00e0 Europa com as tropas do Imp\u00e9rio Mongol que ocupavam a pen\u00ednsula da Crimeia, origem da praga. H\u00e1 relatos de que os mong\u00f3is catapultavam corpos infectados contra seus inimigos para espalhar o cont\u00e1gio pelo Ocidente, mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que a bact\u00e9ria tenha entrado na Europa Ocidental atrav\u00e9s dos ratos que habitavam os navios de com\u00e9rcio e de comerciantes infectados. Assustados, genoveses e venezianos fugiram, espalhando a peste para o resto do continente. Na Europa (veja acima), o bacilo de Yersin encontrou o ambiente ideal para sua dissemina\u00e7\u00e3o: nas cidades medievais, as condi\u00e7\u00f5es de higiene eram p\u00e9ssimas, sem aterros sanit\u00e1rios e com lixo espalhado pelas ruas.<\/p>\n<p>A \u00c1sia foi o ber\u00e7o da peste bub\u00f4nica, mas hoje pessoas morrem da doen\u00e7a em quase todos os continentes. No mundo inteiro, h\u00e1 entre mil e 3 mil casos de peste negra por ano, segundo a OMS. Em volta das picadas de pulga, a pele \u00e9 tomada por zonas gangrenadas. Ela incha e forma n\u00f3dulos, os chamados bub\u00f5es (da\u00ed o nome peste bub\u00f4nica), que crescem nas virilhas e axilas e ficam do tamanho de uma ma\u00e7\u00e3. As feridas secretam sangue e pus, e urina, suor, saliva e escarro ganham uma cor escura (da\u00ed o outro nome, peste negra). \u201cA peste ainda est\u00e1 a\u00ed, \u00e9 a mesma que tivemos antes, ainda com o poder e a amea\u00e7a que tinha\u201d, disse \u00e0 revista The Atlantic o brit\u00e2nico Tim Brooks, especialista em doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">OS EFEITOS DA PESTE BUB\u00d4NICA NA EUROPA DO S\u00c9CULO 14<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>REDU\u00c7\u00c3O DA POPULA\u00c7\u00c3O &gt;<\/strong> Com taxa m\u00e9dia de mortalidade de 60%, a peste bub\u00f4nica reduziu a popula\u00e7\u00e3o da Europa para 30 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><strong>XENOFOBIA &gt;<\/strong> Em meio \u00e0 crise, a culpa se voltou contra os estrangeiros, sobretudo \u00e1rabes e judeus, que foram vistos como inimigos. Viajantes, negociantes e peregrinos nunca mais foram bem-vindos. Cidades e feudos fecharam suas portas e proibiam a entrada de estranhos. A peste espalhou o medo, o preconceito e o \u00f3dio pela Europa.<\/p>\n<p><strong>F\u00c9 ABALADA &gt; <\/strong>Como n\u00e3o conseguiu salvar seus fi\u00e9is da peste bub\u00f4nica, a Igreja Cat\u00f3lica perdeu poder especialmente entre a elite que, amedrontada, inclinou-se para temas mais m\u00f3rbidos e m\u00edsticos.<\/p>\n<p><strong>M\u00c3O DE OBRA &gt; <\/strong>Depois da peste, houve uma migra\u00e7\u00e3o do campo para as cidades e camponeses ocuparam as terras abandonadas. O mercado de trabalho tamb\u00e9m sofreu uma mudan\u00e7a: os sal\u00e1rios melhoraram, pois havia falta de m\u00e3o de obra qualificada.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">POLIOMIELITE &gt;O V\u00cdRUS E O TERRORISMO<br \/>\nO n\u00famero de casos de poliomielite foi reduzido em 99% at\u00e9 o ano passado, mas a a\u00e7\u00e3o de grupos terroristas pode ajudar a dar f\u00f4lego para a epidemia<\/div>\n<\/div>\n<p>A poliomielite foi o terror de pais at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Transmitida de pessoa para pessoa via oral ou fecal por meio de \u00e1gua ou alimentos contaminados, ela causou paralisia e deforma\u00e7\u00f5es no corpo de milhares de crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos ao redor do mundo. Pior: em quest\u00e3o de horas, a v\u00edtima poderia ficar paral\u00edtica. Descoberta em 1840, a primeira vacina para a doen\u00e7a surgiu 110 anos depois e causou uma revolu\u00e7\u00e3o na sa\u00fade. Em tr\u00eas d\u00e9cadas, uma campanha internacional encabe\u00e7ada pelo Rotary e o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) reduziu a transmiss\u00e3o da p\u00f3lio em 99%. O n\u00famero de casos da doen\u00e7a caiu de 350 mil no in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o para 406 casos em 2013.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas duas regi\u00f5es do mundo onde a p\u00f3lio nunca foi erradicada: \u00e1reas tribais na fronteira entre o Afeganist\u00e3o e o Paquist\u00e3o e no norte da Nig\u00e9ria, na \u00c1frica. A explica\u00e7\u00e3o para isso? O terrorismo. Alguns anos atr\u00e1s, na ca\u00e7ada pelo ent\u00e3o terrorista mais procurado do mundo, a CIA criou uma campanha falsa de vacina\u00e7\u00e3o para coletar o DNA dos moradores do bunker de Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando descobriram a estrat\u00e9gia, l\u00edderes religiosos passaram a bater de porta em porta para convencer os paquistaneses de que campanhas de vacina\u00e7\u00e3o fazem parte de um plano mirabolante do Ocidente para destruir os mu\u00e7ulmanos. Quem sofre com isso s\u00e3o as crian\u00e7as. Em 2011, ano em que bin Laden foi morto, foram contabilizados apenas 11 casos de p\u00f3lio no Paquist\u00e3o. Neste ano, foram 104 at\u00e9 o m\u00eas de agosto.<\/p>\n<p>Algo semelhante acontece na Nig\u00e9ria. O grupo terrorista BokoHaram rejeita tudo o que considera ocidental, incluindo vacina\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. O grupo \u00e9 o autor de ataques contra centros de imuniza\u00e7\u00e3o, mataram nove funcion\u00e1rios respons\u00e1veis pela campanha no ano passado e sequestraram mais tr\u00eas neste ano. Fora de controle, o v\u00edrus que se espalha pela Nig\u00e9ria provocou uma crise de p\u00f3lio na Som\u00e1lia, que espalhou a doen\u00e7a para o Qu\u00eania e a Eti\u00f3pia. Em 10 anos o n\u00famero de casos pode chegar a 200 mil no mundo inteiro. Uma em cada 200 infec\u00e7\u00f5es levam \u00e0 paralisia irrevers\u00edvel e, entre esses casos mais graves, at\u00e9 10% morrem porque os m\u00fasculos respirat\u00f3rios param de funcionar. A p\u00f3lio ainda n\u00e3o tem cura.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Feu)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/xFQY1N50XQls3DHjcS7vTDcqxH4=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/08\/278_dossie_ebola_05.jpg\" alt=\" (Foto: Feu)\" width=\"600\" height=\"371\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Feu)<\/label><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">TUBERCULOSE &gt;A DOEN\u00c7A DOS ARTISTAS<br \/>\nH\u00e1 quatro anos ela estava quase extinta. Hoje, mata 1,3 milh\u00e3o de pessoas<\/div>\n<\/div>\n<p>Durante muito tempo, acreditou-se que a tuberculose infectava apenas pessoas sens\u00edveis, como os artistas. Isso porque muitos poetas, escritores e pintores sucumbiram \u00e0 doen\u00e7a. O mito foi embora e hoje a tuberculose \u00e9 a segunda mazela causada por um \u00fanico agente infeccioso que mais mata no mundo, atr\u00e1s da Aids. S\u00e3o 1,3 milh\u00e3o de v\u00edtimas ao ano. Ficou surpreso? Pois eis outro dado assustador: um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial tem tuberculose latente, ou seja, foi infectada, mas ainda n\u00e3o desenvolveu os sintomas (tosse por mais de duas semanas, catarro, febre, sudorese, cansa\u00e7o, dor no peito, falta de apetite e emagrecimento) e nem pode transmiti-la.<\/p>\n<p>A bact\u00e9ria Mycobacteriatuberculosis se propaga por espirro, tosse ou catarro. Todo ano, estima-se que 450 mil pessoas sejam infectadas por ela. \u00c9 um cen\u00e1rio bem diferente do registrado h\u00e1 quatro anos, quando a doen\u00e7a estava controlada e quase inexistente. Quem mais sofre s\u00e3o as pessoas HIV positivo, causando um quinto das mortes desse grupo, mas outros doentes com sistema imunol\u00f3gico prejudicado tamb\u00e9m correm risco.<\/p>\n<p>A tuberculose tem cura com a utiliza\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos por seis meses. Mas o uso inadequado da medica\u00e7\u00e3o deixou o germe resistente ao tratamento, especialmente no Leste europeu e na \u00c1sia central. Para o doutor Mario Raviglione, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, isso coloca em risco a possibilidade de acabar com a doen\u00e7a. \u201cEstamos numa encruzilhada entre a elimina\u00e7\u00e3o da tuberculose e milh\u00f5es de outras mortes\u201d, disse.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">V\u00cdTIMAS ILUSTRES<br \/>\nOs famosos que morreram de tuberculose<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\" style=\"max-width: 690px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/uP_i3SPieM1nVf4Fw6pnG_ADuY0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/08\/278_dossie_ebola_06.jpg\" alt=\" (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"601\" height=\"331\" \/><label class=\"foto-legenda\" style=\"max-width: 690px;\"> (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p>VAR\u00cdOLA &gt; PERIGO \u00c0 ESPREITA<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Erradicado em 1979, o v\u00edrus foi encontrado em frascos abandonados<\/div>\n<\/div>\n<p>Outras doen\u00e7as infecciosas com alta taxa de mortalidade podem voltar se continuarem sendo tratadas com descaso pelas autoridades. Uma delas \u00e9 a var\u00edola, declarada globalmente erradicada em 1979 depois de uma campanha de imuniza\u00e7\u00e3o da OMS. Causada pelo v\u00edrus de mesmo nome, a doen\u00e7a j\u00e1 foi uma das mais temidas do mundo: matou 300 milh\u00f5es de pessoas entre 1896 e 1979. Depois de erradicada, dois estoques do v\u00edrus foram guardados em laborat\u00f3rios considerados seguros, um nos EUA e outro na R\u00fassia. Mas, em julho, frascos de var\u00edola foram encontrados dentro de uma caixa de papel\u00e3o por um cientista do governo americano em um centro de pesquisa perto de Washington. Por sorte, os vidros n\u00e3o estavam quebrados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um passageiro de avi\u00e3o morre em pleno sagu\u00e3o do aeroporto de Lagos, cidade mais populosa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7465,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ebola_mazela.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um passageiro de avi\u00e3o morre em pleno sagu\u00e3o do aeroporto de Lagos, cidade mais populosa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7459"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}