{"id":73952,"date":"2017-10-15T16:00:24","date_gmt":"2017-10-15T19:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=73952"},"modified":"2017-10-15T10:22:20","modified_gmt":"2017-10-15T13:22:20","slug":"aguas-de-rio-fervente-na-amazonia-peruana-podem-chegar-a-80-graus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aguas-de-rio-fervente-na-amazonia-peruana-podem-chegar-a-80-graus\/","title":{"rendered":"\u00c1guas de \u2018rio fervente\u2019 na Amaz\u00f4nia peruana podem chegar a 80 graus"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/aguas_quentes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-73953\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/aguas_quentes-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/aguas_quentes-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/aguas_quentes.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Labirintos de gelo e de folhas. Mist\u00e9rios guardados em pontos secretos dos penhascos e das selvas. Como nasceram estes extremos? Quando a Cordilheira dos Andes se formou, h\u00e1 milh\u00f5es de anos, moldou e mudou a Am\u00e9rica do Sul. As diferen\u00e7as de altitude agitaram o clima: fizeram primavera, ver\u00e3o, outono e inverno tudo ao mesmo tempo, separados \u00e0s vezes por poucos quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Na fascinante viagem das esp\u00e9cies, um elemento incans\u00e1vel torna a exist\u00eancia poss\u00edvel: a \u00e1gua. Um viajante que se transforma para chegar aonde ningu\u00e9m mais chega. E n\u00f3s vamos com ela. A equipe do Globo Rep\u00f3rter vai at\u00e9 o Peru, onde a Cordilheira dos Andes divide o pa\u00eds em tr\u00eas regi\u00f5es e viajou mais de dois mil quil\u00f4metros da costa at\u00e9 a Amaz\u00f4nia, enfrentando um imenso complicador: as maiores altitudes das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>A aventura come\u00e7a na altitude zero, no Oceano Pac\u00edfico. A porta de entrada, ou degrau de subida para os Andes gelados \u00e9 Huaraz. Uma cidade simp\u00e1tica e calma. Logo depois, seguindo a aventura, a equipe do programa para no \u00fanico povoado da regi\u00e3o. Ali mora o Cristian. A fam\u00edlia recebe a equipe com a Pachamanca, uma comida antiga do Peru, do tempo em que n\u00e3o existia panelas. Eles esquentam as pedras e p\u00f5em tudo em cima: carnes, legumes, milho, batata. A receita da terra \u00e9 fartura na mesa e uni\u00e3o na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No dia seguinte, chegam refor\u00e7os. O guia Wilfredo Morales alerta que vai faltar f\u00f4lego. O trecho da Cordilheira por onde a equipe vai atravessar \u00e9 a segunda maior rede de montanhas do mundo. S\u00f3 perde para o Himalaia. S\u00e3o mais de 20 picos que passam dos seis mil metros. O esfor\u00e7o f\u00edsico e o frio consomem a energia, mas a paisagem cura. Sempre com uma beleza diferente.<\/p>\n<p>A equipe passa a noite \u00e0 beira da lagoa Jahuacocha e tem o privil\u00e9gio de observar as aves das altitudes e um morador majestoso: o ganso selvagem andino. Tudo isso acontece no quintal da dona Alba. Ela mora em uma casinha simples desde que casou, h\u00e1 49 anos. Diz que, longe de tudo, sempre teve que se virar e aprendeu a fiar a l\u00e3 e fazer roupas.<\/p>\n<p>O caminho ainda \u00e9 de flores e animais de cria\u00e7\u00e3o. O perigo aumenta na encosta \u00edngreme. Nos trechos mais complicados, o cuidado \u00e9 redobrado. \u00c1rvores, animais, at\u00e9 os p\u00e1ssaros desaparecem. Do c\u00e9u caem bolinhas de gelo. O patamar dos 4.900 metros foi quase imposs\u00edvel. \u00c0 noite, menos 18 graus. No c\u00e9u limpo e frio, a Cordilheira dos Andes \u00e9 um reflexo das estrelas. As \u00fanicas testemunhas da aventura do Globo Rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>No \u00faltimo trecho, capacetes e sapatos com grampos de metal. Os passos agora s\u00e3o sobre o gelo. Tudo fica mais dif\u00edcil. As pernas pesam, o f\u00f4lego aperta e o cora\u00e7\u00e3o dispara, a 5.200 metros de altitude. Por fim, a equipe chega ao objetivo da escalada: a geleira de Jerupaj\u00e1, uma das mais altas do mundo.<\/p>\n<p>Da crista da Cordilheira, a equipe do Globo Rep\u00f3rter passa para o outro lado dos Andes. As correntes mudaram: agora a \u00e1gua corre para o interior do continente, na dire\u00e7\u00e3o do Brasil. Depois de uma semana longe da civiliza\u00e7\u00e3o, a estrada \u00e9 um al\u00edvio.<\/p>\n<p>A equipe chega em Pucallpa, na prov\u00edncia amaz\u00f4nica de Ucayali. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a paisagem que muda. Ali come\u00e7a a imensa bacia amaz\u00f4nica. E de alguma forma, todos os rios v\u00e3o acabar desaguando no rio Amazonas. S\u00f3 que at\u00e9 l\u00e1 eles t\u00eam um longo caminho pela frente, cheio de maravilhas e mist\u00e9rios. E \u00e9 por causa de um deles que o Globo Rep\u00f3rter foi at\u00e9 ali. Uma hist\u00f3ria que acabou virando lenda: a de um rio, perdido na selva peruana, onde dizem que a \u00e1gua ferve.<\/p>\n<p>Com um term\u00f4metro digital que mede a temperatura por laser, d\u00e1 para ver que a temperatura da \u00e1gua no meio do caminho j\u00e1 est\u00e1 acima de 20 graus. Medindo em outro lugar, mais a frente, a \u00e1gua j\u00e1 esquentou: o term\u00f4metro mede 34 graus. O rio misterioso tamb\u00e9m vai ficando mais estreito. A profundidade diminui e a mata vai fechando. Nos \u00faltimos quil\u00f4metros no meio da mata, finalmente o rio Xanaya Tipisca \u00e9 encontrado. A equipe do Globo Rep\u00f3rter mede a temperatura da \u00e1gua: 65.8 graus. Subindo pela margem os aventureiros procuram saber se ainda existe algum lugar onde a \u00e1gua \u00e9 mais quente ainda. Usando o term\u00f4metro, a \u00e1gua passa dos 80 graus.<\/p>\n<p>O lugar todo \u00e9 um caldeir\u00e3o. Uma maravilha misteriosa no meio da selva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Labirintos de gelo e de folhas. 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