{"id":73793,"date":"2017-10-12T15:30:05","date_gmt":"2017-10-12T18:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=73793"},"modified":"2017-10-12T12:57:54","modified_gmt":"2017-10-12T15:57:54","slug":"paleontologos-brasileiros-tentam-converter-as-mineradoras-para-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paleontologos-brasileiros-tentam-converter-as-mineradoras-para-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Paleont\u00f3logos brasileiros tentam converter as mineradoras para a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-73794\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>C<\/span>erca de 62 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, as praias do Nordeste brasileiro n\u00e3o tinham nada de paradis\u00edacas. A vida come\u00e7ava a se recuperar ap\u00f3s a grande extin\u00e7\u00e3o que eliminou mais de 70% das esp\u00e9cies do planeta, inclusive os dinossauros. O ambiente era in\u00f3spito e de alta competi\u00e7\u00e3o por recursos. N\u00e3o por acaso, uma feroz tartaruga que dominou essas \u00e1guas pr\u00e9-hist\u00f3ricas foi batizada de Inaechelys pernambucensis, que quer dizer rainha do mar de Pernambuco.<\/p>\n<p>Identificada por um time de paleont\u00f3logos brasileiros em um artigo publicado em junho do ano passado, essa pernambucana ancestral ajudar\u00e1 a entender melhor como e por que alguns bichos conseguiram prosperar em circunst\u00e2ncias t\u00e3o dif\u00edceis. Um feito e tanto para um f\u00f3ssil que quase foi destru\u00eddo como res\u00edduo industrial. Os vest\u00edgios da Inaechelys foram encontrados em uma pedreira a 30 quil\u00f4metros ao norte de Recife onde, em 2009, cientistas descreveram outra importante esp\u00e9cie: o crocodilomorfo bom de briga\u00a0<em>Guarinisuchus munizi<\/em>. Al\u00e9m deles, o solo rico em calc\u00e1rio da regi\u00e3o tem registros de f\u00f3sseis de diversos animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos, incluindo peixes, tubar\u00f5es, arraias e outras tartarugas. Tesouros que, hoje, s\u00f3 conseguem chegar at\u00e9 os paleont\u00f3logos por meio das minas.<\/p>\n<p>Por conta da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do solo, das temperaturas e de outros fatores ambientais, muitas das \u00e1reas de interesse para os cientistas s\u00e3o tamb\u00e9m pontos com forte presen\u00e7a extrativista. Apesar do interesse comum em explorar o que existe nas camadas mais profundas do solo, paleont\u00f3logos e mineradores t\u00eam poucas afinidades. Enquanto as empresas costumam ver os f\u00f3sseis como sin\u00f4nimos de atraso nos cronogramas e poss\u00edveis embargos \u00e0s obras, muitos pesquisadores consideram as atividades extrativistas como meras destruidoras de vest\u00edgios.<\/p>\n<p>Um time de paleont\u00f3logos \u2014 a maioria vinculada a universidades do Nordeste \u2014 tenta, por\u00e9m, vencer resist\u00eancias e criar um sistema de coopera\u00e7\u00e3o ben\u00e9fico para os dois lados. A iniciativa, que come\u00e7ou com parcerias informais e encontros para sensibiliza\u00e7\u00e3o das empresas da regi\u00e3o, tamb\u00e9m se articula com autoridades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa para tentar incorporar na legisla\u00e7\u00e3o incentivos e obriga\u00e7\u00f5es para as mineradoras.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma ideia relativamente simples, mas que poderia mudar completamente a maneira pela qual as empresas tratam os f\u00f3sseis no Brasil\u201d, diz a l\u00edder da iniciativa, Alcina Barreto, professora de paleontologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). \u201cCriar uma estrat\u00e9gia estruturada de coopera\u00e7\u00e3o poderia aumentar, e muito, os acervos de f\u00f3sseis dispon\u00edveis no pa\u00eds, tanto para a pesquisa como para exposi\u00e7\u00e3o em museus.\u201d<\/p>\n<p>Para tentar evitar que os f\u00f3sseis sejam destru\u00eddos ou cheguem ao mercado negro \u2014 onde um exemplar bem preservado de pterossauro, r\u00e9ptil voador contempor\u00e2neo dos dinos, pode valer US$ 80 mil \u2014, o grupo adotou como estrat\u00e9gia o foco na conscientiza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de abordarem pessoalmente as empresas, promovem palestras e sess\u00f5es de esclarecimentos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, incluindo os trabalhadores \u2014 muitos com pouca escolaridade e total desconhecimento do valor cient\u00edfico do material.<\/p>\n<p>\u201cParece f\u00e1cil, mas h\u00e1 uma resist\u00eancia enorme entre os mineradores. Muitas vezes, quando n\u00f3s os abordamos, eles ficam com receio, principalmente os propriet\u00e1rios das pequenas minas. Para eles, o paleont\u00f3logo \u00e9 algu\u00e9m que vai perceber que h\u00e1 f\u00f3sseis na mina e vai fazer uma den\u00fancia para embargar a obra\u201d, conta Tito Aureliano, pesquisador da UFPE e um dos criadores do maior canal de paleontologia do Brasil no YouTube, o Colecionadores de Ossos, com mais de 11 mil inscritos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores relatam que o desconhecimento ou a falta de motiva\u00e7\u00e3o para preserva\u00e7\u00e3o faz com que muitas minas optem por destruir intencionalmente os vest\u00edgios f\u00f3sseis encontrados, que n\u00e3o raro s\u00e3o de esp\u00e9cies ainda desconhecidas. \u201cEles pensam que assim est\u00e3o se livrando de um problema, mas ao destruir os\u00a0<strong>f\u00f3sseis<\/strong>\u00a0est\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 fazendo algo criminoso como tamb\u00e9m impedindo que uma parte importante do passado seja conhecida\u201d, afirma Aureliano.<\/p>\n<p>O grupo concentra boa parte de seu trabalho na Chapada do Araripe, regi\u00e3o na fronteira entre Pernambuco, Piau\u00ed e Cear\u00e1. O local tem sua import\u00e2ncia reconhecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura, a Unesco, e foi de l\u00e1 que saiu mais de um ter\u00e7o de todas as esp\u00e9cies descritas de pterossauros. A zona tem minas de diferentes perfis, desde pequenos empreendimentos familiares at\u00e9 grandes conglomerados internacionais. Pela alta concentra\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio e gipsita, o Araripe \u00e9 particularmente importante para a ind\u00fastria de gesso. Aproximadamente 90% da produ\u00e7\u00e3o nacional desse material vem de l\u00e1.<\/p>\n<p><em><strong>VANTAGENS<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Para quem olha de fora, vasculhar a terra em busca de dinossauros e outros animais fossilizados pode at\u00e9 parecer simples, mas as atividades costumam ser trabalhosas e custam caro. Em um cen\u00e1rio de contingenciamento de recursos para a pesquisa \u2014 o or\u00e7amento do governo federal para a ci\u00eancia vem diminuindo desde 2013 \u2014, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil reunir a verba necess\u00e1ria para manter um bom ritmo de trabalhos de campo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s gostar\u00edamos muito de dispor de todo o tempo e dos recursos necess\u00e1rios, mas isso est\u00e1 distante da realidade. Enquanto isso, diariamente as mineradoras escavam o solo e se deparam com uma grande quantidade de f\u00f3sseis que dificilmente seriam acess\u00edveis para n\u00f3s\u201d, explica Barreto.<\/p>\n<p>Aline Ghilardi, tamb\u00e9m professora da universidade, concorda com a colega. Para ela, h\u00e1 tantas dificuldades t\u00e9cnicas e financeiras para conseguir fazer pesquisa no Brasil que um trabalho s\u00e9rio e sistem\u00e1tico de parceria com as mineradoras permitiria um salto de quantidade e qualidade.<\/p>\n<p>\u201cFaria uma diferen\u00e7a incr\u00edvel, n\u00e3o tenho d\u00favida. Mesmo hoje, com o nosso trabalho de formiguinha, de parcerias informais com as empresas, j\u00e1 conseguimos muita coisa\u201d, diz Ghilardi, que nos \u00faltimos anos publicou v\u00e1rios artigos com base em f\u00f3sseis recuperados por mineradoras. O \u00faltimo deles revela a exist\u00eancia da tartaruga pernambucana citada no come\u00e7o da reportagem, identificada na Pedreira Poty.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi gra\u00e7as a uma parceria \u2014 com a Pedreira S\u00e3o Bento, de Araraquara (SP), que j\u00e1 encerrou suas atividades \u2014 que o Brasil conseguiu sua maior cole\u00e7\u00e3o de pegadas de dinossauros. \u201cEncontrei muita coisa fant\u00e1stica que estava prestes a ir para o lixo\u201d, conta Marcelo Adorna Fernandes, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) que, al\u00e9m das pegadas, usou material coletado na mina para descrever pela primeira vez um ur\u00f3lito, marca de \u201cpo\u00e7a de xixi\u201d que se formava no solo sempre que um dino precisava se aliviar.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho foi muito produtivo, mas, \u00e0 medida que fomos avan\u00e7ando e passamos a precisar de mais material, ficou mais dif\u00edcil. E eu entendo, pois o material retirado por n\u00f3s n\u00e3o poderia mais ser comercializado, e eles tiveram gastos para extrair, cortar e transportar isso\u201d, relata Fernandes, ressaltando a import\u00e2ncia de avan\u00e7ar do modelo de acordo verbal para uma rela\u00e7\u00e3o com deveres e direitos claros.<\/p>\n<p>Professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o paleont\u00f3logo Felipe Pinheiro conta j\u00e1 ter tido experi\u00eancias tanto negativas quanto positivas ao lidar com as minas. Segundo ele, \u00e9 fundamental incluir nos programas de conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente os propriet\u00e1rios, mas tamb\u00e9m os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cDependendo da abordagem, o minerador, via de regra, pessoa muito simples, vai ser mais ou menos receptivo \u00e0 \u2018intromiss\u00e3o\u2019 de um cientista em seu trabalho. Aos poucos, ganhando confian\u00e7a, eles geralmente mostram os f\u00f3sseis encontrados naquele dia e acabam doando alguns, mais comuns. Ningu\u00e9m sabe melhor do que eles o que \u00e9 ou n\u00e3o comum e o que teria maior valor comercial no mercado ilegal\u201d, relata o pesquisador, que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o grupo que tenta incentivar as parcerias.<\/p>\n<p><em><strong>ACEITA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Do lado das mineradoras, os benef\u00edcios podem ser menos \u00f3bvios, mas j\u00e1 t\u00eam conseguido atrair a aten\u00e7\u00e3o das companhias, interessadas em associar suas imagens a boas pr\u00e1ticas sociais e cient\u00edficas.<\/p>\n<p>\u201cPara nossa empresa, achamos essas visitas [<em>de paleont\u00f3logos<\/em>] muito importantes, tanto para uma troca de conhecimento como para que a minera\u00e7\u00e3o seja mais conhecida em todos os seus processos\u201d, diz o engenheiro de minas Marcelo Dall\u2019Antonia, da Calc\u00e1rio Amaral Machado, consultor da \u00e1rea no interior de S\u00e3o Paulo. Segundo ele, que recebe estudantes nos locais de extra\u00e7\u00e3o, quando h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o, a minera\u00e7\u00e3o e a pesquisa podem coexistir. \u201cTodas essas visitas s\u00e3o agendadas e programamos para que tanto estudantes como pesquisadores possam realizar seus estudos com tranquilidade. Na maioria das vezes, estamos trabalhando em mais de uma frente de lavra, ent\u00e3o as visitas com certeza podem ser conciliadas com a nossa atividade\u201d, avalia.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Votorantim Cimentos, instalada em uma das \u00e1reas de maior interesse cient\u00edfico da regi\u00e3o do Araripe \u2014 um ponto de encontro de camadas de duas eras geol\u00f3gicas \u2014, se prepara para testar um grande projeto de coopera\u00e7\u00e3o cultural e cient\u00edfica: a inaugura\u00e7\u00e3o de um geoss\u00edtio aberto ao p\u00fablico em uma \u00e1rea antes pertencente a seu per\u00edmetro de extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA iniciativa de desenvolver um geoss\u00edtio representa um grande desafio para a empresa e certamente beneficiar\u00e1 toda a sociedade. A parceria com a universidade vem ao encontro de um objetivo comum, de recuperar testemunhos paleontol\u00f3gicos relevantes, que seriam inacess\u00edveis sem a minera\u00e7\u00e3o e que podem ampliar o conhecimento geol\u00f3gico e fomentar a pesquisa cient\u00edfica\u201d, diz Nelson Tsutsumi, gerente global de minera\u00e7\u00e3o da Votorantim Cimentos. A previs\u00e3o \u00e9 de que o local seja aberto ao p\u00fablico em meados do primeiro semestre deste ano.<\/p>\n<p>Apesar do resultado muitas vezes bem-sucedido das parcerias, h\u00e1 quem veja o movimento com ceticismo. \u00c9 o caso de Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considerado o \u201crei dos pterossauros\u201d, com mais de 30 esp\u00e9cies descritas no mundo. Para ele, a solu\u00e7\u00e3o seria a obrigatoriedade de contrapartidas por parte das empresas.<\/p>\n<p>\u201cPela minha experi\u00eancia, n\u00e3o existe muito interesse dos mineradores em trabalhar com pesquisadores por conta do medo de den\u00fancias de que eles estejam destruindo f\u00f3sseis. J\u00e1 aconteceu antes \u2014 tanto a destrui\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis quanto den\u00fancias por parte de paleont\u00f3logos \u2014, o que acarretou a falta de coopera\u00e7\u00e3o entre mineradores. Como resolver o problema? Tornando isso algo obrigat\u00f3rio\u201d, avalia Kellner.<\/p>\n<p><em><strong>LEGISLA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os especialistas fazem uma cr\u00edtica un\u00e2nime \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o vigente no setor, considerada obsoleta e insuficiente. A regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis no Brasil \u00e9 regida por um decreto de 1942, \u00e9poca do chamado Estado Novo, quando Getulio Vargas era presidente. Eles s\u00e3o considerados propriedade da Uni\u00e3o e n\u00e3o podem ser comercializados. Cabe ao Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), uma autarquia vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, a responsabilidade de zelar por esse patrim\u00f4nio. Questionado pela reportagem sobre medidas oficiais de fiscaliza\u00e7\u00e3o e fomento, o DNPM n\u00e3o respondeu ao contato.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muita coisa, o \u00f3rg\u00e3o fiscalizador est\u00e1 sobrecarregado e n\u00e3o consegue dar conta\u201d, diz a paleont\u00f3loga Alcina Barreto, que defende ainda a necessidade da reforma do marco regulat\u00f3rio da minera\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m interfere na atividade paleontol\u00f3gica. A \u00faltima tentativa de reforma desse c\u00f3digo est\u00e1 parada no Senado h\u00e1 dois anos devido a diverg\u00eancias sobretudo entre mineradoras, ambientalistas e militantes da causa ind\u00edgena, cujas terras muitas vezes est\u00e3o em \u00e1reas de interesse de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Barreto prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um cargo adicional nas minas: o t\u00e9cnico em paleontologia, profissional treinado \u2014 n\u00e3o necessariamente com forma\u00e7\u00e3o superior \u2014 que acompanharia as extra\u00e7\u00f5es e identificaria os f\u00f3sseis com potencial cient\u00edfico. Embora a proposta j\u00e1 tenha sido apresentada em alguns congressos e reuni\u00f5es com autoridades, a professora reconhece que as discuss\u00f5es t\u00eam andado paradas. A despesa adicional com a contrata\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico \u00e9 um dos grandes empecilhos \u00e0 ideia.<\/p>\n<p>Os paleont\u00f3logos tamb\u00e9m defendem que o Brasil deve se inspirar em alguns exemplos considerados positivos, como o da Argentina, que exige contrapartidas em termos de pesquisa para quem realiza atividades de minera\u00e7\u00e3o. Um exemplo sugestivo dos resultados dessa pol\u00edtica foi a descoberta no pa\u00eds vizinho, em 2011, de uma esp\u00e9cie de dinossauro in\u00e9dita financiada com verbas de contrapartida pagas pela Petrobras por minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Batizado em homenagem \u00e0 estatal brasileira, o Petrobrasaurus ironicamente \u00e9 um grandalh\u00e3o argentino: um titanossauro de cerca de 22 metros e at\u00e9 35 toneladas que viveu h\u00e1 85 milh\u00f5es de anos na Patag\u00f4nia. \u201cOlha a quantidade de minera\u00e7\u00e3o que a Petrobras faz no Brasil. Por que \u00e9 que n\u00e3o existe o petrossauro brasileiro?\u201d, questiona o paleont\u00f3logo Tito Aureliano.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/xmLO3n0ijIaVfbAcyWAxYFEriEI=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/26\/042_047_ga3072.jpg\" alt=\" (Foto: )\" width=\"640\" height=\"736\" \/><\/div>\n<p><em><strong>SOLO EM DISPUTA<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Chapada do Araripe, no Nordeste, \u00e9 uma das regi\u00f5es do Brasil mais disputadas por cientistas e mineradores. O local tem solo rico em calc\u00e1rio e gipsita \u2014 e tamb\u00e9m em f\u00f3sseis. L\u00e1 foi encontrada boa parte de todas as esp\u00e9cies conhecidas de pterossauros<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/HCgM-IRYhDBeF5U9NvxeB8TSkiA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/26\/dupla_2_tartaruga.jpg\" alt=\" (Foto: )\" width=\"640\" height=\"638\" \/><\/div>\n<p><em><strong>FILHA DE ESCAVA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Inaechelys pernambucensis<\/strong>\u00a0&#8211; O nome significa \u201crainha do mar de Pernambuco\u201d<br \/>\nFoi achada na Pedreira Poty (30 km ao norte de Recife)<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/G1WQM1M-TZs_sCxVLG-pr8_b8Io=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/26\/2_9cXVabk.jpg\" alt=\" (Foto: )\" width=\"640\" height=\"157\" \/><\/div>\n<p><strong>Tamanho:<\/strong>\u00a0Cerca de 50 cm<br \/>\n<strong>Alimenta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Carn\u00edvora<br \/>\n<strong>Import\u00e2ncia:\u00a0<\/strong>A esp\u00e9cie foi uma sobrevivente em uma \u00e9poca em que v\u00e1rios bichos muito maiores desapareceram. Estud\u00e1-la pode ajudar a compreender como a vida se recuperou ap\u00f3s a grande extin\u00e7\u00e3o ocorrida no fim do Cret\u00e1ceo<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/RxOFJRGazh3Rqb18t-5SvYVFB2s=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/26\/dupla_3_dino_v2.jpg\" alt=\" (Foto: )\" width=\"640\" height=\"743\" \/><\/div>\n<p><strong>FILHO DE ESCAVA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Petrobrasaurus puestohernandezi<\/strong>\u00a0&#8211; O nome cita a Petrobras e o local de descoberta<br \/>\nFoi achado em Puesto Hern\u00e1ndez, na Patag\u00f4nia argentina<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: )\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/FUqb9nMqSN6a-DoAJXk9rUPCY_k=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/26\/3_iw6g1o1.jpg\" alt=\" (Foto: )\" width=\"640\" height=\"362\" \/><\/div>\n<p><strong>Tamanho:\u00a0<\/strong>Cerca de 22 metros e at\u00e9 35 toneladas<br \/>\n<strong>Alimenta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Herb\u00edvora<br \/>\n<strong>Import\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0Seu estudo pode ajudar a entender a separa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica<\/p>\n<p><em><strong>LEGISLA\u00c7\u00c3O JUR\u00c1SSICA<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O decreto que rege a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis no Brasil tem 75 anos. Come\u00e7ou a valer em 1942<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 62 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, as praias do Nordeste brasileiro n\u00e3o tinham nada<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/paleotologia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cerca de 62 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, as praias do Nordeste brasileiro n\u00e3o tinham nada","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73793"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73793\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}