{"id":7379,"date":"2014-09-25T14:00:12","date_gmt":"2014-09-25T14:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7379"},"modified":"2014-09-25T10:50:19","modified_gmt":"2014-09-25T10:50:19","slug":"vasectomia-em-capivaras-pretende-reduzir-incidencia-de-febre-maculosa-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vasectomia-em-capivaras-pretende-reduzir-incidencia-de-febre-maculosa-em-sp\/","title":{"rendered":"Vasectomia em capivaras pretende reduzir incid\u00eancia de febre maculosa em SP"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7380\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) em Piracicaba, interior de S\u00e3o Paulo, anunciaram um projeto que j\u00e1 come\u00e7ou a esterilizar capivaras para diminuir os casos de febre maculosa, doen\u00e7a que, s\u00f3 neste ano, j\u00e1 matou tr\u00eas pessoas na cidade. A capivara \u00e9 o principal hospedeiro do carrapato-estrela, vetor de transmiss\u00e3o da bact\u00e9ria que causa a mol\u00e9stia.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, cinco desses animais j\u00e1 passaram por esteriliza\u00e7\u00e3o. O projeto pretende esterilizar o maior n\u00famero poss\u00edvel de capivaras, podendo chegar a at\u00e9 50% da popula\u00e7\u00e3o que vive no campus, estimada em 300 animais, nos pr\u00f3ximos cinco anos. &#8220;A esteriliza\u00e7\u00e3o consiste na vasectomia dos machos e na ligadura das tubas uterinas nas f\u00eameas&#8221;, afirma a professora Katia Ferraz, que coordena o projeto. &#8220;O sistema n\u00e3o causa danos ao animal e leva em m\u00e9dia 12 minutos por roedor&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Segundo ela, a medida \u00e9 importante porque reduz o n\u00famero de capivaras suscept\u00edveis \u00e0 bact\u00e9ria, reduzindo a circula\u00e7\u00e3o desta na popula\u00e7\u00e3o de carrapatos e, consequentemente, diminuindo as chances de transmiss\u00e3o da febre maculosa para os seres humanos. &#8220;Quando infectadas pela bact\u00e9ria que gera a febre maculosa, as capivaras tornam-se transmissoras da bact\u00e9ria, mas somente por um per\u00edodo de 14 dias. Depois disso, elas criam anticorpos e n\u00e3o transmitem mais a doen\u00e7a. Por isso \u00e9 importante manter capivaras soropositivas na popula\u00e7\u00e3o para estabilizar a circula\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x420\"><span class=\"credito\">Mateus Medeiros\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\"><img src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/09\/24\/a-capivara-e-o-principal-hospedeiro-do-carrapato-estrela-vetor-de-transmissao-da-bacteria-que-causa-a-febre-maculosa-1411604323580_300x420.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Projeto esterilizou cinco animais e tem quer fazer vasectomia em 50% da popula\u00e7\u00e3o <\/span><\/div>\n<p>Segundo Katia Ferraz, todos os filhotes nascem negativos e, se entram em contato com o carrapato contaminado com a bact\u00e9ria, funcionam como vetor da febre maculosa para outros carrapatos, que n\u00e3o est\u00e3o contaminados. &#8220;Se eliminarmos a entrada de filhotes, diminuiremos os reservat\u00f3rios da bact\u00e9ria e, com isso, as chances de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;, explica. A especialista informa ainda que cada capivara vive, em m\u00e9dia, de sete a oito anos na natureza. Como s\u00e3o roedores, as capivaras se reproduzem duas vezes por ano, com uma m\u00e9dia de quatro filhotes por f\u00eamea a cada gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora K\u00e1tia Ferraz informa ainda que retirar as capivaras do ambiente que ocupam n\u00e3o seria eficaz; a morte dos animais tamb\u00e9m n\u00e3o resolveria o problema. &#8220;N\u00e3o existem capivaras apenas na Esalq. Se elas forem retiradas ou mortas, outras capivaras iriam ocupar o habitat, que \u00e9 muito favor\u00e1vel a elas. Na verdade, esses animais s\u00e3o importantes para combater a dissemina\u00e7\u00e3o da febre maculosa, j\u00e1 que n\u00e3o transmitem mais a bact\u00e9ria&#8221;, diz.<\/p>\n<h3>Projeto amplo<\/h3>\n<p>Al\u00e9m de esterilizar os animais que vivem em Piracicaba, o projeto, multidisciplinar, tamb\u00e9m ir\u00e1 estudar a bact\u00e9ria respons\u00e1vel pela febre maculosa, assim como o carrapato-estrela e pr\u00f3prias capivaras, hospedeiras do vetor (carrapato). Al\u00e9m do campus de Piracicaba, ser\u00e3o objeto de estudo os campus da USP nas cidades de Ribeir\u00e3o Preto e S\u00e3o Carlos, al\u00e9m de outras \u00e1reas end\u00eamicas \u00e0 febre maculosa.<\/p>\n<p>Participaram do projeto profissionais de diversas \u00e1reas, como m\u00e9dicos infectologistas, bi\u00f3logos, engenheiros florestais e t\u00e9cnicos da vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e da Sucen (Superintend\u00eancia de Controle de Endemias). Coordenado pelo professor Marcelo Labruna, da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da USP, o projeto receber\u00e1 R$ 1 milh\u00e3o da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo). &#8220;Esperamos que, com isso, as pesquisas aumentem ainda mais. Queremos entender como a febre maculosa \u00e9 transmitida e mantida na popula\u00e7\u00e3o. Os estudos que existem falam apenas do papel da capivara na transmiss\u00e3o, mas queremos ampliar a pesquisa e incluir tamb\u00e9m outros animais, como pequenos mam\u00edferos&#8221;, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">Mateus Medeiros\/UOL<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\"><img src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2014\/09\/24\/esses-roedores-transmitem-bacteria-que-causa-a-febre-maculosa-que-como-o-nome-diz-se-caracteriza-pelo-surgimento-de-manchas-vermelhas-na-pele-e-leva-a-morte-em-40-dos-casos-1411604701934_615x300.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Esses roedores transmitem bact\u00e9ria que causa febre maculosa, letal em 40% dos casos<\/span><\/div>\n<h3>Febre maculosa<\/h3>\n<p>A febre maculosa \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa contra a qual n\u00e3o h\u00e1 vacina e que costuma ser letal em m\u00e9dia em 40% dos casos. \u00c9 causada por uma bact\u00e9ria do g\u00eanero Rickettsia (<em>Rickettsia rickettsii<\/em>) e \u00e9 transmitida pelo carrapato-estrela, que pode ser encontrado em animais de grande porte, especialmente em capivaras. A transmiss\u00e3o da doen\u00e7a, seja para animais ou seres humanos, \u00e9 feita unicamente pelo carrapato. &#8220;No caso dos seres humanos, o carrapato precisa picar a v\u00edtima e ficar na pele por mais de quatro horas&#8221;, afirma Tufi Chalita, m\u00e9dico infectologista que integra o grupo de pesquisa de Piracicaba.<\/p>\n<p>&#8220;Os primeiros sintomas costumam surgir uma semana ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que os sintomas s\u00e3o os mesmos de outras infec\u00e7\u00f5es, como febre alta, dor no corpo, dor da cabe\u00e7a e prostra\u00e7\u00e3o. S\u00f3 na fase final aparecem as m\u00e1culas, manchas avermelhadas que permitem a identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;, diz Chalita, ressaltando que o diagn\u00f3stico precoce aumenta as chances de sobreviv\u00eancia. &#8220;Por isso \u00e9 uma doen\u00e7a t\u00e3o complicada&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo dados da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica do Estado de S\u00e3o Paulo, desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica em 1996, Piracicaba j\u00e1 registrou 64 casos confirmados de febre maculosa, dos quais cinco foram de pessoas que contra\u00edram a doen\u00e7a na Esalq. Em percentual, a universidade representa 7,8% dos casos.<\/p>\n<p>No total, houve 33 mortes causadas pela doen\u00e7a, taxa de letalidade de 51,5%. Desses, tr\u00eas foram de pessoas contaminadas na USP, o que significa letalidade de 60%, de acordo com dados da universidade.<\/p>\n<p>Segundo Tufi Chalita, m\u00e9dico infectologista e membro da comiss\u00e3o permanente, \u00e9 importante que a popula\u00e7\u00e3o fique atenta e se previna contra a doen\u00e7a. O primeiro passo \u00e9 evitar a frequ\u00eancia a \u00e1reas onde h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o, por cartazes, de incid\u00eancia do carrapato. &#8220;Algumas pessoas n\u00e3o notam a presen\u00e7a dos carrapatos pequenos no corpo. A picada tamb\u00e9m pode passar despercebida, ent\u00e3o \u00e9 preciso cuidado, pois o diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 simples e, se for tardio, pode gerar a morte do hospedeiro&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de S\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/capivara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de S\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7379"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}