{"id":73563,"date":"2017-10-08T09:53:10","date_gmt":"2017-10-08T12:53:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=73563"},"modified":"2017-10-08T09:53:10","modified_gmt":"2017-10-08T12:53:10","slug":"quem-garante-o-final-feliz-dos-outros-pica-paus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quem-garante-o-final-feliz-dos-outros-pica-paus\/","title":{"rendered":"Quem garante o final feliz dos outros pica-paus?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Pica-pau-1024x683.jpg\" alt=\"Foto: Renato Pinheiro.\" width=\"639\" height=\"426\" \/>Por Duda Menegassi<\/p>\n<p>Dois pica-paus. Duas hist\u00f3rias e, infelizmente, a que tem o final feliz garantido \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. Enquanto estreia nos cinemas nacionais o filme \u201cPica-Pau\u201d, um\u00a0<em>live-action<\/em>\u00a0de um dos personagens mais cl\u00e1ssicos dos desenhos animados infantis, o pica-pau-da-parna\u00edba (<em>Celeus obrieni<\/em>) vive sua pr\u00f3pria aventura com contornos dram\u00e1ticos. No longa-metragem dirigido por Alex Zamm, o famoso pica-pau enfrenta um problema comum \u00e0s aves: a destrui\u00e7\u00e3o do seu habitat.<\/p>\n<p>Fora das telonas, a perda de \u00e1reas naturais representa o maior vil\u00e3o para fauna como um todo. Para o pica-pau-da-parna\u00edba, amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o do seu habitat \u00e9 ainda mais problem\u00e1tica, porque ele \u00e9 uma esp\u00e9cie com alto n\u00edvel de especialidade. O que isso significa? Que ele s\u00f3 sobrevive em \u00e1reas de Cerrado florestal, onde h\u00e1 presen\u00e7a do\u00a0<em>Guadua paniculata<\/em>, um bambu mediano genericamente conhecido como taboca.<\/p>\n<p>\u201cO pica-pau-da-parna\u00edba s\u00f3 vive em Cerrado florestal, aquele localizado nas margens dos cursos d\u2019\u00e1gua, como mata de galeria ou mata ciliar, de acordo com a largura do rio, ou em \u00e1reas de Cerrad\u00e3o, onde apesar de mais seco, existem \u00e1rvores de maior porte. Mas tem que ter o bambu. Porque ele depende das \u00e1reas florestais para fazer seus ninhos nas \u00e1rvores, mas precisa do bambu para alimenta\u00e7\u00e3o porque ele se alimenta exclusivamente de formigas, que fazem seus ninhos nas hastes da taboca. E curiosamente, das 30 esp\u00e9cies de formiga que existem na taboca, ele se alimenta apenas de 5. Ele depende, portanto, de um ambiente super especializado\u201d, conta Renato Pinheiro, Doutor em Ecologia, Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo de Vida Silvestre e professor da Universidade Federal do Tocantins.<\/p>\n<p>Renato conduziu uma pesquisa entre 2008 e 2012, financiada pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fundacaogrupoboticario.org.br\/pt\/Pages\/default.aspx\">Funda\u00e7\u00e3o Botic\u00e1rio<\/a>, com o objetivo de entender a esp\u00e9cie, que ainda era um mist\u00e9rio para ci\u00eancia. Isso porque, apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1926, no Piau\u00ed, a esp\u00e9cie desapareceu e s\u00f3 foi redescoberta 80 anos depois, no Tocantins.<\/p>\n<p>A pesquisa desvendou a \u00e1rea de ocorr\u00eancia do pica-pau, que foi encontrado no Tocantins, Maranh\u00e3o, em Goi\u00e1s e at\u00e9 mesmo no Mato Grosso. Apesar da ampla distribui\u00e7\u00e3o, ele foi inclu\u00eddo na lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/biodiversidade\/especies-ameacadas-de-extincao\/atualizacao-das-listas-de-especies-ameacadas\">do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/a>, em \u00e2mbito nacional, e na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.iucnredlist.org\/details\/22731646\/0\">Red List da International Union for Conservation of Nature (IUCN)<\/a>, em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<div id=\"attachment_56175\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-56175\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Pica-pau-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Pica-pau-2.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Pica-pau-2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Pica-pau-2-278x185.jpg 278w\" alt=\"Um pica-pau-da-parna\u00edba macho, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Renato Pinheiro.\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Um pica-pau-da-parna\u00edba macho, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Renato Pinheiro.<\/p>\n<\/div>\n<p>A amea\u00e7a se deve n\u00e3o apenas ao alto n\u00edvel de especialidade quanto ao habitat e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao contexto em que a ave est\u00e1 inserida: um Cerrado sob ritmo acelerado de destrui\u00e7\u00e3o. \u201cEle n\u00e3o apenas necessita da floresta e da taboca, mas o pica-pau-da-parna\u00edba depende tamb\u00e9m de um mosaico de ambientes preservados do Cerrado. N\u00f3s monitoramos alguns indiv\u00edduos e descobrimos que eles n\u00e3o cruzam \u00e1reas grandes que foram modificadas pela agricultura ou pecu\u00e1ria. Eles se deslocam apenas por \u00e1reas preservadas, uma raridade cada vez maior em um bioma que est\u00e1 sendo destru\u00eddo de forma acelerada\u201d, lamenta o professor.<\/p>\n<p>Outro agravante \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do pica-pau \u00e9 que ele n\u00e3o foi encontrado em nenhuma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral. De acordo com Renato, ele foi registrado apenas em algumas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/29203-o-que-e-uma-area-de-protecao-ambiental\/\" target=\"_blank\">\u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental<\/a>\u00a0(APAs), categoria de UC de uso sustent\u00e1vel. A \u00e1rea protegida, entretanto, n\u00e3o parece estar protegendo muita coisa, como frisa o professor \u201cA\u00a0<a href=\"http:\/\/gesto.to.gov.br\/uc\/53\/cadastro\/\">APA Estadual do Lago de Palmas<\/a>, aqui no Tocantins, foi criada h\u00e1 18 anos e j\u00e1 perdeu 50% da sua cobertura florestal nativa. E o pica-pau est\u00e1 l\u00e1, em um remanescente que n\u00f3s n\u00e3o sabemos at\u00e9 quando vai durar\u201d.<\/p>\n<p>A perda ou antropomorfiza\u00e7\u00e3o de ambientes naturais est\u00e1 entre as principais amea\u00e7as \u00e0 fauna, de maneira geral. \u201cO desmatamento \u00e9 um problema que gera outro, a fragmenta\u00e7\u00e3o, que gera outro, o efeito de borda. Ou seja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, est\u00e1 tudo direta ou indiretamente relacionado \u00e0 perda e transforma\u00e7\u00e3o dos ambientes naturais\u201d, sentencia Renato. \u201cNo ritmo atual, a cada dia a situa\u00e7\u00e3o do pica-pau-da-parna\u00edba fica mais cr\u00edtica. E muitas outras esp\u00e9cies est\u00e3o na mesma condi\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 pior, porque o pica-pau possui ampla distribui\u00e7\u00e3o, mas e as esp\u00e9cies end\u00eamicas, restritas a um \u00fanico local?\u201d, questiona Renato.<\/p>\n<p>No filme que estreia amanh\u00e3 (05\/10), o carism\u00e1tico Pica-Pau, enfrenta ele pr\u00f3prio essa amea\u00e7a. Assim como na anima\u00e7\u00e3o \u201cOs Sem-floresta\u201d (2006), \u00e9 uma oportunidade de promover a educa\u00e7\u00e3o ambiental atrav\u00e9s de narrativas menos convencionais e mais atraentes, especialmente para o p\u00fablico-alvo: as crian\u00e7as. Enquanto no mundo real a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco mais complicada, nada melhor do que investir na conscientiza\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental do p\u00fablico-infantil, se esperamos conseguir no futuro um final feliz para os pica-paus tamb\u00e9m fora do cinema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Duda Menegassi Dois pica-paus. 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