{"id":73247,"date":"2017-10-01T19:14:26","date_gmt":"2017-10-01T22:14:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=73247"},"modified":"2017-10-01T19:14:26","modified_gmt":"2017-10-01T22:14:26","slug":"rio-paracatu-agoniza-em-minas-gerais-por-causa-da-estiagem-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-paracatu-agoniza-em-minas-gerais-por-causa-da-estiagem-2\/","title":{"rendered":"Rio Paracatu agoniza em Minas Gerais por causa da estiagem"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/rio_pacatu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-73248\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/rio_pacatu-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/rio_pacatu-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/rio_pacatu.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Rio Paracatu, principal afluente do S\u00e3o Francisco, agoniza no noroeste de Minas Gerais. Onde deveria haver \u00e1gua, hoje se v\u00ea muita pedra e poeira. A seca e o descaso aumentaram a afli\u00e7\u00e3o de criadores e agricultores que dependem do rio para tocar a vida.<\/p>\n<p>O Rio Paracatu, no noroeste de\u00a0<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/minas-gerais\">Minas Gerais<\/a>, o principal afluente do S\u00e3o Francisco est\u00e1 quase sem \u00e1gua. H\u00e1 quatro meses n\u00e3o chove forte na regi\u00e3o. O n\u00edvel est\u00e1 t\u00e3o baixo que h\u00e1 mais ou menos dois meses, em alguns trechos \u00e9 imposs\u00edvel navegar, porque o motor dos barcos pega na areia do fundo. No leito do rio \u00e9 poss\u00edvel caminhar tranquilamente com \u00e1gua na altura do joelho.<\/p>\n<p>Gerente de um clube de pesca da regi\u00e3o, Cristiano Erig, trabalha no local h\u00e1 20 anos. No \u00e1lbum de fotos dele, uma lembran\u00e7a: o rio com fartura de \u00e1gua, cheio de pescadores e muitos surubins e dourados. \u201c\u00c9 muita tristeza, porque a gente conhece o rio h\u00e1 muitos anos, sempre com muita \u00e1gua. Agora, a gente v\u00ea s\u00f3 praia, praia\u201d, declara.<\/p>\n<div id=\"entenda_o_caso_329\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">No Instituto Nacional de Meteorologia, em Bras\u00edlia, o meteorologista Mamedes Luiz Mello, explica que a regi\u00e3o das nascentes do Rio Paracatu recebeu pouca chuva nos \u00faltimos tr\u00eas anos. A m\u00e9dia hist\u00f3rica \u00e9 1.300 mil\u00edmetros, mas na \u00faltima temporada foram s\u00f3 848 mil\u00edmetros. \u201cN\u00e3o chovendo na nascente, consequentemente na frente o rio vai sofrer com isso, se seus afluentes tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o sofrendo com a falta de chuva\u201d, explica.<\/div>\n<p>O Rio Paracatu nasce no munic\u00edpio de Lagamar, no oeste de Minas Gerais. Tem 485 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e desagua no Rio S\u00e3o Francisco, entre as cidades de Santa F\u00e9 de Minas e Buritizeiro.<\/p>\n<p>O produtor Miguel Rodrigues Pereira vive em um s\u00edtio no munic\u00edpio de Paracatu. Em 12 hectares, ele cria 68 vacas. No local, passava o c\u00f3rrego S\u00e3o Domingos que faz parte da bacia do Paracatu. H\u00e1 dois meses o c\u00f3rrego secou.<\/p>\n<p>A lagoa que ficava no meio do s\u00edtio tamb\u00e9m n\u00e3o resistiu. \u00c1gua para o gado, s\u00f3 de uma po\u00e7a lamacenta. A mulher de Miguel, dona N\u00edvea, j\u00e1 pensa em deixar a terra onde nasceu e criou a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cSe um s\u00edtio n\u00e3o tem \u00e1gua, como que a gente vai residir aqui? Como a gente vai plantar? Como a gente vai criar os animais? N\u00e3o tem como criar galinha, porco, uma vaca um cavalo, porque n\u00e3o tem \u00e1gua para beber\u201d, lamenta N\u00edvea Concei\u00e7\u00e3o Gon\u00e7alves Pereira, 68 anos.<br \/>\nNo assentamento Buriti da Conquista, o produtor Luiz Alberto Rabelo de S\u00e1 cria 18 vacas em 40 hectares. Ele tirava ele 130 litros de leite por dia, mas a vereda secou e agora, enfrenta preju\u00edzo. &#8220;N\u00e3o tem retorno nenhum, o retorno vai tudo pro gado\u201d, diz.<\/p>\n<p>Luis conta que h\u00e1 dois anos n\u00e3o chove direito no s\u00edtio. O pasto acabou h\u00e1 muito tempo e que para enfrentar o per\u00edodo de estiagem ele gastou tudo que tinha e comprou uma silagem de milho. A quantidade n\u00e3o \u00e9 para manter a produ\u00e7\u00e3o de leite e sim para evitar que os animais morram de fome.<\/p>\n<p>Duas vacas ficaram t\u00e3o fracas por falta de alimento que atolaram no que restou das veredas e n\u00e3o conseguiram mais levantar.<\/p>\n<p>Preju\u00edzos para os pequenos e tamb\u00e9m para os grandes produtores. A estimativa \u00e9 de que cerca de 30 mil hectares deixaram de ser plantados na regi\u00e3o de Paracatu em junho e julho, a safra irrigada. Em uma propriedade aqui, por exemplo, de 90 hectares, por falta de \u00e1gua o piv\u00f4 est\u00e1 parado e o solo nessa \u00e9poca que deveria ter feij\u00e3o pronto para colher est\u00e1 seco, sem nada.<\/p>\n<p>O produtor Adson Roberto Ribeiro faz parte de uma associa\u00e7\u00e3o com outros 20 agricultores. Eles captam \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o no rio S\u00e3o Pedro, que tamb\u00e9m abastece o rio Paracatu. Assim que perceberam que o volume de \u00e1gua baixou, desligaram os piv\u00f4s. &#8220;Nossa esperan\u00e7a \u00e9 que chuvas se regularizem e que essa gest\u00e3o de \u00e1gua se estenda n\u00e3o s\u00f3 nessa bacia, mas tamb\u00e9m em outras bacias, que o pessoal monitore as vaz\u00f5es dos rios, se programem para plantar, de modo que a gente tenha uma agricultura sustent\u00e1vel\u201d, declara.<\/p>\n<p>Mas nem todos os produtores da bacia do Paracatu deixaram de bombear a \u00e1gua dos rios. V\u00e1rias propriedades continuam irrigando as lavouras.<\/p>\n<p>A secretaria de Meio Ambiente do estado de Minas Gerais informou que nos \u00faltimos dois meses foram registradas 41 infra\u00e7\u00f5es e aplicados quase 300 mil reais em multas. A maior parte por capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua acima do permitido. Nenhuma das multas foi paga, ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>O engenheiro florestal Nivaldo Monteiro, explica que os rios est\u00e3o secando n\u00e3o s\u00f3 por por causa da seca dos \u00faltimos anos. \u201cA infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo depende imensamente, ou da vegeta\u00e7\u00e3o ou da utiliza\u00e7\u00e3o do solo com pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1gua, que possam potencializar e compensar a recarga h\u00eddrica, mesmo com a retirada da vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece o engenheiro florestal.<\/p>\n<p>Para enfrentar a crise h\u00eddrica, a bacia do rio Paracatu conta com algumas ONGs, como a Movimento Verde Paracatu, do bi\u00f3logo Antonio Vieira. Ele luta h\u00e1 trinta anos contra o desmatamento do cerrado nas nascentes da bacia. \u201cO rio Paracatu \u00e9 o maior afluente do S\u00e3o Francisco. Contribui com 26% da \u00e1gua do rio S\u00e3o Francisco. Ent\u00e3o, a bacia do rio Paracatu estando nessa situa\u00e7\u00e3o, reflete tranquilamente l\u00e1 embaixo no S\u00e3o Francisco. A regi\u00e3o vai penar muito, porque sem \u00e1gua do rio Paracatu, a regi\u00e3o fica totalmente comprometida com seus empreendimentos, grandes, pequenos e m\u00e9dios. Com isso, a sociedade vai sentir o peso de voc\u00ea ter um rio morto, numa regi\u00e3o que depende imensamente dele&#8221;, alerta Ant\u00f4nio Eust\u00e1quio Vieira, bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Em toda a bacia do rio Paracatu, vivem quase tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas, mas como ele \u00e9 o principal afluente do S\u00e3o Francisco, suas \u00e1guas ganham import\u00e2ncia para as comunidades mineiras e nordestinas banhadas pelo Velho Chico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Rio Paracatu, principal afluente do S\u00e3o Francisco, agoniza no noroeste de Minas Gerais. 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