{"id":7308,"date":"2014-09-24T10:00:01","date_gmt":"2014-09-24T10:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7308"},"modified":"2014-09-23T20:58:56","modified_gmt":"2014-09-23T20:58:56","slug":"agropecuaria-e-responsavel-por-90-do-desmatamento-ilegal-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agropecuaria-e-responsavel-por-90-do-desmatamento-ilegal-no-brasil\/","title":{"rendered":"Agropecu\u00e1ria \u00e9 respons\u00e1vel por 90% do desmatamento ilegal no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"content clearfix\">\n<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/gado_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-7309\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/gado_.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Derrubada irregular d\u00e1 lugar ao gado e \u00e0 soja. Grande parte dos produtos \u00e9 destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para R\u00fassia, China, EUA e Uni\u00e3o Europeia, revela estudo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por N\u00e1dia Pontes<\/strong>, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dw.de\/agropecu%C3%A1ria-%C3%A9-respons%C3%A1vel-por-90-do-desmatamento-ilegal-no-brasil\/a-17914393\" target=\"_blank\">DW<\/a><\/p>\n<p>Entre 2000 e 2012, a agropecu\u00e1ria foi respons\u00e1vel por metade do desmatamento ilegal nos pa\u00edses tropicais. No Brasil, at\u00e9 90% da derrubada ilegal da floresta neste per\u00edodo ocorreu para dar lugar ao gado e \u00e0 soja. Os n\u00fameros fazem parte de um estudo da organiza\u00e7\u00e3o Forest Trends, divulgado nesta quinta-feira (11\/09).<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da ONG americana baseada em Washington, as situa\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas foram registradas no Brasil e na Indon\u00e9sia. No Brasil, parte consider\u00e1vel dos produtos cultivados nessas \u00e1reas ilegais vai para o mercado externo: at\u00e9 17% da carne e 75% da soja. Os destinos incluem R\u00fassia, China, \u00cdndia, Uni\u00e3o Europeia e Estados Unidos.<\/p>\n<p>Brasil e Indon\u00e9sia s\u00e3o os maiores produtores do mundo de commodities agr\u00edcolas para a exporta\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 colhido nas terras desmatadas ilegalmente nesses pa\u00edses vai parar em cosm\u00e9ticos, produtos dom\u00e9sticos, alimentos e embalagens.<\/p>\n<p>&#8220;Naturalmente, os pa\u00edses compradores tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis. Afinal, eles est\u00e3o importando e consumindo produtos sem prestar aten\u00e7\u00e3o em como foram produzidos. Consequentemente, est\u00e3o criando uma demanda. E as companhias envolvidas no neg\u00f3cio est\u00e3o lucrando&#8221;, avalia Sam Lawson, principal autor do estudo e consultor de institui\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial e Greenpeace. Ele calcula que esse tipo de com\u00e9rcio gere uma receita de 61 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, cerca de 140 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos e reuniu dados publicados em mais de 300 artigos cient\u00edficos, informa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) e dados de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p><strong>Ilegalidade no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o estudo aponta o Brasil como l\u00edder nesse tipo de ilegalidade, ele reconhece que o pa\u00eds reduziu dramaticamente o desmatamento desde 2004. A taxa de derrubada ilegal na Amaz\u00f4nia caiu mais de 70% se comparada aos \u00edndices medidos entre 1996 e 2005.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, as florestas tamb\u00e9m est\u00e3o dentro de propriedades privadas. E, em muitos casos, o \u00fanico documento que o produtor rural tem para justificar sua planta\u00e7\u00e3o \u00e9 um certificado de posse da terra. Eles n\u00e3o t\u00eam, necessariamente, a permiss\u00e3o para cortar a floresta para dar lugar a essa planta\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Lawson.<\/p>\n<p>Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Pol\u00edticas de Combate ao Desmatamento na Amaz\u00f4nia, do Minist\u00e9rio de Meio Ambiente, diz que a apropria\u00e7\u00e3o irregular de terras p\u00fablicas, ou &#8220;grilagem&#8221;, \u00e9 uma das principais causas do desmatamento ilegal. &#8220;Um grileiro nunca vai buscar uma autoriza\u00e7\u00e3o de desmatamento&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O corte da mata tamb\u00e9m \u00e9 feito por propriet\u00e1rios regulares de terra. Mas nem todos respeitam a lei: muitos retiram a vegeta\u00e7\u00e3o nativa para expandir planta\u00e7\u00f5es sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 dada pelo governo estadual. Para aumentar o rigor na fiscaliza\u00e7\u00e3o, o governo federal pretende exigir que os estados repassem as autoriza\u00e7\u00f5es de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o concedidas aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o nacional obriga as propriedades rurais privadas a manter no m\u00ednimo 20% da vegeta\u00e7\u00e3o natural, a chamada Reserva Legal. Por outro lado, ainda n\u00e3o existem dados oficiais que mostrem quem cumpre a lei. A esperan\u00e7a de separar &#8220;o joio do trigo&#8221; est\u00e1 no Cadastro Ambiental Rural (CAR), introduzido com o novo C\u00f3digo Florestal para ajudar no processo de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse cadastro tem que ser feito por todo propriet\u00e1rio e trar\u00e1 informa\u00e7\u00f5es georreferenciadas do im\u00f3vel, com delimita\u00e7\u00e3o das \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente, Reserva Legal, entre outros. &#8220;A pessoa sabe que entrou para um sistema e vai tomar os devidos cuidados para n\u00e3o desrespeitar a legisla\u00e7\u00e3o, e quer ser respeitada por isso&#8221;, analisa Oliveira.<\/p>\n<p><strong>Comida e floresta para todos<\/strong><\/p>\n<p>Cinco campos de futebol de florestas tropicais s\u00e3o destru\u00eddos a cada minuto para suprir a demanda por commodities agr\u00edcolas. A FAO tamb\u00e9m v\u00ea esses n\u00fameros com preocupa\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o estima que, at\u00e9 2050, o mundo precisar\u00e1 de cerca de 60 milh\u00f5es de hectares extras para suprir a demanda por comida.<\/p>\n<p>Para Keneth MacDicken, especialista em assuntos florestais da FAO, seria poss\u00edvel fazer essa expans\u00e3o sem agredir as florestas. &#8220;Aumentar a produtividade, melhorar as t\u00e9cnicas e diminuir o desperd\u00edcio s\u00e3o fundamentais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para acabar com a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em terras desmatadas ilegalmente, \u00e9 importante mostrar que a legalidade \u00e9 rent\u00e1vel. &#8220;Nesse processo, empresas como a Embrapa s\u00e3o muito importantes. Porque elas ajudam os propriet\u00e1rios rurais a produzir de forma mais eficiente e mais r\u00e1pida&#8221;, exemplifica MacDicken.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento na fiscaliza\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia por sat\u00e9lite, Oliveira, do minist\u00e9rio de Meio Ambiente, aposta na parceria com produtores para mostrar que o consumidor tamb\u00e9m est\u00e1 ficando mais exigente. &#8220;Os compradores de soja no mercado internacional n\u00e3o est\u00e3o querendo atrelar o nome ao desmatamento ilegal na Amaz\u00f4nia.&#8221; Essa percep\u00e7\u00e3o criou a chamada &#8220;morat\u00f3ria da Soja&#8221;, em que produtores se comprometeram a n\u00e3o estender o cultivo para \u00e1reas desmatadas.<\/p>\n<p>Lawson s\u00f3 v\u00ea uma sa\u00edda: &#8220;Nada vai funcionar se os governos n\u00e3o tomarem provid\u00eancias contra a ilegalidade&#8221;. O pesquisador admite que, hoje, o tema \u00e9 mais discutido entre produtores e consumidores do que h\u00e1 dez anos. No entanto, se os n\u00fameros do desmatamento associado \u00e0 expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria ainda s\u00e3o altos, a conclus\u00e3o \u00e9 que &#8220;esse combate ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo feito como deveria&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Derrubada irregular d\u00e1 lugar ao gado e \u00e0 soja. 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