{"id":72863,"date":"2017-09-24T12:00:28","date_gmt":"2017-09-24T15:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72863"},"modified":"2017-09-24T11:05:44","modified_gmt":"2017-09-24T14:05:44","slug":"eventos-climaticos-extremos-deixam-o-mundo-mais-instavel-e-faminto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/eventos-climaticos-extremos-deixam-o-mundo-mais-instavel-e-faminto\/","title":{"rendered":"Eventos clim\u00e1ticos extremos deixam o mundo mais inst\u00e1vel e faminto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72864\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nos \u00faltimos meses, Bangladesh tem convivido com\u00a0crises humanit\u00e1rias sucessivas que pressionam as condi\u00e7\u00f5es de vida j\u00e1 delicadas em um pa\u00eds empobrecido. Ao mesmo tempo em que sofrem com os efeitos da crise social que se alastra na vizinha Myanmar contra a minoria mu\u00e7ulmana Rohingya, que foge \u00e0s centenas de milhares de pessoas para o pa\u00eds, os bengalis precisam lidar com os efeitos de uma clima cada vez mais inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>As ondas de calor e as tempestades tropicais que atingem a regi\u00e3o do sul da \u00c1sia vem se tornando mais fortes a cada ano. Neste ver\u00e3o, as regi\u00f5es central e sul de Bangladesh passaram por altas temperaturas, com sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica na casa dos 50 graus Celsius. Na regi\u00e3o, o calor chegou a causar mortes na \u00cdndia e no Paquist\u00e3o em 2017.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as chuvas de mon\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ganharam for\u00e7a nos \u00faltimos anos. De acordo com o departamento meteorol\u00f3gico de Bangladesh, em apenas um dia de agosto passado, o equivalente a uma semana de precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia desabou sobre partes do pa\u00eds em um intervalo de poucas horas. No final do m\u00eas passado, 1\/3 do territ\u00f3rio bengali estava debaixo d\u2019\u00e1gua, matando 142 pessoas e desalojando 8,5 milh\u00f5es\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2017\/09\/15\/injustica-climatica\/\" target=\"_blank\"><em>(saiba mais)<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Junto com as chuvas mais intensas, vieram tamb\u00e9m tempestades tropicais mais fortes. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/reliefweb.int\/disaster\/tc-2017-000058-bgd\" target=\"_blank\">maio passado<\/a>, o ciclone Mora causou grande devasta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, destruindo mais de 52 mil casas e deixando 260 mil pessoas sem teto. No total, estima-se que 3,3 milh\u00f5es de pessoas foram afetadas de alguma forma pelo ciclone, inclusive refugiados Rohingya ao longo da fronteira com Myanmar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_42642\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 650px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42642\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/34827418052_8a64815cf6_h-1024x576.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/34827418052_8a64815cf6_h-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/34827418052_8a64815cf6_h-300x169.jpg 300w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/34827418052_8a64815cf6_h-768x432.jpg 768w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/34827418052_8a64815cf6_h.jpg 1600w\" alt=\"A passagem do ciclone Mora por Bangladesh, em maio passado, deixou 260 mil pessoas desabrigadas e afetou mais de tr\u00eas milh\u00f5es em todo o pa\u00eds (cr\u00e9dito: Mukul Kanti Saha\/Climate Centre\/Flickr - CC BY-NC 2.0)\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>A passagem do ciclone Mora por Bangladesh, em maio passado, deixou 260 mil pessoas desabrigadas e afetou mais de tr\u00eas milh\u00f5es em todo o pa\u00eds (cr\u00e9dito: Mukul Kanti Saha\/Climate Centre\/Flickr \u2013 CC BY-NC 2.0)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os desastres seguidos evidenciam a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.climatechangenews.com\/2017\/08\/14\/will-become-bangladeshs-climate-migrants\/\" target=\"_blank\">vulnerabilidade clim\u00e1tica<\/a>\u00a0de Bangladesh e, num plano mais geral, mostram como a maior incid\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas pode afetar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida de bilh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, causando ou piorando crises humanit\u00e1rias cada vez mais dram\u00e1ticas e complexas no futuro.<\/p>\n<blockquote><p>A amea\u00e7a vai muito al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o material e das perdas humanas causadas por furac\u00f5es ou enchentes: a seguran\u00e7a alimentar e a sa\u00fade b\u00e1sica das pessoas est\u00e3o sob risco crescente em um cen\u00e1rio clim\u00e1tico inst\u00e1vel como o que desenha para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.thelancet.com\/climate-and-health\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0da revista m\u00e9dica\u00a0<em>The Lancet<\/em>\u00a0aponta que a mudan\u00e7a do clima pode minar os ganhos obtidos globalmente nos \u00faltimos 50 anos em mat\u00e9ria de sa\u00fade. Eventos clim\u00e1ticos extremos, como ondas de calor, enchentes, e secas ter\u00e3o\u00a0impacto direto sobre as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida ao longo deste s\u00e9culo, particularmente a disponibilidade de alimentos para um mundo cada vez mais populoso \u2013 e a situa\u00e7\u00e3o atual j\u00e1 \u00e9 bem problem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>A fome avan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com\u00a0<a href=\"https:\/\/reliefweb.int\/sites\/reliefweb.int\/files\/resources\/SOFI2017_EN_WEB.pdf\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0sobre a situa\u00e7\u00e3o da fome no mundo publicado por ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas na \u00faltima sexta (15\/9), a mudan\u00e7a do clima j\u00e1 desempenha um papel importante nas condi\u00e7\u00f5es de nutri\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es vulner\u00e1veis. Depois de uma d\u00e9cada de decl\u00ednio, a fome no mundo aumentou em 2016, afetando mais de 810 milh\u00f5es de pessoas \u2013 38 milh\u00f5es a mais que no ano anterior. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, a maior ocorr\u00eancia de secas e enchentes est\u00e1 exacerbando conflitos armados e recess\u00e3o econ\u00f4mica em locais como a \u00c1frica subsaariana e a \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>\u201cEventos associados \u00e0 meteorologia \u2013 em parte ligados \u00e0 mudan\u00e7a do clima \u2013 afetaram a disponibilidade de alimento em muitos pa\u00edses e contribuiu para o aumento da inseguran\u00e7a alimentar\u201d, apontou o relat\u00f3rio\u00a0<em>(tabela abaixo)<\/em>. \u201cProblemas de inseguran\u00e7a alimentar aguda e desnutri\u00e7\u00e3o tendem a ser magnificados quando desastres naturais como secas e enchentes agravam as consequ\u00eancias dos conflitos. A ocorr\u00eancia conjunta de conflitos e desastres naturais associados ao clima provavelmente aumentar\u00e1 com a mudan\u00e7a do clima, j\u00e1 que ela n\u00e3o apenas magnifica problemas de inseguran\u00e7a alimentar, mas tamb\u00e9m contribui para uma nova espiral descendente para mais conflitos, crises prolongadas e fragilidade cont\u00ednua\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-42617\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/tabela-relat%C3%B3rio-fome-2017.jpg\" sizes=\"(max-width: 999px) 100vw, 999px\" srcset=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/tabela-relat\u00f3rio-fome-2017.jpg 947w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/tabela-relat\u00f3rio-fome-2017-300x161.jpg 300w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/tabela-relat\u00f3rio-fome-2017-768x413.jpg 768w\" alt=\"tabela relat\u00f3rio fome 2017\" width=\"640\" height=\"344\" \/><\/p>\n<p>Por conta da falta de chuvas, a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria na \u00c1frica subsaariana, particularmente nas regi\u00f5es do Sahel e no chamado \u201cChifre da \u00c1frica\u201d, na ponta oriental do continente, \u00e9 dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>No Sahel, a estiagem que se arrasta h\u00e1 seis anos afetou diretamente a subsist\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas, refor\u00e7ando tens\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais em pa\u00edses afligidos por conflitos armados, como Chade, Mali e Niger.\u00a0As ag\u00eancias humanit\u00e1rias que atuam na regi\u00e3o estimam que cerca de 30 milh\u00f5es de pessoas sofrem com inseguran\u00e7a alimentar na regi\u00e3o, sendo que 12 milh\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<blockquote><p>A pobreza extrema, a inseguran\u00e7a alimentar e a viol\u00eancia na Sahel acabam sendo refor\u00e7adas pela falta de chuvas e pelas sucessivas safras fracassadas, o que restringe ainda mais o acesso \u00e0 comida e aprofunda dificuldades estruturais para a subsist\u00eancia local.<\/p><\/blockquote>\n<p>Parte importante da degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida no Sahel acontece na bacia do Lago Chade\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2017\/04\/17\/chade-uma-crise-silenciada\/\" target=\"_blank\"><em>(saiba mais)<\/em><\/a>, outrora um dos maiores corpos d\u2019\u00e1gua do planeta, mas que perdeu quase 95% de seu volume de \u00e1gua nos \u00faltimos 50 anos. Dentre os fatores respons\u00e1veis por esta redu\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a do clima tem um peso relevante: o cintur\u00e3o de chuvas tropicais que incidia sobre o lago se moveu para o sul nas \u00faltimas d\u00e9cadas, resultando em menor precipita\u00e7\u00e3o sobre a bacia do Chade e acelerando seu esvaziamento.<\/p>\n<p>Sem a \u00e1gua do Lago Chade para abastecer as pessoas e irrigar as lavouras, a subsist\u00eancia de 20 milh\u00f5es de pessoas est\u00e1 em risco, com casos de desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e fome. A falta de \u00e1gua e de comida \u00e9 agravada pela crise de refugiados nigerianos que fogem da viol\u00eancia brutal do grupo terrorista Boko Haram, respons\u00e1vel pela morte de 20 mil pessoas e pelo deslocamento for\u00e7ado de 2,3 milh\u00f5es desde 2009, e buscam ref\u00fagio no entorno do Lago Chade.<\/p>\n<p>Na Som\u00e1lia, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtico. Castigada por d\u00e9cadas de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o material e humana, o pa\u00eds vem sofrendo desde 2015 com mais uma forte seca que afetou a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no interior, particularmente nas regi\u00f5es de Puntl\u00e2ndia e Somalil\u00e2ndia (na ponta do continente), al\u00e9m de Jubal\u00e2ndia (no sul do pa\u00eds). Como em outras ocasi\u00f5es, a seca refor\u00e7ou as tens\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que dividem a Som\u00e1lia desde o final dos anos 1980, intensificando o conflito armado local.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno El Ni\u00f1o de 2015-16\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2016\/04\/11\/mudancas-do-clima-e-el-nino-ameacam-seguranca-alimentar-na-africa\/\" target=\"_blank\"><em>(saiba mais)<\/em><\/a>\u00a0agravou um cen\u00e1rio de estiagem que arruinou as lavouras, reduzindo a disponibilidade de alimentos para uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 sofre com problemas persistentes de desnutri\u00e7\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/reliefweb.int\/disaster\/dr-2015-000134-som\" target=\"_blank\">Estima-se<\/a>\u00a0que 3,2 milh\u00f5es de somalis est\u00e3o sofrendo hoje com efeitos diretos e indiretos da seca.<\/p>\n<blockquote><p>At\u00e9 junho passado, as Na\u00e7\u00f5es Unidas apontavam que mais de 730 mil pessoas estavam desalojadas por conta da seca na Som\u00e1lia \u2013 deste total, quase 65% era composto por jovens com at\u00e9 18 anos de idade.<\/p><\/blockquote>\n<p>A crise atual na Som\u00e1lia acontece apenas seis anos depois da \u00faltima grande estiagem, que tamb\u00e9m devastou o interior do pa\u00eds, resultando na morte de 250 mil pessoas, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/reliefweb.int\/node\/1907713\" target=\"_blank\">dados<\/a>\u00a0do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Coordena\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria (OCHA, sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Na vizinha Eti\u00f3pia \u2013 famosa nos anos 1980 pela profunda crise humanit\u00e1ria que inspirou m\u00fasicos e artistas para a realiza\u00e7\u00e3o de concertos beneficentes como o Live Aid, em 1985\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2014\/07\/20\/o-espetaculo-da-fome-2\/\" target=\"_blank\"><em>(saiba mais)<\/em><\/a>\u00a0-, a seca tamb\u00e9m amea\u00e7a a subsist\u00eancia humana local.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nrc.no\/news\/2017\/ethiopia-crisis-worsens-as-drought-prevails\/\" target=\"_blank\">De acordo<\/a>\u00a0com a ONG\u00a0<em>Norwegian Refugee Council<\/em>\u00a0(NRC), mais de oito milh\u00f5es de pessoas (incluindo cerca de 800 mil refugiados somalis ao longo da fronteira) est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de necessidade pela falta de \u00e1gua e comida.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tamb\u00e9m sofreu bastante com os efeitos do El Ni\u00f1o entre 2015 e 2016, com dificuldades que persistem at\u00e9 hoje. Na \u00faltima temporada chuvosa, entre a primavera e o ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio norte, a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia ficou novamente abaixo da m\u00e9dia, particularmente no sul e leste do pa\u00eds, o que intensificou as condi\u00e7\u00f5es de seca nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_42641\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 650px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-42641\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/UN052531_1000x667.jpg\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/UN052531_1000x667.jpg 1000w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/UN052531_1000x667-300x200.jpg 300w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/UN052531_1000x667-768x512.jpg 768w\" alt=\"A seca provocada pelo El Ni\u00f1o nos \u00faltimos dois anos na Eti\u00f3pia persistiu em 2017, com mais uma temporada chuvosa com precipita\u00e7\u00f5es abaixo da m\u00e9dia; mais de oito milh\u00f5es est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de necessidade no pa\u00eds, como a pequena Sulem Hire, de nove anos, que vive perto da fronteira com a Som\u00e1lia (cr\u00e9dito: Mulugeta Ayene\/UNICEF)\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>A seca provocada pelo El Ni\u00f1o nos \u00faltimos dois anos na Eti\u00f3pia persistiu em 2017, com mais uma temporada chuvosa com precipita\u00e7\u00f5es abaixo da m\u00e9dia; mais de oito milh\u00f5es est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de necessidade no pa\u00eds, como a pequena Sulem Hire, de nove anos, que vive perto da fronteira com a Som\u00e1lia (cr\u00e9dito: Mulugeta Ayene\/UNICEF)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Os riscos para seguran\u00e7a alimentar na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>Pelas circunst\u00e2ncias socioecon\u00f4micas e clim\u00e1ticas, a \u00c1frica e a \u00c1sia acabam sofrendo mais fortemente com os efeitos da instabilidade do clima sobre a disponibilidade de alimento para a popula\u00e7\u00e3o, mas o cen\u00e1rio latino-americano n\u00e3o \u00e9 melhor. Seguindo a tend\u00eancia global, a fome na Am\u00e9rica Latina e Caribe avan\u00e7ou ligeiramente em 2016. De acordo com as Na\u00e7\u00f5es Unidas, o percentual de pessoas subnutridas na regi\u00e3o aumentou de 6,3% para 6,6% no \u00faltimo ano, o maior \u00edndice desde 2011. No continente, mais de 40 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o tem acesso suficiente a alimentos.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, a fome est\u00e1 mais associada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas do que \u00e0 quest\u00e3o clim\u00e1tica e a produ\u00e7\u00e3o e disponibilidade de alimento. Parte importante da piora dos indicadores regionais se deve \u00e0 grave crise pol\u00edtico-econ\u00f4mica que afeta a Venezuela nos \u00faltimos dois anos, que reduziu a disponibilidade de alimentos e de recursos para sua compra por parte dos venezuelanos. No pa\u00eds, a taxa de desnutri\u00e7\u00e3o passou de 10,5% para 13% na \u00faltima d\u00e9cada, saltando de 2,8 milh\u00f5es para 4,1 milh\u00f5es de desnutridos \u2013 sendo que os n\u00fameros n\u00e3o incluem dados de 2017.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a maior ocorr\u00eancia de secas e outros eventos clim\u00e1ticos extremos poder\u00e1 colocar a Am\u00e9rica Latina em uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u201cO aumento da incid\u00eancia da seca e de fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos extremos, entre outros efeitos da mudan\u00e7a do clima, apontam para consequ\u00eancias negativas na produ\u00e7\u00e3o alimentar que ser\u00e3o cada vez mais graves ap\u00f3s 2030\u201d, indicou Crispim Moreira, especialista brasileiro da Organiza\u00e7\u00e3o da ONU para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.efe.com\/efe\/brasil\/sociedade\/fao-adverte-para-problemas-com-alimentos-na-america-latina-a-partir-de-2030\/50000246-3358050#\" target=\"_blank\">entrevista<\/a>\u00a0\u00e0 Ag\u00eancia EFE.<\/p>\n<p>Citando dados do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/publications\/sofa\/2016\/en\/\" target=\"_blank\">relat\u00f3rio \u201cEstado Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o e da Agricultura 2016\u201d<\/a>, publicado pela FAO no final do ano passado, Moreira aponta o Brasil como um dos pa\u00edses com maior potencial de ser afetado, dado o tamanho do setor agropecu\u00e1rio. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser mais delicada em outros pa\u00edses da regi\u00e3o, mais vulner\u00e1veis aos efeitos da mudan\u00e7a do clima. \u201cTr\u00eas dos cinco pa\u00edses com maior risco de enfrentar desastres vinculados ao clima est\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e no Caribe \u2013 Honduras, Haiti e Nicar\u00e1gua\u201d, disse Moreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses, Bangladesh tem convivido com\u00a0crises humanit\u00e1rias sucessivas que pressionam as condi\u00e7\u00f5es de vida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72864,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/mundo_faminto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos \u00faltimos meses, Bangladesh tem convivido com\u00a0crises humanit\u00e1rias sucessivas que pressionam as condi\u00e7\u00f5es de vida","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72863"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72863"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72863\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}