{"id":72859,"date":"2017-09-24T10:58:22","date_gmt":"2017-09-24T13:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72859"},"modified":"2017-09-24T10:58:44","modified_gmt":"2017-09-24T13:58:44","slug":"sapos-venenosos-podem-nos-ajudar-a-produzir-analgesicos-melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sapos-venenosos-podem-nos-ajudar-a-produzir-analgesicos-melhores\/","title":{"rendered":"Sapos venenosos podem nos ajudar a produzir analg\u00e9sicos melhores"},"content":{"rendered":"<p><i><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/amarelinho.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72860\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/amarelinho-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/amarelinho-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/amarelinho.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Phyllobates terribilis<\/i>. Esse \u00e9 o nome cient\u00edfico do simp\u00e1tico anf\u00edbio a\u00ed em cima. Ele tem 5,5 cent\u00edmetros \u2013 mais ou menos o tamanho de uma pe\u00e7a de LEGO \u2013, e cont\u00e9m veneno suficiente\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/amphibians\/g\/golden-poison-frog\/\">para matar dez pessoas numa tacada s\u00f3<\/a>\u00a0(o que provavelmente explica o\u00a0<i>terribilis\u00a0<\/i>do nome).<\/p>\n<p>A morte \u00e9 r\u00e1pida: a subst\u00e2ncia secretada pela pele do animal, comum na Col\u00f4mbia, impede o c\u00e9rebro da v\u00edtima de enviar sinais el\u00e9tricos para o resto do corpo. Todos os m\u00fasculos s\u00e3o paralisados \u2013 inclusive o cora\u00e7\u00e3o e o diafragma, respons\u00e1vel pela respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>terribilis\u00a0<\/i>\u00e9 mencionado por v\u00e1rias fontes como o vertebrado mais venenoso do planeta. Um m\u00edsero grama de seus alcal\u00f3ides, chamados\u00a0<a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Batracotoxina\">batracotoxinas<\/a>, \u00e9suficiente para matar 15 mil seres humanos. Ele, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. H\u00e1 mais de 100 esp\u00e9cies de anf\u00edbios t\u00f3xicos por a\u00ed, que contam com um arsenal de algumas d\u00fazias de subst\u00e2ncias letais.<\/p>\n<p>A pergunta de um milh\u00e3o de d\u00f3lares, nesse caso, \u00e9 simples: como bichinhos desse tamanho se tornaram imunes a subst\u00e2ncias t\u00e3o perigosas \u2013 a ponto de andarem por a\u00ed com a pele besuntada por elas sem serem afetados? A resposta est\u00e1 em\u00a0<a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/357\/6357\/1261\">um artigo cient\u00edfico<\/a>\u00a0publicado hoje na\u00a0<i>Science<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cSer t\u00f3xico \u00e9 bom para sua sobreviv\u00eancia \u2013 te d\u00e1 uma vantagem sobre seus predadores\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2017\/09\/170915144151.htm\">explica Rebecca Tarvin<\/a>, bi\u00f3loga da Universidade do Texas e l\u00edder do estudo. \u201cEnt\u00e3o por que n\u00e3o h\u00e1 mais animais t\u00f3xicos por a\u00ed? Nosso estudo mostra que a principal restri\u00e7\u00e3o \u00e9 se os animais ser\u00e3o capazes de desenvolver resist\u00eancia \u00e0s suas pr\u00f3prias toxinas. N\u00f3s descobrimos que a evolu\u00e7\u00e3o deu um jeito nisso exatamente da mesma maneira em tr\u00eas grupos diferentes de sapos. Isso \u00e9 muito bonito.\u201d<\/p>\n<p>Tarvin e sua equipe focaram o estudo em um grupo de sapos t\u00f3xicos t\u00edpicos do Equador, que compartilham o mesmo princ\u00edpio ativo: a\u00a0epibatidina, um alcal\u00f3ide com efeito analg\u00e9sico que n\u00e3o vicia, mas \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/watermark.silverchair.com\/api\/watermark?token=AQECAHi208BE49Ooan9kkhW_Ercy7Dm3ZL_9Cf3qfKAc485ysgAAAbYwggGyBgkqhkiG9w0BBwagggGjMIIBnwIBADCCAZgGCSqGSIb3DQEHATAeBglghkgBZQMEAS4wEQQMXagX2ApHsJDaFIf4AgEQgIIBaSBAcBdSak3iwZkMXa67f3-MixdTCv6_Mu09t3uK9Lz2v-ihgaS1-7sX7T7rCzD2_re7BHXtt4nYpnm7yCyCwdu8FK4Qi9gGGbTrD-NmlZoXO1afyG0MJYknY87gpJc_3Ci4Ngh4Gx4DEGLYtn0dTymBIHohGT-PUeyYiqrx6ENAl0nEb_wYxMBgTmSGxvUhwJy8nZXfqb685EE8bz6kpnM3M2DjCCFHE7U3oD-6ocuyK8w2Hf33e4fPj_-VQmG9BYYo-W4egRQUSWSPYXytT_6XlGjCq4HlfPpirfBmZbsefiYeYEXt8aPn7wB8g9wjQ5xTP4f4x4Jc4iqxHMn7lN7lHfqGZi0zsl-g34WG0SFyCTWVkuWJY5S3GLQSRK0UJYq8qW-5Ug0b1DfAAoJwV6hbFcyTLZl7848vyEkm_MevyuhBo26oSW_DpJU_acOvNZalea6FX9kih8CPlT15yO22ADZjrPekKRI\">200 vezes mais forte que a morfina<\/a>. Seu uso terap\u00eautico j\u00e1 foi considerado por m\u00e9dicos, mas a subst\u00e2ncia se torna letal em doses t\u00e3o pequenas que n\u00e3o vale o risco.<\/p>\n<div id=\"attachment_189496\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-189496 \" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" border=\"0\" data-attachment-id=\"189496\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/sapos-venenosos-produzem-analgesico-200-vezes-mais-forte-que-a-morfina\/attachment\/sapo-4\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"sapo\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/09\/sapo1.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"OpenCage\" data-image-caption=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Aten\u00e7\u00e3o: cont\u00e9m epibatidina. N\u00e3o fa\u00e7a carinho. (OpenCage\/Creative Commons)<\/p>\n<\/div>\n<p>Eles tamb\u00e9m analisaram o material gen\u00e9tico de sapos que secretam outras subst\u00e2ncias e de sapos que n\u00e3o secretam nada \u2013 mas servem como base de compara\u00e7\u00e3o. Foram coletadas, ao todo, amostras de 28 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo foi criar uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos DNAs desses animais, mapeando as modifica\u00e7\u00f5es que genes equivalentes sofreram em cada esp\u00e9cie ao longo da hist\u00f3ria.O truque \u00e9 simples: pegue dois sapos, um imune \u00e0 epibatidina (e portanto capaz de secret\u00e1-la) e outro n\u00e3o. Se eles possu\u00edrem apenas dois genes de diferen\u00e7a entre si, as chances de que sejam esses os genes respons\u00e1veis pela imunidade s\u00e3o muito altas.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 preciso entender duas coisas:<\/p>\n<p>1\u00ba: esses sapos n\u00e3o produzem epibatidinas ou batracotoxinas em seu pr\u00f3prio organismo. Essas subst\u00e2ncias perigosas v\u00eam, em geral, dos insetos e outros artr\u00f3podes de que eles se alimentam. Por isso, se um sapo quiser suar veneno pelos poros, ele precisa primeiro se tornar imune \u00e0 ingest\u00e3o desse veneno.<\/p>\n<p>2\u00ba: essas subst\u00e2ncias atuam bagun\u00e7ando o coreto de prote\u00ednas chamadas receptores. Os receptores ficam do lado de fora das nossas c\u00e9lulas, e permitem que elas recebam informa\u00e7\u00f5es sobre o meio exterior. O que uma mol\u00e9cula t\u00f3xica faz, de maneira bem simplificada, \u00e9 se disfar\u00e7ar de outra mol\u00e9cula familiar \u00e0 c\u00e9lula em quest\u00e3o \u2013 e aproveitar a semelhan\u00e7a para dar um comando (muito) errado a ela.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da \u00e1rvore foi um passe de m\u00e1gica: ficou estabelecido que uma prote\u00edna receptora com 2,5 mil amino\u00e1cidos que era resistente \u00e0 epibatidina tinha apenas\u00a0<i>tr\u00eas<\/i>\u00a0amino\u00e1cidos de diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a uma que n\u00e3o era. Como cada amino\u00e1cido \u00e9 codificado por apenas tr\u00eas bases nitrogenadas (as letras A, T, G, C), a diferen\u00e7a entre o DNA de um sapo t\u00f3xico e de um incapaz de sobreviver \u00e0 toxina \u00e9 de apenas seis \u201cletras\u201d.<\/p>\n<p>Em outras palavras, sapos venenosos tem prote\u00ednas receptoras mais malandras, que ignoram os maus conselhos dados pela epibatidina \u2013 e deixam as c\u00e9lulas seguirem sua vida em paz. Isso \u00e9 pura sele\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>A equipe da Universidade do Texas j\u00e1 havia revelado antes o mecanismo de imuniza\u00e7\u00e3o dos sapinhos da fam\u00edlia do\u00a0<i>terribilis<\/i>, que abre essa nota. Entender as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que tornaram cada um desses sapos resistentes aos diferentes alcal\u00f3ides pode ser o pulo do gato para desenvolver analg\u00e9sicos e anest\u00e9sicos mais eficientes para seres humanos.<\/p>\n<p>\u201cQualquer informa\u00e7\u00e3o que pudermos coletar sobre como esses receptores est\u00e3o interagindo com as drogas \u00e9 um novo passo para criarmos drogas cada vez melhores\u201d, afirmou Cecilia Borghese, outra colaboradora do estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Phyllobates terribilis. Esse \u00e9 o nome cient\u00edfico do simp\u00e1tico anf\u00edbio a\u00ed em cima. 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