{"id":72828,"date":"2017-09-23T13:34:50","date_gmt":"2017-09-23T16:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72828"},"modified":"2017-09-23T13:36:24","modified_gmt":"2017-09-23T16:36:24","slug":"raios-cosmicos-ultraenergeticos-tem-origem-extragalactica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/raios-cosmicos-ultraenergeticos-tem-origem-extragalactica\/","title":{"rendered":"Raios c\u00f3smicos ultraenerg\u00e9ticos que atingem a atmosfera t\u00eam origem extragal\u00e1ctica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72829\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores participantes da colabora\u00e7\u00e3o Pierre Auger \u2013 o maior observat\u00f3rio do mundo dedicado ao estudo e \u00e0 detec\u00e7\u00e3o de raios c\u00f3smicos, localizado na prov\u00edncia de Mendoza, na Argentina \u2013 descobriram que, acima de um determinado n\u00edvel de energia, essas part\u00edculas, que s\u00e3o as mais energ\u00e9ticas da natureza e atingem constantemente a atmosfera terrestre, t\u00eam origem extragal\u00e1ctica.<\/p>\n<p>A descoberta foi descrita em um artigo publicado nesta sexta-feira (22\/09) na revista\u00a0<i>Science<\/i>\u00a0pela colabora\u00e7\u00e3o, que conta com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 500 cientistas, provenientes dos 17 pa\u00edses-membros, dentre eles 30 do Brasil.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores vinculados a universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo na colabora\u00e7\u00e3o tem\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/28649\/estudo-dos-raios-cosmicos-de-mais-altas-energias-com-o-observatorio-pierre-auger\/\">apoio<\/a><\/b>\u00a0da FAPESP. J\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de outros estados \u00e9 financiada por outras ag\u00eancias de fomento \u00e0 pesquisa estaduais e federais (<i>Leia mais sobre a participa\u00e7\u00e3o brasileira no Observat\u00f3rio Pierre Auger em\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/maior_observatorio_de_raios_cosmicos_seleciona_proposta_de_atualizacao\/20954\/\" target=\"_blank\"><b>http:\/\/agencia.fapesp.br\/20954\/<\/b><\/a>)<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cA chance de essa conclus\u00e3o ser fruto do acaso \u00e9 de dois em 100 milh\u00f5es\u201d, disse Carola Dobrigkeit Chinellato, professora do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (IFGW-Unicamp) e presidente da comiss\u00e3o brasileira no Observat\u00f3rio Pierre Auger, a Victoria Fl\u00f3rio em entrevista \u00e0 revista\u00a0<b>Pesquisa FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>A partir de dados registrados pelo Observat\u00f3rio entre janeiro de 2004 e agosto de 2016, os pesquisadores observaram que raios c\u00f3smicos ultraenerg\u00e9ticos \u2013 acima de 8 vezes 10<sup>18<\/sup>\u00a0el\u00e9trons-volts (eV) \u2013 chegam em maior n\u00famero \u00e0 Terra vindos de um lado do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Essa regi\u00e3o no c\u00e9u de onde v\u00eam mais raios c\u00f3smicos ultraenerg\u00e9ticos coincide com a localiza\u00e7\u00e3o de grande parte das gal\u00e1xias vizinhas da Via L\u00e1ctea, em um raio de at\u00e9 700 mil anos-luz.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma forte evid\u00eancia de que os raios c\u00f3smicos de altas energias v\u00eam de fora da Via L\u00e1ctea\u201d, disse Chinellato.<\/p>\n<p><b>Part\u00edculas raras<\/b><\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores participantes da colabora\u00e7\u00e3o, a descoberta contribui n\u00e3o apenas para entender a origem dessas part\u00edculas ultraenerg\u00e9ticas, como tamb\u00e9m os mecanismos c\u00f3smicos capazes de imprimir tamanha energia a essas diminutas entidades subat\u00f4micas, que podem viajar a dist\u00e2ncias de trilh\u00f5es de quil\u00f4metros (anos-luz) atrav\u00e9s do espa\u00e7o e chegar \u00e0 Terra carregando energias extremas.<\/p>\n<p>N\u00facleos at\u00f4micos leves como o do hidrog\u00eanio ou pesados como o do ferro, os raios c\u00f3smicos chegam \u00e0 Terra vindos do espa\u00e7o, a todo instante.<\/p>\n<p>O fluxo dessas part\u00edculas subat\u00f4micas para a Terra, contudo, diminui abruptamente conforme a energia aumenta. As de energia acima de 10<sup>18<\/sup>\u00a0de eV, denominadas ultraenerg\u00e9ticas, como a que os pesquisadores detectaram agora, aparecem na Terra com uma frequ\u00eancia de 1 part\u00edcula por quil\u00f4metro quadrado (km\u00b2) por ano.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a origem e os mecanismos c\u00f3smicos de produ\u00e7\u00e3o desses raios c\u00f3smicos ultraenerg\u00e9ticos, conhecidos h\u00e1 mais de 50 anos, continuam sendo um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A fim de identificar ind\u00edcios da origem dessas part\u00edculas subat\u00f4micas de mais alta energia, os pesquisadores membros da colabora\u00e7\u00e3o Auger t\u00eam estudado a distribui\u00e7\u00e3o de suas dire\u00e7\u00f5es de chegada \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>Ao atingirem a atmosfera terrestre, a cerca de 10 km a 20 km de altitude, os raios c\u00f3smicos ultraenerg\u00e9ticos colidem com n\u00facleos at\u00f4micos do ar, como de nitrog\u00eanio e oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Essas colis\u00f5es geram centenas ou milhares de outras part\u00edculas que seguem rumo ao solo, quase \u00e0 velocidade da luz (de cerca de 300 mil km por segundo), na forma de cascatas de part\u00edculas, chamadas de \u201cchuveiro atmosf\u00e9rico extenso\u201d.<\/p>\n<p>As part\u00edculas carregadas no chuveiro excitam as mol\u00e9culas de nitrog\u00eanio no ar, produzindo uma t\u00eanue luz azul, que \u00e9 captada por telesc\u00f3pios de fluoresc\u00eancia do Observat\u00f3rio Pierre Auger durante noites claras.<\/p>\n<p>As part\u00edculas tamb\u00e9m s\u00e3o registradas por 1.660 detectores de superf\u00edcie do observat\u00f3rio, batizado em homenagem ao f\u00edsico franc\u00eas Pierre Auger (1899-1992).<\/p>\n<p>Espalhados por uma \u00e1rea de 3 mil km<sup>2<\/sup>, em uma regi\u00e3o plana ao lado dos Andes, os detectores, que operam ininterruptamente, consistem em tanques de polietileno, preenchidos com 12 mil litros de \u00e1gua ultrapurificada e instrumentalizados com sensores fotomultiplicadores.<\/p>\n<p>Quando as part\u00edculas de um chuveiro atmosf\u00e9rico atravessam a \u00e1gua no interior do tanque \u00e9 emitida luz \u2013 chamada radia\u00e7\u00e3o Cherenkov \u2013 que pode ser medida nos sensores.<\/p>\n<p>Com base na an\u00e1lise desses dois tipos de luz, entre outros dados, \u00e9 poss\u00edvel extrair diversas informa\u00e7\u00f5es sobre o raio c\u00f3smico (dito prim\u00e1rio) que iniciou a cascata de part\u00edculas no alto da atmosfera.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Observation of a large-scale anisotropy in the arrival directions of cosmic rays above 8 \u00d7\u00a0<\/i><i>10<sup>18<\/sup>\u00a0eV<\/i>\u00a0(doi: 10.1126\/science.aan4338), da colabora\u00e7\u00e3o Pierre Auger, pode ser lido na revista\u00a0<i>Science<\/i>em\u00a0<span style=\"color: #0000ee;\"><b><u><a href=\"http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/357\/6357\/1266\">http:\/\/science.sciencemag.org\/content\/357\/6357\/1266<\/a><\/u><\/b><\/span>.<\/p>\n<p>(<i>Com informa\u00e7\u00f5es do N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas &#8211; CBPF<\/i>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores participantes da colabora\u00e7\u00e3o Pierre Auger \u2013 o maior observat\u00f3rio do mundo dedicado ao estudo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cosmico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores participantes da colabora\u00e7\u00e3o Pierre Auger \u2013 o maior observat\u00f3rio do mundo dedicado ao estudo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72828"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72828\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}