{"id":72651,"date":"2017-09-20T15:00:01","date_gmt":"2017-09-20T18:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72651"},"modified":"2017-09-20T07:35:10","modified_gmt":"2017-09-20T10:35:10","slug":"atlas-on-line-ajuda-paises-a-produzir-mais-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atlas-on-line-ajuda-paises-a-produzir-mais-alimentos\/","title":{"rendered":"Atlas on-line financiado pela Bill &#038; Melinda Gates Foundation ajuda pa\u00edses a produzir mais alimentos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/atlas_alimentos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72652\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/atlas_alimentos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/atlas_alimentos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/atlas_alimentos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A popula\u00e7\u00e3o mundial dever\u00e1 ultrapassar os 9 bilh\u00f5es em 2050. Para atender essa demanda, a oferta de alimentos precisar\u00e1 aumentar em pelo menos 70%. O desafio \u00e9 grande: hoje, em um mundo com 7,6 bilh\u00f5es de habitantes, 1 bilh\u00e3o de pessoas passam fome.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior nos pa\u00edses menos desenvolvidos, onde se concentrar\u00e1 a maior parte do crescimento populacional. Nesses locais, o aumento nos pre\u00e7os dos alimentos tem impacto ainda maior, por se tratar de popula\u00e7\u00f5es que gastam de 50% a 80% de seu or\u00e7amento em alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O aumento na urbaniza\u00e7\u00e3o e a melhoria na economia dos pa\u00edses mais pobres s\u00e3o outros fatores que exigem maior oferta de alimentos. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o anual de cereais precisar\u00e1 aumentar em mais de 40% nos pr\u00f3ximos 30 anos. O resultado \u00e9 que a escassez de alimentos se torna um problema para todos os pa\u00edses, pobres ou ricos, como destacam especialistas no assunto.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ser capazes de fornecer respostas confi\u00e1veis sobre quest\u00f5es fundamentais em seguran\u00e7a alimentar, tais como: qual \u00e9 o potencial de produ\u00e7\u00e3o de alimentos para uma regi\u00e3o ou pa\u00eds, na \u00e1rea cultiv\u00e1vel existente, com os recursos dispon\u00edveis em \u00e1gua, caso os agricultores adotem as melhores pr\u00e1ticas de gerenciamento?\u201d, exemplificou Patricio Grassini, professor de Agronomia na University of Nebraska-Lincoln, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/week2017\/nebraska-texas\" target=\"_blank\"><b>FAPESP Week Nebraska-Texas<\/b><\/a>, que re\u00fane pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil at\u00e9 22 de setembro nas cidades de Lincoln (Nebraska) e Lubbock (Texas).<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 poss\u00edvel a um determinado pa\u00eds se tornar autossuficiente na produ\u00e7\u00e3o de alimentos at\u00e9 2030 ou at\u00e9 2050? Em caso afirmativo, haver\u00e1 produ\u00e7\u00e3o excedente para exportar? Qual o volume? Em um pa\u00eds com \u00e1rea cultiv\u00e1vel insuficiente, quanto de alimentos ser\u00e1 preciso importar?&#8221;, ele continuou. &#8220;Esses s\u00e3o outros exemplos de quest\u00f5es importantes que precisamos abordar e que nos levaram a criar o Global Yield Gap and Water Productivity Atlas [<b><a href=\"http:\/\/www.yieldgap.org\/\" target=\"_blank\">GYGA<\/a><\/b>].\u201d<\/p>\n<p>Nascido na Argentina, Grassini \u00e9 um dos coordenadores dessa plataforma gratuita baseada na internet para auxiliar os pa\u00edses a melhorar a produtividade agr\u00edcola, resultando na oferta de mais alimentos com menor custo.<\/p>\n<p>\u201cO GYGA emprega uma abordagem consistente, transparente e reproduz\u00edvel para determinar o potencial de produtividade, lacunas de produtividade e uso de \u00e1gua. Fornecemos dados georreferenciados e agronomicamente robustos que podem ser aplicados por todo o mundo. Simulamos o potencial de produtividade para locais espec\u00edficos a partir do uso de modelos baseados em dados validados sobre clima, solo e gerenciamento das \u00e1reas cultivadas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Lacuna de produtividade (\u201cyield gap\u201d) \u00e9 o potencial desperdi\u00e7ado em uma regi\u00e3o, ou seja, o que a regi\u00e3o poderia produzir mas n\u00e3o produz, em compara\u00e7\u00e3o com outras regi\u00f5es semelhantes. Um exemplo est\u00e1 na ado\u00e7\u00e3o de modernas tecnologias de cultivo, que faz com que pa\u00edses na Am\u00e9rica do Norte e Europa produzam mais e melhor do que outros na \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cO potencial de produtividade \u00e9 um desafio que somente ser\u00e1 vencido por meio da intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de sistemas agr\u00e1rios de modo que cada hectare de \u00e1rea cultivada produza perto do seu potencial ao mesmo tempo em que o impacto ambiental \u00e9 minimizado\u201d, disse Grassini.<\/p>\n<p>O GYGA ajuda a identificar regi\u00f5es com maior potencial para o aumento da produtividade agr\u00edcola. Ou seja, \u00e1reas mais indicadas para investir na produ\u00e7\u00e3o e na pesquisa e desenvolvimento em alimentos. Os dados da plataforma podem ser usados em simula\u00e7\u00f5es para calcular como e quando um pa\u00eds poder\u00e1 alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar por meio da intensifica\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ou, caso isso n\u00e3o seja poss\u00edvel, quanto de alimentos ser\u00e1 preciso importar.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a alimentar, conforme definida pelo World Food Summit em 1996, existe quando \u201ctodas as pessoas, em todos os momentos, t\u00eam acesso f\u00edsico, social e econ\u00f4mico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos para atender \u00e0s necessidades diet\u00e9ticas de uma vida produtiva e saud\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O GYGA vem sendo desenvolvido desde 2011. Re\u00fane dados sobre culturas de soja, batata, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho e outros cereais de mais de 50 pa\u00edses. \u00c9 voltado a produtores, governos e tomadores de decis\u00e3o e permite identificar regi\u00f5es com maior potencial para melhorar tanto a oferta de alimentos como a efici\u00eancia no uso de \u00e1gua. Tamb\u00e9m visa oferecer dados para modelos econ\u00f4micos globais relacionados \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e ao uso da terra.<\/p>\n<p>\u201cO potencial de produtividade \u00e9 determinado por fatores como luz solar, temperatura, di\u00f3xido de carbono, tipos de culturas, chuva e solo. E \u00e9 limitado por itens como baixa fertilidade do solo, gerenciamento ruim, insetos, pragas e doen\u00e7as\u201d, disse.<\/p>\n<p>O atlas, segundo Grassini, tamb\u00e9m fornece subs\u00eddios para priorizar investimentos em pesquisa e avaliar o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais e de outros assuntos que lidem com \u00e1gua, alimentos e clima.<\/p>\n<p>Os focos iniciais do atlas s\u00e3o a \u00c1frica Subsaariana (nos pa\u00edses Burkina Faso, Gana, Mali, N\u00edger, Nig\u00e9ria, Eti\u00f3pia, Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia, Uganda e Z\u00e2mbia), Oriente M\u00e9dio (Marrocos, Tun\u00edsia e Jord\u00e2nia), sul da \u00c1sia (\u00cdndia e Bangladesh), Am\u00e9rica do Sul (Argentina e Brasil), Austr\u00e1lia, Europa e Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, contamos com a ajuda de diversos colaboradores, coordenados por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8203\/fabio-ricardo-marin?q=Fabio%20Ricardo%20Marin\" target=\"_blank\"><b>F\u00e1bio Ricardo Marin<\/b><\/a>\u00a0[professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo]\u201d, disse Grassini.<\/p>\n<p><b>Potencial no Brasil<\/b><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds de produtividade elevada. Nos \u00faltimos 30 anos, por exemplo, a \u00e1rea plantada com gr\u00e3os aumentou 42%, mas o ganho em produtividade foi muito maior, superior a 220%.<\/p>\n<p>A produtividade brasileira na produ\u00e7\u00e3o de soja, segundo o GYGA, \u00e9 de 2,8 toneladas por hectare (t\/ha), igual \u00e0 dos Estados Unidos. Mas na cultura de milho a diferen\u00e7a \u00e9 grande: 9,4 t\/ha nos Estados Unidos contra 4,5 t\/ha no Brasil.<\/p>\n<p>Nos dados sobre o Brasil, o atlas destaca que apenas 3% da \u00e1rea cultivada \u00e9 alugada, que a soja \u00e9 a principal cultura (com 42% da \u00e1rea cultivada) e que em v\u00e1rios locais (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goi\u00e1s e Paran\u00e1) os produtores conseguem duas safras por ano.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cana-de-a\u00e7\u00facar, a produ\u00e7\u00e3o brasileira mais do que dobrou de 2000 a 2013, mas 88% desse aumento deriva da expans\u00e3o da \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o e apenas 12% v\u00eam do aumento na produtividade\u201d, disse Grassini.<\/p>\n<p>Segundo os dados dispon\u00edveis no GYGA, a m\u00e9dia de produtividade da cultura de cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil atualmente \u00e9 62% do potencial de produtividade. Ou seja, o potencial de crescimento \u00e9 muito grande com a mesma \u00e1rea cultivada atualmente.<\/p>\n<p><b>Seguran\u00e7a h\u00eddrica<\/b><\/p>\n<p>O GYGA tamb\u00e9m aborda outro tema fundamental para a seguran\u00e7a alimentar, que \u00e9 o uso da \u00e1gua. A agricultura \u00e9 a atividade que mais usa \u00e1gua. Cerca de 70% de toda a \u00e1gua apropriada para o uso humano \u00e9 ou ser\u00e1 usada para a irriga\u00e7\u00e3o de culturas agr\u00edcolas. S\u00e3o usados cerca de 3,5 mil litros de \u00e1gua para produzir um quilo de arroz; 15 mil litros para um quilo de carne bovina.<\/p>\n<p>H\u00e1 \u2013 por enquanto \u2013 \u00e1gua suficiente para as necessidades futuras da humanidade, segundo a ONU, mas o quadro n\u00e3o \u00e9 igual em todo o mundo. Muitas e enormes regi\u00f5es s\u00e3o absolutamente carentes de \u00e1gua, em um cen\u00e1rio que afeta bilh\u00f5es de pessoas, grande parte com condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cGrandes mudan\u00e7as em pol\u00edtica e gest\u00e3o, por toda a cadeia produtiva agr\u00edcola, s\u00e3o necess\u00e1rias para garantir a melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos dispon\u00edveis de modo a atender \u00e0s crescentes demandas por alimentos e outros produtos agr\u00edcolas\u201d,\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.un.org\/waterforlifedecade\/food_security.shtml\" target=\"_blank\">destaca<\/a>\u00a0<\/b>a ONU.<\/p>\n<p>\u201cOs recursos h\u00eddricos para a agricultura est\u00e3o sob press\u00e3o. A efici\u00eancia com que a \u00e1gua \u00e9 convertida em alimentos, ou seja, a produtividade da \u00e1gua, \u00e9 outra quest\u00e3o cr\u00edtica\u201d, disse Grassini.<\/p>\n<p>O GYGA ressalta que o Brasil tem clima favor\u00e1vel para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com rela\u00e7\u00e3o ao seu regime de chuvas, com \u00edndices anuais que variam de 700 mil\u00edmetros (no Nordeste) a 2.100 mil\u00edmetros (no Sul, Sudeste e Centro-Oeste) de precipita\u00e7\u00e3o por ano. Apenas 9% da \u00e1rea total cultivada no pa\u00eds \u00e9 de \u00e1rea apenas irrigada.<\/p>\n<p>Apesar de per\u00edodos de seca comuns a muitas \u00e1reas, a situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 muito melhor do que pa\u00edses como o N\u00edger, que tem grande variabilidade pluviom\u00e9trica, com grandes per\u00edodos de seca. O pa\u00eds africano tem 1,2 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, mas com dois ter\u00e7os de \u00e1reas des\u00e9rticas.<\/p>\n<p>\u00c0 disponibilidade irregular da \u00e1gua se somam a crescente infertilidade do solo e a baixa produtividade da agricultura do pa\u00eds africano, baseada em pequenas propriedades e com baixo uso de tecnologia. A produtividade do N\u00edger na cultura de milho, por exemplo, \u00e9 de apenas 1 tonelada por hectare, nove vezes menos do que a dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Estima-se que, se a \u00c1frica Subsaariana tivesse a mesma produtividade agr\u00edcola do Brasil, precisaria de uma \u00e1rea cultivada 65% menor. Essa \u00e9 uma das lacunas de produtividade que os respons\u00e1veis pelo Global Yield Gap and Water Productivity Atlas esperam ajudar a reduzir.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do atlas tem financiamento da Bill &amp; Melinda Gates Foundation, do Robert B. Daugherty Water for Food Institute na University of Nebraska, da United States Agency for International Development e da Wageningen University (Holanda).<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es acesse o Global Yield Gap and Water Productivity Atlas no endere\u00e7o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.yieldgap.org\/\" target=\"_blank\"><b>www.yieldgap.org<\/b><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A popula\u00e7\u00e3o mundial dever\u00e1 ultrapassar os 9 bilh\u00f5es em 2050. 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