{"id":72450,"date":"2017-09-16T11:00:21","date_gmt":"2017-09-16T14:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72450"},"modified":"2017-09-16T10:04:15","modified_gmt":"2017-09-16T13:04:15","slug":"a-rodovia-br-101-e-o-pior-caminho-para-a-rebio-de-sooretama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-rodovia-br-101-e-o-pior-caminho-para-a-rebio-de-sooretama\/","title":{"rendered":"A rodovia BR-101 \u00e9 o pior caminho para a Rebio de Sooretama"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/br-101.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72451\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/br-101-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/br-101-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/br-101.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Reserva Biol\u00f3gica (Rebio) de Sooretama \u00e9 uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) federal, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, localizada no norte do Estado do Esp\u00edrito Santo, a 170 quil\u00f4metros da capital Vit\u00f3ria pela rodovia BR-101. Entretanto, longe de ser o melhor caminho para a Rebio de Sooretama, o trecho da BR-101 que atravessa o interior da reserva foi constru\u00eddo no final da d\u00e9cada de 1960, durante o governo militar no Brasil, \u00e0 revelia da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, por ser uma \u00c1rea Protegida pelo C\u00f3digo Florestal da \u00e9poca. Desde sua inaugura\u00e7\u00e3o, essa rodovia promove a matan\u00e7a de animais por atropelamento e isola as popula\u00e7\u00f5es de animais e plantas silvestres. Al\u00e9m disso, a BR-101, uma das mais movimentadas rodovias do pa\u00eds, \u00e9 um vetor de polui\u00e7\u00e3o e press\u00e3o antr\u00f3pica sobre a Rebio de Sooretama e sua Zona de Amortecimento (ZA), gerando v\u00e1rios conflitos ambientais no uso e ocupa\u00e7\u00e3o da terra e das \u00e1guas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A reserva \u00e9 a mais antiga \u00e1rea protegida no Esp\u00edrito Santo e \u00e9 uma das maiores UCs de prote\u00e7\u00e3o integral na Floresta de Tabuleiro da Mata Atl\u00e2ntica, com 27.858,68 hectares. A Rebio de Sooretama abrange os munic\u00edpios de Jaguar\u00e9, Linhares, Sooretama e Vila Val\u00e9rio, mas a maior parte da reserva est\u00e1 no munic\u00edpio de Sooretama, um dos mais jovens munic\u00edpios do Esp\u00edrito Santo, emancipado em 1994, que levou o mesmo nome da reserva. Cerca de 40% da \u00e1rea do munic\u00edpio de Sooretama faz parte da Rebio de Sooretama. O nome Sooretama na l\u00edngua ind\u00edgena tupi significa \u2018terra dos animais da floresta\u2019, este foi o sentido empregado pelo Governo Federal ao estabelecer a UC na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Rebio de Sooretama \u00e9 resultado, principalmente, do esfor\u00e7o do naturalista e pesquisador \u00c1lvaro Aguirre, servidor p\u00fablico da antiga Divis\u00e3o de Ca\u00e7a e Pesca do Minist\u00e9rio da Agricultura. Em 1942, Aguirre foi designado para realizar um estudo sobre a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de uma reserva de animais silvestres no Esp\u00edrito Santo, em uma \u00e1rea doada pelo Governo do Estado ao Governo Federal. Preocupado com o processo de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo no norte do Esp\u00edrito Santo j\u00e1 na \u00e9poca, Aguirre escreveu em seu relat\u00f3rio: \u201cTais motivos n\u00e3o permitem que seja adiada para mais tarde a reserva de uma \u00e1rea de terra naquela regi\u00e3o, para os fins em vista, se quisermos legar aos nossos descendentes um pouco de nossa fauna e flora herdados dos nossos antepassados (&#8230;). A cria\u00e7\u00e3o de uma reserva florestal no Vale do Rio Doce com o fim de proteger e apascentar os animais silvestres pertencentes \u00e0 nossa fauna ind\u00edgena, nos moldes sugeridos no presente relat\u00f3rio, consagrar\u00e1 uma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica perante a consci\u00eancia das futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221;. Outros pesquisadores tamb\u00e9m foram importantes para a cria\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da Rebio de Sooretama, como o naturalista e pesquisador Augusto Ruschi, Patrono da Ecologia do Brasil, que nos anos de 1936 a 1939 visitou a regi\u00e3o nas expedi\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o da reserva, e, em 1981, colaborou na elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Manejo da reserva.<\/p>\n<div id=\"attachment_55729\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55729\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-2.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-2-278x185.jpg 278w\" alt=\"Tem uma estrada no meio do caminho da Reserva Biol\u00f3gica de Sooretema. Foto: Leonardo Mer\u00e7on. \" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Tem uma estrada no meio do caminho da Reserva Biol\u00f3gica de Sooretema. Foto: Leonardo Mer\u00e7on.<\/p>\n<\/div>\n<p>O processo legal de cria\u00e7\u00e3o da Rebio de Sooretama se iniciou em 1941, quando a Reserva Florestal de Barra Seca foi criada pelo Governo Estadual. Em 1943, o Parque de Reserva, Ref\u00fagio e Cria\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres Sooretama foi criado pelo Governo Federal em uma \u00e1rea doada pelo Governo do Estado, adjacente \u00e0 Reserva Florestal de Barra Seca. Em 1955, o Governo Estadual doou ao Governo Federal a Reserva Florestal de Barra Seca. Em 1969, o Parque de Reserva, Ref\u00fagio e Cria\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres Sooretama foi denominado como Reserva Biol\u00f3gica de Sooretama, atual nome da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. Em 1971, a \u00e1rea da Rebio de Sooretama foi ampliada, com a anexa\u00e7\u00e3o da Reserva Florestal de Barra Seca. Em 1981, o Plano de Manejo da Rebio de Sooretama foi elaborado. Em 1982, a delimita\u00e7\u00e3o da sua \u00e1rea foi conclu\u00edda. Em 2015, foi estabelecido os novos limites para a sua Zona de Amortecimento.<\/p>\n<p>Vale destacar que em 1951, vizinha \u00e0 Rebio de Sooretama, foi criada a Reserva Vale do Rio Doce. Atualmente, \u00e9 conhecida como Reserva Natural Vale (RNV), possui 23 mil hectares e \u00e9 administrada pela empresa Vale. Apesar de n\u00e3o ser uma UC, \u00e9 uma \u00e1rea protegida pela Lei da Mata Atl\u00e2ntica (Lei N\u00ba 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e pelo C\u00f3digo Florestal (Lei N\u00ba 12.651, de 25 de maio de 2012), faz parte da ZA da Rebio de Sooretama e est\u00e1 dentro de uma das \u00e1reas de extrema prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de UCs no Esp\u00edrito Santo. Al\u00e9m disso, a RNV \u00e9 um Posto Avan\u00e7ado da Reserva da Biosfera da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Em 1999, a Rebio de Sooretama e a RNV foram destacadas como parte das Reservas de Mata Atl\u00e2ntica da Costa do Descobrimento, do sul da Bahia e norte do Esp\u00edrito Santo, declaradas como Patrim\u00f4nio Natural Mundial da Humanidade pela UNESCO. As Reservas de Mata Atl\u00e2ntica da Costa do Descobrimento possuem aproximadamente 112 mil hectares, sendo que as duas reservas capixabas comp\u00f5em cerca de 44% da \u00e1rea e a outra parte (56%) \u00e9 composta pelas seis reservas baianas: a Reserva Biol\u00f3gica de Una, os Parques Nacionais do Pau Brasil, do Monte Pascoal e do Descobrimento e as Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPNs) Pau Brasil e Vera Cruz.<\/p>\n<p>Em 2007, duas reservas foram criadas com autoriza\u00e7\u00e3o do Instituto de Defesa Agropecu\u00e1ria e Florestal do Esp\u00edrito Santo, as RPPNs Recanto das Antas e Mutum Preto, com 2.212 e 379 hectares, respectivamente, administradas pela empresa Fibria. As reservas est\u00e3o dentro da ZA da Rebio de Sooretama.<\/p>\n<p>Em 2010, a Rebio de Sooretama foi reconhecida oficialmente pelo Governo Federal como uma das reservas do Mosaico da Foz do Rio Doce, juntamente com a Floresta Nacional de Goytacazes, Reserva Biol\u00f3gica de Comboios, \u00c1rea de Relevante Interesse Ecol\u00f3gico do Degredo e as RPPNs Restinga de Aracruz, Recanto das Antas e Mutum Preto.<\/p>\n<div id=\"attachment_55730\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55730\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-3.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-3.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-3-300x201.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Sooretema-3-278x185.jpg 278w\" alt=\"Nem a \u00e1gil on\u00e7a-parda escapa da perigosa BR 101. Foto: Leonardo Mer\u00e7on.\" width=\"639\" height=\"428\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Nem a \u00e1gil on\u00e7a-parda escapa da perigosa BR 101. Foto: Leonardo Mer\u00e7on.<\/p>\n<\/div>\n<p>Hoje, a Rebio de Sooretama, a RNV e as RPPNs Recanto das Antas e Mutum Preto formam aproximadamente 53 mil hectares de floresta cont\u00ednua e est\u00e3o entre as principais \u00e1reas do Corredor Central da Mata Atl\u00e2ntica, compreendendo o sul da Bahia e todo o Esp\u00edrito Santo. A \u00e1rea est\u00e1 entre as mais ricas em biodiversidade do mundo e \u00e9 uma das poucas que ainda possui exemplares de grandes animais na Mata Atl\u00e2ntica, como a on\u00e7a-pintada, a anta, o tatu-canastra e o gavi\u00e3o-real. Esta \u00e1rea consta nos mapas de \u00e1reas verdes que prestam relevantes servi\u00e7os ecol\u00f3gicos em n\u00edvel regional e global, como na manuten\u00e7\u00e3o do clima e da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, de extrema prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o, resta ao poder p\u00fablico pelo menos honrar o hist\u00f3rico compromisso e os objetivos que levaram a cria\u00e7\u00e3o da Rebio de Sooretama, reparando os danos que a reserva vem sofrendo em seu interior e entorno, inclusive retratando o desrespeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o por aqueles que atravessaram uma rodovia federal nesta \u00e1rea protegida. Pelas consequ\u00eancias causadas pela BR-101, como a morte de animais, barulho, despejo de detritos, etc., a \u00e1rea de influ\u00eancia da mesma recebeu a denomina\u00e7\u00e3o de \u00a0Zona de Uso Conflitante, desde 1981, no Plano de Manejo da Rebio de Sooretama, pois \u00e9 incompat\u00edvel com os objetivos de manejo de uma Reserva Biol\u00f3gica, uma das categorias de manejo mais restritiva do Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O atropelamento de fauna \u00e9 o impacto ambiental mais evidente provocado pela BR-101 na Rebio de Sooretama e seu entorno. A mortandade de dezenas de animais diariamente, incluindo indiv\u00edduos de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, \u00e9 um problema considerado grav\u00edssimo pelos gestores da UC e pela comunidade cient\u00edfica. \u00a0No ano de 2014, durante um workshop realizado em Vit\u00f3ria &#8211; ES, um grupo de pesquisadores e t\u00e9cnicos apontaram um conjunto de medidas emergenciais para serem estabelecidas no trecho da BR-101 que intercepta a Rebio de Sooretama e sua ZA, com o objetivo de reduzir os atropelamentos. O documento contendo as medidas foi recebido pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que acordou a ado\u00e7\u00e3o das mesmas com a concession\u00e1ria que administra a rodovia, mas nada efetivamente foi realizado pela concession\u00e1ria.<\/p>\n<p>Todos os tipos de crimes ambientais atravessam a Rebio de Sooretama pela rodovia BR-101, trazidos de norte e sul do pa\u00eds. Essa viol\u00eancia, neglig\u00eancia e omiss\u00e3o contra a reserva afronta as palavras de \u00c1lvaro Aguirre, pois as gera\u00e7\u00f5es atuais conhecem a fauna herdada com os esfor\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o empregados pelos antepassados, como v\u00edtimas de crimes ambientais, os atropelamentos e a ca\u00e7a. Por esse caminho, muitas das esp\u00e9cies de animais na regi\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o mais conhecidas pelas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. A gera\u00e7\u00e3o atual de tomadores de decis\u00e3o est\u00e1 destruindo o que a gera\u00e7\u00e3o de Aguirre consagrou, a \u201cterra dos animais da floresta\u201d. O golpe fatal ser\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o da BR-101 nesse cen\u00e1rio, que est\u00e1 planejada para ocorrer nos pr\u00f3ximos anos. Esse trecho de rodovia est\u00e1 na contram\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Definitivamente, o melhor caminho para a Rebio de Sooretama n\u00e3o passa pela BR-101.<\/p>\n<p><strong>Um novo caminho<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_55726\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55726\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo%C3%A3o-Marcos-Rosa-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo\u00e3o-Marcos-Rosa-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo\u00e3o-Marcos-Rosa-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo\u00e3o-Marcos-Rosa-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo\u00e3o-Marcos-Rosa-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Foto-Aureo_Jo\u00e3o-Marcos-Rosa.jpg 1152w\" alt=\"Nova proposta. Foto: Jo\u00e3o Marcos Rosa.\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Nova proposta. Foto: Jo\u00e3o Marcos Rosa.<\/p>\n<\/div>\n<p>Uma proposta de caminho melhor para a Rebio de Sooretama seria desviar a BR-101 com seu alto fluxo de ve\u00edculos da \u00e1rea da UC e de sua ZA. Ap\u00f3s desviar a rodovia, transformar o trecho de estrada deixado na regi\u00e3o em uma Estrada Parque Estadual. O trecho da Estrada Parque seria da altura do km 107 ao km 124 da rodovia (do c\u00f3rrego Cupido no distrito de Juerana at\u00e9 pr\u00f3ximo ao trevo, em Sooretama, no sentido de norte para sul), incluindo a \u00e1rea non aedificante adjacente (faixas de terra com largura de 15 metros, contados a partir da linha que define a faixa de dom\u00ednio da rodovia), dentro da ZA da Rebio de Sooretama.<\/p>\n<p>A Estrada Parque teria 17 km, corresponderia a uma \u00e1rea de aproximadamente 76 hectares e alavancaria a conserva\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias outras \u00e1reas naturais privadas e p\u00fablicas em seu entorno. A Estrada Parque sanaria o passivo socioambiental que seria deixado ap\u00f3s o desvio da rodovia BR-101. Para isso, seria necess\u00e1rio incluir a categoria de Estrada Parque no Sistema Estadual de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, a exemplo dos sistemas de alguns estados brasileiros. O trecho deveria ser concedido ao Governo Estadual pelo Governo Federal. A partir de ent\u00e3o, dar in\u00edcio ao processo de estudo e consultas p\u00fablicas para a cria\u00e7\u00e3o Estrada Parque no trecho.<\/p>\n<p>Em homenagem \u00e0quele que foi o maior respons\u00e1vel pelo in\u00edcio do processo de conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, esta nova UC poderia ser chamada de Estrada Parque Estadual \u00c1lvaro Aguirre.\u00a0A Estrada Parque dever\u00e1 ter todos os dispositivos de funcionamento, manejo e gest\u00e3o. Dentro da mesma proposta, o trecho de 5 km da estrada que corta diretamente a Rebio de Sooretama, do km 102 ao km 107, deveria ser administrado pela pr\u00f3pria UC, pois faz parte desta, mas poderia permitir o acesso \u00e0 Estrada Parque pelo norte da regi\u00e3o. O poder p\u00fablico, as comunidades e os empreendimentos locais est\u00e3o convidados a caminhar por esse sustent\u00e1vel caminho.<\/p>\n<p>Objetivos da Estrada Parque Estadual \u00c1lvaro Aguirre:<\/p>\n<ol>\n<li>Promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o de Sooretama, Linhares, Jaguar\u00e9 e Vila Val\u00e9rio na Zona de Amortecimento da Rebio de Sooretama, reduzindo os conflitos de uso da rodovia.<\/li>\n<li>Desenvolver o turismo de observa\u00e7\u00e3o de animais selvagens (uma atividade que gera muita renda no mundo inteiro; a regi\u00e3o j\u00e1 \u00e9 rota para essa atividade, tem grande potencial, mas a atividade ainda \u00e9 incipientemente fomentada);<\/li>\n<li>Desenvolver o turismo rural (circuito de produ\u00e7\u00e3o de frutas, eucalipto, caf\u00e9 e pimenta; lazer em fazendas e s\u00edtios na regi\u00e3o);<\/li>\n<li>Desenvolver o turismo de contempla\u00e7\u00e3o da natureza, esporte, aventura e lazer (ciclismo de asfalto e estrada de terra no entorno; corridas de asfalto e nas estradas de terra; realiza\u00e7\u00e3o de caminhada em trilhas; canoagem);<\/li>\n<li>Desenvolver a rede hoteleira e os eventos que tenham como cen\u00e1rio a natureza (a regi\u00e3o tem sido procurada para essa finalidade);<\/li>\n<li>Gerar empregos e renda pela via do turismo (capacitar e estruturar as comunidades locais para se desenvolverem explorando essa fonte econ\u00f4mica);<\/li>\n<li>Garantir um selo de origem geogr\u00e1fica para os produtos agr\u00edcolas da regi\u00e3o (aumentar a renda da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola pela qualidade ambiental da \u00e1rea e forma de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel);<\/li>\n<li>Disciplinar os empreendimentos instalados na regi\u00e3o para o uso respeitoso da Estrada Parque;<\/li>\n<li>Evitar o crescimento desenfreados de empreendimentos impactantes na ZA da Rebio de Sooretama.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dispositivos de funcionamento, manejo e gest\u00e3o da Estrada Parque Estadual \u00c1lvaro Aguirre:<\/p>\n<ol>\n<li>Restaurar com floresta nativa as faixas non aedificandi de 15 m de cada lado da estrada;<\/li>\n<li>Estabelecer postos de controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o nas extremidades da Estrada Parque (no km 124 e km 107);<\/li>\n<li>Fixar o limite m\u00e1ximo de velocidade de 40km\/h em todo o trecho, incluindo o trecho que corta diretamente a Rebio de Sooretama, para evitar o atropelamento de fauna e n\u00e3o favorecer o uso da \u00e1rea para finalidades que n\u00e3o sejam relacionadas com os objetivos da Estrada Parque;<\/li>\n<li>Colocar postos de fiscaliza\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e quebra-molas de dois em dois quil\u00f4metros em todo o trecho, incluindo o trecho que corta diretamente a Rebio de Sooretama, para evitar o excesso de velocidade;<\/li>\n<li>Fazer a adequa\u00e7\u00e3o das tubula\u00e7\u00f5es de drenagem existentes sob a estrada para servir como passagem de fauna terr\u00edcola;<\/li>\n<li>Instalar passagens de fauna a\u00e9reas entre as \u00e1rvores, sobre a pista, para a fauna arbor\u00edcola poder atravessar a estrada;<\/li>\n<li>Estabelecer uma ciclovia de 17 km no trecho, para desenvolver a contempla\u00e7\u00e3o da natureza com atividade f\u00edsica;<\/li>\n<li>Estabelecer \u00e1reas de estacionamento para as pessoas poderem deixar os ve\u00edculos para caminhar e pedalar pela Estrada Parque (com lanchonetes);<\/li>\n<li>Estabelecer um centro de visita\u00e7\u00e3o para receber os turistas e usu\u00e1rios da Estrada Parque;<\/li>\n<li>Estabelecer uma torre tur\u00edstica de 40 m de altura no km 107 para observa\u00e7\u00e3o da floresta por cima (como a torre do Museu da Amaz\u00f4nia na cidade de Manaus, que recebe centenas de turistas diariamente);<\/li>\n<li>Estabelecer uma \u00e1rea para a pr\u00e1tica da atividade de arvorismo;<\/li>\n<li>Disciplinar o uso da rodovia pelos empreendimentos e comunidades locais, para a utiliza\u00e7\u00e3o da rodovia sem conflitos com a sua finalidade;<\/li>\n<li>Fechar durante a noite o trecho do km 101 ao 107 que corta diretamente a floresta da Rebio de Sooretama (esse \u00e9 o hor\u00e1rio de maior atividade da fauna, que pode atravessar a rodovia em busca de recursos).<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Reserva Biol\u00f3gica (Rebio) de Sooretama \u00e9 uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) federal, administrada 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