{"id":72245,"date":"2017-09-12T09:00:16","date_gmt":"2017-09-12T12:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72245"},"modified":"2017-09-12T08:06:10","modified_gmt":"2017-09-12T11:06:10","slug":"um-caminho-pelos-significados-da-palavra-socioambiental-na-floresta-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-caminho-pelos-significados-da-palavra-socioambiental-na-floresta-amazonica\/","title":{"rendered":"Um caminho pelos significados da palavra socioambiental na Floresta Amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72246\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Duda Menegassi*<\/p>\n<p>A Floresta Amaz\u00f4nica ocupa o imagin\u00e1rio coletivo de todos os brasileiros e possui um acervo pr\u00f3prio de personagens. Essa, entretanto, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria clich\u00ea sobre a\u00a0Amaz\u00f4nia. Todos os elementos cl\u00e1ssicos est\u00e3o presentes, mas o ponto de vista \u00e9, minimamente, original. \u00c9 a floresta vista de baixo e a p\u00e9. \u00c9 o relato de quem trilhou durante cinco dias por dentro da\u00a0Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. De quem se viu mi\u00fada na sombra de \u00e1rvores gigantescas, e tristemente exposta ao ver tantas outras no ch\u00e3o, em \u00e1reas desmatadas para virar pasto. Ao longo dos seus 90 quil\u00f4metros, a rec\u00e9m-inaugurada Trilha Chico Mendes n\u00e3o tenta maquiar a realidade. O percurso mostra a exuber\u00e2ncia da floresta, mas tamb\u00e9m exp\u00f5e a velocidade com a qual ela est\u00e1 indo abaixo.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>trekking<\/em>, realizado entre os dias 17 e 21 de agosto, fez parte das comemora\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio do\u00a0Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). A coincid\u00eancia de nomes reflete a import\u00e2ncia simb\u00f3lica da\u00a0reserva extrativista\u00a0(resex). Chico Mendes \u00e9 um her\u00f3i no Acre, apesar desta ser uma hist\u00f3ria menos conhecida Brasil afora. Na cria\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o ambiental, h\u00e1 exatos 10 anos, o seringueiro acreano que se tornou m\u00e1rtir e s\u00edmbolo da luta pela prote\u00e7\u00e3o das florestas e seu povo, foi eternizado. Seu nome pode servir como um lembrete da import\u00e2ncia de pensar socioambientalmente, uma miss\u00e3o refletida na divis\u00e3o de categorias das\u00a0unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs)\u00a0brasileiras: as de prote\u00e7\u00e3o integral e as de uso sustent\u00e1vel \u2013 como a resex. A jornada por essa reserva com 970 mil hectares de Floresta Amaz\u00f4nica onde vivem cerca de 2.300 fam\u00edlias revela um pouco o tamanho do desafio gigantesco que \u00e9 conciliar interesses sociais e ambientais.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da resex, em 1990, foi pioneira. Na \u00e9poca, n\u00e3o havia ICMBio, tampouco o\u00a0Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC, criado em 2000). Havia apenas o desejo dos moradores da floresta de mant\u00ea-la em p\u00e9, porque a sobreviv\u00eancia deles dependia disso. Dependia da seringueira e da extra\u00e7\u00e3o da borracha; dos animais e da ca\u00e7a para subsist\u00eancia. Atrav\u00e9s da luta deles, da qual Chico Mendes se tornou s\u00edmbolo, surgiu a ideia da primeira \u00e1rea protegida onde a conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclu\u00eda o extrativismo e a moradia. Hoje, o principal extrativismo na reserva \u00e9 a castanha, em alta no mercado onde uma \u00fanica lata vale entre 100 e 150 reais. Em 27 anos, ali\u00e1s, muita coisa mudou.<\/p>\n<div id=\"attachment_55673\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55673\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-18-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-18-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-18-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-18-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"O ouri\u00e7o da castanheira aberto, com as castanhas ainda fechadas. Foto: Duda Menegassi.\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O ouri\u00e7o da castanheira aberto, com as castanhas ainda fechadas. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Analista ambiental da UC h\u00e1 9 anos, Fernando Maia acompanhou de perto algumas dessas transforma\u00e7\u00f5es e aposta no turismo como aliado para combater os recentes avan\u00e7os da pecu\u00e1ria dentro da unidade. Principal respons\u00e1vel por tirar a Trilha Chico Mendes do papel, Fernando liderou nossa equipe de seis pessoas na caminhada inaugural do percurso. Al\u00e9m dele, a expedi\u00e7\u00e3o contava com um representante do governo do Acre, um servidor da\u00a0Secretaria de Turismo e Lazer do Estado (SETUL), um membro do Ex\u00e9rcito Brasileiro e uma volunt\u00e1ria da unidade \u2013 al\u00e9m da jornalista que vos escreve. No apoio log\u00edstico de transporte, outro volunt\u00e1rio dava assist\u00eancia ao grupo.<\/p>\n<p>A primeira etapa da travessia \u00e9 feita de carro para vencer os 270 quil\u00f4metros que separam Rio Branco do in\u00edcio do ramal 89, uma estrada de terra que leva ao interior da Chico Mendes. O traslado desse trecho, que exige ve\u00edculo apropriado, foi feito com Seu Andr\u00e9, um dos moradores da reserva. Na traseira do seu caminh\u00e3o, cruzamos os 30 quil\u00f4metros at\u00e9 o ponto de partida da trilha.<\/p>\n<div id=\"attachment_55674\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55674\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-28.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-28.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-28-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-28-278x185.jpg 278w\" alt=\"Seu Andr\u00e9, morador da reserva h\u00e1 50 anos. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Seu Andr\u00e9, morador da reserva h\u00e1 50 anos. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Andr\u00e9 tem 67 anos. Ele veio do Cear\u00e1 com os pais quando tinha 17 e \u00e9 um seringueiro conhecido na regi\u00e3o, mas admite que hoje quase n\u00e3o realiza mais o of\u00edcio porque \u201co valor da borracha est\u00e1 baixo, mesmo com os subs\u00eddios [do governo do Acre]\u201d. Para substituir a atividade, come\u00e7ou o servi\u00e7o de transporte e frete com o caminh\u00e3o. Apesar dos ramais serem completamente irregulares, Seu Andr\u00e9 garante que eles ficam muito piores na \u00e9poca das chuvas, quando viram um lama\u00e7al. Esse \u00e9 um dos motivos pelos quais a recomenda\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizar a trilha apenas durante a esta\u00e7\u00e3o seca, entre maio e outubro quando, em vez da lama, h\u00e1 apenas poeira.<\/p>\n<p>Chegamos na casa dele no final da tarde, uma constru\u00e7\u00e3o toda feita de madeira, simplicidade e aconchego. Depois de um farto jantar, nos preparamos para deitar e a fam\u00edlia me oferece uma cama, para que eu n\u00e3o precise dormir na rede. \u00c9 como frisou Leandro, amazonense de nascimento e acreano de cora\u00e7\u00e3o, \u201co resto eu n\u00e3o sei, mas uma coisa eu garanto com certeza: a hospitalidade do acreano\u201d. Uma afirma\u00e7\u00e3o que eu iria entender cada vez mais ao longo da jornada uma vez que todos os pernoites s\u00e3o feitos em casas de moradores. Uma das poss\u00edveis fontes de renda que surgem com a cria\u00e7\u00e3o da Trilha Chico Mendes.<\/p>\n<p><strong>O come\u00e7o da caminhada pela floresta<\/strong><\/p>\n<p>Antes das 8h, j\u00e1 est\u00e1vamos com o p\u00e9 na trilha, de olho na marca registrada do percurso: uma pegada amarela estilizada com o corte caracter\u00edstico da seringueira. A sinaliza\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o ir\u00e1 dispensar a obrigatoriedade do guia no trajeto. De acordo com Fernando, a pegada servir\u00e1 como ferramenta de institucionaliza\u00e7\u00e3o e reconhecimento do atrativo.<\/p>\n<div id=\"attachment_55675\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55675\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-3.jpg 1152w\" alt=\"A pegada amarela sob fundo preto, marca registrada da Trilha Chico Mendes. Foto: Duda Menegassi.\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A pegada amarela sob fundo preto, marca registrada da Trilha Chico Mendes. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Estamos dentro da maior floresta tropical do mundo e no meio da manh\u00e3, a umidade se converte em chuva sobre nossas cabe\u00e7as, como um batismo amaz\u00f4nico. Com a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica guardada, somente os olhos e a mem\u00f3ria puderam registrar esse trecho e como o cen\u00e1rio se transforma regado pelos c\u00e9us. O cheiro de chuva, a terra \u00famida, as folhas molhadas e a neblina.<\/p>\n<p>Na trilha, passamos por \u00e1rvores gigantes, como a suma\u00fama (<em>Ceiba pentranda<\/em>), mas tamb\u00e9m por \u00e1reas rec\u00e9m-desmatadas. Os pastos fazem uma triste fronteira com a floresta. Fernando lamenta que a paisagem de desmatamento seja inevit\u00e1vel, mas pontua que \u201cn\u00e3o queremos esconder a realidade da reserva, nem criar visitantes alienados sobre a o que est\u00e1 acontecendo aqui. A pastagem \u00e9 para fazer com que as pessoas pensem no que a reserva est\u00e1 se transformando e o que ser\u00e1 dela se n\u00e3o fizermos algo\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_55677\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55677\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"Trilha cruza uma \u00e1rea rec\u00e9m-desmatada onde a floresta ser\u00e1 transformada em pasto. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Trilha cruza uma \u00e1rea rec\u00e9m-desmatada onde a floresta ser\u00e1 transformada em pasto. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>A Resex Chico Mendes aparece em 10\u00ba lugar no triste ranking feito pelo\u00a0Imazon\u00a0das\u00a050 UCs mais desmatadas da Amaz\u00f4nia Legal\u00a0entre 2012 e 2015. Nesse per\u00edodo, a unidade perdeu 4.790 hectares, o equivalente a 0,49% da sua \u00e1rea total. E a taxa de desmatamento n\u00e3o parece ter diminu\u00eddo desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo dos quase 17 quil\u00f4metros de caminhada do dia, foi inevit\u00e1vel me preocupar com o futuro da Amaz\u00f4nia enquanto me encantava cada vez mais com ela. Quando chegamos na Coloca\u00e7\u00e3o Boa Vista, por volta das 16h, esses pensamentos ainda me acompanhavam quando fui apresentada ao Seu Anacleto, sua mulher e seus filhos. O nome \u201ccoloca\u00e7\u00e3o\u201d foi herdado da \u00e9poca em que cada seringueiro era \u201ccolocado\u201d em um terreno para explorar a seringa. Hoje, como no passado, cada fam\u00edlia habita uma coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois do jantar, \u00a0sob a luz de uma \u00fanica l\u00e2mpada incandescente, permanecemos \u00e0 mesa para ouvir Anacleto contar hist\u00f3rias da luta dos seringueiros na regi\u00e3o, da qual faz parte desde os 11 anos. No sindicato, conheceu e conviveu com Chico Mendes. Poeta e repentista, declamou um poema que comp\u00f4s sobre o dia em que anunciaram a morte do companheiro de resist\u00eancia. Entre os versos, lamenta a perda do her\u00f3i, mas lembra que a luta continuou em seu nome, \u201co sangue jorrou no ch\u00e3o, a carne a terra comeu, n\u00f3s choramos tanto, mas ningu\u00e9m esmoreceu. Que dali por diante, muita coisa aconteceu. As reservas extrativistas, os projetos de assentamento, onde o homem lavra a terra e dela tira o sustento\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_55678\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55678\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-17-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-17-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-17-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-17-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"Seu Anacleto, personagem que d\u00e1 voz ao orgulho seringueiro. Foto: Duda Menegassi.\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Seu Anacleto, personagem que d\u00e1 voz ao orgulho seringueiro. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Conhecer as hist\u00f3rias do movimento socioambiental pela voz direta de seus protagonistas que, n\u00e3o raro, est\u00e3o apenas no plano de fundo da narrativa oficial, transforma a Trilha Chico Mendes em algo a mais do que \u201cs\u00f3\u201d uma caminhada pela Amaz\u00f4nia, \u00e9 tamb\u00e9m um mergulho na hist\u00f3ria de uma regi\u00e3o, de um povo e de uma luta.<\/p>\n<p><strong>O segundo dia<\/strong><\/p>\n<p>Antes de sairmos para caminhada, tomamos um caf\u00e9-da-manh\u00e3 com direito a uma iguaria local: o leite de jatob\u00e1, t\u00e3o doce que recebeu o apelido de \u201cNescau da floresta\u201d. A surpresa do dia, entretanto, foi um atrativo extra apresentado por Seu Anacleto: um apu\u00ed imenso e milenar, com ra\u00edzes espalhadas por um di\u00e2metro de, no m\u00ednimo, 300 metros \u2013 pelo que ele pr\u00f3prio mediu. A \u00e1rvore est\u00e1 localizada a cerca de 800 metros de sua propriedade e o desvio vale a pena para conhecer esse gigante da natureza.<\/p>\n<p>A floresta \u00e9 linda, cheia de vida, de cheiros e, principalmente, de sons. A densidade da vegeta\u00e7\u00e3o impede enxergar claramente e \u00e9 com os ouvidos que percebemos a abund\u00e2ncia e riqueza da Amaz\u00f4nia. Em meio ao canto dos cricri\u00f3s (<em>Lipaugus vociferans<\/em>), que s\u00e3o chamados de seringueiros, ouvimos o som desafinado do bugio-vermelho (<em>Alouatta seniculus<\/em>). Aqui ele \u00e9 chamado de capel\u00e3o, por raz\u00f5es que, quem j\u00e1 ouviu um desses macacos \u201ccantar\u201d pode entender bem. Tamb\u00e9m nos deram as boas-vindas araras, beija-flores e pica-paus. Diante do barulho do nosso grupo, a fauna se esconde. Quando damos sorte, conseguimos flagrar o vulto de uma cutia ou de um quatipuru (<em>Sciurus igniventris<\/em>). Menos assustados diante da presen\u00e7a humana, talvez pela proximidade familiar, conseguimos admirar um bando de macacos-prego.<\/p>\n<div id=\"attachment_55680\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55680\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-7-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-7-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-7-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-7-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"O apu\u00ed gigante com 300 metros de di\u00e2metro de raiz. Foto: Jannyf Christina. \" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O apu\u00ed gigante com 300 metros de di\u00e2metro de raiz. Foto: Jannyf Christina.<\/p>\n<\/div>\n<p>Se a exuber\u00e2ncia da natureza poderia ser motivo suficiente para perder o f\u00f4lego, no caminho tamb\u00e9m existem v\u00e1rios trechos de subida, desafiando a ideia de que a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma grande plan\u00edcie. Os desn\u00edveis n\u00e3o passam da faixa de 300 metros, \u00e9 verdade, mas ainda assim, subir e descer ao longo dos 16 quil\u00f4metros de trilha exigem dos caminhantes um bom condicionamento f\u00edsico.<\/p>\n<p>Almo\u00e7amos na Coloca\u00e7\u00e3o S\u00e3o Domingos, onde provamos outra iguaria amaz\u00f4nica: o suco de a\u00e7a\u00ed. Colhido diretamente da palmeira para mesa e bem diferente da vers\u00e3o consumida no resto do pa\u00eds. Aqui, toma-se a\u00e7a\u00ed com a\u00e7\u00facar e farinha. A energia do fruto ditou o ritmo do resto da caminhada e chegamos no nosso local de pernoite, a Coloca\u00e7\u00e3o Para\u00edso, por volta das 16h30.<\/p>\n<p><strong>O terceiro dia de trilha<\/strong><\/p>\n<p>O terceiro dia come\u00e7ou em um varadouro, ramal menor e mais fechado, at\u00e9 entrar, de fato, na floresta. Na trilha, passamos em meio a um tabocal, equivalente a um bambuzal, por\u00e9m com uma esp\u00e9cie nativa do Acre, a taboca (<em>Guadua weberbaueri<\/em>). O percurso foi sinalizado recentemente no mutir\u00e3o volunt\u00e1rio feito na semana anterior \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o, ainda assim, algumas das marca\u00e7\u00f5es j\u00e1 haviam sido vandalizadas, arrancadas com fac\u00e3o. \u201cIsso \u00e9 gente que n\u00e3o quer que ningu\u00e9m veja o que est\u00e1 acontecendo na propriedade dele. Ou seja, est\u00e1 fazendo coisa errada\u201d, diz Fernando.<\/p>\n<div id=\"attachment_55681\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55681\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-26.jpg 1152w\" alt=\"Trecho da trilha, ladeada pela imensid\u00e3o verde da floresta. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Trecho da trilha, ladeada pela imensid\u00e3o verde da floresta. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Suas palavras n\u00e3o tardaram a se mostrar verdadeiras. Nos deparamos com um trecho desmatado e, mais adiante, uma \u00e1rea queimada. Sair da floresta t\u00e3o verde e pisar naquele descampado coberto de cinzas foi avassalador. Sob o ch\u00e3o queimado, a espinha de uma cobra que n\u00e3o escapou ao fogo parecia fazer gritar ainda mais o tamanho do crime ambiental que \u00e9 deixar a Amaz\u00f4nia queimar.<\/p>\n<p>Quando chegamos na Coloca\u00e7\u00e3o Alto Alegre, depois de quase 23 quil\u00f4metros de caminhada, o sol j\u00e1 estava prestes a se p\u00f4r. Pernoitamos na casa do Seu Lacerda, um contador de hist\u00f3rias nato que adora relatar seus encontros com on\u00e7as, antas e queixadas, e que anuncia com orgulho a velocidade com que \u00e9 capaz de subir em \u00e1rvore \u2013 \u201cpode ser a \u00e1rvore mais lisa que for, se precisar eu subo num pulo\u201d. Durante sua vida na reserva j\u00e1 viveu todo tipo de aventura. Para nosso jantar, foi preparada a carne de um veado ca\u00e7ado na v\u00e9spera que ainda iria alimentar ele, sua mulher e seus 5 filhos por uns 20 dias, conforme ele calculou.<\/p>\n<p><strong>O quarto dia<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_55682\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55682\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-5-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-5-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-5-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-5-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"Grupo reunido na casa do Seu Lacerda. Foto: Duda Menegassi.\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Grupo reunido na casa do Seu Lacerda. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>O come\u00e7o do quarto dia refaz os \u00faltimos 4 quil\u00f4metros da v\u00e9spera. No futuro, a ideia \u00e9 mudar o tra\u00e7ado, abrindo uma trilha alternativa para evitar que o caminhante passe duas vezes pelo mesmo lugar. A floresta, entretanto, nunca \u00e9 a mesma e na volta tivemos a surpresa de encontrar uma cobra vermelha e roxa que se assemelhava a uma salamanta (<em>Epicrates cenchria<\/em>). Quando paramos para observ\u00e1-la, ela \u201ccorreu\u201d floresta adentro em uma velocidade impressionante.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidos quanto a cobra, seguimos nosso caminho com passo ligeiro j\u00e1 que est\u00e1vamos ainda a cerca de 18 quil\u00f4metros do nosso destino. J\u00e1 de forma quase rotineira, passamos por uma grande \u00e1rea de derrubada. O choque, por\u00e9m, quando sa\u00edamos de dentro da floresta e d\u00e1vamos de cara com o desmatamento ou com um pasto, continuava inevit\u00e1vel. Tanto o visual quanto o t\u00e9rmico. Sem a prote\u00e7\u00e3o da copa das \u00e1rvores, o sol brilhava impiedoso, como se castigasse a terra por ter perdido sua cobertura florestal, sem saber que a culpa era do homem, e n\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da tarde, o c\u00e9u aberto se transformou em nuvens carregadas e nos abrigamos para esperar a chuva e o vento diminu\u00edrem. O maior risco nesses casos \u00e9 a for\u00e7a do vento derrubar galhos em quem estiver embaixo.<\/p>\n<p>Nesse trecho, a sinaliza\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 inconsistente. Um problema n\u00e3o t\u00e3o grande, uma vez que a presen\u00e7a de um guia ser\u00e1 obrigat\u00f3ria. Nosso grupo, entretanto, caminha sem guia e, como ningu\u00e9m conhece essa parte do percurso, vivemos a adrenalina de, em plena selva amaz\u00f4nica e com menos de duas horas de luz, n\u00e3o sabermos qual o caminho correto. Salvos pelo GPS, conseguimos alcan\u00e7ar a Coloca\u00e7\u00e3o Z\u00e9 Costa, local do nosso \u00faltimo pernoite. Exaustos depois de mais de 21 quil\u00f4metros de caminhada, estendemos nossas redes e sacos de dormir para recuperar nossas energias para o dia final de caminhada.<\/p>\n<div id=\"attachment_55683\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55683\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-25.jpg 1152w\" alt=\"Uma das coloca\u00e7\u00f5es, a vida simples de quem mora dentro da resex. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Uma das coloca\u00e7\u00f5es, a vida simples de quem mora dentro da resex. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>O \u00faltimo dia de trilha<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00edmos bem cedo e fomos recompensados com a movimenta\u00e7\u00e3o intensa dos animais, desde aves at\u00e9 micos. De repente, entretanto, ouvimos o barulho de bicho grande na mata. Paramos e silenciamos. A floresta nos devolveu o sil\u00eancio. Recome\u00e7amos a caminhada, quietos, e menos de dez passos depois, ouvimos um pesado farfalhar de asas. N\u00e3o \u00e9 exagero quando eu digo que a primeira coisa que pensei diante do som foi um helic\u00f3ptero. A poucos metros de n\u00f3s, consegui enxergar o vulto de uma \u00fanica \u2013 e enorme \u2013 asa. Apesar de ningu\u00e9m ter conseguido uma identifica\u00e7\u00e3o visual que permitisse ter certeza, diante de tamanha envergadura, for\u00e7a e peso daquela ave, nossos palpites foram un\u00e2nimes: era uma harpia (<em>Harpia harpyja<\/em>) ou gavi\u00e3o-real.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo trecho, com cerca de 12 quil\u00f4metros, ainda n\u00e3o foi sinalizado porque o trajeto, de acordo com Fernando, pode sofrer altera\u00e7\u00f5es. A trilha, entretanto, est\u00e1 bem marcada no ch\u00e3o e \u00e9 amplamente utilizada pelos moradores. O caminho segue o rio Xapuri e quando a floresta abre uma janela por entre as folhas, apreciamos a beleza do vasto curso d\u2019\u00e1gua rodeado de verde.<\/p>\n<p>Quando sa\u00edmos da trilha para o ramal 59, entramos na reta final e, em alguns minutos, enxergamos a linha de chegada: a ponte sobre o rio Xapuri. A caminhada de cinco dias estava conclu\u00edda com \u00eaxito, ap\u00f3s 90 quil\u00f4metros onde vimos e vivemos de tudo um pouco. A bagagem, para al\u00e9m da mochila cargueira que, com al\u00edvio tirei dos ombros, era imensa. Recheada desde viv\u00eancias mais simples como descobrir o trabalho que d\u00e1 extrair a castanha; provar frutos como o ing\u00e1, o a\u00e7a\u00ed e o jatob\u00e1; tomar banho de balde no igarap\u00e9; ver e escutar diversos animais; acordar na rede com um coro de bugios. At\u00e9 as experi\u00eancias que v\u00e3o demorar a serem processadas como entender a dimens\u00e3o e velocidade do desmatamento insaci\u00e1vel.<\/p>\n<div id=\"attachment_55684\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 650px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-55684\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-22-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-22-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-22-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-22-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"O gado, o vil\u00e3o inesperado na Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Duda Menegassi.\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O gado, o vil\u00e3o inesperado na Amaz\u00f4nia brasileira. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<p>Nesse sentido, o turismo \u00e9 uma esperan\u00e7a para refor\u00e7ar o qu\u00e3o valiosa a floresta \u00e9 em p\u00e9. Al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de renda e de benef\u00edcios indiretos aos moradores da resex, como a melhoria dos ramais, Fernando acredita que os visitantes poder\u00e3o ser aliados que ir\u00e3o cobrar do poder p\u00fablico que se cumpra o que est\u00e1 previsto no plano de utiliza\u00e7\u00e3o da reserva. \u201cHoje quem faz essa cobran\u00e7a \u00e9 apenas o ICMBio e somos uma voz gritando sozinha. Em coro, quem sabe n\u00e3o conseguimos ser ouvidos para n\u00e3o apenas barrar as ilegalidades, mas tamb\u00e9m reverter os estragos causados\u201d. O analista sentencia ainda que essa pode ser uma forma de \u201cresgatar o sentimento de pertencimento \u00e0 Reserva Chico Mendes. Porque a \u2018pecuariza\u00e7\u00e3o\u2019 n\u00e3o acaba apenas com a floresta, destr\u00f3i tamb\u00e9m a identidade de um povo\u201d.<\/p>\n<p>A identidade que personagens como Seu Anacleto ainda exibem com orgulho. Como declama o poeta seringueiro \u201cA natureza \u00e9 grande, planeja, produz, retrata, pega, puxa, prende, solta, pega e solta, junta e cata, cresce, manda, forma, gira, gera forma, cria e mata. A castanheira e a seringueira, s\u00e3o as rainhas da mata\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_55686\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55686\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-19.jpg 1152w\" alt=\"Em destaque o corte na seringueira, abaixo o pote para recolher a borracha. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Em destaque o corte na seringueira, abaixo o pote para recolher a borracha. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_55687\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55687\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-6a.jpg 1152w\" alt=\"O ch\u00e3o coberto de cinzas contrasta com o verde da floresta. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O ch\u00e3o coberto de cinzas contrasta com o verde da floresta. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_55688\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55688\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-27.jpg 1152w\" alt=\"Castanheira abre seu espa\u00e7o de c\u00e9u azul em meio ao teto amaz\u00f4nico. Foto: Duda Menegassi. \" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Castanheira abre seu espa\u00e7o de c\u00e9u azul em meio ao teto amaz\u00f4nico. Foto: Duda Menegassi.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_55671\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-55671\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-Chico-Mendes-1024x606.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-Chico-Mendes-1024x606.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-Chico-Mendes-300x178.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-Chico-Mendes-600x355.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Travessia-Chico-Mendes.jpg 1152w\" alt=\"Imagem: Travessia Chico Mendes. \" width=\"640\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Imagem: Travessia Chico Mendes.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table class=\" aligncenter\" style=\"height: 181px;\" width=\"638\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Trilha Chico Mendes<\/strong>Onde: Reserva Extrativista Chico Mendes (AC)<\/p>\n<p>Dist\u00e2ncia: 90 quil\u00f4metros<\/p>\n<p>Pernoite? Sim. Os pernoites s\u00e3o feitos nas casas das fam\u00edlias que moram dentro da Resex.<\/p>\n<p>Para realizar a travessia \u00e9 necess\u00e1rio contratar um guia local.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><br \/>\n*Duda Menegassi \u00e9 jornalista de ((o))eco e a convite do ICMBio est\u00e1 acompanhando as dez travessias em unidades de conserva\u00e7\u00e3o que a serem completadas em 2017, em comemora\u00e7\u00e3o aos dez anos do \u00f3rg\u00e3o ambiental.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duda Menegassi* A Floresta Amaz\u00f4nica ocupa o imagin\u00e1rio coletivo de todos os brasileiros e possui<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72246,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecoturismo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Duda Menegassi* A Floresta Amaz\u00f4nica ocupa o imagin\u00e1rio coletivo de todos os brasileiros e possui","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72245"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72245\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}