{"id":72186,"date":"2017-09-11T14:00:05","date_gmt":"2017-09-11T17:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72186"},"modified":"2017-09-11T09:12:54","modified_gmt":"2017-09-11T12:12:54","slug":"tudo-que-voce-precisa-e-menos-e-o-planeta-nao-aguenta-mais-tanta-exploracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tudo-que-voce-precisa-e-menos-e-o-planeta-nao-aguenta-mais-tanta-exploracao\/","title":{"rendered":"Tudo que voc\u00ea precisa \u00e9 menos e o planeta n\u00e3o aguenta mais tanta explora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72187\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>I<\/span>sabel Alves sa\u00eda sempre exausta do trabalho em um escrit\u00f3rio de moda em S\u00e3o Paulo. Para piorar, o tr\u00e2nsito infernal da capital paulista deixava a volta para casa ainda mais desgastante. Mas ela tinha uma solu\u00e7\u00e3o para compensar todo aquele estresse: sempre comprava um presente para si pr\u00f3pria. \u201cA gente trabalha tanto, enfrenta congestionamento. Sentia a necessidade de mostrar para mim que aquilo tudo estava valendo a pena\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Comprava roupas, maquiagem, sapatos ou qualquer comida muito gostosa. Mas esse tempo ficou para tr\u00e1s. N\u00e3o que tenha sido f\u00e1cil. Desde a adolesc\u00eancia, Alves nunca havia pensado em frear seus gastos: os pais haviam passado por uma crise durante sua inf\u00e2ncia e, quando o dinheiro deixou de ser problema, eles compensaram aqueles dias dif\u00edceis com muitos mimos.<\/p>\n<p>Torrar dinheiro, afinal de contas, \u00e9 uma del\u00edcia: libera uma boa dose de dopamina, a famosa subst\u00e2ncia qu\u00edmica de prazer e bem-estar. Pesquisadores brit\u00e2nicos da Neuroco, uma empresa de neuromarketing, monitoraram os impulsos nervosos de volunt\u00e1rios durante um passeio no shopping. E, sem surpresas, quando essas pessoas compravam algo, o sistema dopamin\u00e9rgico brilhava muito mais.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese dos cientistas \u00e9 que nosso organismo guarda resqu\u00edcios da mem\u00f3ria de uma \u00e9poca de vacas magras, quando o ser humano dependia da ca\u00e7a e da coleta. Sem um supermercado repleto de produtos nas prateleiras, aqueles tempos ensinaram ao nosso corpo que o melhor a fazer \u00e9 consumir e acumular uma reserva de gordura para os dias dif\u00edceis \u2014 nunca se sabia quando aqueles recursos estariam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o novamente. E essa regra influencia nosso comportamento at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>S\u00f3 que o tempo de escassez acabou. Ou melhor, acabou para alguns: os 795 milh\u00f5es de pessoas no planeta que ainda passam fome n\u00e3o sabem o que \u00e9 viver com abund\u00e2ncia de recursos e, claro, n\u00e3o t\u00eam a menor chance de acumular nada, nem comida. Enquanto isso, a parcela endinheirada da popula\u00e7\u00e3o continua a reproduzir nosso instinto primitivo e consome quase todas as coisas produzidas no mundo.<\/p>\n<p>De acordo com o Banco Mundial, os mais ricos, 20% da popula\u00e7\u00e3o global, abocanham 76,6% dos produtos. J\u00e1 a classe m\u00e9dia, 60%, consome 20% de tudo o que \u00e9 produzido. O resto fica na (\u00ednfima) conta dos mais pobres.<\/p>\n<p>Nesse ritmo de acumula\u00e7\u00e3o e consumo, caminhamos para um desastre. A cada ano, a humanidade precisa de 1,7 planeta para se recuperar do uso excessivo de seus recursos naturais e da polui\u00e7\u00e3o causada por ela mesma, como revelam os c\u00e1lculos da Global Footprint Network, respons\u00e1vel por avaliar os impactos ambientais gerados por alguns pa\u00edses. Uma conta que, definitivamente, n\u00e3o fecha.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Info (Foto: Jo\u00e3o Pedro Brito)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/1sn5gIbRgdAvbHzoxke7QU7kVi8=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/08\/24\/info-viver-com-menos.jpg\" alt=\"Info (Foto: Jo\u00e3o Pedro Brito)\" width=\"639\" height=\"428\" \/><label class=\"foto-legenda\">QUANTOS RECURSOS NATURAIS UMA CAL\u00c7A JEANS CONSOME ANTES DE IR PARA NO SEU ARM\u00c1RIO (FOTO: MARCUS PENNA)<\/label><\/div>\n<p>Para Isabel Alves, a percep\u00e7\u00e3o desse problema ficou clara em 2015, quando viajou para Hamburgo, na Alemanha, e assistiu a uma palestra sobre moda sustent\u00e1vel. Depois do evento, a jovem decidiu mudar seus h\u00e1bitos de compra. \u201cMostraram um v\u00eddeo com a quantidade de roupa descartada por ano, com a explora\u00e7\u00e3o das pessoas nessa cadeia de produ\u00e7\u00e3o \u2014 quanto recebem por cada pe\u00e7a, quanto tempo trabalham\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Ela ficou t\u00e3o chocada com aquela realidade que colocou uma ideia na cabe\u00e7a: passar um ano inteiro sem comprar coisas novas. Redescobriu pe\u00e7as pouco ou nunca utilizadas no guarda-roupa, acess\u00f3rios e itens de maquiagem intocados.<\/p>\n<p>E encontrou, enfim, seu pr\u00f3prio estilo. A designer de moda cortou tamb\u00e9m o consumo de carne, abriu um brech\u00f3 virtual, trocou produtos de limpeza por op\u00e7\u00f5es naturais e passou a se preocupar mais com o lixo produzido. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o. E, um ano depois, a mudan\u00e7a em sua vida era irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Alves faz parte de um grupo de pessoas que cortou os excessos. \u00c9 o que chamam de minimalismo ou simplicidade volunt\u00e1ria. N\u00e3o se trata apenas de viver em uma casa pequena, com poucos m\u00f3veis. O que interessa \u00e9 a mudan\u00e7as de valores \u2014 o desapego \u00e0s coisas materiais \u2014 no ritmo que cabe a cada um.<\/p>\n<p>\u201cAlguns se importam com o meio ambiente, outros com o estresse causado por seus empregos. Outros buscam uma vida mais espiritualizada ou querem mais tempo com a fam\u00edlia. N\u00e3o existe uma motiva\u00e7\u00e3o padr\u00e3o\u201d, afirma o psic\u00f3logo Tim Kasser, do Knox College, nos Estados Unidos, e autor do livro\u00a0<em>The High Price of Materialism<\/em>\u00a0(em tradu\u00e7\u00e3o livre,\u00a0<em>O Alto Pre\u00e7o do Materialismo<\/em>\u00a0\u2014 editora Bradford Book, 195 p\u00e1ginas, R$ 80, sem edi\u00e7\u00e3o no Brasil).<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica certeza que se tem nessa sociedade cheia de op\u00e7\u00f5es \u00e9 que, se h\u00e1 dez produtos e voc\u00ea escolhe apenas um, voc\u00ea perdeu os outros nove. E a\u00ed algumas pessoas escolhem as dez coisas. S\u00e3o obesos do desejo\u201d, diz o psicanalista Jorge Forbes, autor de\u00a0<em>Voc\u00ea Quer o que Deseja?<\/em>\u00a0(Editora Best-Seller, 212 p\u00e1ginas, R$ 34,90). \u201cAt\u00e9 que um dia a pessoa descobre que \u00e9 muito pouco criativo ser consumista e muito covarde diante da subjetividade do desejo humano \u2014 quando voc\u00ea compra tudo, abre m\u00e3o da sua escolha.\u201d<\/p>\n<p>No Brasil, uma das discuss\u00f5es mais recentes sobre essa tend\u00eancia aconteceu nas redes sociais. Participante da edi\u00e7\u00e3o 2017 do programa MasterChef, a pequisadora Caroline Martins foi criticada pelos internautas por sempre aparecer com as mesmas pe\u00e7as de roupas.<\/p>\n<p>A resposta dela foi clara: \u201cEu vivia cheia de d\u00edvidas. Me desprender do consumismo excessivo foi uma das minhas melhores decis\u00f5es. Ent\u00e3o, coleguinhas que me perguntam, a resposta \u00e9: Sim! S\u00f3 tenho estas roupas! E sim, s\u00f3 tenho duas botinhas! Com muito orgulho!\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma apologia \u00e0 pobreza, mas sim \u00e0 sobriedade, como disse o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica no document\u00e1rio Humano. Nas palavras dele: \u201cQuando eu compro algo, ou voc\u00ea, n\u00e3o se paga com dinheiro. Pagamos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter aquele dinheiro. Mas tem um detalhe: a \u00fanica coisa que n\u00e3o se compra \u00e9 a vida. A vida se gasta. E \u00e9 lament\u00e1vel desperdi\u00e7ar a vida para perder a liberdade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabel Alves sa\u00eda sempre exausta do trabalho em um escrit\u00f3rio de moda em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":72187,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/consumismo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Isabel Alves sa\u00eda sempre exausta do trabalho em um escrit\u00f3rio de moda em S\u00e3o Paulo.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72186"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72186\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}