{"id":72120,"date":"2017-09-10T10:36:36","date_gmt":"2017-09-10T13:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72120"},"modified":"2017-09-10T10:38:32","modified_gmt":"2017-09-10T13:38:32","slug":"os-ecologistas-querem-acabar-com-a-agricultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-ecologistas-querem-acabar-com-a-agricultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Os ecologistas querem acabar com a agricultura brasileira?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecologia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-72121\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecologia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecologia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/ecologia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Brasil vive um desses momentos de embate em torno dos direitos ambientais. Mas o que estamos vendo \u00e9, antes de mais nada, uma guerra de narrativas.<\/p>\n<p>ALEXANDRE MANSUR<\/p>\n<p>O Brasil vive um desses momentos de embate em torno dos direitos ambientais. O governo federal e o Congresso parecem\u00a0empenhados em desmantelar as salvaguardas\u00a0que o pa\u00eds construiu para defender nossos recursos naturais. As iniciativas\u00a0visam reduzir as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0S\u00e3o apoiadas por uma coesa base parlamentar ligada aos interesses do agroneg\u00f3cio. Argumentam que o Brasil\u00a0precisa olhar para quem produz, defender o setor rural, respeitar quem bota a comida no prato do brasileiro e ainda exporta com alta competitividade, contribuindo para uma parte saud\u00e1vel de nosso PIB.<\/p>\n<p>Afinal, os ecologistas querem acabar com a agricultura brasileira?<\/p>\n<p>O que estamos vendo \u00e9, antes de mais nada, uma guerra de narrativas. H\u00e1 duas grandes hist\u00f3rias sendo contadas aos brasileiros. S\u00e3o dois argumentos que lutam para conquistar os cora\u00e7\u00f5es e mentes de cidad\u00e3os, consumidores, decisores. A primeira narrativa \u00e9 a que embala os esfor\u00e7os para reduzir as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, diminuir prote\u00e7\u00f5es legais, flexibilizar os licenciamentos ambientais, tornar mais f\u00e1cil construir e plantar sem negociar contrapartidas aos impactos ecol\u00f3gicos e humanos. A l\u00f3gica dessa narrativa \u00e9 que precisamos sempre fazer uma escolha: conservar ou produzir. Deixar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa intocada ou ocupar a terra para fins \u00fateis aos humanos. Um dos argumentos mais usados para justificar essa vis\u00e3o \u00e9 que todas as sociedades devastaram a natureza para se desenvolver. Que um pouco de destrui\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 o pre\u00e7o do progresso. Que os pa\u00edses ricos j\u00e1 fizeram isso e agora n\u00e3o querem que n\u00f3s, brasileiros, fa\u00e7amos o mesmo. O argumento vai al\u00e9m. \u00c9 comum dizer que os pa\u00edses ricos \u2013 ou pessoas dos pa\u00edses ricos \u2013 sustentam ONGs ambientalistas internacionais que defendem a conserva\u00e7\u00e3o da natureza nos pa\u00edses em desenvolvimento para obstruir o progresso por aqui. Quando se entra nesse dilema, restam poucas op\u00e7\u00f5es. Entre a comida no prato e o mico na \u00e1rvore, que escolha n\u00f3s temos?<\/p>\n<p>Na verdade, temos a escolha de n\u00e3o entrar nesse falso dilema. E a\u00ed entra a segunda narrativa. Ela se baseia num dilema diferente: produzir de forma insustent\u00e1vel ou produzir de forma sustent\u00e1vel. A\u00ed a hist\u00f3ria fica um pouco mais complexa. \u00c9 poss\u00edvel produzir das duas formas. Mas da primeira, explorando de forma predat\u00f3ria os recursos naturais, os impactos s\u00e3o grandes e o benef\u00edcio n\u00e3o dura para sempre. J\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o que respeita os limites naturais traz benef\u00edcios mais amplos para a sociedade e tende a ser mais duradoura.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a escolha que os setores mais modernos do pa\u00eds querem que fa\u00e7amos. Essa escolha est\u00e1 cada vez mais cristalina no embate entre o uso da terra e o direito ao desmatamento no Brasil. Pesquisas recentes mostram que a destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado pode\u00a0afetar o ciclo de chuvas que alimentam a pr\u00f3pria agricultura. Estudos e mais estudos mostram que a manuten\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 vital para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico do planeta. Outros estudos mostram o papel dos cuidados previstos no C\u00f3digo Florestal para\u00a0evitar a eros\u00e3o, que acaba com a lavoura. N\u00e3o s\u00e3o apenas hip\u00f3teses. A hist\u00f3ria da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e suicida do Vale do Para\u00edba, no Sudeste do Brasil, mostra como um ciclo agr\u00edcola baseado no desmatamento\u00a0levou ao esgotamento dos recursos e \u00e0 ru\u00edna dos pr\u00f3prios fazendeiros.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia brasileira, o dilema \u00e9 ainda mais falso. O motor do desmatamento n\u00e3o \u00e9 exatamente a vontade de produzir, mas o interesse em se apropriar ilegalmente de terra p\u00fablica para fins especulativos. O ciclo mais comum na regi\u00e3o \u00e9 uma sequ\u00eancia de espolia\u00e7\u00e3o inconsequente do nosso patrim\u00f4nio. Primeiro, o \u201cempreendedor\u201d contrata uma madeireira que invade uma floresta p\u00fablica e tira as \u00e1rvores de valor comercial, amparado por pistoleiros. Em seguida, ele queima o que restou para a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o. Com o dinheiro da madeira e do carv\u00e3o, planta capim e coloca alguns bois para justificar uma ocupa\u00e7\u00e3o de terra e tentar obter alguma documenta\u00e7\u00e3o de posse de propriedade. N\u00e3o \u00e9 uma l\u00f3gica de uso sustent\u00e1vel da terra.<\/p>\n<p>O que ocorre agora numa das \u00e1reas piv\u00f4s da crise \u00e9 emblem\u00e1tico. A Floresta Nacional do Jamanxim no Par\u00e1 \u00e9 uma das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o que a Bancada Ruralista quer reduzir, supostamente em nome da produ\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o se trata de uma unidade de preserva\u00e7\u00e3o da floresta intocada. A Floresta Nacional (Flona) \u00e9 um tipo de unidade criada especialmente\u00a0para a explora\u00e7\u00e3o de madeira, por concess\u00e3o a uma empresa privada, que maneja a \u00e1rea e produz de forma sustent\u00e1vel. A briga no Congresso \u00e9 para retalhar a Flona e\u00a0entregar parte dela a grileiros que invadiram a terra p\u00fablica\u00a0para tirar madeira ilegalmente e carv\u00e3o, ou at\u00e9 para colocar alguns bois. Isso em preju\u00edzo das empresas privadas que gostariam de explorar madeira legalmente l\u00e1. Que tipo de empreendedor queremos incentivar?<\/p>\n<p>V\u00e1rias empresas madeireiras exploram h\u00e1 d\u00e9cadas por\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia produzindo de\u00a0forma manejada, que respeita o ciclo de recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. Elas d\u00e3o lucro, exportam, empregam mais gente do que outras atividades, como a pecu\u00e1ria. Uma empresa inovadora em Mato Grosso ajuda pecuaristas a\u00a0produzir seguindo todos os cuidados ambientais e sociais, com maior retorno financeiro. H\u00e1 cada vez mais op\u00e7\u00f5es e mercado para produtos de alto valor econ\u00f4mico que exploram a floresta em p\u00e9, como guaran\u00e1,\u00a0a\u00e7a\u00ed, castanha,\u00a0\u00f3leos naturais para cosm\u00e9ticos. O Par\u00e1 j\u00e1 \u00e9 o maior produtor de cacau do pa\u00eds, sob a sombra da floresta.<\/p>\n<p>Talvez o verdadeiro dilema para o pa\u00eds seja que tipo de desenvolvimento n\u00f3s queremos. Se aquele baseado na explora\u00e7\u00e3o exaustiva dos recursos, como fizemos na destrui\u00e7\u00e3o das florestas litor\u00e2neas at\u00e9 o esgotamento da preciosa madeira vermelha que deu nome ao nosso pa\u00eds. Ou se queremos romper nosso hist\u00f3rico de devasta\u00e7\u00e3o para construir uma na\u00e7\u00e3o rica, desenvolvida, generosa e perene.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive um desses momentos de embate em torno dos direitos ambientais. 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