{"id":72095,"date":"2017-09-08T21:15:33","date_gmt":"2017-09-09T00:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=72095"},"modified":"2017-09-08T21:15:33","modified_gmt":"2017-09-09T00:15:33","slug":"neandertais-a-extincao-dos-outros-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/neandertais-a-extincao-dos-outros-humanos\/","title":{"rendered":"Neandertais, a extin\u00e7\u00e3o dos outros humanos"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O fim deles estava relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? A tecnologia nos torna superiores? E, se eles desapareceram, por que ainda estamos aqui?<\/h2>\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504728395_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504728395_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504728395_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504728395_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00f5es de cr\u00e2nios neandertais no gabinete de Antonio Rosas, no Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais, em Madri.\" width=\"639\" height=\"362\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Reprodu\u00e7\u00f5es de cr\u00e2nios neandertais no gabinete de Antonio Rosas, no Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais, em Madri.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>H\u00e1 cerca de 70.000 anos, um pequeno grupo humano, de dois ou tr\u00eas indiv\u00edduos, pescou alguns mexilh\u00f5es, se aproximou de um abrigo rochoso, acendeu uma fogueira e, enquanto comia os moluscos, come\u00e7ou a talhar pedras. As marcas daquela cena ficaram fossilizadas, permitindo a reconstru\u00e7\u00e3o por cientistas que trabalham em dois s\u00edtios arqueol\u00f3gicos do Rochedo de Gibraltar, as cavernas de Vanguard e Gorham. \u00c9 um momento muito pr\u00f3ximo, familiar, mas, ao mesmo tempo, muito distante. E n\u00e3o apenas no tempo: aqueles humanos n\u00e3o eram\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0como n\u00f3s. Como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/homo_neanderthalensis\/a\">neandertais<\/a>, pertenciam a uma esp\u00e9cie humana diversa. Seus \u00faltimos membros viveram neste recanto do sul da Europa. Juntamente com outros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos peninsulares, como o El Sidr\u00f3n, nas Ast\u00farias, essas cavernas contribu\u00edram para transformar a imagem daquela esp\u00e9cie que habitou a Europa h\u00e1 centenas de milhares de anos: a arqueologia revelou que n\u00e3o eram homin\u00eddeos brutos e dotados de pouca raz\u00e3o, como foram descritos com muita frequ\u00eancia, mas seres muito semelhantes a n\u00f3s, por\u00e9m ao mesmo tempo diferentes, e n\u00e3o apenas anatomicamente.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\"><\/div>\n<\/section>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CPau1L_oltYCFYQNkQodGx0Dig\"><\/div>\n<p>Os neandertais tinham capacidade de linguagem, enterravam seus mortos, eram solid\u00e1rios com aqueles que n\u00e3o podiam se defender, se decoravam com penas e conchas, comiam de tudo (como atum e focas) e at\u00e9 foi encontrado em Gibraltar um desenho geom\u00e9trico (embora nenhuma representa\u00e7\u00e3o de animais ou coisas) que indicaria que eram capazes de plasmar um pensamento simb\u00f3lico. Nossa proximidade com esses outros humanos amplia o maior mist\u00e9rio em torno deles: por que desapareceram? Embora a quest\u00e3o-chave seja ainda mais inquietante: por que partiram e ainda estamos aqui?<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\"><\/div>\n<p>\u201cEssas cavernas s\u00e3o muito generosas, nos aproximam do dia a dia dos neandertais. A cena dos mexilh\u00f5es n\u00e3o pode ser mais humana: duas pessoas junto ao fogo, que comem e, ao mesmo tempo, trabalham um pouco. Por isso que \u00e9 t\u00e3o emocionante\u201d, diz Geraldine Finlayson, que, juntamente com o marido, Clive, diretor do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.gibmuseum.gi\/\">Museu de Gibraltar<\/a>, vem coordenando a escava\u00e7\u00e3o dessas grutas h\u00e1 27 anos com uma equipe internacional que tamb\u00e9m inclui um nativo da prov\u00edncia de C\u00e1diz e um neozeland\u00eas radicado em Liverpool. Clive tamb\u00e9m \u00e9 autor de um excelente ensaio sobre a evolu\u00e7\u00e3o humana,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Humans-Who-Went-Extinct-Neanderthals\/dp\/0199239193\"><em>The Humans Who Became Extinct: Why Neanderthals Died Out and We Survived<\/em><\/a>\u00a0(Os Humanos que Desapareceram: Por que os Neandertais Morreram e N\u00f3s Sobrevivemos). Agora derrubadas pelo mar, na vertente oriental do Rochedo, h\u00e1 milhares de anos essas cavernas estavam a cerca de quatro quil\u00f4metros terra adentro, com uma paisagem semelhante \u00e0 da atual Do\u00f1ana e um excepcional clima quente na Europa, onde o resto do continente vivia per\u00edodos glaciais.<\/p>\n<p>Declaradas em 2016 como Patrim\u00f4nio Mundial da Unesco por seu extraordin\u00e1rio valor arqueol\u00f3gico, em Vanguard e Gorham apareceram todos os tipos de vest\u00edgios relacionados com os neandertais, embora apenas um ind\u00edcio humano:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com.es\/ciencia\/actualidad\/descubierto-diente-leche-neandertal-cueva-vanguard-gibraltar_11707\">um dente de leite<\/a>\u00a0de um exemplar de quatro ou cinco anos, datado de 50.000 anos, e que foi encontrado no in\u00edcio de julho. Como a presen\u00e7a dos neandertais na regi\u00e3o durou 100.000 anos, talvez seja o melhor lugar do mundo para tentar compreender a vida material e simb\u00f3lica desta esp\u00e9cie. De fato, as cavernas foram apelidadas de neandertal\u00e2ndia.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729331_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729331_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729331_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Antonio Rosas, diretor do Grupo de Paleoantropologia do Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais, ao lado da reprodu\u00e7\u00e3o de um esqueleto de neandertal.\" width=\"360\" height=\"539\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Antonio Rosas, diretor do Grupo de Paleoantropologia do Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais, ao lado da reprodu\u00e7\u00e3o de um esqueleto de neandertal.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span>\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>O nome neandertais vem do vale de Neander, na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alemania\/a\">Alemanha<\/a>, onde alguns dos primeiros vest\u00edgios foram descobertos. \u00c9 uma esp\u00e9cie humana que viveu na Europa, do extremo sul do Mediterr\u00e2neo \u00e0 Sib\u00e9ria, e em algumas \u00e1reas do Oriente M\u00e9dio. Embora muitos dados ainda estejam sendo discutidos e, como sempre acontece com o estudo da pr\u00e9-hist\u00f3ria, novas descobertas possam mudar o panorama, a maioria dos cientistas acredita que evolu\u00edram de uma esp\u00e9cie anterior de homin\u00eddeos h\u00e1 cerca de 250.000-300.000 anos (alguns especialistas falam de 400.000). Seu misterioso desaparecimento, h\u00e1 cerca de 40.000 anos (a equipe de Finlayson discorda e acredita que os neandertais viveram em Gibraltar at\u00e9 28.000 anos atr\u00e1s), coincide com a chegada de nossa esp\u00e9cie, os\u00a0<em>sapiens<\/em>, \u00e0 Europa vinda da \u00c1frica.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o consenso cient\u00edfico fala de uma esp\u00e9cie que habitou a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/europa\/a\/\">Europa<\/a>\u00a0por muito tempo: pelo menos 200.000 anos. Para termos uma ideia dessa dimens\u00e3o, basta lembrar que nossa civiliza\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a com a agricultura, tem apenas 10.000 anos; Altamira foi pintada h\u00e1 cerca de 15.000 e a Pir\u00e2mide de Qu\u00e9ops foi constru\u00edda h\u00e1 4.500 anos. Os neandertais foram capazes de sobreviver durante todo esse tempo adaptados a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas variadas e, \u00e0s vezes, extremamente frias (invernos como os siberianos em todo o continente), mas desapareceram em um espa\u00e7o de tempo relativamente curto.<\/p>\n<p>\u201cNa extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, nunca h\u00e1 uma \u00fanica causa, embora haja quase sempre uma acima: a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u201d, explica Antonio Rosas, diretor do Grupo de Paleoantropologia do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mncn.csic.es\/\">Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais<\/a>, um dos principais especialistas espanh\u00f3is sobre esta esp\u00e9cie e autor do livro\u00a0<em>Los Neandertales<\/em>. \u201cNo caso dos neandertais, trata-se de um fen\u00f4meno multifatorial\u201d, continua Rosas. \u201cEm um per\u00edodo particularmente frio, as florestas desaparecem, algo que ocorreu durante o \u00faltimo m\u00e1ximo glacial. \u00c9 muito prov\u00e1vel que essa deteriora\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica tenha influenciado a extin\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de pessoas era muito baixo e muito vari\u00e1vel. Al\u00e9m disso, novas popula\u00e7\u00f5es chegaram, com uma tecnologia diferente e um sistema cultural muito poderoso.\u201d Aquelas popula\u00e7\u00f5es somos n\u00f3s, os\u00a0<em>sapiens<\/em>. Os homens modernos come\u00e7aram a entrar em contato com neandertais h\u00e1 cerca de 70.000 anos no Oriente M\u00e9dio: os\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0chegavam da \u00c1frica, e eles da Europa, em busca de terras quentes diante de um per\u00edodo glacial especialmente intenso.<\/p>\n<p>Da sala do paleoantrop\u00f3logo Rosas, na Resid\u00eancia dos Estudantes, se contempla uma soberba vista de Madri, mas o mais interessante est\u00e1 dentro. Em um arm\u00e1rio refrigerado detr\u00e1s de sua mesa est\u00e1 guardada a maior cole\u00e7\u00e3o de restos \u00f3sseos neandertais da pen\u00ednsula, pertencentes a 13 indiv\u00edduos da caverna de El Sidr\u00f3n (Ast\u00farias). Depois de mais de uma d\u00e9cada escavando, e ap\u00f3s ter encontrado 2.100 restos humanos, o trabalho de laborat\u00f3rio continua dando frutos. Gra\u00e7as a esses vest\u00edgios se confirmou que eram canibais \u2013pelos cortes nos ossos\u2013, mas tamb\u00e9m se descobriu h\u00e1 alguns meses, pelo estudo do t\u00e1rtaro dental, que se medicavam: um indiv\u00edduo com um doloroso abcesso mastigou casca de \u00e1lamo, uma fonte natural de \u00e1cido salic\u00edlico, o ingrediente analg\u00e9sico da aspirina.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\"><\/div>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729570_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729570_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729570_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"A caverna de Gorham, em Gibraltar.\" width=\"360\" height=\"414\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A caverna de Gorham, em Gibraltar.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Uma equipe do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig (Alemanha), dirigida pelo bi\u00f3logo sueco Svante P\u00e4\u00e4bo, sequenciou o genoma neandertal em 2010, o que levou a descobrir que, apesar de se tratar de duas esp\u00e9cies diferentes, houve hibrida\u00e7\u00f5es entre neandertais e\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0no Oriente M\u00e9dio h\u00e1 70.000 anos. O resultado desses encontros sexuais \u00e9 que os humanos n\u00e3o africanos t\u00eam entre 2% e 4% de genes neandertais que contribu\u00edram, por exemplo, a uma maior resist\u00eancia a certas doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos neandertais despertou um interesse inesgot\u00e1vel porque fala de um mundo em que os\u00a0<em>sapiens<\/em>\u00a0n\u00e3o eram os \u00fanicos humanos \u2013h\u00e1 150.000 anos coexistiam quatro esp\u00e9cies:\u00a0<em>sapiens<\/em>, neandertais,\u00a0<em>floresiensis<\/em>\u00a0e\u00a0<em>erectus.<\/em>\u00a0Esses encontros com outra humanidade, confirmados pela gen\u00e9tica, embora quase nunca pela arqueologia, foram imaginados nos melhores romances sobre a pr\u00e9-hist\u00f3ria:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/a-guerra-do-fogo-9244283.html\"><em>A Guerra do Fogo<\/em><\/a>, de J. H. Rosny, que Jean-Jacques Annaud\u00a0<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0082484\/\">levou ao cinema<\/a>; na saga de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/ayla-a-filha-das-cavernas-os-filhos-da-terra-vol-i-315837.html\"><em>Ayla, a Filha das Cavernas<\/em><\/a>, de Jean M. Auel, ou no menos conhecido\u00a0<a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=27623745\"><em>Os Herdeiros<\/em><\/a>, do pr\u00eamio Nobel William Golding. Em todos os casos, os neandertais saem perdendo, retratados como seres menos inteligentes que os\u00a0<em>sapiens<\/em>, que dominam uma tecnologia mais sofisticada.<\/p>\n<p>Golding, o autor de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.saraiva.com.br\/senhor-das-moscas-7228778.html\"><em>O Senhor das Moscas<\/em><\/a>, at\u00e9 mesmo inventa uma linguagem menos evolu\u00edda, sem pensamento l\u00f3gico. No filme de Annaud, os neandertais s\u00f3 emitem grunhidos e n\u00e3o dominam o fogo (apenas sabem conserv\u00e1-lo, mas n\u00e3o acend\u00ea-lo). A arqueologia desmentiu essas teorias.<\/p>\n<p>\u201cOs neandertais nos fascinam porque nos lembram demais de n\u00f3s mesmos\u201d, explica o bi\u00f3logo Llu\u00eds Quintana-Murci, diretor da unidade de Gen\u00e9tica Evolutiva Humana no Instituto Pasteur, de Paris. \u201c\u00c9 uma mescla de medo e curiosidade, de amor e \u00f3dio, porque somos n\u00f3s mesmos, mas ao mesmo tempo, n\u00e3o.\u201d \u201cEles nos apaixonam porque na \u00e1rvore filogen\u00e9tica humana \u00e9 a criatura mais pr\u00f3xima dos homens e, ao mesmo tempo, \u00e9 diferente. \u00c9 outra humanidade, como se encontr\u00e1ssemos extraterrestres inteligentes\u201d, afirma o paleoantrop\u00f3logo franc\u00eas Jean-Jacques Hublin, diretor do Departamento de Evolu\u00e7\u00e3o Humana do Instituto Max Planck. Ele dirige a equipe que realizou uma das descobertas mais extraordin\u00e1rias dos \u00faltimos anos, que deslocou o nascimento de nossa esp\u00e9cie\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/sociedad\/2003\/06\/11\/actualidad\/1055282403_850215.html\">da Eti\u00f3pia<\/a>\u00a0h\u00e1 195.000 anos para a caverna de Jebel Irhoud (Marrocos) h\u00e1 300.000 anos. \u201cQuando falamos dos neandertais, nos movemos entre duas caricaturas. Por um lado, s\u00e3o apresentados como homens-macacos muito primitivos, uma esp\u00e9cie de chimpanz\u00e9s fugidos de um zoo. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 outra caricatura: dizer que s\u00e3o como n\u00f3s, que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729697_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729697_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729697_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729697_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Resto \u00f3sseo de ave com marcas de cortes neandertais encontrado nas jazidas de Gibraltar, agora no Museu de Gibraltar.\" width=\"639\" height=\"479\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Resto \u00f3sseo de ave com marcas de cortes neandertais encontrado nas jazidas de Gibraltar, agora no Museu de Gibraltar.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>As diferen\u00e7as s\u00e3o, primeiro, anat\u00f4micas. Um neandertal no metr\u00f4 deixaria alucinados seus companheiros de vag\u00e3o. Sua fronte proeminente, que desenha uma esp\u00e9cie de viseira sobre os olhos, ou seu nariz largo n\u00e3o passariam despercebidos. Tampouco sua estrutura \u00f3ssea, muito mais maci\u00e7a que a nossa, nem sua corpul\u00eancia. No entanto, seu c\u00e9rebro era maior que o dos humanos modernos. Dependiam, como n\u00f3s, de uma cultura material para sua sobreviv\u00eancia e tinham a mesma muta\u00e7\u00e3o no gene FoxP2, associada nos humanos \u00e0 fala. Isso significa que dispunham da capacidade anat\u00f4mica e gen\u00e9tica para a linguagem, e os especialistas acreditam ser muito dif\u00edcil que se coordenassem para tantas atividades sociais sem algum tipo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas dessas descobertas foram feitas em laborat\u00f3rios, mas primeiro \u00e9 preciso encontrar os vest\u00edgios de sua presen\u00e7a. E para isso existem poucos lugares t\u00e3o importantes como as cavernas nas quais viveram os \u00faltimos neandertais. Para ter acesso a Vanguard e Gorham \u00e9 necess\u00e1rio obter uma permiss\u00e3o porque \u00e9 preciso cruzar uma zona militar brit\u00e2nica. Existe uma quota para visitas tur\u00edsticas administrada pelo Museu de Gibraltar. Para chegar \u00e9 preciso descer (e, o pior, voltar a subir) 344 degraus at\u00e9 a caverna. Quando o mar est\u00e1 bravo, o que ocorre com frequ\u00eancia, o acesso a Gorham \u00e9 imposs\u00edvel. Mas n\u00e3o a Vanguard. \u201cAs descobertas realizadas contribu\u00edram para mudar a imagem dos neandertais. O que consideramos moderno j\u00e1 aparece aqui\u201d, explica Clive Finlayson.<\/p>\n<p>Uma escava\u00e7\u00e3o desse tipo \u00e9 feita com pinc\u00e9is e pequenas esp\u00e1tulas, manejados por uma equipe multidisciplinar. O avan\u00e7o \u00e9 muito lento, em diferentes n\u00edveis, e depois no laborat\u00f3rio se classifica minuciosamente o que se descobre: restos de carv\u00e3o que indicam fogueiras, ossos de animais que podem ajudar na data\u00e7\u00e3o ou a determinar o tipo de alimenta\u00e7\u00e3o (comiam de tudo, foca-monge-do-mediterr\u00e2neo, mariscos, golfinhos, atuns ou cabras), p\u00f3len e plantas que permitem recompor a paisagem (\u00e9 a especialidade de Geraldine Finlayson). Os copr\u00f3litos de hienas \u2013as fezes fossilizadas\u2013, muito frequentes, s\u00e3o tamb\u00e9m uma mina de informa\u00e7\u00e3o. Nas cavernas de Gibraltar s\u00f3 faltam os ossos \u2013menos o dente achado em julho. Em outras jazidas da Pen\u00ednsula foram encontrados restos humanos: as cole\u00e7\u00f5es mais completas apareceram em El Sidr\u00f3n (Ast\u00farias) e na sima das Palomas (M\u00farcia).<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729851_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729851_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729851_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Reconstru\u00e7\u00f5es forenses a partir de cr\u00e2nios neandertais, no Museu de Gibraltar.\" width=\"360\" height=\"539\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Reconstru\u00e7\u00f5es forenses a partir de cr\u00e2nios neandertais, no Museu de Gibraltar.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Como se sabe que se enfeitavam com penas? Pelas marcas de cortes encontradas em ossos de p\u00e1ssaros, em partes onde n\u00e3o havia nada comest\u00edvel. De fato, a equipe dissecou abutres achados mortos para comprovar se, ao puxar as penas com tecidos, os cortes eram iguais. \u00c9 incr\u00edvel como, por meio dos menores ind\u00edcios, se pode recompor o quebra-cabe\u00e7as do passado. S\u00e3o necess\u00e1rias muitas horas de laborat\u00f3rio \u2013o dente foi encontrado esmiu\u00e7ando a areia com uma pin\u00e7a\u2013 e an\u00e1lises realizadas por especialistas de diferentes campos. \u201cEstamos em um lugar onde a areia tapa tudo muito r\u00e1pido e guarda o passado quase como em uma fotografia\u201d, explica o arque\u00f3logo Francisco Giles Guzm\u00e1n, de C\u00e1diz, membro da equipe do Museu de Gibraltar. Os restos l\u00edticos, pedras talhadas e utilizadas como instrumentos, s\u00e3o achados por todas as partes, \u00e0s vezes sem escavar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma zona em que sempre houve um clima benigno. Nem nos piores momentos de frio chegou a fauna da era glacial que \u00e9 encontrada muito perto, por exemplo, em Granada. Aqui n\u00e3o vagaram\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/28\/ciencia\/1488285879_317551.html\">os mamutes<\/a>\u00a0nem rinocerontes-lanudos nem renas\u201d, afirma Clive Finlayson. \u201cPor isso n\u00e3o gosto de falar de \u00faltimo ref\u00fagio: estiveram sempre aqui, n\u00e3o se trata de popula\u00e7\u00f5es que se abrigaram aqui, mas que sobreviveram ajudadas pelo clima.\u201d A maioria dos especialistas acredita que se trata dos \u00faltimos neandertais \u2013tamb\u00e9m h\u00e1 restos tardios na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/croacia\/a\/\">Cro\u00e1cia<\/a>\u2013, mas polemizam sobre as data\u00e7\u00f5es, dif\u00edceis de calcular com o procedimento do carbono 14. O que est\u00e1 de fato claro \u00e9 que a esp\u00e9cie foi avan\u00e7ando para o sul, at\u00e9 a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, conforme as popula\u00e7\u00f5es se tornavam menores e iam desaparecendo de outros lugares. A localiza\u00e7\u00e3o dessas cavernas lan\u00e7a outra inc\u00f3gnita: por que n\u00e3o cruzaram o Estreito? Foram descobertos assentamentos humanos do outro lado, na costa de Marrocos, mas n\u00e3o foram achados at\u00e9 agora restos de neandertais na \u00c1frica.<\/p>\n<p>O retrato que se extrai dessas \u00faltimas popula\u00e7\u00f5es de neandertais \u00e9 o de uma sociedade complexa. Mas, do mesmo modo que n\u00e3o passaram para a costa africana, enquanto os sapiens atravessaram 100 quil\u00f4metros de mar aberto para chegar \u00e0 Austr\u00e1lia, nunca superaram certas limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Os neandertais ca\u00e7avam com lan\u00e7as de contato, escondendo-se. N\u00e3o tinham inventado o arco ou as lan\u00e7as atiradas de certa dist\u00e2ncia. Tinham pensamento simb\u00f3lico e enfeitavam o corpo, mas n\u00e3o produziram a arte figurativa caracter\u00edstica dos\u00a0<em>sapiens<\/em>. Como n\u00f3s, dominavam o fogo, processavam os alimentos e, sobretudo, sobreviveram em um ambiente inimaginavelmente hostil. Conheciam a fundo o entorno em que viviam, como demonstra seu manejo da casca de \u00e1lamo para a dor ou seu consumo de criaturas marinhas. A nossa tecnologia \u00e9 superior ou apenas diferente? A chegada dos humanos modernos \u00e0 Austr\u00e1lia e Am\u00e9rica coincidiu com extin\u00e7\u00f5es em massa de megafauna, o que prova que nossos intentos ensejam enormes problemas, como fica claro com o que est\u00e1 acontecendo no planeta desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<section id=\"sumario_6|foto\" class=\"sumario_foto centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729992_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729992_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729992_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504729992_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Imagem feita durante recentes tarefas de pesquisa sobre os neandertais realizadas nas cavernas Vanguard e Gorham (Gibraltar).\" width=\"638\" height=\"478\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Imagem feita durante recentes tarefas de pesquisa sobre os neandertais realizadas nas cavernas Vanguard e Gorham (Gibraltar).<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u201cO que \u00e9 uma esp\u00e9cie humana?\u201d, se pergunta Antonio Rosas. \u201cAcreditamos durante muito tempo que n\u00f3s, os\u00a0<em>sapiens<\/em>, somos superiores. Durante grande parte da hist\u00f3ria, o conceito de humanidade n\u00e3o inclu\u00eda outras popula\u00e7\u00f5es, basta ver o que se dizia e escrevia na \u00e9poca do colonialismo. Eles tinham desenvolvido todos os atributos que consideramos humanos e, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o iguais a n\u00f3s. \u00c9 uma humanidade diferente, certamente com uma psicologia distinta. A intelig\u00eancia \u00e9 uma potencialidade, uma capacidade para aprender, que se manifesta de diferentes maneiras.\u201d Clive Finlayson diz, por sua vez: \u201cAs diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s s\u00e3o culturais e a cultura material n\u00e3o \u00e9 um indicador de intelig\u00eancia. Eram menos inteligentes que n\u00f3s no Renascimento porque n\u00e3o tinham\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/internet\/a\">Internet<\/a>? Eram menos inteligentes meus av\u00f3s porque n\u00e3o tinham avi\u00f5es?\u201d<\/p>\n<p>Sua habilidade t\u00e9cnica, sua capacidade para adaptar-se a diferentes ambientes, sua longu\u00edssima presen\u00e7a em habitats mut\u00e1veis torna ainda mais profundo o mist\u00e9rio de seu desaparecimento. Os estudos gen\u00e9ticos tra\u00e7am um panorama com muito poucos indiv\u00edduos em um espa\u00e7o muito grande. Uma cifra aceita \u00e9 a de 30.000 neandertais na Europa (alguns especialistas falam de 100.000). Quando uma popula\u00e7\u00e3o assim sofre uma crise, por motivos clim\u00e1ticos ou porque disputa recursos escassos com outra esp\u00e9cie cuja tecnologia \u00e9 mais eficaz, sua sobreviv\u00eancia se torna muito fr\u00e1gil. Talvez, simplesmente, n\u00e3o superaram uma dessas crises e os grupos dispersos, sem contato, se extinguiram pouco a pouco.<\/p>\n<section id=\"sumario_7|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504730113_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504730113_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/06\/eps\/1504722155_726280_1504730113_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Clive Finlayson, diretor do Museu de Gibraltar e das escava\u00e7\u00f5es nas jazidas de Vanguard e Gorham.\" width=\"360\" height=\"462\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Clive Finlayson, diretor do Museu de Gibraltar e das escava\u00e7\u00f5es nas jazidas de Vanguard e Gorham.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">JUAN MILL\u00c1S<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel, por\u00e9m, se esquivar de um dado: eles se v\u00e3o quando n\u00f3s chegamos. \u201cSeu desaparecimento est\u00e1 ligado \u00e0 chegada dos homens modernos\u201d, diz Jean-Jacques Hublin. \u201cForam substitu\u00eddos e em parte absorvidos pelos\u00a0<em>sapiens<\/em>. O problema n\u00e3o \u00e9 por que os neandertais desapareceram, mas por que os homens modernos conheceram essa expans\u00e3o planet\u00e1ria. Todas as formas humanas encontradas na sua passagem foram extinguindo-se.\u201d A descoberta de v\u00e1rios cr\u00e2nios de neandertal em meados do s\u00e9culo XIX ocorreu mais ou menos quando\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/charles_robert_darwin\/a\">Darwin<\/a>estava a ponto de publicar\u00a0<em>A Origem das Esp\u00e9cies<\/em>. Na verdade, o cientista teve em suas m\u00e3os um cr\u00e2nio encontrado em Gibraltar em 1848. Esses restos provavam que haviam existido outros humanos diferentes. Agora, as quest\u00f5es que os neandertais nos colocam s\u00e3o diferentes, mas igualmente significativas. Por que uma esp\u00e9cie desaparece? O que nos transforma em humanos? A tecnologia nos torna superiores? E, em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 especialmente importante nos perguntarmos at\u00e9 que ponto \u00e9 poss\u00edvel sobreviver a uma transforma\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica no meio ambiente. Aqueles outros humanos mudaram uma vez nossa forma de ver o mundo e est\u00e1 acontecendo de novo. O lugar onde sobreviveram os \u00faltimos neandertais \u00e9 agora uma \u00e1rea de an\u00e1lise no solo \u00famido da caverna de Gorham, onde um grupo internacional de arque\u00f3logos escava pacientemente, enquanto outros cientistas examinam restos milim\u00e9tricos em um laborat\u00f3rio. Tentam entender quem foram esses\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/09\/10\/ciencia\/1441905346_685486.html\">outros humanos e, portanto, quem somos n\u00f3s<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim deles estava relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? A tecnologia nos torna superiores? E, se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O fim deles estava relacionado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? A tecnologia nos torna superiores? E, se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72095"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}