{"id":71787,"date":"2017-09-04T07:08:45","date_gmt":"2017-09-04T10:08:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=71787"},"modified":"2017-09-04T07:08:45","modified_gmt":"2017-09-04T10:08:45","slug":"saiba-como-e-um-garimpo-ilegal-em-algumas-reservas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/saiba-como-e-um-garimpo-ilegal-em-algumas-reservas-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Saiba como \u00e9 um garimpo ilegal em algumas reservas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-71788\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A atividade de minera\u00e7\u00e3o na Floresta Amaz\u00f4nica ficou no centro do debate p\u00fablico nos \u00faltimos dias. Primeiro, o governo do presidente\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tudo-sobre\/noticia\/2016\/05\/michel-temer.html\">Michel Temer<\/a>\u00a0editou um decreto extinguindo a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), liberando uma \u00e1rea entre Par\u00e1 e Amap\u00e1 para a minera\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s repercuss\u00e3o negativa, Temer\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2017\/08\/recuo-de-temer-mostra-que-congresso-tera-dificuldade-em-liberar-mineracao-em-area-protegida.html\">voltou atr\u00e1s e editou novo decreto<\/a>, mantendo a extin\u00e7\u00e3o da Renca, mas, desta vez, detalhando que isso n\u00e3o significa uma permiss\u00e3o para minerar em \u00e1rea protegida, como unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Apesar de existir no papel, a Renca nunca conseguiu impedir o garimpo na regi\u00e3o, incluindo em \u00e1reas de import\u00e2ncia biol\u00f3gica. A aus\u00eancia do Estado na Amaz\u00f4nia e a p\u00e9ssima implementa\u00e7\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o fizeram florescer a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro. Essa minera\u00e7\u00e3o de pequena escala \u00e9 a mais perigosa. Coloca em risco a sa\u00fade dos garimpeiros e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a prote\u00e7\u00e3o ambiental, resultando em desmatamento ilegal e contamina\u00e7\u00e3o de rios e peixes por merc\u00fario.<\/p>\n<p>A pesquisadora Jakeline Pereira, do Imazon, visitou alguns desses garimpos ilegais em \u00e1reas protegidas na regi\u00e3o da Renca. Jakeline foi uma das t\u00e9cnicas respons\u00e1veis pelo plano de manejo de duas \u00e1reas protegidas no local, a Floresta Estadual do Paru e a Reserva Biol\u00f3gica Maicuru. Durante a elabora\u00e7\u00e3o do plano, ela e agentes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Par\u00e1 entrevistaram garimpeiros e foram aos locais de extra\u00e7\u00e3o de ouro, em 2008. &#8220;\u00c9 uma \u00e1rea de dif\u00edcil acesso e perigo iminente&#8221;, diz. Segundo ela, desde ent\u00e3o nenhum funcion\u00e1rio do governo entrou novamente nas \u00e1reas. Ou seja, em quase uma d\u00e9cada a regi\u00e3o n\u00e3o viu nenhum tipo de presen\u00e7a do Estado. As fotos que ilustram esta reportagem s\u00e3o do arquivo dessa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, segundo a pesquisadora, o garimpo ilegal se intensificou. Na \u00e9poca da realiza\u00e7\u00e3o do plano de manejo, em 2008, eles constataram que cerca de 1.000 garimpeiros trabalhavam ilegalmente nas duas \u00e1reas protegidas. Hoje, com base em estimativas feitas pela quantidade de voos que saem do munic\u00edpio de Laranjal do Jari, no Amap\u00e1, para os garimpos, acredita-se que 2 mil garimpeiros atuam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A atividade de minera\u00e7\u00e3o come\u00e7a com um &#8220;dono&#8221;. N\u00e3o \u00e9, evidentemente, algu\u00e9m que tenha a posse da \u00e1rea, j\u00e1 que se trata de uma atividade ilegal. Esse dono geralmente \u00e9 uma pessoa com maior recurso financeiro que tem a posse do maquin\u00e1rio necess\u00e1rio para abrir o garimpo. Ele raramente se desloca ao local de minera\u00e7\u00e3o. Para isso, contrata um &#8220;gerente&#8221;, que \u00e9 quem organiza a atividade no local, a moradia dos trabalhadores e com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Os garimpeiros formam a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel. S\u00e3o em sua maioria homens que trabalhavam na agricultura ou constru\u00e7\u00e3o civil e foram atra\u00eddos pela riqueza do ouro. A maior parte tem pouca educa\u00e7\u00e3o formal. Na pesquisa feita para o plano de manejo, 36% eram analfabetos e outros 40% tinham o ensino fundamental incompleto. Eles trabalham em m\u00e9dia 60 horas por semana e recebem entre 20% e 30% do valor da produ\u00e7\u00e3o do ouro. Os frutos do trabalho ficam, em grande parte, no pr\u00f3prio garimpo. Tudo \u00e9 cobrado: alimento, roupas, bebidas. A moeda que circula \u00e9 o ouro. At\u00e9 um refrigerante se compra com ouro. E os produtos s\u00e3o car\u00edssimos, j\u00e1 que s\u00e3o trazidos para o garimpo por avi\u00e3o ou barco.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Garimpo de fil\u00e3o em Nova Esperan\u00e7a, dentro da Floresta Estadual do Paru (Foto: Imazon)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/9g3yPZ93UrYe8GgbEE88NeelKB4=\/560x430\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/08\/29\/garimpos_par_211.jpg\" alt=\"Garimpo de fil\u00e3o em Nova Esperan\u00e7a, dentro da Floresta Estadual do Paru (Foto: Imazon)\" width=\"639\" height=\"491\" \/><label class=\"foto-legenda\">Garimpo de fil\u00e3o em Nova Esperan\u00e7a, dentro da Floresta Estadual do Paru (Foto: Imazon)<\/label><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Ouro encontrado em garimpo ilegal na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/3Pkcugz9dZE8WXRVx5zmo3hho4k=\/560x430\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/08\/29\/garimpos_par_215.jpg\" alt=\"Ouro encontrado em garimpo ilegal na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)\" width=\"639\" height=\"491\" \/><label class=\"foto-legenda\">Ouro encontrado em garimpo ilegal na Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)<\/label><\/div>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 com a sa\u00fade, especialmente com a mal\u00e1ria \u2013 relatos de infesta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a s\u00e3o comuns. Outro risco muito alto \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario, subst\u00e2ncia usada na extra\u00e7\u00e3o do ouro. A viol\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 um problema. Em 2014, por exemplo, o gestor de uma das unidades de conserva\u00e7\u00e3o autuou garimpeiros que estavam trafegando pelo Rio Jari. Ele foi amea\u00e7ado de morte e acabou solicitando uma transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo Jakeline, o garimpo ilegal s\u00f3 prospera porque o Estado n\u00e3o se preocupa em implementar pol\u00edticas p\u00fablicas na regi\u00e3o. &#8220;As \u00e1reas protegidas precisam ser implementadas, precisam de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas falta gente, faltam recursos. Na Floresta Estadual do Paru, por exemplo, s\u00e3o duas pessoas para administrar 7 milh\u00f5es de hectares. \u00c9 um descaso com as \u00e1reas protegidas, tanto dos governos do Par\u00e1 e Amap\u00e1 quanto do governo federal&#8221;, diz.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Garimpo Nova Esperan\u00e7a, uma atividade ilegal dentro da Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/m7UU6aH5TvIsAM7WNMXG3xkpwqk=\/560x430\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/08\/29\/garimpos_par_096.jpg\" alt=\"Garimpo Nova Esperan\u00e7a, uma atividade ilegal dentro da Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)\" width=\"639\" height=\"491\" \/><label class=\"foto-legenda\">Garimpo em Nova Esperan\u00e7a, uma atividade ilegal dentro da Floresta Estadual do Paru, no Par\u00e1 (Foto: Imazon)<\/label><\/div>\n<p>O novo decreto assinado pelo governo para extinguir a Renca procurou deixar claro que esse tipo de garimpo, pequeno, ilegal e danoso para a sa\u00fade e o meio ambiente, continua proibido. A promessa do governo \u00e9 permitir uma minera\u00e7\u00e3o mais moderna, industrial e de escala na regi\u00e3o, com empresas que sejam respons\u00e1veis por poss\u00edveis danos ambientais e possam p\u00f4r em pr\u00e1tica pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o ambiental. O resultado, entretanto, pode ser o contr\u00e1rio, segundo Marco Lentine, da WWF-Brasil. &#8220;O grande problema \u00e9 abrir a \u00e1rea para minera\u00e7\u00e3o em uma regi\u00e3o fr\u00e1gil ambientalmente, sem fazer o ordenamento do territ\u00f3rio, sem pol\u00edticas p\u00fablicas e sem salvaguardas ambientais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo ele, o recuo de Temer e a mudan\u00e7a no texto t\u00eam pontos positivos, como ressaltar que \u00e1reas protegidas continuam fechadas para a minera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ele diz que, no contexto geral, com o decreto se somando a outras medidas delicadas do ponto de vista ambiental, como a redu\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2017\/07\/se-reduzir-floresta-do-jamanxim-governo-dara-subsidio-de-r-500-mi-grileiros.html\">Floresta Nacional do Jamanxim<\/a>, mudan\u00e7as nas\u00a0<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/blog-do-planeta\/noticia\/2017\/08\/ibama-identifica-seis-problemas-no-texto-que-muda-o-licenciamento-ambiental.html\">regras de licenciamento ambiental<\/a>, o governo passa uma mensagem negativa. &#8220;A mensagem pol\u00edtica \u00e9 que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 aberta \u00e0 explora\u00e7\u00e3o.&#8221; O temor \u00e9 de que essa mensagem mostre aos donos dos garimpos ilegais que a atividade deles tem respaldo governamental, iniciando uma verdadeira corrida para o ouro no cora\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atividade de minera\u00e7\u00e3o na Floresta Amaz\u00f4nica ficou no centro do debate p\u00fablico nos \u00faltimos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71788,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/renca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A atividade de minera\u00e7\u00e3o na Floresta Amaz\u00f4nica ficou no centro do debate p\u00fablico nos \u00faltimos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71787"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}