{"id":71681,"date":"2017-09-02T13:00:43","date_gmt":"2017-09-02T16:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=71681"},"modified":"2017-09-02T12:11:09","modified_gmt":"2017-09-02T15:11:09","slug":"na-mata-atlantica-ninguem-e-amigo-da-onca-pintada-uma-especie-ameacada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/na-mata-atlantica-ninguem-e-amigo-da-onca-pintada-uma-especie-ameacada\/","title":{"rendered":"Na Mata Atl\u00e2ntica, ningu\u00e9m \u00e9 amigo da on\u00e7a-pintada, uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-71682\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Durante meu mestrado, entre 1988 e 1990, trabalhei na ent\u00e3o Fazenda Intervales (tornada parque estadual em 1995). Rec\u00e9m transferida do finado BANESPA para a rec\u00e9m-criada Funda\u00e7\u00e3o Florestal, sob a administra\u00e7\u00e3o do banco a fazenda era uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de fato, apesar do hist\u00f3rico de explora\u00e7\u00e3o de palmito para alimentar uma f\u00e1brica pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Meu caderno de campo registra conversa com o sr. Lima, no dia 24 de abril de 1988. \u201cA \u00e1rea total \u00e9 de 38.000 ha&#8230; A propriedade \u00e9 guardada por 28 vigilantes. H\u00e1 26 anos n\u00e3o se ca\u00e7a na fazenda\u201d. O per\u00edmetro da propriedade era protegido por bases como Quilombo, Saibadela, Funil, Guapiruvu, etc. para manter ca\u00e7adores, grileiros e ladr\u00f5es de palmito afastados.<\/p>\n<p>Os muitos vest\u00edgios e encontros com on\u00e7as-pintadas, antas, porcos-do-mato, muriquis, jacutingas e outras raridades, apoiavam o que dizia Lima. Intervales, colada nos parques estaduais de Carlos Botelho (por d\u00e9cadas protegido por um diretor linha dura e,como resultado, cheio de bichos), Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) e na esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de Xitu\u00e9 parecia a Mata Atl\u00e2ntica como deve ser. Um lugar onde voc\u00ea anda na floresta e v\u00ea bichos, e n\u00e3o a triste situa\u00e7\u00e3o de floresta vazia que ocorre em lugares como Picinguaba.<\/p>\n<p>Em uma das primeiras visitas nos mostraram os restos de uma mula morta por uma pintada. O gato usou a t\u00e9cnica padr\u00e3o da esp\u00e9cie, perfurando o cr\u00e2nio com seus caninos. Tamb\u00e9m vi pegadas de uma pintada junto \u00e0 piscina de uma das hospedarias. E, \u00e0s vezes, encontrava as pegadas de uma on\u00e7a sobre as minhas quando retornava pela mesma trilha. Um gato que, curioso mas invis\u00edvel, me seguia.<\/p>\n<div id=\"attachment_55359\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-55359 size-large\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Rio-3-Irmaos-2015-08-04-1795.jpg 1152w\" alt=\"rio-3-irmaos-2015-08-04-1795\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Preocupad\u00edssima com os 12 barcos e os 50 turistas que est\u00e3o me olhando. Foto: Fabio Olmos<\/p>\n<\/div>\n<p>Mas nunca vi uma on\u00e7a-pintada em Intervales. Ou na Mata Atl\u00e2ntica. S\u00f3 tive sorte quando visitei o Pantanal e, percorrendo a Transpantaneira \u00e0 noite no banco traseiro de um Fusca, os far\u00f3is iluminaram um gato sentado no meio da estrada. Que nos olhou com o desprezo que s\u00f3 um gato pode expressar antes de desaparecer na mata.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, como milhares de outros turistas, tive a oportunidade de visitar as hoje famosas on\u00e7as da regi\u00e3o de Porto Jofre, no Pantanal Norte. O turismo de observa\u00e7\u00e3o de on\u00e7as \u00e9 uma faceta de uma era onde\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs.scientificamerican.com\/mind-guest-blog\/this-holiday-season-spend-on-doing-rather-than-having\/\">experi\u00eancias se tornam mais valiosas que compras<\/a>,onde um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.anthropocenemagazine.org\/2017\/07\/the-300000-dollar-bobcat\/\">gato vivo vale muito mais que um gato morto<\/a>.<\/p>\n<p>Vendo os gatos tranquilos na beira do rio enquanto dezenas de turistas tinham orgasmos fotogr\u00e1ficos, me ocorreram duas coisas.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois de pa\u00edses de primeiro mundo como o Qu\u00eania, Tanz\u00e2nia, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia e Nepal criarem em seus parques uma ind\u00fastria tur\u00edstica baseada na observa\u00e7\u00e3o de seus grandes gatos e fauna associada, finalmente temos um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/onca-viva-vale-muito-mais-do-que-gado-morto\/\">turismo baseado nas nossas on\u00e7as-pintadas<\/a>.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que algum dia teremos parques como os daqueles pa\u00edses?<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estrangeiros entre os visitantes, tamb\u00e9m havia muitos paulistas, como eu. O que me faz pensar porque n\u00f3s n\u00e3o podemos ver cenas como aquelas \u00e0s margens de rios paulistas como o Ribeira de Iguape, Paranapanema, Paran\u00e1 ou Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 nossa longa guerra contra os grandes gatos.<\/p>\n<p><strong>O passado glorioso do jaguar<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">&#8220;On\u00e7as precisam \u00e9 de florestas com popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis de suas presas e extensas o suficiente para que elas mesmas possam ter popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis. Para isso as on\u00e7as s\u00f3 precisam que as pessoas n\u00e3o fa\u00e7am coisas. Que parem de mat\u00e1-las e de competir com elas por comida e espa\u00e7o.&#8221;<\/div>\n<p>At\u00e9 11.700 anos atr\u00e1s as Am\u00e9ricas humilhariam qualquer safari africano atual. Era um mundo de tigres-dentes-de-sabre, gatos-cimitarra, le\u00f5es gigantes, guepardos, ursos de quase uma tonelada, lobos variados,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/C%C3%A3o-selvagem-asi%C3%A1tico\">dholes<\/a>, pumas e on\u00e7as-pintadas. A maioria foi extinta ap\u00f3s a chegada de humanos,<a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2017\/01\/170116091428.htm\">h\u00e1 pelo menos24 mil anos<\/a>. Restam os pumas\u00a0<em>Puma concolor<\/em>\u00a0(ou su\u00e7uaranas, on\u00e7as-pardas, on\u00e7as-vermelhas&#8230;) e as on\u00e7as-pintadas\u00a0<em>Panthera onca<\/em>\u00a0(ou jaguar, jaguaret\u00ea, etc).<\/p>\n<p>As pintadas j\u00e1 ocuparam quase todo a Am\u00e9rica, do Oregon \u00e0 Patag\u00f4nia. Durante o Pleistoceno, a\u00a0<em>Panthera onca augusta<\/em>, grande como as on\u00e7as do Pantanal, ocorria em boa parte dos Estados Unidos. J\u00e1 em tempos hist\u00f3ricos,pintadas viviam\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/279437?origin=crossref&amp;seq=1#page_scan_tab_contents\">no que hoje \u00e9 a Calif\u00f3rnia, Arizona, Novo M\u00e9xico, Arizona, Colorado e Texas<\/a>. Todas foram mortas por brancos e \u00edndios.<\/p>\n<p>Hoje, os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/news\/2017\/07\/lawmakers-move-closer-funding-trump-s-border-wall-biologists-worry-about-impact\">jaguars dos Estados Unidos<\/a>\u00a0somam tr\u00eas indiv\u00edduos, todos machos e imigrantes ilegais vindos do M\u00e9xico. O mais famoso,\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/El_Jefe_(jaguar)\">El Jefe<\/a>, \u00e9 conhecido por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.earthtouchnews.com\/natural-world\/predator-vs-prey\/americas-celebrity-jaguar-el-jefe-is-a-bear-hunter\">comer ursos<\/a>.<\/p>\n<p>Tr\u00eas machos n\u00e3o formam uma popula\u00e7\u00e3o e ser\u00e1 preciso introduzir f\u00eameas. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fws.gov\/southwest\/es\/arizona\/Documents\/SpeciesDocs\/Jaguar\/Jaguar_Draft_Recovery_Plan_20_Dec_2016.pdf\">plano para recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie foi lan\u00e7ado em 2016<\/a>\u00a0n\u00e3o fala disso e h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o de ruralistas \u2013 que ajudaram a eleger Trump &#8212;\u00a0 alguns argumentando que a esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 nativa.<\/p>\n<p>Se parece est\u00fapido, n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico. \u201cNativos\u201d havaianos se\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2013\/05\/12\/magazine\/who-would-kill-a-monk-seal.html\">opuseram \u00e0 transloca\u00e7\u00e3o de focas-monges-havaianas<\/a>\u00a0(que eles ajudaram a quase extinguir) com o mesmo argumento.<\/p>\n<p>Ao sul, as pintadas j\u00e1 ocorreram do M\u00e9xico at\u00e9 o norte da Argentina, do litoral at\u00e9 os Andes. Essa pode n\u00e3o ser a hist\u00f3ria toda, pois exploradores dos s\u00e9culos XVI e XVII relataram encontros com \u201ctigres\u201d e \u201cguaguares\u201dno extremo sul do Chile e Patag\u00f4nia argentina. Mesma regi\u00e3o onde existia a (pr\u00e9)-hist\u00f3rica\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Panthera_onca_mesembrina\">Panthera onca mesembrina<\/a>.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, as pintadas foram eliminadas de El Salvador e do Uruguai; o limite sul de sua distribui\u00e7\u00e3o original foi deslocado em mais de mil km para o norte e pelo menos 40% do habitat antes adequado desapareceu.<\/p>\n<p>No Brasil, especula-se que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/images\/stories\/docs-plano-de-acao\/pan-onca-pintada\/livro-onca-pintada.pdf\">popula\u00e7\u00e3o efetiva da esp\u00e9cie esteja entre 15 e 30 mil indiv\u00edduos<\/a>, a maior parte na Amaz\u00f4nia. Este n\u00famero, que n\u00e3o lotaria um est\u00e1dio de futebol, continua caindo.<\/p>\n<p>O fim das pintadas, do longo atrito com popula\u00e7\u00f5es amer\u00edndias ao exterm\u00ednio pelos pecuaristas, ruralistas, povos tradicionais variados e ca\u00e7adores \u201cesportivos\u201d, \u00e9 parte do cont\u00ednuo massacre dos grandes predadores como le\u00f5es,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mirror.co.uk\/news\/world-news\/wild-tiger-population-could-treble-7672729\">tigres<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2016\/may\/04\/leopards-have-lost-75-percent-of-historical-habitat\">leopardos<\/a>\u00a0e guepardos promovido por n\u00f3s humanos. N\u00e3o contentes em mat\u00e1-los, tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/2016\/08\/world-top-predators-endangered-prey\/\">exterminamos as presas de que dependem<\/a>.<\/p>\n<p>E com isso perdemos algo mais que bichos bonitos ou linhagens evolutivas com milh\u00f5es de anos. Perdemos experi\u00eancias que v\u00e3o al\u00e9m das palavras e tornam a vida algo maior. Se fracassamos em coexistir com os grandes predadores n\u00e3o somos melhores que fungos, presos \u00e0 uma necessidade inata de nos multiplicar e apodrecer o pr\u00f3prio lar.<\/p>\n<p><strong>Destronada e rumo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica j\u00e1 foi 100% ocupada por on\u00e7as-pintadas. Lugares com \u201cjaguar\u201d no nome mostram isso, assim como testemunhos como o do Padre Anchieta. Ele conta que, em 1592, a atual Ilhabela, litoral norte de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o tinha gente,mas muitos \u201ctigres\u201d. O que implica a presen\u00e7a de presas hoje extintas como porcos-do-mato, antas, veados, etc.<\/p>\n<p>Em 1897, Herman von Ihering conta que a \u00faltima on\u00e7a-pintada em Ilha bela chegou ali a nado,vinda do continente, e foi morta a pauladas ao chegar, exausta, \u00e0 praia. Testemunho da rela\u00e7\u00e3o tradicional entre pessoas e on\u00e7as.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/srep37147\">Trabalho de 2016<\/a>\u00a0mostra a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das on\u00e7as-pintadas na Mata Atl\u00e2ntica, com menos de250 pintadas adultas no bioma. No maior bloco cont\u00ednuo de floresta, o das serras do Mar e Paranapiacaba entre RJ, SP e PR,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.criandoelo.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Beatriz-Beisiegel.pdf\">uma estimativa era de 41 indiv\u00edduos<\/a>.N\u00famero que talvez s\u00f3 seja maior do que o de pol\u00edticos honestos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em toda Mata Atl\u00e2ntica as pintadas perderam 85% de seu antigo habitat. Do que sobrou, as on\u00e7as ocupam apenas 18% do habitat considerado adequado para elas. Estas \u00e1reas que deveriam ter on\u00e7as, mas est\u00e3o vazias delas e de suas presas, incluem unidades de conserva\u00e7\u00e3o como o Parque Nacional do Monte Pascoal \u2013 detonado pelos Patax\u00f3 -, o da Serra dos \u00d3rg\u00e3os e o da Serra da Bocaina (onde ainda ocorria na d\u00e9cada de 1980).<\/p>\n<p><strong>Sem terra e sem comida<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">&#8221; Por qu\u00ea h\u00e1 t\u00e3o poucas on\u00e7as no fil\u00e9 da Mata Atl\u00e2ntica? Simples: as pessoas continuam matando as pintadas, como aconteceu em mar\u00e7o deste ano. Caso que mostra tanto a inoper\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental como qu\u00e3o rid\u00edculas s\u00e3o as puni\u00e7\u00f5es para este tipo de crime.&#8221;<\/div>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica teve suas popula\u00e7\u00f5es animais massacradas por s\u00e9culos de ca\u00e7a, desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o. O que temos hoje s\u00e3o os resqu\u00edcios do que deveria existir, incluindo as \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>Para um predador de topo, viver em um mundo onde suas presas s\u00e3o raras (quando existem), implica em andar muito. N\u00e3o \u00e9 surpresa que as on\u00e7as da Mata Atl\u00e2ntica tenham\u00a0<a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0168176\">as maiores \u00e1reas de vida<\/a>\u00a0dentre as estudadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 surpresa que a combina\u00e7\u00e3o de florestas vazias de presas e ter que andar muito resulta em on\u00e7as morrendo nas m\u00e3os das pessoas, seja a bala ou\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/presidente-prudente-regiao\/videos\/v\/onca-pintada-morre-atropelada\/3267421\/\">atropeladas<\/a>.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo abriga boa parte da Mata Atl\u00e2ntica.Mas a esp\u00e9cie foi extinta de parques como a Ilha do Cardoso (e Ilhabela) e na maioria das UCs. Resta um punhado de indiv\u00edduos. Por exemplo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S1676-06032017000200501&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt\">apenas 3 no N\u00facleo Santa Virg\u00ednia<\/a>\u00a0do Parque estadual da Serra do Mar e\u00a0<a href=\"http:\/\/unisanta.br\/arquivos\/mestrado\/ecologia\/dissertacoes\/Dissertacao_Rogerio.pdf\">de 1 a 3 nomosaico de \u00e1reas protegidas da Jur\u00e9ia<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel que no conjunto de UCs da Serra do Mar, Paranapiacaba e litoral haja\u00a0<a href=\"https:\/\/repositorio.ufscar.br\/bitstream\/handle\/ufscar\/7271\/TeseASMCS.pdf?sequence=1\">menos de 20 pintadas<\/a>, com p\u00edfios 0,66 indiv\u00edduos\/100 km<sup>2<\/sup>\u00a0onde a esp\u00e9cie \u00e9 mais \u201ccomum\u201d, o conjunto dos parques Intervales, Carlos Botelho e PETAR.Em outras palavras, quatro vezes menos on\u00e7as-pintadas do que as 2 e pouco por 100 km<sup>2<\/sup>\u00a0que seria razo\u00e1vel esperar.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea h\u00e1 t\u00e3o poucas on\u00e7as no fil\u00e9 da Mata Atl\u00e2ntica? Simples:\u00a0<a href=\"http:\/\/sustentabilidade.estadao.com.br\/noticias\/geral,cacadores-matam-onca-pintada-e-exibem-trofeu-em-redes-sociais,70001694597\">as pessoas continuam matando as pintadas<\/a>, como\u00a0 aconteceu em mar\u00e7o deste ano. Caso que mostra tanto a inoper\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental como qu\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ovaledoribeira.com.br\/2017\/03\/cacadores-que-mataram-onca-pintada-juquia-enquadrados-lei-ambiental.html\">rid\u00edculas s\u00e3o as puni\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0para este tipo de crime.<\/p>\n<p>As mortes ocorrem mesmo nas \u00e1reas protegidas onde a fauna deveria estar mais segura. Um dos problemas \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/infograficos.estadao.com.br\/cidades\/fauna-invisivel\/no-rastro-da-onca.php\">furto de palmito por quadrilhas organizadas<\/a>, que est\u00e1 associado \u00e0 ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Outro s\u00e3o as pessoas que moram dentro de \u00e1reas \u201cprotegidas\u201d e continuam com seus costumes tradicionais. No\u00a0<a href=\"http:\/\/unisanta.br\/arquivos\/mestrado\/ecologia\/dissertacoes\/Dissertacao_Rogerio.pdf\">mosaico da Jur\u00e9ia<\/a>\u00a0sabe-se que 4 on\u00e7as foram mortas em 12 anos, duas por ca\u00e7adores e duas como retalia\u00e7\u00e3o por matarem porcos dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria repetida em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1676-06032007000100017\">Intervales<\/a>. On\u00e7as, sem comida porque pessoas\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/acv.12311\/full\">eliminaram suas presas<\/a>, s\u00e3o mortas por atacarem animais dom\u00e9sticos dentro do que deveria ser um parque. E 54% da popula\u00e7\u00e3o do lugar achava que exterminar os felinos seria a melhor solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Preterida<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_55362\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-55362 size-large\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Pantanal-2016-07-12-1104.jpg 1152w\" alt=\"pantanal-2016-07-12-1104\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Sou fofa, n\u00e3o sou? Foto: Fabio Olmos<\/p>\n<\/div>\n<p>Isso ilumina um problema de fundo. Aquelas comunidades ditas amigas da natureza ocupam terras devolutas (ou seja, de todos n\u00f3s) que eram parte de Intervales, mas lhes foram dadas por serem consideradas quilombolas. Houve consulta p\u00fablica? Estudo de impacto ambiental? Condicionantes? A prioridade \u00e9 conserva\u00e7\u00e3o ou reforma agr\u00e1ria?<\/p>\n<p>N\u00e3o foi um evento \u00fanico. Ali do lado, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_nlinks&amp;ref=000158&amp;pid=S1517-4522201200020000900024&amp;lng=en\">n\u00facleo Quilombo foi entregue a um grupo Guarani<\/a>\u00a0que o invadiu em 1999 e arrasava a fauna e flora. Da \u00faltima vez que visitei soube que \u201ca ordem da secretaria \u00e9 nem chegar perto\u201d. Mais um sintoma de como o a coisa degringolou da d\u00e9cada de 90 para c\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de serem mortas, competirem com as pessoas por comida e terem seu habitat destru\u00eddo, as on\u00e7as ainda t\u00eam as \u00e1reas protegidas que deveriam ser seu lar &#8211; e de toda a sociedade &#8211; privatizadas para quem n\u00e3o \u00e9 exatamente amigo da on\u00e7a.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos exemplos de como quem deveria proteger nossa heran\u00e7a natural pode perder o rumo. Mas n\u00e3o o \u00fanico. Um dos melhores peda\u00e7os da Mata Atl\u00e2ntica paulista \u00e9 a Fazenda Nova Trieste, vizinha de Intervales. Que quase virou um parque estadual.<\/p>\n<p>Isso\u00a0<a href=\"http:\/\/www.empresaspeloclima.com.br\/criacao-de-parque-estadual-no-vale-do-ribeira-e-adiada?locale=pt-br\">felizmente n\u00e3o aconteceu<\/a>. Olhando a situa\u00e7\u00e3o dos parques paulistas \u00e9 f\u00e1cil ver como a natureza pode ser melhor servida por m\u00e3os privadas interessadas em conservar, ainda mais quando h\u00e1 no governo quem queira transformar\u00a0<a href=\"http:\/\/infograficos.estadao.com.br\/cidades\/fauna-invisivel\/a-fauna-invisivel-revelada.php\">o que j\u00e1 \u00e9 protegido<\/a>\u00a0em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/geral,parque-do-taquari-ocuparia-80-da-area-na-nova-trieste,1506706\">\u00e1rea quilombola<\/a>, o que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de conserva\u00e7\u00e3o. Como sabem bem as on\u00e7as.<\/p>\n<p>On\u00e7as n\u00e3o podem ir \u00e0 escola ou \u00e0 faculdade para se tornar algo diferente do que seus pais e av\u00f3s foram. Elas n\u00e3o podem escolher uma nova profiss\u00e3o ou abrir um neg\u00f3cio. Elas n\u00e3o podem escolher ser vegetarianas. Elas n\u00e3o votam. Mas elas tamb\u00e9m n\u00e3o precisam de bolsas isso ou aquilo, cestas b\u00e1sicas, luz para todos ou aposentadorias rurais.<\/p>\n<p>O que elas precisam \u00e9 de florestas com popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis de suas presas e extensas o suficiente para que elas mesmas possam ter popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis. Para isso as on\u00e7as s\u00f3 precisam que as pessoas n\u00e3o fa\u00e7am coisas. Que parem de mat\u00e1-las e de competir com elas por comida e espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Gatos s\u00e3o gatos e conviver com grandes predadores em um mundo lotado \u00e9 complicado, mas poss\u00edvel se n\u00f3s quisermos. Existe muito conhecimento sobre\u00a0<a href=\"http:\/\/www.procarnivoros.org.br\/2009\/predacao.asp\">como minimizar conflitos<\/a>, como a preda\u00e7\u00e3o de animais dom\u00e9sticos e riscos para as pessoas.<\/p>\n<p>Na verdade, ataques de on\u00e7as a pessoas s\u00e3o, na vast\u00edssima maioria, resultado de gatos se defendendo de pessoas (e c\u00e3es) que querem mat\u00e1-las, ou pura imprud\u00eancia. No mato, \u00e9 muito mais perigoso encontrar uma pessoa do que uma on\u00e7a. As estat\u00edsticas me apoiam.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Em cana&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Grandes gatos s\u00e3o adapt\u00e1veis o suficiente para viver em \u00e1reas periurbanas, como os pumas de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/animalia\/wp\/2016\/03\/01\/how-will-l-a-s-mountain-lions-cross-the-road-it-may-take-a-55-million-bridge\/?tid=a_inl\">Los Angeles<\/a>e da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Z0FqeSuOdJE\">Grande S\u00e3o Paulo<\/a>. Eu gostaria de ver fam\u00edlias de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.folhadeparelheiros.com.br\/single-post\/2017\/02\/25\/ON%C3%87A-PINTADA-ASSUSTA-MORADOES-DO-PARQUE-ESTADUAL-SERRA-DO-MAR\">on\u00e7as-pintadas paulistanas residentes<\/a>, n\u00e3o s\u00f3 relatos de visitantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 os casos onde pessoas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sanctuaryasia.com\/conservation\/field-reports\/7489-melghats-new-lease-of-life.html\">se mudaram e devolveram os espa\u00e7os para a natureza<\/a>, o que pode ser bom para\u00a0<a href=\"http:\/\/www.conservationmagazine.org\/2014\/02\/relocating-humans-tiger-conservation-win\/\">as pessoas e os gatos<\/a>.\u00a0 E pa\u00edses que est\u00e3o trazendo seus grandes predadores de volta, de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.worldwildlife.org\/stories\/persian-leopards-return-to-caucasus\">leopardos<\/a>\u00a0a\u00a0<a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/2015\/08\/150810-lions-return-rwanda-genocide-aftermath\/\">le\u00f5es<\/a>, dando um final mais feliz a est\u00f3rias como a de\u00a0<a href=\"http:\/\/mailchi.mp\/african-parks\/the-last-lioness?e=fa027ea037\">Lady Liuwa<\/a>\u00a0(que descanse em paz).<\/p>\n<p>S\u00e3o os bichos que dizem se uma UC \u00e9 bem manejada ou n\u00e3o. Talvez seja esperar muito que a secretaria de meio ambiente paulista adote a meta quadruplicar a popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as no Vale do Ribeira e Serra do Mar e criar um turismo similar ao que existe no Pantanal. Talvez algum dia apare\u00e7a um governador amigo da on\u00e7a com a coragem para isso.<\/p>\n<p>No fim, talvez sejam as m\u00e1s pr\u00e1ticas humanas que permitir\u00e3o a recupera\u00e7\u00e3o das on\u00e7as-pintadas. O agroneg\u00f3cio paulista criou vastas \u00e1reas com poucas pessoas, majoritariamente ocupadas por canaviais e planta\u00e7\u00f5es de cana que s\u00e3o habitat para javalis e java porcos. Um\u00a0<a href=\"http:\/\/biotaxa.org\/cl\/article\/view\/13.2.2075\">mosaico de florestas naturais e plantadas<\/a>pode criar condi\u00e7\u00f5es para que as\u00a0<a href=\"http:\/\/sustentabilidade.estadao.com.br\/noticias\/geral,cana-e-javali-dao-esperanca-a-onca-pintada,1700620\">on\u00e7as recolonizem a regi\u00e3o<\/a>. Alguma reflorestadora ou usina se anima a ser amiga da on\u00e7a?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 ir\u00f4nico se o futuro for de uma Mata Atl\u00e2ntica socioambiental, cheia de gente e vazia de on\u00e7as. E estas encontrarem seu ref\u00fagio em meio a eucaliptos e canaviais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante meu mestrado, entre 1988 e 1990, trabalhei na ent\u00e3o Fazenda Intervales (tornada parque estadual<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/oncas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Durante meu mestrado, entre 1988 e 1990, trabalhei na ent\u00e3o Fazenda Intervales (tornada parque estadual","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71681"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71681\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}