{"id":71134,"date":"2017-08-22T12:30:16","date_gmt":"2017-08-22T15:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=71134"},"modified":"2017-08-22T08:46:20","modified_gmt":"2017-08-22T11:46:20","slug":"empresa-desenvolve-sistema-de-deteccao-antiatropelamento-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/empresa-desenvolve-sistema-de-deteccao-antiatropelamento-animal\/","title":{"rendered":"Empresa desenvolve sistema de detec\u00e7\u00e3o antiatropelamento animal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-71137\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando a bi\u00f3loga Fernanda Delborgo Abra ingressou no mestrado em Ecologia no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), ela j\u00e1 sabia o tema que a motivava: o atropelamento de animais silvestres e medidas de mitiga\u00e7\u00e3o. Dessa preocupa\u00e7\u00e3o da pesquisadora e de mais duas s\u00f3cias \u2013 Mariane Rodrigues Biz Silva e Paula Ribeiro Prist \u2013 nasceu uma empresa especializada em manejo de fauna em rodovias, a ViaFauna, e o desenvolvimento de um equipamento in\u00e9dito no Brasil: um sistema eletr\u00f4nico de detec\u00e7\u00e3o animal para as estradas brasileiras.<\/p>\n<p>O \u201cPassa-Bicho\u201d, prot\u00f3tipo desenvolvido pela ViaFauna com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/93334\/desenvolvimento-de-sistema-de-deteccao-animal-antiatropelamento-em-rodovias-passa-bicho\/\" target=\"_blank\"><b>apoio<\/b><\/a>\u00a0do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), poder\u00e1 ajudar a reduzir os impactos das rodovias sobre a fauna e aumentar a seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios, diminuindo as colis\u00f5es. Somente no Estado de S\u00e3o Paulo, entre 2005 e 2013 mais de 23 mil acidentes rodovi\u00e1rios envolvendo usu\u00e1rios e animais foram registrados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do preju\u00edzo ambiental do atropelamento de animais, inclusive amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o como antas, lobos-guar\u00e1s e on\u00e7as, esses acidentes \u2013 que se somam aos ocorridos com animais dom\u00e9sticos como cavalos, vacas e c\u00e3es \u2013 colocam em risco a vida dos usu\u00e1rios das rodovias e aumentam os custos com indeniza\u00e7\u00f5es pagas pelas concession\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da detectabilidade e do prop\u00f3sito de reduzir o impacto relacionado \u00e0 seguran\u00e7a, o sistema de detec\u00e7\u00e3o animal (SDA) da ViaFauna tem como foco os animais de m\u00e9dio e grande porte: silvestres e dom\u00e9sticos, a partir de 3kg. O sistema comp\u00f5e-se de um par de sensores de movimento (transmissor e receptor), instalados em pequenos postes semelhantes \u00e0queles utilizados pelos radares e distantes 100 metros entre si. \u201cCada par de sensores cobre o que chamamos de\u00a0<i>hotspot,<\/i>\u00a0um ponto cr\u00edtico de atropelamento\u201d, explica Fernanda Abra.<\/p>\n<p>O transmissor emite ao receptor um feixe de luz infravermelha (invis\u00edvel para seres humanos e outros vertebrados). Quando esse feixe \u00e9 rompido pelo animal, o sensor emite um sinal ao poste, que, por sua vez, transmite a informa\u00e7\u00e3o via r\u00e1dio, acionando uma placa de mensagem eletr\u00f4nica ou, numa vers\u00e3o mais simples, uma luz piscante (giroflex) instalada sobre uma placa de advert\u00eancia de travessia de fauna comum.<\/p>\n<p>\u201cA confiabilidade desse sistema \u00e9 muito maior do que uma simples placa alertando sobre a possibilidade de haver animais selvagens na pista. Ao ver uma placa comum, o motorista nunca sabe quando o animal vai passar e acaba n\u00e3o dando muita import\u00e2ncia \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Com o SDA ele \u00e9 avisado centenas de metros ou quil\u00f4metros antes da real presen\u00e7a de animais na pista e se prepara, dirigindo com maior cautela\u201d, afirma a bi\u00f3loga. \u201cDados de literatura apontam que os sistemas de detec\u00e7\u00e3o animal podem reduzir em at\u00e9 90% a incid\u00eancia de atropelamentos.\u201d<\/p>\n<p>Ela explica que, nos Estados Unidos, existem modelos mais sofisticados, que utilizam c\u00e2meras t\u00e9rmicas e softwares de reconhecimento capazes de \u201ctomar decis\u00f5es\u201d, registrando todo tipo de animal que atravesse a pista, mas informando ao usu\u00e1rio apenas aqueles que podem p\u00f4r em risco a sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A partir de suas pesquisas, a ViaFauna optou por um sistema mais simples, que predomina em pa\u00edses europeus. E os estudos realizados durante a Fase 1 do PIPE, entre junho de 2016 e abril de 2017, tamb\u00e9m indicaram a necessidade de uma altera\u00e7\u00e3o nos objetivos iniciais. \u201cO Passa-Bicho emitiria luz vis\u00edvel, para ajudar o usu\u00e1rio a ver o animal atravessando a rodovia. Durante os estudos esse pensamento caiu por terra. Conclu\u00edmos que a luz poderia atrair insetos e seus predadores ou, mesmo, afugentar algumas esp\u00e9cies de animais\u201d, lembra a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>A Fase 1 do projeto possibilitou o desenvolvimento de um prot\u00f3tipo funcional, alimentado por pain\u00e9is solares. O sistema inclui\u00a0<i>data loggers<\/i>, um dispositivo eletr\u00f4nico para registro de dados. \u201cHoje o pesquisador s\u00f3 sabe quantos animais morreram na rodovia. O sistema informar\u00e1 quantos atravessaram com sucesso, permitindo o desenvolvimento de estudos sobre a din\u00e2mica de movimenta\u00e7\u00e3o dos animais\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 testar esse prot\u00f3tipo dentro do campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e submet\u00ea-lo a intemp\u00e9ries. \u201cTamb\u00e9m existem v\u00e1rias mudan\u00e7as que precisamos fazer no prot\u00f3tipo para deix\u00e1-lo com uma apar\u00eancia mais \u2018comercial\u2019.\u201d<\/p>\n<p><b>Di\u00e1logo de saberes<\/b><\/p>\n<p>Durante a Fase 1 do programa PIPE Fernanda contou com a colabora\u00e7\u00e3o da pesquisadora Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, professora da Esalq e sua orientadora no doutorado, e do pesquisador da Universidade de Montana (EUA) Marcel Huijser, especialista em medidas mitigat\u00f3rias para o atropelamento de fauna silvestre e seu coorientador. Mas, ao longo do desenvolvimento do projeto, Fernanda Abra percebeu a necessidade de agregar ao seu campo de estudos ainda outros profissionais e saberes. A come\u00e7ar pelo empreendedorismo.<\/p>\n<p>A necessidade de transitar pelo mundo dos neg\u00f3cios foi, talvez, o maior desafio da bi\u00f3loga. \u201cA primeira barreira a ser vencida foi internalizar a responsabilidade de ser uma pesquisadora empreendedora. Em geral, a gente s\u00f3 pensa em pesquisa pura\u201d, diz a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Ao ingressar no mestrado, Fernanda Abra nem sequer conhecia a exist\u00eancia do Centro de Inova\u00e7\u00e3o, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) \u2013 a incubadora que daria o suporte inicial \u00e0 ViaFauna. \u201cOs cursos de gradua\u00e7\u00e3o pecam por n\u00e3o apresentar essas possibilidades\u201d, diz ela. Foi no Cietec que ela conheceu o PIPE e recebeu orienta\u00e7\u00f5es para elaborar o projeto (com algumas caracter\u00edsticas distintas dos projetos acad\u00eamicos que conhecia at\u00e9 ent\u00e3o) a ser apresentado ao programa.<\/p>\n<p>Depois, ainda na Fase 1, a ViaFauna seria selecionada para participar do 3\u00ba Programa de Treinamento de Empreendedores de Alta Tecnologia, promovido pelo PIPE da FAPESP. \u201cO programa custeou visitas a diversos \u00f3rg\u00e3os de meio ambiente e transporte e nos ajudou a lapidar o projeto pelas necessidades do mercado\u201d, diz a pesquisadora (<i>mais informa\u00e7\u00f5es sobre o programa de treinamento:\u00a0<\/i><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/24938\" target=\"_blank\"><i><b>http:\/\/agencia.fapesp.br\/24938<\/b><\/i><\/a>).<\/p>\n<p>Ainda mais impactante, conta a bi\u00f3loga, foi a participa\u00e7\u00e3o da ViaFauna no programa de treinamento Leaders in Innovation Fellowships Programme (LIF), realizado no Reino Unido entre 28 de novembro e 9 de dezembro de 2016, gra\u00e7as a uma parceria entre a FAPESP e a Royal Academy of Engineering. Foram 15 dias de cursos intensivos sobre administra\u00e7\u00e3o, planejamento financeiro, patentes, marketing e divulga\u00e7\u00e3o, entre outros temas ligados a lideran\u00e7a em inova\u00e7\u00e3o e empreendedorismo. \u201cO PIPE desperta para a import\u00e2ncia de conhecer outras ci\u00eancias necess\u00e1rias ao desenvolvimento do projeto\u201d, diz ela (<i>mais informa\u00e7\u00f5es sobre o programa:\u00a0<\/i><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/24306\" target=\"_blank\"><i><b>http:\/\/agencia.fapesp.br\/24306<\/b><\/i><\/a>).<\/p>\n<p>Por isso, desde a Fase 1 a bi\u00f3loga buscou a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que lhe permitisse dialogar com os especialistas em eletr\u00f4nica respons\u00e1veis por concretizar as necessidades de seu projeto. E para a Fase 2 a equipe ser\u00e1 ainda mais multidisciplinar: Al\u00e9m da Trapa C\u00e2mera, empresa especializada em tecnologias para a fauna, a ViaFauna est\u00e1 convidando a\u00a0<a href=\"http:\/\/pesquisaparainovacao.fapesp.br\/startups_se_preparam_para_o_mercado\/255\" target=\"_blank\"><b>Hoobox Robotic<\/b><\/a>, startup da \u00e1rea de rob\u00f3tica e intelig\u00eancia artificial tamb\u00e9m apoiada pelo PIPE, para participar dos testes do prot\u00f3tipo. \u201cO profissional de hoje tem que ter um vi\u00e9s multidisciplinar. N\u00e3o d\u00e1 para ficar na sua caixinha, isolado na sua forma\u00e7\u00e3o inicial\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a bi\u00f3loga Fernanda Delborgo Abra ingressou no mestrado em Ecologia no Instituto de Bioci\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":71137,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/atropelamento.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando a bi\u00f3loga Fernanda Delborgo Abra ingressou no mestrado em Ecologia no Instituto de Bioci\u00eancias","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71134"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71134\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}