{"id":7092,"date":"2015-09-05T00:00:40","date_gmt":"2015-09-05T03:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=7092"},"modified":"2015-09-05T16:40:41","modified_gmt":"2015-09-05T19:40:41","slug":"como-e-por-que-evitar-o-desperdicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-e-por-que-evitar-o-desperdicio\/","title":{"rendered":"Como e por que evitar o desperd\u00edcio"},"content":{"rendered":"<h2>Um ter\u00e7o de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo. H\u00e1 perdas no campo, no transporte, no armazenamento e no processo culin\u00e1rio. Por outro lado, 870 milh\u00f5es de pessoas vivem na inseguran\u00e7a alimentar. Todos os dias, uma de cada oito vai dormir com fome. Reduzir o desperd\u00edcio pode mudar essa equa\u00e7\u00e3o, porque o problema da fome n\u00e3o \u00e9 a falta de alimento. \u00c9 a falta de gest\u00e3o p\u00fablica e privada. Cada um pode fazer sua parte para uma balan\u00e7a mais justa.<\/h2>\n<div id=\"content\" class=\"texto\">\n<div id=\"cnt0\" style=\"display: block;\">\n<div class=\"img_thumb\" style=\"margin-bottom: 0px;\">\n<p>Fernando Lemos e Alex Silva<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/imagem\/como-e-por-que-evitar-o-desperdicio-560.jpg\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"358\" border=\"0\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Os brasileiros desperdi\u00e7am comida. Muita comida. Metade de tudo que \u00e9 produzido. Estados Unidos, Europa, pa\u00edses ricos em geral, n\u00e3o ficam muito atr\u00e1s. Nem os mais pobres. Na m\u00e9dia mundial, segundo estimativa da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO)<\/strong>, um ter\u00e7o dos alimentos se perde. A diferen\u00e7a \u00e9 que, nos pa\u00edses pobres, o problema acontece no in\u00edcio da cadeia produtiva, por falta de tecnologia e dificuldades no armazenamento e no transporte. J\u00e1 nos pa\u00edses ricos, a situa\u00e7\u00e3o se agrava nos supermercados e na casa do consumidor, acostumado a comprar mais do que precisa. &#8220;O Brasil sofre nas duas pontas, porque tem tanto aspectos de pa\u00edses ricos quanto de pa\u00edses pobres. Da\u00ed a perda ser maior. Ocorre desde a colheita, passando pelo manuseio, transporte, central de abastecimento, ind\u00fastria, supermercado e consumidor&#8221;, detalha Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu &#8211; Pelo Consumo Consciente.<br \/>\nDados da <strong>Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/strong> contabilizam em 10% o <strong>desperd\u00edcio <\/strong>das frutas e hortali\u00e7as ainda no campo e indicam que a maior perda est\u00e1 no transporte: 50%. Mas, se o alimento chega machucado, a\u00ed \u00e9 motivo de mais descarte. No Brasil, 58% do lixo \u00e9 de comida. &#8220;O planeta produz o suficiente para alimentar 12 bilh\u00f5es de pessoas, mas quase 900 milh\u00f5es vivem em <strong>inseguran\u00e7a alimentar<\/strong> &#8211; comem num dia e no outro n\u00e3o. Como acabar com isso? Reduzindo o desperd\u00edcio&#8221;, defende o presidente do Akatu. &#8220;Se metade do que \u00e9 perdido deixasse de ser, ter\u00edamos o dobro de alimento nas g\u00f4ndolas e o pre\u00e7o cairia. E mais pessoas teriam acesso.&#8221;<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o eloquentes e escandalosos, embora fiquem camuflados por causa de velhos <strong>h\u00e1bitos de consumo<\/strong>. Nacionalmente, fazem parte desse desperd\u00edcio, por exemplo, um volume de talos e cascas que n\u00e3o s\u00e3o usados (e poderiam ser), folhas e frutas machucadas e sobras de p\u00e3o, caf\u00e9, arroz e feij\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma g\u00eanese cultural para tanto. &#8220;O brasileiro sempre teve mesa farta pelo fato de viver num pa\u00eds tropical, onde tudo d\u00e1. E n\u00e3o est\u00e1 acostumado a aproveitar integralmente o alimento. Veja se em Portugal se jogam fora as v\u00edsceras do porco? Ou a cabe\u00e7a do bacalhau?&#8221;, protesta Carlos D\u00f3ria, do Centro de Cultura Culin\u00e1ria C\u00e2mara Cascudo, em S\u00e3o Paulo. O estudioso da <strong>alimenta\u00e7\u00e3o <\/strong>se lembra dos peixes e caramujos desprezados no Ceagesp simplesmente por falta de mercado &#8211; a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o os considera comest\u00edveis. &#8220;O chef Alex Atala fez um menu interessante com esse \u2018refugo\u2019 e provou que o menosprezo \u00e9 fruto de muito preconceito na cozinha&#8221;, diz. Ou seja, d\u00e1 para avan\u00e7ar mais em busca do equil\u00edbrio dessa balan\u00e7a. O Instituto Akatu oferece at\u00e9 um incentivo econ\u00f4mico. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), os pesquisadores da ONG fizeram a seguinte conta: uma fam\u00edlia m\u00e9dia brasileira gasta 478 reais mensais para comprar comida. Se o desperd\u00edcio de 20% de alimentos deixasse de existir em casa, 90 reais deixariam de ir para o ralo. Guardando esses 90 reais todos os meses, depois de 70 anos (expectativa m\u00e9dia de vida) a fam\u00edlia teria uma poupan\u00e7a de 1,1 milh\u00e3o de reais.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos planejar melhor o card\u00e1pio, s\u00f3 comprar o necess\u00e1rio, n\u00e3o nos deixar levar pelas ofertas, cozinhar integralmente os alimentos. E ter uma nutri\u00e7\u00e3o adequada. O sobrepeso \u00e9 outra forma de desperd\u00edcio&#8221;, aponta Mattar. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 50% da popula\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 acima do peso. Nos EUA, 70%.<br \/>\n<strong><br \/>\nPEGADA DE CARBONO<\/strong><br \/>\n&#8220;Reduzir em 30% o desperd\u00edcio significa ainda diminuir em 30% o <strong>uso de terra, <\/strong>de <strong>fertilizantes<\/strong>, de <strong>agrot\u00f3xicos <\/strong>e de sementes&#8221;, diz <strong>Ricardo Abramovay<\/strong>, professor titular do departamento de economia da Universidade de S\u00e3o Paulo. Em abril, o primeiro estudo da FAO sob a perspectiva ambiental revelou que tanto descarte \u00e9 uma oportunidade que se perde n\u00e3o apenas do ponto de vista da <strong>seguran\u00e7a alimentar<\/strong> de mais pessoas como tamb\u00e9m para mitigar o <strong>impacto ambiental<\/strong>. A saber: a pegada de carbono dos alimentos produzidos e n\u00e3o consumidos no mundo \u00e9 estimada em 3,3 gigatoneladas de di\u00f3xido de carbono (cada gigatonelada equivale a 1 bilh\u00e3o de toneladas). N\u00famero que coloca esse desperd\u00edcio em terceiro lugar entre os maiores <strong>emissores de CO2<\/strong> do planeta, atr\u00e1s apenas de Estados Unidos e China. Mundialmente, o volume de \u00e1gua que se perde fora quando se desperdi\u00e7a um alimento pronto atinge 250 quil\u00f4metros c\u00fabicos, o que corresponde \u00e0 descarga anual de \u00e1gua do Rio Volga, o mais longo da Europa.<\/p>\n<p><strong>EM N\u00cdVEL P\u00daBLICO E PRIVADO<\/strong><br \/>\nSe a postura do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao <strong>desperd\u00edcio de alimentos<\/strong> deixa muito a desejar, ONGs e consumidores est\u00e3o \u00e1vidos para fazer sua parte. No Hospital Alem\u00e3o Oswaldo Cruz, em S\u00e3o Paulo, quando a equipe de nutri\u00e7\u00e3o e gastronomia percebeu que 110 quilos de alimentos eram jogados fora por refei\u00e7\u00e3o como resultado da sobra no prato dos funcion\u00e1rios, deu in\u00edcio a uma campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o. De fevereiro a outubro de 2012, distribuiu cupons de sorteios aos empregados que entregavam a bandeja vazia &#8211; e conseguiram baixar o n\u00edvel de res\u00edduos para 50 quilos.<\/p>\n<p>No card\u00e1pio do restaurante Girarrosto, de S\u00e3o Paulo, o logotipo de duas carinhas se encontrando e compartilhando um sorriso chama a aten\u00e7\u00e3o. A quem se interessa, o gar\u00e7om explica que o prato indicado \u00e9 servido na por\u00e7\u00e3o &#8220;Satisfeito&#8221;, que compreende dois ter\u00e7os da original. Bom para quem n\u00e3o tem muita fome e fica incomodado de deixar comida no prato. Bom porque esse um ter\u00e7o de comida poupado reverte em benef\u00edcio de ONGs de combate \u00e0 <strong>fome infantil <\/strong>(o cliente paga o pre\u00e7o integral do pedido e o restaurante repassa de 5 a 10% do valor do prato). &#8220;As pessoas acham pertinente e gostam muito&#8221;, diz o gerente Roque Corr\u00eaa, que percebe um efeito adicional do Satisfeito. &#8220;Acendeu uma luz para a nossa equipe e para o cliente. \u00c9 uma mudan\u00e7a de cultura \u00e0 mesa e todos v\u00e3o pensar mais a respeito dentro de casa.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A ideia da por\u00e7\u00e3o menor nasceu dessa discrep\u00e2ncia entre fome e desperd\u00edcio&#8221;, explica Luiza Esteves, coordenadora do projeto, idealizado por Marcos Nisti, vice-presidente do Instituto Alana, voltado para o <strong>desenvolvimento infantil saud\u00e1vel<\/strong>. Passados seis meses, s\u00e3o 14 restaurantes parceiros. Por enquanto, todos em S\u00e3o Paulo. Na ponta final, o Centro de Recupera\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o Nutricional (Cren) \u00e9 uma das tr\u00eas ONGs beneficiadas &#8211; h\u00e1 tamb\u00e9m o Banco de Alimentos e a Seeds of Light, que atua na \u00c1frica. No primeiro m\u00eas da iniciativa, o Cren recebeu 662 reais, valor que j\u00e1 enriqueceu o cotidiano das 142 crian\u00e7as atendidas. &#8220;A verba est\u00e1 sendo destinada \u00e0 compra de alimentos al\u00e9m da cesta b\u00e1sica, como o peixe, que passou a constar do card\u00e1pio semanal&#8221;, informa Lucas Oliveira, coordenador de relacionamento. O dinheiro tamb\u00e9m permite variar legumes e frutas e educar nutricionalmente as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Como uma coisa puxa a outra e 65,3% dos brasileiros fazem alguma refei\u00e7\u00e3o fora durante o dia, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) viu nos donos de restaurantes e chefs um grande potencial de multiplicar a <strong>gastronomia sustent\u00e1vel<\/strong>. Criou uma cartilha de cinco h\u00e1bitos para uma cozinha eficiente, com alimentos sazonais, que apoie o pequeno produtor e ofere\u00e7a menos carne. &#8220;Quando reduzimos o consumo de carne, naturalmente incentivamos as pessoas a se abrirem para novos sabores&#8221;, diz Jo\u00e3o Paulo Amaral, gestor ambiental do Idec. Gente legal j\u00e1 entendeu que tem poder de decis\u00e3o. E come\u00e7a a fazer diferente.<br \/>\n<strong><br \/>\nOS N\u00daMEROS FALAM POR SI<\/strong><br \/>\n&#8211; 13 milh\u00f5es de brasileiros passam fome (FAO, <em>The State of Food Insecurity in the World 2012<\/em>);<br \/>\n&#8211; 20% dos alimentos que uma fam\u00edlia brasileira compra semanalmente s\u00e3o jogados fora, gerando uma perda de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano, o suficiente para alimentar 500 mil fam\u00edlias (Instituto Akatu, 2004);<br \/>\n&#8211; 25 centavos de d\u00f3lar por dia \u00e9 o valor m\u00e9dio para alimentar uma crian\u00e7a e mudar a vida dela para sempre (WFP, <em>World Food Programme 2012<\/em>).<\/p>\n<p>Fonte: Planeta Sustent\u00e1vel<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ter\u00e7o de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo. 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