{"id":70832,"date":"2017-08-16T13:01:45","date_gmt":"2017-08-16T16:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=70832"},"modified":"2017-08-16T13:03:11","modified_gmt":"2017-08-16T16:03:11","slug":"o-chaco-paraguaio-vira-carvao-para-churrasco-num-processo-veloz-de-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-chaco-paraguaio-vira-carvao-para-churrasco-num-processo-veloz-de-destruicao\/","title":{"rendered":"O Chaco paraguaio vira carv\u00e3o para churrasco, num processo veloz de destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-70833\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os bosques tropicais secos do Grande Chaco est\u00e3o desaparecendo mais r\u00e1pido do que qualquer outra floresta na Terra, amea\u00e7ando esp\u00e9cies end\u00eamicas e um dos \u00faltimos povos ind\u00edgenas que vivem isolados da sociedade industrializada.<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de mercadorias comercializadas em todo o mundo est\u00e1 impulsionando esta destrui\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o de soja, carne de boi e o desmatamento \u00e9 bem conhecida, uma nova pesquisa da ONG brit\u00e2nica Earthsight se concentra num produto que n\u00e3o tinha sido examinado anteriormente: o carv\u00e3o. Publicado no dia 6 de Julho 2017, o informe da Earthsight coloca em evid\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o existente entre o desmatamento da floresta do Chaco paraguaio e os supermercados da Uni\u00e3o Europeia, entre eles, Lidl, Aldi e Carrefour.<\/p>\n<p>David Attenborough descreveu o Chaco como \u201cuma das \u00faltimas grandes \u00e1reas silvestres que h\u00e1 no mundo\u201d. Abrange partes da Bol\u00edvia, Paraguai e Argentina e abriga uma grande biodiversidade: 500 esp\u00e9cies de aves e 150 esp\u00e9cies de mam\u00edferos \u2013 entre eles, jaguares, capivaras e ursos formigueiros gigantes. Na regi\u00e3o tamb\u00e9m se encontra uma das \u00faltimas comunidades ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas que vivem isoladas da sociedade industrial: os semin\u00f4mades Ayoreo.<\/p>\n<p>Toda esta natureza virgem est\u00e1 amea\u00e7ada pelo desmatamento impulsionado pelo avan\u00e7o das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, na sua maioria de capital internacional. Um estudo realizado em 2013 pela Universidade de Maryland que abrange os primeiros 12 anos deste s\u00e9culo descobriu que os bosques do Grande Chaco est\u00e3o desaparecendo num ritmo mais r\u00e1pido do que qualquer outro bosque tropical no mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-222743 alignright\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-300x228.jpg\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" srcset=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-300x228.jpg 300w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-100x75.jpg 100w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco.jpg 353w\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"289\" \/><\/a>Uma an\u00e1lise mais detalhada revela que a maior parte dessa destrui\u00e7\u00e3o se concentra no Chaco paraguaio, que cobre a metade ocidental do pa\u00eds. As taxas de desmatamento no Chaco triplicaram entre 2006 e 2007 e permaneceram nesse n\u00edvel desde ent\u00e3o. Isso se deve \u00e0 exist\u00eancia de uma morat\u00f3ria das permiss\u00f5es florestais na metade oriental do Paraguai, que levou os pecuaristas a avan\u00e7ar para o Oeste do pa\u00eds em busca de terras. A partir de ent\u00e3o, a convers\u00e3o do bosque do Chaco em pastagens avan\u00e7ou num ritmo vertiginoso. As \u00faltimas an\u00e1lises, sobre a base da monitora\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite realizada pela ONG Guyra Paraguay, preveem que o Chaco paraguaio perder\u00e1 200.000 hectares de bosques este ano. Agora mesmo, uma \u00e1rea do tamanho de Manhattan (em torno de 60 km2) est\u00e1 sendo arrasada cada quinze dias pelos tratores.<\/p>\n<p>A velocidade desta destrui\u00e7\u00e3o desperta grande preocupa\u00e7\u00e3o entre os conservacionistas e os encarregados de proteger os direitos ind\u00edgenas. \u201cO desmatamento do Chaco \u00e9 uma das maiores e mais r\u00e1pidas perdas de bosques naturais jamais vista\u201d, advertiu a ONG FERN num recente informe.<\/p>\n<p>A Relatora Especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, Victoria Tauli-Corpuz, falou sobre as \u201cs\u00e9rias amea\u00e7as a grupos isolados pela incessante dissemina\u00e7\u00e3o do desmatamento\u201d. Em 2016, a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o ordenando ao governo paraguaio tomar medidas para impedir a destrui\u00e7\u00e3o das comunidades Ayoreo pelo avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-222746 \" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-1024x768.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-300x225.jpg 300w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-100x75.jpg 100w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-235x175.jpg 235w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-600x450.jpg 600w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2-733x550.jpg 733w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/chaco-2.jpg 1200w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Est\u00edmulo ao desmatamento<\/strong><\/p>\n<p>Por tr\u00e1s deste desmatamento existe uma rede de produ\u00e7\u00e3o que fornece tr\u00eas produtos para o mercado global: carne bovina, soja e carv\u00e3o vegetal. O Paraguai, com uma popula\u00e7\u00e3o de apenas seis milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 o s\u00e9timo exportador mundial de carne bovina, o sexto exportador de soja e o quarto exportador de carv\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p>O informe da ONG brit\u00e2nica Earthsight centraliza a sua an\u00e1lise no menos estudado dos tr\u00eas: o carv\u00e3o. Os densos bosques de crescimento lento do Chaco proporcionam carv\u00e3o de alta qualidade, capaz de produzir altas temperaturas, mas que queima lentamente e com pouca fuma\u00e7a. A esp\u00e9cie mais procurada \u00e9 o \u201cquebracho branco\u201d, uma \u00e1rvore tamb\u00e9m importante para os Ayoreo, que coletam mel das colmeias que pendem dos seus galhos.<\/p>\n<p>O informe de Earthsight, \u201cCortes finos: como uma crise oculta de desmatamento na Am\u00e9rica do Sul alimenta as churrasqueiras na Europa e nos Estados Unidos\u201d, examina como o carv\u00e3o de quebracho chega \u00e0s prateleiras dos supermercados da Uni\u00e3o Europeia e dos Estados Unidos. Os dados de exporta\u00e7\u00e3o revelam que a UE, com Alemanha e o Reino Unido na cabe\u00e7a, \u00e9 de longe o principal destino do carv\u00e3o paraguaio. No in\u00edcio de 2017, chegavam diariamente \u00e0 Alemanha umas 22.000 bolsas de carv\u00e3o paraguaio e 5.000 ao Reino Unido. Earthsight estima que est\u00e1 se desmatando diariamente no Chaco o equivalente a 30 campos de futebol para abastecer a Europa com carv\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p><strong>Bricapar<\/strong><\/p>\n<p>Para estudar em detalhe como o carv\u00e3o respons\u00e1vel pelo desmatamento do Chaco chega aos consumidores da UE, Earthsight centraliza sua pesquisa na maior empresa de carv\u00e3o do Paraguai: Bricapar. Durante os primeiros quatro meses de 2017, Bricapar obteve 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares por m\u00eas pelas suas vendas de carv\u00e3o. Os dados de exporta\u00e7\u00e3o revelam que, nesse per\u00edodo, Bricapar forneceu mais de 40% de todas as importa\u00e7\u00f5es europeias de carv\u00e3o procedentes do Paraguai.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/carv%C3%A3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-222744 alignleft\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/carv%C3%A3o-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"271\" \/><\/a>Bricapar tem 4 carvoarias. Pesquisadores de Earthsight visitaram uma delas, localizada em Teniente Ochoa, no munic\u00edpio Mariscal Estigarribia, a 500 km ao Norte da capital Assun\u00e7\u00e3o, no interior do Chaco. Esta regi\u00e3o, segundo os registros de perdas florestais, tem sofrido as maiores taxas de desmatamento do Chaco. A viagem dura oito horas de carro pela estrada Transchaco, e, depois continua por uma estrada de terra de uns 20 km na dire\u00e7\u00e3o Oeste atrav\u00e9s de terras desmatadas. No final desta estrada se encontra um dos maiores centros de produ\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o que se vende nos supermercados europeus: conta com 80 fornos de argila, atendidos por trabalhadores que empilham troncos de quebracho.<\/p>\n<p>Earthsight estima que a carvoaria produz cerca do 10% do total das exporta\u00e7\u00f5es de carv\u00e3o de Paraguai. Foram encontrados sinais da presen\u00e7a de grupos Ayoreo a s\u00f3 40 km das instala\u00e7\u00f5es de Bricapar. As imagens de sat\u00e9lite mostram claramente a dram\u00e1tica desapari\u00e7\u00e3o do bosque ao redor da carvoaria. Ela foi constru\u00edda no final de 2015 e j\u00e1 nos primeiros nove meses de 2016, uma m\u00e9dia de dez campos de futebol do bosque natural estava sendo desmatada diariamente nas terras circundantes.<\/p>\n<p>Posteriormente, foi aberta uma segunda explora\u00e7\u00e3o ao Norte, ligada com a primeira por uma estrada. Mas, Bricapar \u00e9 de interesse nacional por raz\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m das autoriza\u00e7\u00f5es florestais. A empresa \u00e9 propriedade de um dos pol\u00edticos mais poderosos do governo paraguaio, o Ministro de Obras P\u00fablicas, Ram\u00f3n Jim\u00e9nez Gaona.<\/p>\n<p>Gaona est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o por supostos v\u00ednculos num esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o na qual est\u00e1 envolvida uma construtora espanhola que pagou subornos para conseguir contratos estatais na Am\u00e9rica do Sul. A terra onde est\u00e1 a carvoaria de Bricapar pertence ao Instituto de Seguro Social do Paraguai, o seguro estatal que os trabalhadores pagam para cobrir as despesas de sa\u00fade, desemprego e aposentadoria. Uma pesquisa feita em 2014 pelo jornal paraguaio ABC Color descobriu que a terra em quest\u00e3o estava sendo alugada a uma empresa chamada IRASA por uma oitava parte do seu valor de mercado.<\/p>\n<p>Bricapar respondeu a todas as acusa\u00e7\u00f5es. Ram\u00f3n Jim\u00e9nez Gaona renunciou ao seu cargo de Diretor-Executivo de Bricapar ao tomar posse como Ministro. Seu irm\u00e3o assumiu o neg\u00f3cio e Gaona continua sendo propriet\u00e1rio de 25% das a\u00e7\u00f5es de Bricapar. A empresa afirma tamb\u00e9m que s\u00e3o \u201cos propriet\u00e1rios dos estabelecimentos os que levam a cabo as atividades de silvicultura e n\u00e3o Bricapar\u201d. Esta declara\u00e7\u00e3o se contradiz com as de um engenheiro florestal, que revelou aos pesquisadores que \u201cBricapar s\u00f3 ordena o desmatamento do bosque e o propriet\u00e1rio da terra ordena a planta\u00e7\u00e3o para pastoreio\u201d.<\/p>\n<p>Bricapar tamb\u00e9m sustenta que os cortes foram autorizados pelo Instituto Florestal Paraguaio (INFONA) e que cumprem com todos os regulamentos pertinentes: a conserva\u00e7\u00e3o dos bosques em 25 por cento da superf\u00edcie total; franjas de prote\u00e7\u00e3o do bosque ao redor de cada \u00e1rea desmatada; prote\u00e7\u00e3o do bosque perto das fontes de \u00e1gua; e garantir que 30 por cento das \u00e1rvores fiquem em p\u00e9 como \u00e1rvores sementeiras e para proporcionar ref\u00fagio para o gado.<\/p>\n<p>As imagens de sat\u00e9lite sugerem que estas regula\u00e7\u00f5es foram cumpridas, mas demostram tamb\u00e9m claramente que, nas \u00e1reas alugadas \u00e0 IRASA, onde opera Bricapar, a maior parte da terra est\u00e1 completamente desmatada de vegeta\u00e7\u00e3o natural para dar lugar \u00e0s pastagens para o gado.<\/p>\n<p>As mencionadas imagens de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o do informe de Earthsight revelam uma paisagem lunar de \u00e1rvores espoliadas e tratores.<\/p>\n<p><strong>Do Chaco aos supermercados da Europa<\/strong><\/p>\n<p>Desde sua planta de produ\u00e7\u00e3o em Teniente Ochoa, o carv\u00e3o de Bricapar \u00e9 transportado por caminh\u00e3o a uma f\u00e1brica perto de Assun\u00e7\u00e3o. A f\u00e1brica converte parte da mat\u00e9ria prima \u2013 a \u201cpoeira de carv\u00e3o\u201d \u2013 em briquetes, que empacota, assim como o carv\u00e3o de lenha lumpwood em pacotes com a marca do cliente, prontos para a exporta\u00e7\u00e3o. Earthsight levantou a seguinte viagem do carv\u00e3o para as churrasqueiras dos consumidores europeus e estadunidenses.<\/p>\n<p>A comercializa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o da Bricapar na Europa s\u00e3o feitas pela empresa espanhola Ibecosol, que come\u00e7ou a trabalhar com a Bricapar em 1997 e posteriormente adquiriu uma participa\u00e7\u00e3o de 26% na empresa paraguaia. Ibecosol faz uma s\u00e9rie de afirma\u00e7\u00f5es falsas e enganosas sobre seus produtos de carv\u00e3o vegetal. A p\u00e1gina da web de sua marca CARCOA, vendida na Espanha e Portugal, afirma que todos \u201cse produzem com madeira de reflorestamento, poda ou sele\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies n\u00e3o florestais\u201d. O diretor geral de Ibecosol disse a um pesquisador de Earthsight que se fez passar por um jornalista econ\u00f4mico que \u201cn\u00e3o estamos usando \u00e1rvores, n\u00e3o estamos cortando \u00e1rvores para fazer briquetes ou outros produtos\u201d. Todas estas afirma\u00e7\u00f5es se contradizem claramente com as observa\u00e7\u00f5es realizadas por Earthsight na carvoaria de Bricapar.<\/p>\n<p>Segundo Seoane, Ibecosol fornece anualmente 20.000 toneladas de carv\u00e3o \u00e0 Alemanha, 15.000 \u00e0 Espanha, 7.000 \u00e0 Dinamarca e 3.000 toneladas ao Reino Unido. Seoane afirma que seu carv\u00e3o paraguaio \u00e9 vendido por algumas das principais redes de supermercados na Europa, entre elas Lidl e Aldi na Espanha e Alemanha, e sucursais de Carrefour e Repsol na Espanha. Afirmou que sua empresa fornece mais da metade do carv\u00e3o que se vende na Espanha e 95% do carv\u00e3o que \u00e9 comercializado pela rede Carrefour. Quando lhe apresentaram as conclus\u00f5es do informe de Earthsight, a Carrefour decidiu suspender as compras de alguns dos produtos de Ibecosol.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Europa, Bricapar tamb\u00e9m enviou 2.000 toneladas de carv\u00e3o aos EUA em 2016. Ao redor de dois ter\u00e7os desta quantidade foram compradas pela companhia Duraflame, que \u00e9 de longe o maior importador estadunidense de carv\u00e3o vegetal do Paraguai. Duraflame importou mais de 250.000 bolsas de carv\u00e3o da marca Cowboy da Bricapar em 2016. O vice-presidente da companhia, Chris Caron, disse a Earthsight que estes produtos se vendiam em lojas do Nordeste dos EUA e afirmou que n\u00e3o era consciente de que estes produtos tivessem origem no desmatamento de bosques naturais.<\/p>\n<p>O informe de Earthsight mostra o papel do carv\u00e3o vegetal como respons\u00e1vel pelo desmatamento dos bosques naturais no Grande Chaco. Mas, isso \u00e9 somente o in\u00edcio da hist\u00f3ria. Bricapar est\u00e1 longe de ser a \u00fanica empresa que fornece carv\u00e3o paraguaio \u00e0 Europa. Big K, por exemplo, a marca de carv\u00e3o mais conhecida do Reino Unido, obt\u00e9m seu carv\u00e3o \u2013 sem o selo de qualidade do Forest Stewardship Council (FSC) \u2013 de uma firma chamada Dolimex, que, em seu site, se orgulha de que \u201c100% do nosso material provem dos bosques do Chaco paraguaio\u201d. Big K admitiu a Earthsight que seus produtos provinham do desmatamento de terras para gado, mas acrescentou que entendia que se tratava de \u201cterras de arbustos\u201d.<\/p>\n<p><strong>A cumplicidade da Europa vai muito al\u00e9m do carv\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo que a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal seja um elemento importante, o principal motor por tr\u00e1s dessa destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de carne em escala industrial. Em 2016, os pa\u00edses da UE importaram do Paraguai 32 milh\u00f5es de euros de carne bovina e 56 milh\u00f5es de couros. As importa\u00e7\u00f5es de carne bovina triplicaram em 2016 e agora representam 10% das exporta\u00e7\u00f5es totais do Paraguai. O informe de Earthsight conclui que consumidores, supermercados e legisladores da UE ter\u00e3o que agir para evitar que os bosques do Chaco desapare\u00e7am por completo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bosques tropicais secos do Grande Chaco est\u00e3o desaparecendo mais r\u00e1pido do que qualquer outra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":70833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/carvao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os bosques tropicais secos do Grande Chaco est\u00e3o desaparecendo mais r\u00e1pido do que qualquer outra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70832"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70832\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}