{"id":70443,"date":"2017-08-08T14:00:44","date_gmt":"2017-08-08T17:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=70443"},"modified":"2017-08-08T10:14:23","modified_gmt":"2017-08-08T13:14:23","slug":"o-implacavel-avanco-da-seca-como-um-cavaleiro-do-apocalipse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-implacavel-avanco-da-seca-como-um-cavaleiro-do-apocalipse\/","title":{"rendered":"O implac\u00e1vel avan\u00e7o da seca como um cavaleiro do Apocalipse"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-70444\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em 2025, ou seja, em menos de oito anos, 1,8 bilh\u00e3o de pessoas padecer\u00e3o da mais absoluta escassez de \u00e1gua, e dois ter\u00e7os da humanidade sofrer\u00e1 de estresse h\u00eddrico \u2013 a n\u00e3o ser que a comunidade internacional reaja e tome provid\u00eancias.<\/p>\n<p>Cresce atualmente o medo de que o avan\u00e7o da seca e dos desertos, assim como a progressiva escassez de \u00e1gua e a inseguran\u00e7a alimentar gerem um \u201ctsunami\u201d de refugiados e imigrantes clim\u00e1ticos. Diante disso, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos das Secas (UNCCD) considere a seca como \u201cum dos quatro cavaleiros do Apocalipse\u201d.<\/p>\n<p>A demanda por \u00e1gua poder\u00e1 aumentar 50% em 2050. Com o crescimento demogr\u00e1fico, particularmente nas terras secas, cada vez mais pessoas dependem do abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel em terras que se degradam, alerta Monique Barbut, Secret\u00e1ria Executiva da UNCCD, que tem sede em Bonn, Alemanha.<\/p>\n<p>A escassez h\u00eddrica \u00e9 um dos grandes desafios do S\u00e9culo 21. A seca e a falta d\u2019\u00e1gua s\u00e3o consideradas os desastres naturais com maiores consequ\u00eancias, pois geram perdas ecol\u00f3gicas e econ\u00f4micas a curto e longo prazo, al\u00e9m de causar impactos secund\u00e1rios e terci\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para mitigar as consequ\u00eancias, \u00e9 preciso haver uma prepara\u00e7\u00e3o para a seca, que seja sens\u00edvel \u00e0s necessidades humanas e ao mesmo tempo preserve a qualidade ambiental e os ecossistemas. \u00c9 necess\u00e1rio contar com a participa\u00e7\u00e3o de todos os atores, inclusive dos usu\u00e1rios e provedores do servi\u00e7o, na busca de solu\u00e7\u00f5es \u2013 afirma a UNCCD. \u201cAtribui-se \u00e0 seca \u2013 um perigo natural complexo, que avan\u00e7a lentamente e tem consequ\u00eancias ambientais e socioecon\u00f4micas generalizadas \u2013 mais mortes e deslocamentos de pessoas do que qualquer outro desastre natural\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-222658 \" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6.jpg\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" srcset=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6.jpg 860w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6-300x199.jpg 300w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6-600x398.jpg 600w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6-828x550.jpg 828w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/refugiados-6-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"424\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Seca, escassez h\u00eddrica e refugiados<\/strong><\/p>\n<p>Monique Barbut lembrou que as regi\u00f5es propensas \u00e0 seca e \u00e0 escassez h\u00eddrica s\u00e3o, em geral, locais de origem de muitos refugiados. Nem a desertifica\u00e7\u00e3o nem a seca s\u00e3o causas de conflitos ou migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, mas podem elevar o risco de sua ocorr\u00eancia e intensificar os j\u00e1 existentes, explicou ela.<\/p>\n<p>\u201cFatores convergentes como tens\u00f5es pol\u00edticas, institui\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis, marginaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, aus\u00eancia de redes de seguran\u00e7a social ou rivalidade entre grupos criam as condi\u00e7\u00f5es que levam as pessoas a n\u00e3o conseguir fazer frente \u00e0s dificuldades. Alguns dos \u00faltimos exemplos conhecidos s\u00e3o a seca e a escassez de \u00e1gua cont\u00ednuas na S\u00edria, de 2006 a 2010\u201d, lembrou Barbut.<\/p>\n<p><strong>Em 2045 haver\u00e1 135 milh\u00f5es de pessoas desabrigadas?<\/strong><\/p>\n<p>A UNCCD ressalta que os desafios geopol\u00edticos e de seguran\u00e7a que amea\u00e7am o mundo s\u00e3o complexos, mas com a implanta\u00e7\u00e3o de melhores pr\u00e1ticas de gest\u00e3o territorial pode-se ajudar as popula\u00e7\u00f5es a adaptar-se \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, assim como a construir capacidade de resist\u00eancia \u00e0 seca. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel reduzir o risco de migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e conflitos pela escassez de recursos naturais e assegurar a produ\u00e7\u00e3o de uma agricultura sustent\u00e1vel e de energia. \u201cA terra \u00e9 a verdadeira aglutinadora de nossas sociedades. Reverter os efeitos de sua degrada\u00e7\u00e3o e da desertifica\u00e7\u00e3o por meio de uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como \u00e9 o pr\u00f3ximo passo l\u00f3gico para as agendas de desenvolvimento nacionais e internacionais\u201d, observou.<\/p>\n<p>A UNCCD alerta que 12 milh\u00f5es de hectares de terras produtivas tornam-se est\u00e9reis a cada ano, devido \u00e0 seca e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o, o que representa a redu\u00e7\u00e3o da oportunidade de produzir 20 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os. \u201cN\u00e3o podemos seguir permitindo que as terras se degradem, quando dever\u00edamos elevar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em 70% para alimentar, em 2050, toda a popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>\u201cA intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o de alimentos com menos insumos, que evitam maior desmatamento e a expans\u00e3o de cultivos em \u00e1reas vulner\u00e1veis, deve ser uma prioridade para os pol\u00edticos respons\u00e1veis\u201d, sugere. Al\u00e9m disso, a Secretaria da UNCCD ressalta que o aumento das secas e das inunda\u00e7\u00f5es repentinas, cada vez mais fortes, mais frequentes e mais generalizadas, destr\u00f3i a terra, e as principais reservas de \u00e1gua doce da Terra. \u201cA seca mata mais pessoas do que qualquer outra cat\u00e1strofe ligada ao clima, e avan\u00e7am os conflitos entre comunidades por causa da escassez de \u00e1gua. Mais de um bilh\u00e3o de pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 \u00e1gua, e a demanda aumentar\u00e1 30% at\u00e9 2030\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a nacional e migra\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 40% dos conflitos dos \u00faltimos 60 anos est\u00e3o relacionados ao controle e \u00e0 divis\u00e3o de recursos naturais, o que exp\u00f5e um n\u00famero cada vez maior de pessoas pobres \u00e0 escassez h\u00eddrica e \u00e0 fome, e cria as condi\u00e7\u00f5es para a fal\u00eancia de Estados e conflitos regionais, alerta a UNCCD. \u201cGrupos n\u00e3o estatais aproveitam-se dos grandes fluxos migrat\u00f3rios e das terras abandonadas\u201d, observa. \u201cQuando bens naturais, como a terra, s\u00e3o mal administrados, a viol\u00eancia pode converter-se no principal meio para o controle dos recursos naturais, e isso os tira das m\u00e3os de governos leg\u00edtimos\u201d, alerta.<\/p>\n<p>O n\u00famero de migrantes vem crescendo rapidamente, em escala mundial, h\u00e1 15 anos, chegando a 244 milh\u00f5es em 2015, mais que os 222 milh\u00f5es de 2010 e os 173 milh\u00f5es de 2000. A UNCCD recorda a rela\u00e7\u00e3o entre esse n\u00famero de migrantes e as dificuldades em mat\u00e9ria de desenvolvimento, em particular as consequ\u00eancias da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a instabilidade pol\u00edtica, a inseguran\u00e7a alimentar e a pobreza, assim como a import\u00e2ncia de atender os fatores e as causas de raiz da migra\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n<p>A perda de terras produtivas faz com que as pessoas elejam op\u00e7\u00f5es arriscadas. Nas \u00e1reas rurais, onde elas dependem de terras pouco produtivas, a degrada\u00e7\u00e3o dos solos \u00e9 respons\u00e1vel pela migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, explica a secret\u00e1ria. \u201cA \u00c1frica \u00e9 particularmente suscet\u00edvel, pois mais de 90% de sua economia depende de recursos sens\u00edveis ao clima, como a agricultura de subsist\u00eancia, que precisa das chuvas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA n\u00e3o ser que mudemos nossa forma de administrar a terra, nos pr\u00f3ximos 30 anos poderemos deixar um bilh\u00e3o de pessoas, ou mais, vulner\u00e1veis e sem op\u00e7\u00f5es, a n\u00e3o ser fugir ou lutar\u201d, disse ela. Melhorar o rendimento e a produtividade da terra permitir\u00e1 aumentar a seguran\u00e7a alimentar e o rendimento dos usu\u00e1rios de terras e agricultores mais pobres, recomenda a UNCCD. \u201cPor sua vez, estabiliza a renda da popula\u00e7\u00e3o rural e evita o deslocamento desnecess\u00e1rio de pessoas e suas consequ\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, a UNCCD trabalha com parceiros como a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es para fazer frente aos desafios colocados pela degrada\u00e7\u00e3o de terras, os movimentos massivos de pessoas e suas consequ\u00eancias. Tamb\u00e9m procura demonstrar como a comunidade internacional pode aproveitar as capacidades e habilidades dos migrantes e refugiados, al\u00e9m de ressaltar o valor das remessas que eles enviam a seus pa\u00edses para construir a capacidade de resist\u00eancia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2025, ou seja, em menos de oito anos, 1,8 bilh\u00e3o de pessoas padecer\u00e3o da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":70444,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/seca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em 2025, ou seja, em menos de oito anos, 1,8 bilh\u00e3o de pessoas padecer\u00e3o da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70443"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70443\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}