{"id":70259,"date":"2017-08-05T18:39:31","date_gmt":"2017-08-05T21:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=70259"},"modified":"2017-08-05T18:39:31","modified_gmt":"2017-08-05T21:39:31","slug":"as-cidades-devem-discutir-o-meio-ambiente-diz-economista-da-ufrj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/as-cidades-devem-discutir-o-meio-ambiente-diz-economista-da-ufrj\/","title":{"rendered":"\u2018As cidades devem discutir o meio ambiente\u2019, diz economista da UFRJ"},"content":{"rendered":"<div class=\"meta\">\n<p id=\"autor\"><span class=\"autor\">RENATO GRANDELLE*<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/21645012-3b5-338\/FT1086A\/420\/x70725460_CI-Rio-de-Janeiro-RJ-25-07-2017Cadu-Young-economista-autor-de-um-projeto-sobre-o-imp.jpg.pagespeed.ic.2CzakeNC33.jpg\" width=\"638\" height=\"384\" data-pagespeed-high-res-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/21645012-3b5-338\/FT1086A\/420\/x70725460_CI-Rio-de-Janeiro-RJ-25-07-2017Cadu-Young-economista-autor-de-um-projeto-sobre-o-imp.jpg.pagespeed.ic.2CzakeNC33.jpg\" \/><figcaption>Cadu diz que a gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais sob o dom\u00ednio de prefeituras e estados<b>\u00a0&#8211; Fernando Lemos \/ Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"pub-retangulo-1\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CKKO4cKGwdUCFZOGkQod_HcOCw\">\n<p>O meio ambiente deve fazer parte do desenvolvimento econ\u00f4mico. Esta \u00e9 a principal mensagem do economista Carlos Eduardo Young, que estuda as receitas que as unidades de conserva\u00e7\u00e3o podem trazer \u00e0s cidades.<\/p>\n<\/div>\n<p>No Rio, por exemplo, investimentos em atra\u00e7\u00f5es no Parque Nacional da Tijuca fariam o turista aumentar sua estadia e, assim, injetariam mais de R$ 800 milh\u00f5es na economia local. A cidade j\u00e1 \u00e9 considerada um modelo em sua integra\u00e7\u00e3o com a natureza.<\/p>\n<p>Young destaca que a pol\u00edtica voltada ao meio ambiente deve ser encarada no plano municipal, e n\u00e3o apenas como um projeto desenvolvido pelo governo federal. Para Young, um morador da Regi\u00e3o Sudeste encara o desmatamento de 100 hectares do bioma como algo t\u00e3o ou mais importante que 10 mil hectares da Amaz\u00f4nia, que \u00e9 distante de sua realidade. Em ambos os locais, um problema se destaca: a falta de preparo para os eventos extremos, que, de acordo com as proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ser\u00e3o cada vez mais comuns e provocar\u00e3o estragos crescentes para a infraestrutura e a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CI2j4cKGwdUCFUoSkQodOFcByw\"><\/div>\n<p><strong>Alguns ambientalistas falam da dificuldade para entender aquilo que mais chama a aten\u00e7\u00e3o da sociedade: a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente ou o desenvolvimento econ\u00f4mico. Como responder?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existe esse antagonismo. Estamos acostumados com uma vis\u00e3o m\u00edope sobre o que \u00e9 a atividade econ\u00f4mica. Temos a tend\u00eancia de pensar que desenvolvimento e evolu\u00e7\u00e3o da cidade s\u00e3o ligados somente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de trabalho ou \u00e0 sua estrutura fisica. Um exemplo \u00e9 a mobilidade. Muitas vezes acreditamos que, quanto mais pessoas usam um meio de transporte, maior o progresso, mas n\u00e3o pensamos nos efeitos colaterais, como os congestionamentos que consomem horas que poderiam ser dedicadas a outras atividades. Tamb\u00e9m enfrentamos cada vez mais baixas na m\u00e3o de obra devido aos danos \u00e0 sa\u00fade provocados pela polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica. Por isso, nunca podemos falar da economia sem considerar as quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p><strong>E estamos ignorando esta liga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Come\u00e7ou na explora\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, depois no Cerrado e agora na Amaz\u00f4nia. Como vivemos em um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais, existe uma sensa\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia, parece que nossos recursos s\u00e3o infinitos. \u00c9 o caso do setor agropecu\u00e1rio, que pega cada vez mais terras e cujo crescimento do PIB foi significativamente superior \u00e0 m\u00e9dia nacional. Sua expans\u00e3o, no entanto, n\u00e3o resultou em mais empregos. Em 2000, a atividade gerava 16,7 milh\u00f5es de ocupa\u00e7\u00f5es. Em 2014, eram 14,2 milh\u00f5es, uma queda de 13%. Vale lembrar que esta exclus\u00e3o tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Na \u00e9poca do Brasil Colonial, quem tinha mais m\u00e3o de obra barata recebia uma fatia maior do territ\u00f3rio para explorar. N\u00e3o somos desiguais por coincid\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>De que forma estamos nos adaptando \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es do clima impactam at\u00e9 2% do PIB, mas n\u00e3o fazemos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o ou adapta\u00e7\u00e3o. Gastamos horrores quando ocorre uma cat\u00e1strofe, e elas s\u00e3o cada vez mais comuns. Grandes hidrel\u00e9tricas, pecuaristas e mineradores continuam aprontando problemas e, como n\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o estimulados a continuar sua atividade agressiva ao meio ambiente. Desta forma, s\u00f3 existe um destino \u2014 se voc\u00ea ficou andando na chuva sem casaco ou guarda-chuva, n\u00e3o diga que pegou gripe por azar.<\/p>\n<p><strong>Na d\u00e9cada de 2000, houve um crescimento exponencial na quantidade de unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Este movimento foi reduzido nos \u00faltimos anos. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre este fen\u00f4meno e a pol\u00edtica e economia do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento foi nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, que eram lideran\u00e7as incontest\u00e1veis em seus partidos e por isso conseguiram impor uma agenda de crescimento das unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Dilma Rousseff e Temer, por sua vez, nunca revelaram interesse pela \u00e1rea ambiental. A petista acredita que \u00e9 preciso desmatar para desenvolver e v\u00ea a floresta como um empecilho. Por isso, em seu governo houve uma grande expans\u00e3o do setor hidrel\u00e9trico. Temer edita medidas provis\u00f3rias que facilitam o desmatamento na Amaz\u00f4nia e alimenta a no\u00e7\u00e3o de que recebemos mensagens contradit\u00f3rias sobre o meio ambiente: somos favor\u00e1veis aos parques, mas tamb\u00e9m ao emprego e ao alimento barato. Por que ambos s\u00e3o vistos como op\u00e7\u00f5es excludentes?<\/p>\n<p><strong>E como somos afetados por esta mensagem?<\/strong><\/p>\n<p>Observamos um aumento gradual da import\u00e2ncia dos governos estaduais e das prefeituras na pol\u00edtica ambiental, enquanto a administra\u00e7\u00e3o federal perde influ\u00eancia. Por isso, o cen\u00e1rio \u00e9 cada vez mais heterog\u00eaneo. Para n\u00f3s, que estamos no Sudeste, a Mata Atl\u00e2ntica parece mais importante, como se o desmatamento de 100 hectares do bioma fosse t\u00e3o ou mais grave do que a perda de 10 mil hectares da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Entre pol\u00edticas e projetos t\u00e3o diversos, existe algum exemplo positivo?<\/strong><\/p>\n<p>O munic\u00edpio do Rio de Janeiro tem uma boa gest\u00e3o, porque os parques est\u00e3o mais integrados \u00e0 natureza e \u00e0 economia da cidade. \u00c9 o caso do Jardim Bot\u00e2nico, do Monumento das Cagarras, do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, do Parque Lage e o do Cantagalo. Obviamente a crise financeira fluminense afeta assuntos ligados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental, e por isso vemos problemas como a ocupa\u00e7\u00e3o do Parque Estadual da Pedra Branca. Haver\u00e1 uma expans\u00e3o do desmatamento, sobretudo em regi\u00f5es que dependem de mais investimentos do Pal\u00e1cio Guanabara, como o Norte do estado. Mas outras cidades j\u00e1 se atentaram sobre a necessidade de desenvolver novos projetos. A crise h\u00eddrica ocorrida nos \u00faltimos anos afetou profundamente o paulistano e ele passou a se preocupar mais com o assunto.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-3\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CP-a4cKGwdUCFc-IkQod7-wOFQ\">\n<p><strong>E o que pode ser feito?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>As cidades devem discutir o meio ambiente e de que forma ela pode gerar energia. Manter a mata ser\u00e1 fundamental para nos defendermos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e dos eventos extremos. Os progn\u00f3sticos alertam que, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, teremos chuvas menos frequentes, s\u00f3 que mais intensas. E as \u00e1rvores contribuem para reduzir enxurradas e absorver a \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica ambiental pode ser um bom neg\u00f3cio?<\/strong><\/p>\n<p>Fizemos um estudo sobre o potencial impacto econ\u00f4mico do investimento governamental no Parque da Tijuca. Estimamos que a unidade possa receber 2,9 milh\u00f5es de visitantes por ano, cujo gasto local seria de R$ 283 por dia \u2014 isso se refere ao custo do ingresso e tamb\u00e9m ao aumento da estadia e alimenta\u00e7\u00e3o para que as pessoas prolonguem a estadia na cidade, tendo o tempo necess\u00e1rio para explorar a regi\u00e3o. Ent\u00e3o, o parque pode render de R$ 820 milh\u00f5es a R$ 1,23 bilh\u00e3o por ano ao Rio.<\/p>\n<p><em>* O rep\u00f3rter viajou a convite da ONG Andi &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o e Direitos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RENATO GRANDELLE* Cadu diz que a gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"RENATO GRANDELLE* Cadu diz que a gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}