{"id":68631,"date":"2017-07-05T13:00:16","date_gmt":"2017-07-05T16:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=68631"},"modified":"2017-07-04T18:19:57","modified_gmt":"2017-07-04T21:19:57","slug":"equipamento-ajudara-astronautas-a-remover-lixo-espacial-ao-redor-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/equipamento-ajudara-astronautas-a-remover-lixo-espacial-ao-redor-da-terra\/","title":{"rendered":"Equipamento ajudar\u00e1 astronautas a remover lixo espacial ao redor da Terra"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-68632\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Assim como as toneladas de lixo que poluem rios, mares e florestas, a humanidade deixa a sua marca quil\u00f4metros acima da superf\u00edcie da Terra. Desde o in\u00edcio da era espacial, em meados dos anos 50, dezenas de sat\u00e9lites desativados orbitam o planeta, bem como peda\u00e7os descartados de foguetes e um incont\u00e1vel n\u00famero de fragmentos formados pela decomposi\u00e7\u00e3o e por choques entre sujeiras espaciais. Esse material pode destruir sat\u00e9lites e p\u00f5e em risco servi\u00e7os como telefonia, GPS e internet, al\u00e9m da integridade dos astronautas.<\/p>\n<div id=\"publicidadeinterna\"><\/div>\n<\/div>\n<div>At\u00e9 hoje, n\u00e3o houve uma miss\u00e3o para remover esses fragmentos, principalmente devido ao alto custo da empreitada, mas pesquisas s\u00e3o feitas para tentar resolver o problema. Publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Science Robotics, um trabalho conduzido pela Universidade de Stanford e pelo Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa, a ag\u00eancia espacial americana, resultou na cria\u00e7\u00e3o de um bra\u00e7o rob\u00f3tico que poder\u00e1 ser usado para remover parte dos detritos que orbitam a Terra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O dispositivo usa um adesivo inspirado na pata de lagartixas, que conseguem aderir a praticamente qualquer superf\u00edcie, mesmo contra a gravidade. Ele tem estruturas microsc\u00f3picas, que criam uma atra\u00e7\u00e3o entre as mol\u00e9culas da superf\u00edcie e as do adesivo, chamada de for\u00e7a de Van der Waals. A fita \u00e9 capaz de grudar em qualquer tipo de material com uma press\u00e3o extremamente pequena, algo essencial para a captura de objetos em um ambiente de gravidade zero.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cMuitas tecnologias tradicionais para agarrar ou colar objetos n\u00e3o funcionam bem no espa\u00e7o\u201d, afirma Hao Jiang, principal autor do artigo. \u201cOs fragmentos de lixo espacial s\u00e3o geralmente muito grandes para garras mec\u00e2nicas convencionais. O ambiente extremo, com v\u00e1cuo, temperaturas extremas, radia\u00e7\u00e3o e microgravidade tamb\u00e9m faz com que tecnologias adesivas n\u00e3o funcionem.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao usar um adesivo comum, como uma cola ou uma fita dupla face, \u00e9 preciso aplicar uma press\u00e3o entre as duas superf\u00edcies, \u00e0s vezes por um per\u00edodo longo. Isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no espa\u00e7o, pois a baix\u00edssima gravidade permite que qualquer for\u00e7a aplicada em um objeto fa\u00e7a com que ele se mova. Se voc\u00ea tentasse fixar uma fita adesiva em um sat\u00e9lite desativado, por exemplo, ele sairia de sua \u00f3rbita.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong>Inspira\u00e7\u00e3o nas lagartixas\u00a0<\/strong><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>A garra desenvolvida pelos pesquisadores norte-americanos usa um tipo de adesivo chamado de Gecko Tape, que significa literalmente \u201cfita lagartixa\u201d. V\u00e1rias universidades ao redor do mundo desenvolveram um material do tipo, incluindo a pr\u00f3pria Stanford, que demonstrou sua efici\u00eancia em um dispositivo de escalada em 2014. A fita permitiu que um dos pesquisadores escalasse alguns metros em uma parede de vidro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cO adesivo usa microestruturas em formato de cunha, com 50 a 100 micr\u00f4metros de tamanho e feitas de silicone\u201d, detalha Hao. A fita adere \u00e0 superf\u00edcie se for pressionada em um determinado \u00e2ngulo, fazendo com que as microestruturas se dobrem. Basta usar uma for\u00e7a muito pequena. \u201cQuando essa for\u00e7a \u00e9 removida, ela se descola.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O adesivo criado para retirar os detritos do espa\u00e7o tem uma placa central, retangular, para colar em superf\u00edcies planas, e uma garra com duas partes opostas para superf\u00edcies curvas. \u00a0\u201cNossa garra \u00e9 capaz de agarrar pain\u00e9is solares, tanques de combust\u00edvel, partes de foguetes, basicamente qualquer material que tenha uma superf\u00edcie relativamente suave\u201d, afirma Hao. \u201cA vers\u00e3o atual pode pegar superf\u00edcies planas de qualquer tamanho e superf\u00edcies curvas entre 60 cent\u00edmetros e 2,2 metros de di\u00e2metro, mas podemos usar o mesmo princ\u00edpio para criar garras de qualquer tamanho.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O dispositivo foi testado em ambientes sem gravidade e, segundo os criadores, teve o desempenho aprovado. \u201cNosso trabalho foi um dos primeiros a criar um bra\u00e7o rob\u00f3tico e test\u00e1-lo em ambientes de gravidade zero e dentro da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Nossos pr\u00f3ximos passos incluem adicionar mais sensores \u00e0 garra, integrar uma ades\u00e3o eletrost\u00e1tica para aumentar o n\u00famero de objetos que podem ser capturados e realizar testes no pr\u00f3prio espa\u00e7o\u201d, adianta Hao.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong>Risco cada vez maior de colis\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Os lixos espaciais orbitam a Terra a at\u00e9 28 mil quil\u00f4metros por hora, dezenas de vezes a velocidade de uma bala. Uma colis\u00e3o, mesmo que com um peda\u00e7o pequeno de lixo espacial, pode ter consequ\u00eancias graves e produzir ainda mais fragmentos. Como s\u00e3o muitos, a situa\u00e7\u00e3o merece aten\u00e7\u00e3o, avaliam especialistas. \u201cParte do equipamento enviado em miss\u00f5es espaciais fica por l\u00e1\u201d, diz Bruno Castilho, diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Astrof\u00edsica, o LNA, em Minas Gerais. \u201cA maioria continua em \u00f3rbita por muitas d\u00e9cadas. Existem cerca de 18 mil fragmentos com mais de 8 cent\u00edmetros. Se considerar peda\u00e7os menores, existem mais de um milh\u00e3o, mas isso \u00e9 estimativa.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 2009, o sat\u00e9lite russo Kosmos 2251 colidiu com o americano Iridium 33, causando a destrui\u00e7\u00e3o de ambos. Essa foi a primeira grande colis\u00e3o entre dois sat\u00e9lites e gerou pelo menos 1.668 fragmentos de lixo espacial, segundo o documento As dez maiores destrui\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites reavaliadas, \u00a0publicado pela Nasa em 2016. Os 10 maiores eventos produziram, juntos, \u00a09.137 fragmentos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cEssas colis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o muito comuns, mas o lixo espacial aumenta rapidamente. A cada vez que acontecem, o n\u00famero multiplica\u201d, completa Bruno. \u201cA Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional tem motores a jato e, toda vez que ela entra em uma \u00e1rea na qual existem peda\u00e7os de lixo espacial catalogados, gasta combust\u00edvel para mudar sua \u00f3rbita.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong>\u201cAvalanche catastr\u00f3fica\u201d<\/strong><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>O risco de colis\u00f5es foi tema de uma confer\u00eancia de especialistas em maio, na cidade de Camberra, na Austr\u00e1lia. Na ocasi\u00e3o, Ben Greene, chefe do Centro de Pesquisa Espacial australiana, que organizou o encontro, disse que \u00e9 poss\u00edvel a ocorr\u00eancia de \u201cuma avalanche catastr\u00f3fica de colis\u00f5es que poderia destruir rapidamente todos os sat\u00e9lites em \u00f3rbita\u201d. Segundo ele, apenas 22 mil desses peda\u00e7os s\u00e3o rastreados, muitos deles se deslocando com velocidade superior a 27 mil quil\u00f4metros por hora, em meio a uma infraestrutura espacial de US$ 700 bilh\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os preju\u00edzos j\u00e1 s\u00e3o contabilizados. \u201cPerdemos tr\u00eas ou quatro sat\u00e9lites por ano por colis\u00f5es com restos espaciais. Estamos muito perto, segundo estimativas da Nasa, de perder tudo dentro de cinco a 10 anos\u201d, disse Greene. O desenvolvimento de tecnologia de rastreamento dos restos espaciais \u00e9, segundo o especialista, uma das apostas do setor para amenizar o problema. (VC)<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><strong>Monitoramento brasileiro<\/strong><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Desde 5 de abril, o Brasil tem um telesc\u00f3pio em funcionamento dedicado a detectar peda\u00e7os de lixo espacial. O telesc\u00f3pio russo, como \u00e9 conhecido, foi instalado no Observat\u00f3rio Pico dos Dias, na cidade de Braz\u00f3polis, em Minas Gerais, e \u00e9 fruto de uma parceira entre a ag\u00eancia espacial russa e o Laborat\u00f3rio Nacional de Astrof\u00edsica, o LNA.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cA detec\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por fotografias\u201d, disse Bruno Castilho, diretor do LNA. \u201c\u00c9 feita uma imagem por minuto, acompanhando as estrelas. Os sat\u00e9lites e os lixos espaciais formam riscos na imagem. Os objetos s\u00e3o comparados com um cat\u00e1logo e, se eles j\u00e1 foram observados, \u00e9 poss\u00edvel atualizar os dados de suas \u00f3rbitas. Al\u00e9m disso, o LNA tem acesso a essas imagens para estudos em astrof\u00edsica.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O telesc\u00f3pio, em sua fase de testes, foi capaz de detectar 200 fragmentos de lixo espacial em uma \u00fanica noite. O Observat\u00f3rio Pico dos Dias fica a 1.800 metros de altitude e tem uma vis\u00e3o privilegiada do c\u00e9u: o local j\u00e1 contava com outros quatro telesc\u00f3pios.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como as toneladas de lixo que poluem rios, mares e florestas, a humanidade deixa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":68632,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/lixo_espacial.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Assim como as toneladas de lixo que poluem rios, mares e florestas, a humanidade deixa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68631"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68631"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68631\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68632"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}